Agricultura Geral

Agricultura Geral

(Parte 2 de 9)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DEPT. FITOTECNIA E FITOSSANITARISMO DISCIPLINA AGRICULTURA GERAL (AF001) PROFS. OSWALDO TERUYO IDO E RICARDO AUGUSTO DE OLIVEIRA

3.1.5) MÃO-DE-OBRA: fazer levantamento do tipo de mão-de-obra existente nas proximidades da propriedade, se especializada ou não para o tipo de exploração que se deseja. Deve-se conhecer também o padrão de vida da população da região e preços pagos.

3.1.6) ADMINISTRAÇÃO: é fundamental que sejam adotados métodos estatísticos e contábeis para o controle da marcha normal da exploração, evitar desperdícios e aumentar o rendimento das culturas e dos trabalhos. O sucesso da exploração esta diretamente relacionado com o administrador, porque é ele que controla e analisa todos os demais fatores.

3.1.7) CUSTO DE VIDA: visto da propriedade para a região em que esta localizado é importante para o estabelecimento, exploração e colocação dos produtos no mercado em quantidade e qualidade que atendem a demanda. É uma relação direta com a aquisição financeira do pessoal.

3.2) FATORES SOCIAIS:

Os fatores sociais estão relacionados com o bem estar dos trabalhadores e suas famílias, devemos levar em consideração principalmente a existência de escolas, hospitais, igrejas, ambulatórios e centros recreativos. A existência e acesso a esses fatores esta a estabilidade de mão-de-obra e a garantia de exploração.

São fatores relacionados com a localização distrital, municipal e estadual da propriedade e com a administração publica. A importância esta nos benefícios como a conservação de estradas, pôr exemplo, e nas obrigações em relação aos operários, contribuições sociais e pagamento de impostos.

Qualquer destes fatores extrínsecos ou intrínsecos, isoladamente, não mostram importância em função de um exploração que se quer desenvolver. Porem adquirem importância cada vez mais crescente a medida que são analisados em conjunto garantindo o sucesso da exploração ou coerência numa avaliação.

O preparo do solo refere-se ao conjunto de operações realizadas com a finalidade de dar ao terreno condições de receber sementes ou órgãos de reprodução vegetativa de plantas cultivadas. Porém, quando o solo apresenta vegetação natural (matas, capoeiras, campo nativos) ou alto teor de umidade (solos de várgeas), torna-se necessária a remoção desses obstáculos para a instalação de culturas. Às operações então requeridas são chamadas operações de preparo inicial do solo, que substituem a condição encontrada no solo por outra cultivável.

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1. PREPARO INICIAL EM TERRENO DE MATAS

Nestes solos, o trabalho de adaptação é chamado desbravamento e consta das seguintes operações:

•Corte de toda a vegetação espontânea

• Liberação do solo da vegetação cortada

•Destruição e extirpamento dos tocos e raízes

1.1.1. Roçada:
1.1.2. Derrubada

1.1. Corte de toda a vegetação espontânea Dependendo do tipo de vegetação, clima, solo e tempo selecionou-se o melhor sistema de desbravamento quer seja roçada ou derrubada. Corte da vegetação de pequeno porte (mato fino) utilizando foice e/ou facão.ao Corte da vegetação de grande porte. São empregados métodos manuais (machado, serra, moto-serra) ou mecanizados (correntão, lâminas cortadoras). O método mais utilizado atualmente é o correntão tracionado por dois tratores cuja distância entre eles é determinada pela densidade da vegetação e pelo comprimento do correntão. Buscando-se um melhor desempenho dos tratores, recomenda-se que o comprimento do correntão seja aproximadamente 3 vezes a distância que operam os dois tratores.

A época para o uso deste sistema é muito importante pois estando o solo muito seco as árvores partem ao nível do solo restando os tocos indesejáveis encarecendo a operação, por outro lado, em épocas de muita úmidas as árvores são arrancadas com o sistema radicular e solo formando crateras e dificultando sua eliminação nas leiras e também dificultando o preparo do solo . Normalmente estes tratores estão equipados com a lâmina KG e o empurrador de árvores para facilitar o deslocamento na mata e possíveis árvores que não sejam derrubadas com o correntão.

1.2. Liberação do solo da vegetação cortada Poderá ser realizado com a retirada da madeira, encoivaramento e queimada. 1.2.1. Retirada da madeira: Após a derrubada o solo fica coberto de troncos cortados. Estes por sua vez, são selecionados conforme o mercado que se destinam (serraria, para construção de casas ou fabricação de móveis: indústrias e fábricas como combustível). O beneficiamento pode ser realizado no terreno ou nas unidades a que se destinam.

1.2.2. Encoivaramento: Consiste no agrupamento e disposição das coivaras (amontoa de galhos, ramos finos, cipós e folhas). Esta operação pode ser feita manualmente ou com o trator equipado com ancinho ou mesmo a própria lâmina KG. A vantagem do ancinho é que não amontoa terra junto por ser dentado.

