TEORIAS DE RELACOES INTERNACIONAIS - 1a - GILBERTO SARFATI

TEORIAS DE RELACOES INTERNACIONAIS - 1a - GILBERTO SARFATI

(Parte 1 de 5)

Com uma imensa diversidade teórica, esta obra mostra que, apesar de seu caráter multidisciplinar, as Relações Internacionais possuem um desenvolvimento próprio, distinto de outros campos das Ciências Sociais.

O livro está dividido em duas partes. Na primeira são discutidas questões de fundo das Relações Internacionais, como tradições científicas, paradigmas clássicos, questões de guerra e cooperação, além das linhas tradicionais de pensamento, como Realismo e Idealismo Clássico, Realismo Moderno, Liberalismo, contribuições marxistas, Escola Inglesa, contribuição neomarxista, Neoliberalismo e Neo-Realismo. A segunda parte representa um divisor de águas no desenvolvimento das teorias de Relações Internacionais. O final da Guerra Fria provocou uma mudança estrutural levando ao surgimento de um novo mundo, abandonando a bipolaridade entre Estados Unidos e União Soviética.

A obra mostra que as teorias derivadas do Realismo continuam relevantes, mas agora devem disputar a atenção e o espaço acadêmico das Relações Internacionais com as teorias com tradições epistemológicas bastante distintas, associadas ao pós-positivismo, como o Pós-Modernismo, a Teoria Crítica e o Feminismo.

Com isso, Teoria de Relações Internacionais é uma das mais completas da área, ideal para quem quer entender a forma de pensar as Relações Internacionais.

Este livro pode ser utilizado nas seguintes disciplinas: Relações Internacionais, Teoria das Relações Internacionais.

Teorias de Relações Internacionais

Gilberto Sarfati

Teorias de Relações Internacionais

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Sarfati, Gilberto

Teoria das relações internacionais / gilberto Sarfati. — São Paulo : Saraiva, 2005.

Anexo Inclui Bibliografia ISBN 85-02-05115-6

1. Relações Internacionais I. Título

CIP-BRASIL. CAtALogAção nA Fonte SIndICAto nACIonAL doS edItoReS de LIvRoS, RJ.

ISBn 978-85-02-05115-6

04-3357 CDD-327 CDU-327 direção editorial Coordenação editorial

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Foto de Capa

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Flávia Alves Bravin

Ana Paula Matos Gisele Folha Mós Juliana Rodrigues de Queiroz Rita de Cássia da Silva

Daniela Nogueira Secondo Rosana Peroni Fazolari

Nathalia Setrini Casa de Idéias Rogério Trajano/F3 Propaganda Ltda. Gabriela Butcher Marina Leme Liliane Cristina Gomes

1ª tiragem: 2005
2ª tiragem: 2006
3ª tiragem: 2007
4ª tiragem: 2011

1ª Edição

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora Saraiva. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na lei nº 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.

Copyright © Gilberto Sarfati 2005 Editora Saraiva Todos os direitos reservados.

Contato com o editorial editorialuniversitario@editorasaraiva.com.br

Sobre o autor

Gilberto SarfatiGilberto SarfatiGilberto SarfatiGilberto SarfatiGilberto Sarfati é economista, mestre em Relações Internacionais com especialização em diplomacia por The Hebrew University of Jerusalem (Israel), doutorando em Relações Internacionais pelo Departamento de Ciências Políticas da FFLCH/USP. Leciona nos cursos de Relações Internacionais da FAAP, Centro Universitário Belas Artes, Faculdades Integradas Rio Branco, Facamp e em cursos de extensão do NUPRI-USP. Já lecionou em cursos de MBA do Ibmec e Faculdades Trevisan. Já atuou como VP do Webster Bank no Brasil, Country Manager da Segurlink e diretor de Novos Negócios da Nexxy Capital. Atualmente é consultor sênior da Resolve Global Marketing.

gsarfati@editorasaraiva.com.br

Gostaria de começar agradecendo meu professor de Política Internacional no

Colégio Oswald de Andrade, o já falecido Professor Chacon, que entusiasticamente me introduziu ao maravilhoso mundo das Relações Internacionais ainda no meu 1º Colegial. Obrigado ao meu primeiro professor de Teoria das Relações Internacionais, dr. Arie Kacowicz, da Universidade Hebraica de Jerusalém, que me deu os conhecimentos básicos para lidar com o complexo mundo das relações internacionais. Agradecimentos especiais ao meu professor de teoria do mestrado, ainda na Universidade Hebraica de Jerusalém, Professor Emanuel Adler, sem nenhuma dúvida sem ele não existiria este livro, eu não seria professor e nem gostaria tanto de relações internacionais. Como ele foi um excepcional mestre para mim busco ser para meus alunos. Aliás, obrigado a todos meus ex-alunos de Teoria de Relações Internacionais nas Faculdades Integradas Rio Branco; cada um de vocês, com suas questões, ajudou a dar forma a este livro. Agradeço também ao Professor José Augusto Guilhon, que me deu a oportunidade de dar as primeiras aulas nos cursos do NUPRI-USP, ao dr. Christian Lobhauer que confiou em minha capacidade de ministrar Teoria de Relações Internacionais e ao contínuo apoio do Professor Henrique Altermani, coordenador do curso de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco e o Professor Raimundo de Vasconcelos, coordenador do curso de Relações Internacionais do Centro Universitário Belas Artes. Finalmente, meus agradecimentos mais que especiais à minha esposa Nara Nanae Sano, que não só me apoia todos os dias, mas também teve a paciência de me acompanhar nas longas noites de trabalho e de me ajudar na primeira correção do livro.

