Pré-Projeto- Gestão das ONGs

Pré-Projeto- Gestão das ONGs

UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

FACULDADE DE GESTÃO E NEGÓCIOS

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

GESTÃO ADMINISTRATIVA DAS

ORGANIZAÇÕES NÃO-GOVERNAMENTAIS

Fabiana Soares Silva

Wesley Moura da Silva

Michelle Torres Barbosa Fortes

Cristiana Nazaro

Uberlândia – MG

2013

  1. INTRODUÇÃO

As organizações não-governamentais são organizações sem fins lucrativos, sem vínculo com o Estado que comprometidas com a sociedade civil, movimentos sociais e transformação social, sendo portandoentidades privadas, mas que tem como finalidade a promoção do bem público e pertecentes ao Terceiro Setor.

Segundo Salamon & Anheier (1992), para serem consideradas organizações nãolucrativas, devem ter uma estrutura que referencie cinco características: (1) constituídasformalmente, (2) sua base estrutural deve ser não governamental, ou em outras palavras privada,(3) devem ser autogovernadas, (4) não podem distribuir lucros a seus sócios ou membros, (5)contar com a participação voluntária (SALAMON & ANHEIER, 1992).

Em se tratando das particularidades quanto à forma de gestão e a percepção do que seja considerado como dificuldades de gestão ou não, o primeiro destaque fica para a área do "Planejamento estratégico". As organizações que procuram a auto-sustentabilidade através da comercialização de seus produtos e/ou serviços, destacaram o estabelecimento e a implementação do planejamento estratégico como um dos seus desafios de gestão, na medida em que, até por desconhecimento e inexperiência, encontram dificuldades para estruturá-lo e para definir as prioridades e ações para os diferentes tempos: curto, médio e longo prazos.

       Segundo Salvatore(2004), as instituições de caridade existem há centenas de anos, levando ajuda aos mais pobres, doentes ou abandonados. Os voluntários que nelas trabalhavam eram normalmente religiosos. Estas entidades que sobreviviam de caridade e eram vistas pelos governos como entidades marginais, foram evoluindo e adquirindo uma grande importância na sociedade moderna.

      Nos últimos anos, tem sido crescente o número de ONGs, o que tem levado a uma forte concorrência entre estas por recursos. Deste modo, ao competirem por doadores privados e públicos na captação de recursos, resulta numa relativa perda de autonomia, dadas a s exigências muitas vezes impostas pelos doadores, especificamente, quando do processo de tomada de decisões. A perda de autonomia é uma das conseqüências da procura por diferentes fontes de financiamentos cujo acesso está cada vez mais difícil.

       Se administrar uma empresa atualmente não é fácil, então administrar uma empresa sem fins lucrativos é mais complicado ainda, pois sua gestão muitas vezes não apresenta estrutura adequada, recursos financeiros, materiais e de pessoal. Embora muitas pessoas entendam que este tipo de organização é apenas uma forma de fazer caridade, pode-se afirmar que as finalidades não são exatamente estas. Hoje em dia, muitas organizações não-governamentais propõem a discussão e a transformação de fatos econômicos e sociais, atuando como verdadeiros agentes de mudança.

      A escassez de recursos e as pressões dos doadores tem levado as ONGs a repensarem seus modelos de gestão, e, principalmente, pautarem suas atividades dentro de uma lógica mais racional e utilitarista. Deste modo, estas instituições estão passando por ajustes organizacionais marcados pela busca de novos modelos de gestão. Esses novos modelos baseiam-se em uma lógica de mercado profissionalizada, causando, assim, mudanças administrativas de âmbito estrutural e prático. Sendo que essa nova realidade causa impacto direto sobre os valores originais dessas instituições tornado-as mais funcionais ao adotarem uma capacitação estratégica para garantirem sobrevivência organizacional.

      Neste sentido, o presente trabalho tem como objetivo conhecer os modelos de gestão adotados pelas ONGs identificando sua proximidade com os modelos de gestão original ou modelos de gestão estratégica.

  1. REFERENCIAL TEÓRICO

Nunca se falou tanto de terceiro setor e de responsabilidade social no Brasil como agora. As difculdades em gerenciar as instituições voltadas a este setor estão em evidência e desta inconformidade surge a percepção de que algo não esta certo em relação à forma como as empresas se relacionavam com seu ambiente e sua comunidade.

E no intuito de atender aos questionamentos sobre estas dificuldade, as empresas começaram a ver no terceiro setor, especialmente nas ONGs, uma forma de viabilizar seus investimentos sociais. A experiência adquirida pelas organizações não-governamentais no decorrer dos anos representa em forma de parceria, o filão da sintonia entre o capital e o social.

A expressão ONG (organização não governamental) foi criada na década de 40 na ONU (organização das nações unidas) para designar entidades não oficiais de caráter privado que recebiam ajuda financeira para executar projetos de interesse social. (Meireles & Al-Auoar, 2002:3).

No Brasil a emergência das organizações não governamentais é fenômeno das últimas três décadas, essas organizações não nasceram pré-acabadas, elas nasceram de iniciativas civis na resistência ao regime militar através da luta pelo re-estabelecimento do Estado de Direito. Foi graças aos professores da educação de base, religiosos, trabalhadores sociais, que trabalhando de costas para o estado, viram seus “projetos”, “assessorias” e “centros” evoluírem para ONGs (Rits apud Leilah landin, 2002).