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1.2.3. Queimada: É uma prática condenável (Lei Estadual 8014) em função da destruição da matéria orgânica (diminuição da atividade biológica do solo) e da cobertura do solo (fatores que contribuem para a erosão do solo), no entanto, o aspecto econômico tem sido apontado como fator principal na adoção desta prática. Os defensores das queimadas alegam ainda como vantagens a eliminação de pragas e patógenos e aumento nos teores de k pela quantidade de cinzas que fica incorporado ao solo. A queima das coivaras enleiradas se restringe a pequenas áreas e diminui o impacto sobre o sistema biológico do solo.

1.3. Destruição e estirpamento de tocos e raízes A destoca consiste em desobstruir o solo facilitando o preparo anterior ao plantio. Envolve operações de alto custo e por se tratar de uma benfeitoria permanente dificilmente poderá ser amortizada com o lucro de uma única safra. A destoca divide-se em duas operações:

•Eliminação dos tocos no local

•Erradicação dos tocos

1.3.1. Eliminação dos tocos no local Pode ser processado de três maneiras distintas: apodrecimento, queima e o emprego de explosivos. A decomposição natural dos tocos pode ser ativada com substâncias químicas, a base de nitratos (salitre), introduzidos nos tocos, através de orifícios efetuados com trados. A queima consiste em amontoar galhos e folhas sobre os tocos e queimá--los. Este procedimento deve ser repetido o que o torna demorado. Os explosivos são utilizados principalmente quando não se dispõe de máquinas adequadas para eliminação dos tocos. Usa-se de preferência dinamite que é introduzido em orifícios efetuados na base do tronco. As atividades que envolvem a eliminação dos troncos no local devem ser completada com enxada e machado que extraem os remanescentes não destruídos.

1.3.2. Erradicação dos tocos: Consiste na extração de tocos por processos manuais ou mecânicos.

1.3.2.1. Processos manuais: Consiste no corte das raízes mais desenvolvidas e grossas, com machado, após serem convenientemente descobertas pela enxada ou picareta. Realizado este trabalho preliminar, procede-se a extração dos tocos, arrancado-os por intermédio de uma corrente ou cabo de aço, puxado por um suficiente número de animais de tração ou pessoas.

1.3.2.2. Processos mecânicos: utilizam-se máquinas tracionadas por motores ou animais. Dos tracionados a motores, destacam-se os “arados de vassoura”, os “arranca tocos” e as “lâminas escavadoras”.

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Os arados de vassoura e os arranca tocos são arados fortíssimos que praticam um revolvimento enérgico do solo, extirpando as raízes e arrancando os tocos de arbustos (capoeiras). As lâminas escavadoras compõem-se de uma espessa lâmina de aço adaptada a frente dos tratores de roda ou tratores de esteira (do qual é própria), com a finalidade de arrancar tocos e até derrubar árvores que se opõem ao seu deslocamento. Estas lâminas também servem para serviços de nivelamento de terreno, terraplanagem e construções de terraços. Em tratores de esteiras, com alta potência, quando são utilizados para o derrubamento de árvores, a operação e facilitada adaptando-se um empurrador de árvores sobre a lâmina. As máquinas de tração animal, hoje praticamente em desuso, sobressaem os destocadores, que baseiam-se em simples princípios de mecânica, relacionados ás alavancas e roldanas.

Nivelamento do Terreno

Após concluídos os trabalhos de desbravamento e destoca, a superfície do solo torna-se muito irregular dificultando o bom funcionamento das máquinas agrícolas. O nivelamento do terreno portanto, é uma prática importante que deve anteceder o preparo do solo. Os implementos usados no nivelamento podem ser manual (enxada, pá, picareta) ou mecânico (tratores com grade Rome e plainas niveladoras).

A seqüência das operações de desbravamento são: (em áreas irrigadas) Fase I: Preparo das áreas para o levantamento topográfico. -desmatamento e limpeza;

- gradagens;

- pré-nivelamento Fase I: Sistematização. - movimentação grosseira ou macronivelamento

- gradagens

- movimentação fina ou micronivelamento Fase I: Preparo do solo - subsolagem

- nivelamento

OBSERVAÇÃO: É recomendável depois do desmatamento inicial e da primeira aração do terreno, que seja feita a semeadura de leguminosas (soja, crotalária). As leguminosas possuem sistema de raízes nodulares que contém grande reserva de bactérias fixadoras de nitrogênio, elemento que fixam do ar atmosférico e que nitrifica o solo decompondo as raízes da vegetação eliminada. Além disso, as leguminosas também sombreiam o terreno e impedem o rebrote de raízes cortadas durante o tempo em que ocorre a sua decomposição.