Agradecimentos

À Nae,

You are my sunshine, my only sunshine

You make me happy when skies are gray

You’l never know dear, how much I love you Please don’t take my sunshine away.

Apresentação13

Sumário

INTERNACIONAIS2
1Introdução às teorias de Relações Internacionais23

Parte I O UNIVERSO CLÁSSICO DAS TEORIAS DE RELAÇÕES

Internacionais37

2Os paradigmas clássicos das Relações

Internacionais47
4 Regime internacional e cooperação5
5 O Realismo Clássico63
6 Os idealismos Clássico e Moderno75
7 Realismo Moderno87
8 Liberalismo101
9 Marxismo1
10 Escola Inglesa121
Sistema Mundial Moderno133
12 Neo-Realismo143
13Neoliberalismo e a interdependência complexa155
14O debate Neo-Realismo versus Neoliberalismo171
16Teoria dos Jogos aplicada às Relações Internacionais191
Questões para discussão referentes à Parte I201
AS TEORIAS DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS PÓS-GUERRA FRIA208

Parte I

Relações Internacionais211
18 O Realismo morreu?227
19 O debate agente-estrutura233
20 Pós-Modernismo239
21 Teoria Crítica249
22A Teoria Construtivista das Relações Internacionais259
Internacionais277
24 Feminismo293
25O terceiro debate das Relações Internacionais301
26 Realismo Estrutural307
27Globalização, soberania e as Relações Internacionais317
Estabilidade Hegemônica e o trabalho de Susan Strange3

28Teorias de Economia Política Internacional: Teoria da

a uma síntese teórica?345
Questões para discussão referentes à Parte I355
Anexo: Mapa Teórico das Relações Internacionais364
Glossário365
Bibliografia básica de Relações Internacionais375

Apresentação

Por que um livro de teorias de Relações Internacionais? Por trás desta obra didática estão duas premissas importantes sobre esse campo:

1.As Relações Internacionais constituem um campo científico independente dentro das ciências sociais.

2.As Relações Internacionais, ao contrário de outras ciências sociais, não possuem uma teoria geral amplamente aceita por sua comunidade epistêmica.

As Relações Internacionais como campo independente das ciências sociais têm como seu marco histórico o ano de 1919, quando foi criada a sua primeira cadeira acadêmica sob os auspícios do filantropo David Davies na University of Wales, em Aberystwyth, no Reino Unido, denominada Cadeira Woodrow Wilson de Política Internacional. Seu primeiro ocupante, Alfred Zimmern, deveria enfrentar o desafio de explicar por que as guerras ocorrem e como evitá-las.

Se por um lado as Relações Internacionais como campo acadêmico surgem em 1919, o marco de seu início como foco de estudo do campo acadêmico corresponde ao ano de 1648, quando foi assinada a Paz de Westfália, baseada nas premissas de que: (a) o governo de cada país é de forma inequívoca soberano dentro de seu território; e (b) os países não devem interferir nos assuntos domésticos uns dos outros. Westfália é o marco das relações internacionais (foco de estudo do campo acadêmico), pois, a partir daí, passa a ser possível, claramente, separar o que seria assunto interno de um país daquilo que seria a sua relação com o restante do mundo. Contemporaneamente, convencionou-se que o foco de estudo das ciências políticas seriam as relações políticas internas de um país, ao passo que o foco das Relações Internacionais seriam as relações externas aos Estados (o que pode incluir as chamadas relações transnacionais que não envolvem necessariamente dois Estados).

T eor ias de Relações Int e r nacionais

Como antes de 1648 não havia Estados, não poderíamos aplicar nenhuma teoria de Relações Internacionais para explicar os eventos e fenômenos internacionais anteriores àquele ano. Apesar de que, como veremos com o Realismo de Tucídides, é possível tirar excelentes lições da Grécia antiga para compreender as relações internacionais contemporâneas.

