Avaliação da casca de arroz carbonizada para a produção de mudas de tomate

Avaliação da casca de arroz carbonizada para a produção de mudas de tomate

I Semana de Ciência e Tecnologia IFMG Campus Bambuí

I Jornada Científica 19 a 23 de Outubro de 2010

Avaliação da casca de arroz carbonizada para a produção de mudas de tomate

Josimar Rodrigues OLIVEIRA¹; /eimar de Freitas DUARTE²; Henrique José Guimarães

Moreira MALUF³; Breno Oliveira RODRIGUES4; Matheus SILVA LUIZ5; Francisco Vagner

Pereira de SOUZA4.

¹Graduando em Agronomia e bolsista do CNPq do Instituto Federal Minas Gerais (IFMG)– Campus Bambuí; ²Professor

Dr. Orientador IFMG – Campus Bambuí; ³Graduando em Agronomia e bolsista da FAPEMIG do IFMG – Campus Bambuí; 4Graduando em Agronomia e bolsista do PIBIC; 5Graduando em Agronomia do IFMG – Campus Bambuí

O objetivo deste experimento foi avaliar se a casca de arroz carbonizada adicionada em diferentes proporções ao substrato comercial influencia na qualidade das mudas de tomate. Utilizou-se delineamento experimental inteiramente casualizado (DIC) para condução deste experimento, contendo cinco tratamentos com quarenta repetições. Os tratamentos utilizados foram: T0 – Substrato Comercial Bioplant®; T1 – Substrato Comercial (SC) + 25 % de casca de arroz carbonizada (CAC); T2 – SC + 50 % de CAC; T3 – SC+ 75 % CAC e T4 – 100 % de CAC. A casca de arroz natural foi submetida à carbonização ao ar livre com utilização de gasolina para combustão, sendo carbonizada até atingir um ponto de homogeneização. Foi misturada manualmente conforme as proporções ao substrato comercial e adicionadas em bandejas de poliestireno de 128 células, conforme o delineamento. Foram semeadas nas bandejas sementes de tomate San Marzano (Italiano). Não foi realizado nenhum tipo de adubação nas mudas. Aos oito e aos onze dias após a semeadura foi avaliada a porcentagem de germinação. Altura e número de folhas foram analisados aos quinze e trinta dias após a semeadura. Avaliação do comprimento radicular aos trinta dias após a semeadura e o teor de biomassa dos diferentes tratamentos. Os dados foram submetidos a análises estatísticas através do programa Sisvar 5.0, utilizando-se análise da variância e teste de Tukey a 5% de probabilidade para comparação entre médias. Os resultados mostraram que houve diferenças estatísticas significativas para as características comprimento radicular e biomassa das mudas de tomate.

Palavras-chave: substrato alternativo, tomate de mesa, mudas.

A cultura do tomate tem grande importância econômica no cenário agrícola brasileiro. Um dos fatores primordiais para o bom desenvolvimento da planta em campo são os cuidados necessários para a produção de mudas sadias e resistentes a insetos-pragas e patógenos. De acordo com Naika et al. (2006), um dos fatores primordiais para produção de tomate é a aquisição de sementes certificadas, tratadas, com genética homogênea e alto índice de pureza.

A escolha de um substrato que contenha boas características físicas se torna essencial. No mercado existem diversos tipos de substratos comerciais específicos para a produção de mudas de hortaliças, porém muitas das vezes este insumo onera o custo de produção da cultura.

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De acordo com Medeiros et al. (2008), a indicação de substratos de baixo custo, que retenham as proporções adequadas de água e ar e permitam uma adequada circulação tridimensional da solução nutritiva ainda é um ponto limitante neste sistema de cultivo.

(MEDEIROS et al., 2008; KÄMPF, 2000, FERMINO & BELLÉ, 2000; BACKES et al., 1988)

Devido a isso, a casca de arroz carbonizada pode ser uma alternativa viável de utilização para a produção de mudas de tomate. Hoffmann et al. (2001), destacam que há uma produção muito grande deste resíduo nas indústrias de beneficiamento de arroz e este material ainda possui alto teor de sílica (aproximadamente 92%). Vallone et al. (2004), destacam que a casca de arroz é uma alternativa para utilização como substrato. As principais propriedades do material são baixa densidade, pH próximo da neutralidade, baixa salinidade, elevada porosidade, destacando-se pelo elevado espaço de aeração, baixa retenção de água e manutenção da estrutura no decorrer do cultivo

Desse modo, o objetivo deste experimento foi avaliar se a casca de arroz carbonizada adicionada em diferentes proporções ao substrato comercial influencia na qualidade das mudas de tomate.

