Livro de filosofia

Livro de filosofia

(Parte 2 de 10)

1. A formação do Estado nacional 298/ 2. A Itália dividida: Maquiavel 299/ 3. Soberania e Estado moderno 302/ 4. Hobbes e o poder absoluto do Estado 303/ 5. A teoria política de Locke 304/ 6. O liberalismo clássico 305/ 7. O liberalismo do século XVIII 306/ 8. A concepção política da modernidade 309

Leitura complementar I. Maquiavel, 310//1. Hobbes, 3/0 / 1/1. Locke, 3/0 / IV. Rousseau, 310

Atividades 311

Unidade 6

Capitulo 25 Liberalismo e democracia 312

1. Liberdade ou igualdade? 313 / 2. O liberalismo inglês 313 / 3. O liberalismo francês 314 / 4. Hegel: a crítica ao contratualismo 314/ 5. As contradições do século XIX 316

Leitura complementar Norberto Bobbio: Liberdade e igualdade 317

Atividades 318

Capitulo 26 As teorias socialistas 319

1. A origem do proletariado 320/ 2. O socialismo utópico 321/ 3. O marxismo 322/ 4. O anarquismo: principais ide ias 327 / 5. O socialismo no século X 328/ 6. Fim da utopia socialista? 331

Leitu,ra complementar Karl Marx: Prefácio à Contribuição à critica da economia política 332

Atividades 3

Capitulo 27 oliberalismo contemporâneo 334

1. Um retrospecto 335/ 2. Liberalismo social 335/ 3. Liberalismo de esquerda 336/ 4. Neoliberalismo 337/ 5. Para não finalizar 338

Atividades 339

Filosofia das ciências 340

Capitulo 28 Ciência, tecnologia e valores 342

1. Que caminho devo tomar? 342/ 2. Senso comum e ciência 343/ 3. O método científico 345/ 4. A comunidade científica 345/ 5. Ciência e valores 346/ 6. Benefícios das ciências, para quem? 347/ 7. A responsabilidade social do cientista 348

Leitura complementar

~, -( -,' c..

Gérard Fourez: Eficácia e limites do domínio científico 349 Atividades 350

Capitulo 29 Ciência antiga e medieval 351

1. Filosofia e ciência 351/ 2. Geometria e medicina 352/ 3. Platão 352/ 4. Aristóteles 354/ 5. Alexandria e a escola helenística 357/ 6. A ciência na Idade Média 358/ 7. A decadência da escolástica 361 / 8. Um balanço final 361

Leitura complementar Umberto Eco: Um método para chegar a uma verdade provável 362

Atividades 363

Capitulo 30 A revolução científica do século XVII 364

1. Uma nova mentalidade 365/ 2. Características do pensamento moderno 365/ 3. Galileu e as duas novas ciências 366/ 4. A síntese newtoniana 368/ 5. Novas ciências, novo mundo 369

Leitura complementar Alexandre Koyré: A revolução científica 370

Atividades 371

Capitulo 31 o método das ciências da natureza 372

1. O desafio do método 373/ 2. A investigação científica 373/ 3. O método experimental 374/ 4. A ciência como construção 378/ 5. O desenvolvimento das ciências da natureza

379/ 6. A crise da ciência 381 / 7. Novas orientações epistemológicas 382/ 8. A ambiguidade do progresso científico 384

Atividades 385

Capitulo 32 ométodo das ciências humanas 386

1. Explicar e compreender 387/ 2. Dificuldades metodológicas das ciências humanas 387/ 3. O nascimento das ciências humanas 389/ 4 A psicologia comportamentalista 390/ 5. A psicologia da forma 392/ 6. Freud e o inconsciente 393/ 7. As três instâncias do aparelho psíquico 394/ 8. Retomando a controvérsia 396

Atividades 397

Capitulo 3 Estética: introdução conceitual 400

1. Conceito e história do termo estética 401 / 2. O belo e o feio: a questão do gosto 402 / 3. A atitude estética 404 / 4. A recepção estética 404 / 5. A compreensão pelos sentidos 405