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2. PREPARO INICIAL EM TERRENOS DE CAMPO

TABELA 01Capacidade dos pastos - (IBGE, 1980)

Normalmente, a falta de critérios na exploração dos solos de campos nativos vem acarretando a degradação de grande parte dessas áreas. Essa degradação se faz sentir nos baixos índices de brotação atualmente obtidos nas diversas regiões do estado (tabela, 01).

REGIÃO UNIDADE/ha

Londrina 1.4 Paranavaí 1.4 Apucarana 1.3 Extremo Oeste 1.6

Essas regiões já apresentam índices de lotação de 2.5 a 3.0 U.a./ha. Os efeitos direto no solo são a redução da cobertura vegetal, aceleração do processo erosivo, redução da M.O. e a conseqüente diminuição da fertilidade das mesmas. Dentre as causas da degradação das pastagens estão a queda natural da fertilidade do solo, o fogo indiscriminado, não reposição dos nutrientes ao solo, o aparecimento de invasoras e o ataque de pragas e doenças.

Após o diagnóstico, outros procedimentos preliminares deverão ser seguidos, são eles:

Antes de se iniciar um processo de adaptação dos terrenos de campo é necessário portanto diagnosticar detalhadamente as áreas de interesse. Este diagnóstico portanto envolve a análise da fertilidade do solo (química e orgânica), grau e localização da compactação do solo, infestação de invasoras (grau e tipo) e intensidade e natureza da erosão. • Escolha do local

• Vedação

• Arroteia

• Alqueive

1. Escolhas do local

problemas de erosão

Devem ser preferidos terrenos menos acidentados, com até 10% de declividade reduzindo os

Os solos planos e de várzeas não sofrem efeitos maléficos da erosão superficial. Os solos baixos pôr outro lado, apresentam maior teor de umidade, requerendo muitas vezes a drenagem. Solos planos ou levemente ondulados são os mais indicados para a mecanização.

2. Vedação

Consiste em isolar os campos de cultivo não cultivados e dos destinados à criação. Esta vedação é feita com cercas para evitar a entrada de animais e tráfico de pessoas e maquinas.

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É a primeira aração que se procede no terreno. A queima da vegetação não e recomendável. O emprego de arado de discos ou roçadeiras auxiliam no corte da cobertura vegetal facilitando a aração. Após a aração , a vegetação enterrada irá decompor-se e originar o húmus que melhorará de forma simples e econômica o solo.

4. Alqueive

Consiste em abandonar o campo pôr um determinado período, sem culturas, porém continuamente trabalhado para arejá-lo e limpa-lo das ervas daninhas. neste intervalo de tempo alguns dos elementos insolúveis tornam-se assimiláveis e irão nutrir a cultura a seguir.

Os alqueive pode ser empregado quando os solos são pobres em nutrientes e matéria orgânica esgotadas pôr sucessivas culturas ou ainda pôr apresentar alta infestação de plantas daninhas. O alqueive acelera a decomposição da vegetação natural incorporada. É uma prática que tecnicamente deveria ser utilizada quando do preparo do solo inicial em terras de campo a fim de homogeneizar a superfície do solo , dando melhores condições a implantação da lavouras. Em adição a essa prática a adubação verde (aveia preta) para cobertura do solo inicial no inverno dará melhores condições a cultura de verão.

3. PREPARO INICIAL EM SOLOS ÁRIDOS

Este tipo de solo está sujeito à erosão eólica. A mobilidade destes solos é influenciada pelo baixo teor de umidade e matéria orgânica, a velocidade dos ventos, as condições da superfície (cobertura vegetal) e as características físicas do solo.

A exploração agrícola é difícil pois além da terra movimentada há o risco de exposição das raízes ou em caso contrário, cobertas pelos detritos em movimento.

Para que esse tipo de solo seja explorado, algumas técnicas de manejo devem ser adotadas para controlar o processo erosivo. Como práticas recomendadas podem ser citadas a irrigação para aumentar a agregação das partículas ,adubação orgânica (esterco , adubação verde) para aumentar a estabilidade do solo e fornecendo nutrientes , recomenda-se o plantio em faixa dificultando e diminuindo a velocidade do vento e por ultimo a construção de quebra ventos com paliçadas ou mesmo de árvores permanentes impedindo a ação dos ventos sobre o solo , pois é ele o responsável pela mobilidade do mesmo . SOLOS DO CERRADO

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As atividades que buscam estabelecer as condições físicas e químicas adequadas à exploração agrícola dos solos são quase sempre negligenciadas .

Para iniciar uma lavoura não basta eliminar a vegetação nativa é preciso seguir as etapas funda mentais indispensáveis para qualquer região , considerando as características próprias quanto a solo , climatologia , topografia , regime pluviométrico e etc. Sintetizando , a mecanização pré-cultural envolve as seguintes fases:

DESMATAMENTO : pode ser feito com lâmina e ancinho ou correntão.

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