O experimento foi conduzido no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Minas

Gerais – Campus Bambuí, na Unidade Educativa de Produção Agricultura I, em casa de germinação da Hidroponia. Utilizou-se delineamento experimental inteiramente casualizado (DIC) para condução deste experimento, contendo cinco tratamentos com quarenta repetições. Os tratamentos utilizados foram: T0 – Substrato Comercial Bioplant®; T1 – Substrato Comercial (SC) + 25 % de casca de arroz carbonizada (CAC); T2 – SC + 50 % de CAC; T3 – SC+ 75 % CAC e T4 – 100 % de CAC.

A casca de arroz natural foi submetida à carbonização ao ar livre com utilização de gasolina para combustão, sendo carbonizada até atingir um ponto de homogeneização, após este procedimento foi misturada manualmente conforme as proporções ao substrato comercial e adicionadas em bandejas de poliestireno expandido de 128 células, conforme o delineamento.

Foram semeadas nas bandejas sementes de tomate San Marzano (Italiano). Não foi realizado nenhum tipo de adubação nas mudas. Aos oito e aos onze dias após a semeadura foram avaliadas a porcentagem de germinação. A altura e número de folhas foram analisadas aos quinze e trinta dias. Realizou-se a avaliação do comprimento radicular e o teor de biomassa dos diferentes tratamentos aos trinta dias após a semeadura.

Os dados foram submetidos a análises estatísticas através do programa Sisvar 5.0, utilizando-se análise da variância, curvas de regressão e teste de Tukey a 5% de probabilidade para comparação entre médias (FERREIRA, 2007).

Na figura 1 pode ser observado que houve diferenças estatísticas entre o comprimento radicular das mudas de tomate nos substratos em que se adicionou casca de arroz carbonizada. O substrato comercial Bioplant® é feito a base de fibras de côco e vermiculita expandida e não possui fonte de nutrição para as mudas, sendo considerado um material inerte, praticamente desprovida de nutrientes solúveis e com boas características para a produção de mudas.

As mudas semeadas em substrato comercial tiveram menor crescimento radicular aos 30 dias após a semeadura em relação aos demais tratamentos. Algumas misturas de substratos tem

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I Jornada Científica 19 a 23 de Outubro de 2010 apresentado resultados eficientes para a produção de mudas do tomateiro, como é o caso da mistura de vermicomposto bovino+casca de arroz carbonizada (CAC), Plantmax®+ casca de arroz in natura + húmus de minhoca e misturas de CAC com outros materiais alternativos como serragem e linhito (GODOY et al., 2008; ROCHA et al., 2007; TAVARES et al., 2006; DUARTE et al., 2000).

C o m p r i m e n t o r a d i c u l ar (

1 2 3 4 5 Tipo de substrato

A casca de arroz tem grande potencial de utilização como substrato para a produção de mudas de tomate, podendo ser utilizada pura ou adicionada ao substrato comercial. De acordo com Melo et al. (2008), a casca de arroz carbonizada possui alta porosidade, que pode ser equilibrada com a mistura de outros materiais. A Biomassa das mudas apresentou incrementos em proporção direta a quantidade de casca de arroz, ajustando-se em regressão linear significativa com R² de 0,84, como pode ser analisado na figura 2.

0 1 2 3 4 5 6 Porcentagem de Casca de Arroz Carbonizada (CAC)

B i m a s s a d a s d a s (

Biomassa/muda Linear (Biomassa/muda)

Figura 1 – Comprimento radicular das mudas de tomate em diferentes substratos

Figura 2 – Biomassa das mudas de tomate em diferentes substratos

Letras diferentes nas colunas indicam diferença significativa pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade **

**Regressão linear significativa ao nível de 5% de probabilidade

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A simples adição de 25% ou mais de casca de arroz carbonizada (CAC) na mistura com o substrato comercial Bioplant® resultou em adequado crescimento radicular. As condições físicas do substrato comercial foram melhoradas com a adição da CAC, sendo que proporções próximas de 100% resultaram em maior produção de biomassa das mudas de tomate.

viveiros. In: CONGRESSO FLORESTAL ESTADUAL, 6., 1988, Nova Prata. AnaisNova Prata,

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