Leitura complementar Arthur C. Danto: A arte depois de seu fim 406

Atividades 407

Capitulo 34 Cultura e arte 408

412 / 4. Arte e cultura 413

1. Cultura hip-hop 409/ 2. Os sentidos de cultura 409/ 3. As diferenças entre arte e cultura

Leitura complementar Car/os Haag: Quem não sabe dançar improvisa 414

Atividades 415

Capitulo 3S Arte como fonna de pensamento 416

1. Retrato de uma infância 417 / 2. Arte é conhecimento intuitivo do mundo 417 / 3. Funções da arte 421/ 4. O conhecimento pela arte 423

Leitura complementar Tonica Chagas: Industrialização das tintas e seu reflexo nas artes 424

Atividades 426

Capitulo 36 A significação na arte 427

1. A especi fi cidade da informação estética 428 / 2. A forma 429 / 3. O conteúdo 431 / 4. A educação em arte 433 / 5. A importância de saber ler uma imagem 434

Leitura complementar José Teixeira Coelho Netto: Interpretação 435

Atividades 436

Capitulo 37 Concepções estéticas 437

1. Isto é arte? 437 / 2. A arte grega e o conceito de naturalismo 439/ 3. A estética medieval e a estilização 441/ 4. O naturalismo renascentista 442/ 5. Racionalismo e academismo: a estética normativa 442/ 6. Os empiristas ingleses 443 / 7. Kant e a crítica do juízo estético 4/ 8. O idealismo de Schiller 445 / 9. A estética romântica 445/ 10. A modernidade e o formalismo 446/ 1. O pós-modernismo 447/ 12. O pensamento estético no Brasil 448/ 13. Como ficamos? 449

Leitura complementar Gilles Lipovetsky: Novidade 450

Atividades 451 Quadro cronológico 452 Correntes filosóficas do século X 455 Vocabulário 456 Sugestões bibliográficas 460 rndice de nomes 463 Sugestões 468

~ Capitulo 1

A experiência filosófica, 14 p 'tulo 2

A consoiência minca, 25

Cap tulo 3 O nascimento da filosofia, 36

Mulher chorando. Pablo Picasso,1937

reintroduzir o caos

o que o texto nos diz? Diz que esses artistas romperam com as convenções da arte acadêmica, que buscava a reprodução fiel da realidade: "abriram uma fenda no guarda-sol", o que introduz o "caos" no nosso olhar cotidiano, acostumado a um certo modo de ver. O artista subverte nossa acomodada sensiblhdade e nos convida a apreciar o novo. Até quando? Até o momento de abrir novamente outras fendãs e

Agora, reescreva com suas palavras o que os filósofos Deleuze e Guattari afirmam sobre a função do artista e do filósofo de abrirem "fendas no guarda-sol das opiniões prontas". Em que sentido eles "instauram o caos"? Que tipo de caos?

Nem sempre o real é o que nos parece ser

oque você vê? Um homem caindo? Olhe de novo: uma certa estranheza no "modo de cair" põe em dúvida nossa constatação inicial. Intrigados, nos perguntamos sobre o significado desse movimento: O que é isso? O que vejo de fato?

Essa fotografia faz parte de uma sequência de imagens de dançarinos -malabaristas de rua de Paris. Nela o fotógrafo conseguiu flagrar o momento exato em que um dançarino está no meio de uma pirueta. Essas fotos constituem a série 9ueda, que lhe rendeu o prêmio da World Photo 2007. Darzacq imprimiu às imagens de aparente queda livre sua percepção das mobilizações de jovens, a maioria estudantes, que em 2006 agitaram a França em protesto contra as düiculdades de emprego para as novas gerações do pais.

Aproveitando a sensação de espanto que essa foto nos provoca, podemos fazer uma analogia com a filosofia. É ela que propicia um olhar de estranheza diante de tudo que nos parece óbvio: a experiência filosófica pressupõe constante disponibilidade para se surpreender e indagar.

D Como é o pensar do filósofo?

Leia o relato do filósofo francês André Com te -SponviUe:

[...] A cena se desenrola no início do século X, num lugarejo da França rural. Um jovem professor de filosofia passeia com um amigo eencontra um camponês, que seu amigo conhece, lhe apresenta e com o qual nosso filósofo troca algumas palavras. -Oque o senhor faz! -indaga o camponês

-Sou professor de filosofia

-Isso é profissão!

-Por que não! Acha estranho!