No Capítulo 1 são discutidas as tradições científicas que estão por trás das teorias de Relações Internacionais abordadas nesta obra, divididas basicamente entre teorias que buscam explicar a realidade e aquelas que buscam entendê-la. Além disso, debatemos as diferenças fundamentais entre os atores de relações internacionais, que fazem parte do universo ontológico de cada teoria, e o nível de análise, o foco explicativo de cada uma das teorias de Relações Internacionais. Já no Capítulo 2 são apresentados os paradigmas clássicos de Relações Internacionais. Conforme formulado por Viotti e Kauppi, os paradigmas referem-se a padrões teóricos que indicam o que deve ser observado, que tipo de questões devem ser feitas, como elas devem ser feitas e como os resultados devem ser testados. De forma mais simples ainda, os paradigmas clássicos nos indicam três grandes agrupamentos teóricos capazes de cobrir as teorias de Relações Internacionais até o final da Guerra Fria. Apesar de não englobar todos os paradigmas de nossa ciência, conhecê-los é uma obrigação de qualquer estudante de Relações Internacionais, além de constituir uma excelente forma de compreender como é possível construir explicações científicas em Relações Internacionais.

Nos Capítulos 3 e 4, são introduzidas as questões da guerra e da cooperação em Relações Internacionais. Em torno desses dois grandes temas encontra-se não só a origem de nossa disciplina, como também o cerne das questões que, ainda hoje, afligem os estudiosos das Relações Internacionais.

As Relações Internacionais, em termos acadêmicos, são um campo extremamente jovem e filho do desenvolvimento das ciências políticas; portanto, como todo filho, devem muito de seu desenvolvimento histórico à sua ‘mãe’, as ciências políticas. A partir das ciências políticas, tiramos as teorias que chamamos préhistória das Relações Internacionais: o Realismo Clássico e o Idealismo Clássico (Capítulos 5 e 6). Trata-se da discussão do trabalho de teóricos como Hobbes, Maquiavel, Marsílio de Pádua, Thomas More, Abade de Saint-Pierre, Rousseau e Grotius. Todos esses são nomes bastante conhecidos, descritos e estudados nas ciências sociais em geral e, aqui, nos referimos à implicação do trabalho desses autores para a nossa compreensão das relações internacionais.

Ainda, no Capítulo 5, é discutida a Guerra do Peloponeso, de Tucídides, uma obra histórica sobre o conflito entre Atenas e Esparta, ocorrido há cerca de 2.500 anos. Apesar de ter sido escrita muito antes do advento do Estado moderno, essa obra traz lições fundamentais para a compreensão das relações internacionais no século atual. São questões como poder, interesses, cooperação, guerra, economia etc. que em muitos aspectos não diferem profundamente do mundo de mais de dois mil anos atrás. É por isso que podemos tomar Tucídides como o patriarca das Relações Internacionais.

Já no Capítulo 6, é comentada a primeira teoria de Relações Internacionais.

Trata-se do Idealismo Moderno, que dominou o nosso campo na década de 1920 e parte da de 1930, tendo como premissa básica que a defesa do direito internacional seria suficiente para que as guerras fossem evitadas. No Capítulo 7 é abordado o Realismo Moderno de Carr e Morgenthau, que dominou a academia e a prática das Relações Internacionais desde meados da década de 1940 até quase o final da de 1970 e, na verdade, ainda hoje encontram-se praticantes espalhados pelo mundo. O Realismo Moderno desenvolve os preceitos clássicos do Realismo para a aplicação das relações entre os Estados modernos (do século X), pressupondo que estes não só sejam os atores fundamentais das relações internacionais, mas também que suas relações sejam determinadas pela busca do poder e, portanto, a cooperação só ocorra quando houver um balanço de poder.

Em seguida, no Capítulo 8, apresentamos o Liberalismo, cuja teoria continua atual, ao contrário do Idealismo Moderno, com os trabalhos de teóricos como Doyle e Moravcsik. No entanto, não é tarefa simples traçar uma fronteira clara entre o Idealismo e o Liberalismo, principalmente quando confrontamos com o trabalho de Kant, que, tecnicamente, poderia estar em qualquer um dos dois campos. Entretanto, uma diferença fundamental entre os dois encontra-se no nível de análise: no Liberalismo é o indivíduo e, no Idealismo, o Estado.

No Capítulo 9 discutem-se as contribuições marxistas (clássicas) às Relações

Internacionais, incluindo o trabalho do próprio Marx, além das teorias imperialistas de Lenin e Bukharin. Historicamente, as teorias marxistas nunca foram populares entre os acadêmicos e práticos das Relações Internacionais, porque, basicamente, em sua origem, vemos uma teoria dedicada às ciências sociais com fortes implicações para as ciências políticas e econômicas. Por outro lado, as implicações para as Relações Internacionais, como a natureza reprodutora do sistema econômico e os mecanismos de dominação de classes, são interpretações cuja aplicação é indireta às relações internacionais.

A Escola Inglesa é tratada ao longo do Capítulo 10. Como o próprio nome diz, trata-se do desenvolvimento de uma teoria essencialmente feita na Inglaterra. O qualitativo foi inventado, pois a maior parte do desenvolvimento teórico de Relações Internacionais foi (e continua sendo) produto dos programas de estudos das instituições universitárias norte-americanas. A Escola Inglesa, com nomes como

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