As ONGs são orientadas pelos seus próprios valores e cresceram com perspectivas históricas muito diferentes das corporações e do estado. Mas no contexto das parcerias esses valores são incrementados por uma inserção de conceitos oriundos do mercado como gestão por resultados, corte de custos e metas rígidas, estratégias de marketing, que são tipicamente coorporativos. A preocupação com o uso racional dos recursos e a mensuração dos resultados, fez com que ferramentas da administração sejam adaptadas para uso nas organizações do terceiro setor  “sua linguagem e seus conceitos estão começando a brotar da língua das pessoas tão eloqüentemente quanto os discursos sobre causa.”(HUDSON, 1999:int XIII)

Seguindo o preceito de que as organizações de terceiro setor são movidas pelo desejo de mudar o mundo, começando pela realidade a sua volta, veremos que essa missão permeia todos os aspectos da organização, Portanto os valores precisam ser cultivados, pelas pessoas envolvidas na organização (Hudson, 1999:19). Podemos sugerir a criação de uma cultura organizacional forte que saiba aprender sem perder de vista os preceitos éticos, como sugere o prof. Alex Coltro, que em seu artigo sobre a contribuição dos grandes pensadores para formação de administradores, ele cita a segunda máxima de Kant de ter o homem como fim de todas as ações, e nunca como meio (Coltro, 1999:67). 

Em síntese, se pode dizer que as ONGs brasileiras estão passando por um período muito difícil e desafiador no qual sua capacidade de se re-inventarem e de se justificarem politicamente perante a sociedade brasileira serão decisivas em relação a sua sustentabilidade institucional e a sua contribuição ao desenvolvimento do país.

Com este estudo, queremos identificar os principais fatores que influenciam na percepção dos clientes e que contribuem para que eles atribuam valor ao serviço prestado.

  1. ASPECTOS METODOLÓGICOS

Este trabalho tem o objetivo de proporcionar maior visão acerca das dificuldades do desafio que é a administração de uma ONG, pode-se dizer que se caracteriza como uma pesquisa exploratória delineada por estudo de caso coletivo, a fim de atender ao objetivo de identificar problemas de gestão comuns às diferentes ONGs, não as considerando intrinsecamente. Além disso, o estudo de caso pôde ampliar o universo das fontes de evidência, o que também possibilitou seu maior conhecimento. Considerando-se as ONGs existente na cidade de Uberlândia é notado o crescimento destas instituições nos últimos anos. Deste universo selecionaremos algumas destas ONGS, onde observaremos a disponibilidade de algumas delas para participar da pesquisa e o interesse da mesma nesta. Os sujeitos considerados na pesquisa serão os responsáveis pela gestão das entidades, sejam eles seus dirigentes máximos, ou responsáveis pela gestão de alguma área, setor ou projeto.

3.1 – Execução da Pesquisa 

A pesquisa será realizada através de Estudos de Caso com algumas ONGs do município de Uberlândia/MG. Esse estudo de caso será aprimorado através da utilização de questionários e entrevistas com os gestores, a fim de atender aos objetivos propostos e responder a questão problema da pesquisa. Além disso, também serão utilizados pesquisas em documentos, tais como: memorandos, agendas, avisos, minutas de reuniões, relatórios em geral, documentos administrativos, estudos ou avaliações formais do mesmo local em estudo, recortes de jornais ou artigos publicados na mídia, registros em arquivos, como por exemplo: registros de serviços (como número de clientes atendidos em determinado período), registros organizacionais (tabelas, orçamentos), mapas e tabelas, lista de nomes e outros itens importantes, dados oriundos de levantamentos sobre o local (município, e abrangência da ONG), registros pessoais (diários, anotações e agendas de telefone), observação direta do trabalho desenvolvido pela ONG e artefatos físicos das ONGs em análise. Como serão utilizadas várias fontes de evidência, criaremos um banco de dados para o estudo de caso, de forma a manter o encadeamento das evidências, garantindo que os objetivos propostos sejam realmente e efetivamente atendidos.

3.2 Comunicação dos Resultados 

Os resultados da pesquisa proposta serão apresentados através de um trabalho de conclusão da Disciplina Metodologia de Estudo e de Pesquisa em Administração, do curso à distância de Administração Pública da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Federal de Uberlândia. Para a análise dos dados adotaremos a estratégia analítica conhecida como “construção da explanação” (YIN, 2001)., pois tal método nos possibilitará o desenvolvimento de uma estrutura descritiva permitindo assim, a realização de comparações e ligações causais entre as entidades e seus desafios.

Esse trabalho será enriquecido com conjunto de fotos e gravações em vídeo sobre o caso em estudo. O relatório será redigido em estrutura cronológica e analítica linear, seguindo uma linha de raciocínio que seja clara e de fácil entendimento para quem fizer uso da pesquisa em questão.

  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAZZOLATO, NARA KATSURAYAMA. As Dificuldades de Gestão das Organizações Não-Governamentais. UNESP 2008.

Modelos de gestão em Organizações Não-governamentais: Da gestão original à gestão estratégica .http://www.aedb.br/seget/artigos08/227

PIRES, Gonçalo N.P.S. - A  ética e as parcerias no Terceiro setor, VI SEMEAD.

CAMARGO, M. et al. Gestão do terceiro setor no Brasil: Estratégias de captação de recursos para organizações sem fins lucrativos. São Paulo: Futura, 2001.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil. 2002

KOTLER, Philip. Marketing para organizações que não visam o lucro. 1º ed. São Paulo: Editora Atlas, 1978.

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