-Um pouco' -Por quê?

nada

-Um filósofo é uma pessoa que não liga para Não sabia que se aprendia isso na escola.

Na continuidade do texto, Sponville assim comenta o diálogo:

dizia Epicuro []. Digamos que só é tarde demais

oque é um filósofo? Éalguém que pratica a filosofia, em outras palavras, que se serve da razão para tentar pensar o mundo e sua própria vida, a fim de se aproximar da sabedoria ou da felicidade. E isso se aprende na escola? Tem de ser aprendido, já que ninguém nasce filósofo e já que a filosofia é, antes de mais nada, um trabalho. Tanto melhor, se ele começar na escola. O importante é começar, e não parar mais. Nunca é cedo demais nem tarde demais para filosofar, quando já não é possível pensar de modo algum. Pode acontecer. Mais um motivo para filosofar sem mais tardar.1

Heráclito e Demócrito, afresco de Donato Bramante, c. 1500. O artista representa uma velha história sobre os pré-socráticos Heráclito e Demócrito (séc. V a.c.), segundo a qual o primeiro era o "filósofo que chora" e o outro o "filósofo que ri". Em que medida um filósofo pode lamentar ou ironizar o comportamento das pessoas? otexto de Sponville termina com uma constatação: a de que só não filosofam aqueles para quem "já não é possível pensar de modo algum". Nesse ponto, cabe a pergunta: afinal, só pensa e reflete quem filosofa? É claro que não, já que você pensa quando resolve uma equação matemática, reflete criticamente ao estudar história geral, pensa antes de decidir sobre o que fazer no fim de semana, pensa quando escreve um poema.

Então, que tipo de "pensar" é esse, do filósofo? Não é melhor nem superior a todos os outros, mas sim dife rente, porque se propõe a "pensar nossos pensamen tos e ações". Dessa atitude resulta o que chamamos experiência filosófica. Ao criar ou explicitar conceitos, os filósofos delimitam os problemas que os intrigam e buscam o sentido dessespensamentos e ações, para não aceitarem certezas e soluções fáceis demais.

Se olharmos com atenção esta tira do cartunista argentino Quino, constatamos que Mafalda faz uma interrogação filosófica sobre o sentido da existência, mas seu amigo Felipe quer se livrar o mais rapidamente dessa questão, ou seja, recusa-se a essa forma de pensar.

AlGUMA VE Z VocÊ.J/ô. SE PERGUNTOU PARA

MEU-tOR'

Tirinha da Mafalda, personagem criada pelo argentino Quino.Mafa/da 3, 1968. Em: LAVADO, Joaquim Salvador (Quino). Toda Mafa/da: da primeira à última tira. São Pa ulo: Martins Fontes, 1991. p. 79.

COMTE-SPONVlLLE, André. Dicionáriofilosófico. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 251-252. Aexperiência filosófica Capítulo 1

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QuÊ" MUNDO?

Tirinha da Mafalda, personagem criada pelo argentino Quina. Mafa/da 3, 1968. Em: LAVADO,Joaquim Salvador (Quina). Toda Mafa/da: da primeira à última tira. São Paulo: Martins Fontes,1991. p. 79.

Os que acompanham o trabalho de Quino sabem que Manolito tem uma mentalidade 12m mática. Por isso, nesta outra tira, promete dar uma resposta no dia seguinte, sem perceber que essa pergunta fundamen tal não depende de procurar uma informação qual quer. Trata-se de um problema filosófico permanen temente aberto à discussão e para o qual não existe . resposta unânime.

fJ A filosofia de vida

Talvez você tenha percebido que existe outra ideia permeando a explicação dada por Sponville no início do capítulo: a de que é possível a qualquer pessoa pro por questões filosóficas. De fato, na medida em que somos seres racionais e sensíveis, sempre damos sen tido às coisas. A esse "filosofar" espontâneo de todos nós, chamamos de filosofia de vida. A propósito desse assunto, o filósofo italiano Antonio Gramsci diz:

não se pode pensar em nenhu m homem que não seja também filósofo, que não pense, precisamente porque o pensar é próprio do homem como tal. 2

Então as questões filosóficas fazem parte do nosso cotidiano? Fazem sim. Quando alguém decide votar em um candidato por ser de determinado par tido político; quando troca o emprego por outro não tão bem remunerado, mas que é mais de seu agrado; quando alterna a jornada de trabalho com a prática de esporte ou com a decisão de ficar em casa assis tindo à tevê; quando investe na educação dos filhos, e assim por diante. É preciso reconhecer que exis" tem critérios bem diferentes fundamentando tais decisões, pois há valores que entram em jogo nes sas escolhas, e a indagação sobre os valores é uma tarefa filosófica.

i :5 z s o

Quantas vezes você já se perguntou sobre o que é o amor, a amizade, a fidelidade, a solidão, a morte? Certamente, não só pensou sobre esses assuntos, como eventualmente discutiu a respeito com seus amigos, observando que às vezes os pontos de vista não coincidem. Essas divergências também ocorrem entre os filósofos .

Com isso, não identificamos a filosofia de vida com a reflexão do filósofo propriamente dita, mas nota mos que as indagações filosóficas permeiam a vida de todos nós. Os filósofos especialistas conhecem a história da filosofia e levantam problemas que ten tam equacionar não pelo simples bom-senso, mas por meio de conceitos e argumentos rigorosos.

Por conta dessa afinidade que todos temos com o filosofar, parece claro que seria proveitoso sabermos um pouco sobre como os filósofos se posicionaram a respeito de determinados temas. Desse modo, você poderá enriquecer sua reflexão pessoal por meio de uma argumentação mais rigorosa, o que não significa sempre concordar com eles. Muito pelo contrário, a dis cussão filosófica está sempre aberta à controvérsia.

D Para 'que serve a filosofia?

Retomando o texto de abertura do capítulo: será que a opinião do camponês destoa do que muita gente pensa a respeito do filósofo, quando diz ser ele "uma pessoa que não liga para nada"? Essa ideia não estaria ligada a outra: a de achar que a filosofia não serve para nada?

Afinal, qual é a "utilidade" da filosofia? Vivemos num mundo que valoriza as aplicações imediatas do conhecimento. O senso comum aplaude a pesquisa científica que visa à cura do câncer ou da aids; a matemática no ensino médio seria importante

Pragmático. No contexto, aquilo que diz respeito à aplicação prática, à utilidade.

GRAMSCl, Antonio. Obras escolhidas. São Paulo: Martins Fontes, 1978. p. 45. Unidade 1 Descobrindo afilosofia por "cair" no vestibular; a formação técnica do advo gado, do engenheiro, do fisioterapeuta prepara para o exercício dessas profissões. Diante disso, não é raro que alguém indague: "Para que estudar filosofia se não vou precisar dela na minha vida profissional?"

De acordo com essa linha de pensamento, a filo sofia seria realmente "inútil", já que não serve para nenhuma alteração imediata de ordem prática. No entanto, a filosofia é necessária. Por meio daquele "olhar diferente", ela busca outra dimensão da reali dade além das necessidades imediatas nas quais o individuo encontra-se mergulhado: ao tornar-se capaz de superar a situação dada e repensar o pensamento e as ações que ele desencadeia, o individuo abre-se para a mudança. Tal como o artista, a que nos referimos na abertura do capítulo, ao filósofo incomoda o imobi lismo das coisas feitas e muitas vezes ultrapassadas.

Por isso mesmo, a filosofia pode ser "perigosa", por exemplo, quando desestabiliza o ,staJus quo ao se con frontar com o poder. É o que afirma o historiador da filosofia François Châtelet:

Desde que há Estado -da cidade grega às burocracias contemporâneas -, a ideia de verdade sempre se voltou, finalmente, para o lado dos poderes [...]. Por conseguinte, a contribuição específica da filosofia que se coloca a serviço da liberdade, de todas as liberdades, é a de minar, pelas análises que ela opera e pelas ações que desencadeia, as instituições repressivas e simplificadoras: quer se trate da ciência, do ensino, da tradução, da pesquisa, da medicina, da família, da polícia, do fato carcerário, dos sistemas burocráticos,

arrancá-la

°que importa é fazer aparecer a máscara, deslocá-Ia, 3

Sempre há os que ignoram os filósofos. Mas não é o caso dos ditadores: estes os fazem calar, pela censura, porque bem sabem quanto eles ameaçam seu poder.

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