Introdução a Engenharia de Pesca - Técnicas e Equipamentos usados na Pesca Marinha

Introdução a Engenharia de Pesca - Técnicas e Equipamentos usados na Pesca Marinha

(Parte 1 de 2)

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E TECNOLOGIAS-DCHT

CAMPUS XXIV PROFESSOR GEDIVAL SOUSA ANDRADE

XIQUE-XIQUE

KEISYARA BONFIM DOS SANTOS

TÚLIO RODRIGUES FEITOSA SILVA

WENDERSON NASCIMENTO BESSA

TÉCNICAS E EQUIPAMENTOS USADOS NA PESCA MARINHA

XIQUE-XIQUE/BA

2013

KEISYARA BONFIM DOS SANTOS

TÚLIO RODRIGUES FEITOSA SILVA

WENDERSON NASCIMENTO BESSA

TÉCNICAS E EQUIPAMENTOS USADOS NA PESCA MARINHA

Trabalho apresentado na disciplina de Introdução a Engenharia de Pesca no Campus Universitário Professor Gedival Sousa Andrade DCHT- da Universidade do Estado da Bahia como requisito parcial para avaliação no I semestre do curso de Bacharelado em Engenharia de Pesca.

Orientador: Ricardo Luiz Wagner.

XIQUE-XIQUE/BA

2013

TÉCNICAS E EQUIPAMENTOS USADOS NA PESCA MARINHA

RESUMO

A pesca sempre foi uma atividade praticada por diversas civilizações em diferentes épocas da história. Ao longo dessas experiências o homem sempre deixou vestígios que pudessem comprovar a realização da pesca, como cascas de ostras e mexilhões que eram usadas em suas atividades cotidianas. Com o decorrer dos anos as comunidades foram aumentando e se tornando cada vez maiores e populosas com inúmeras necessidades principalmente de alimentos para suprir a grande demanda de pessoas. No Brasil os índios desenvolviam suas próprias técnicas de captura de peixes, até plantas venenosas serviam e traziam resultados rápidos. Com o inicio da revolução industrial e surgimento de tecnologias cada vez mais avançadas as técnicas de pesca foram se aprimorando e evoluindo bastante. As pescas artesanais nunca deixaram de ser usadas foram passando de geração em geração e são praticada ate os dias de hoje, são de vários tipos de armadilhas fixas, semi-fixas de diversos materiais, formas e tamanhos. Essas técnicas se dividem em passivas e ativas, as passivas são aquelas aonde os pescados vem de encontro às armadilhas, já as ativas são técnicas que são manipuladas para a busca e apreensão dos peixes. Nas águas marinhas existe uma diversidade de espécies que atraem bastante o mercado consumidor nacional e internacional, o que desperta o interesse das indústrias por essas técnicas, pois são mais vantajosas e podem cumprir com suas perspectivas de lucro e atender a necessidade do mercado. Apesar da pesca artesanal não ser do mesmo porte da industrial ela contribui também com uma pequena parcela no comercio, na maioria das vezes os pescadores que a praticam para a própria subsistência. Os instrumentos aplicados na navegação surgiram na Segunda Guerra Mundial eram usadas por militares e logo passaram a ser utilizadas nas investigações pesqueiras, logo após a adoção desses equipamentos a pesca passou a trazer muitos resultados positivos em menos tempo por isso que esses instrumentos ainda estão sendo empregadas atualmente. As artes ativas são atrativas para a indústria por trazerem resultados rápidos, porém é importante conhecer as passivas, pois elas são, mas acessíveis aos pescadores e foram pioneiras nas pescas em todo o mundo.

Palavras-Chave: Pesca. Captura. Marinhas. Indústrias. Técnicas.

  1. INTRODUÇÃO

A pesca é uma atividade de extração de recursos aquáticos que sempre foi praticada pelo homem desde a antiguidade. No sul do continente Europeu e Africano foram encontradas pinturas rupestres que datam 25.000 anos que mostravam peixes e encenações com a utilização dos mesmos, o que prova a pratica dessa atividade na época. Além de restos de cerâmicas usadas no preparo da comida, cascas de ostras e mexilhões encontrados na Escandinávia confirmam que o homem primitivo também coletava moluscos.

Os primeiros anzóis foram confeccionados a partir de madeira e ossos há 8.000 a.c, sendo referenciados em textos romanos, gregos e egípcios. Os egípcios desenvolveram redes e arpões para as suas pescarias há 2.000 a.C (LINS PAULO, 2011, p.23, apud JENNINGS, 2001). Esses vestígios demonstram que as civilizações foram aprimorando e utilizado diferentes matérias primas em seus equipamentos de coleta para obter cada vez melhores resultados nessa pratica.

Com o surgimento do cristianismo, os peixes começaram a ser considerados como refeição nobre. O consumo cresceu bastante e a pesca marítima se consolidou. No século VII os registros históricos mostram que nessa época a pesca já tinha se tornado uma atividade popular e o consumo de peixes se tornava cada vez mais excessivo entre os europeus. Tanto no mediterrâneo, no mar do norte ou no mar Báltico, os diferentes povos de diversas civilizações pescavam. Quanto mais se pescava mais diversificados ficavam os equipamentos usados na pesca.

No Brasil, a geografia foi um fator que favoreceu as atividades pesqueiras, no início a pesca era praticada pelos índios e foram eles que mostraram aos portugueses suas técnicas de captura do pescado, seus métodos próprios para a construção de canoas e utensílios de captura de peixes.

Mais tarde, com a colonização e a chegada de diferentes povos no território brasileiro e a miscigenação percebeu-se um desenvolvimento ainda maior na pesca. A partir das técnicas de pesca utilizadas pelos índios, os europeus e escravos africanos adaptaram-se e mudaram as técnicas existentes. As principais técnicas utilizadas pelos índios eram as flechas, um tipo de anzol preso a uma linha feito com flecha vegetal, e várias plantas tóxicas de ação narcotizante como os Tinguís e os Timbós, que serviam para capturar os peixes por asfixia, eles envenenavam a água dos rios e assim matavam os peixes. Esse tipo de pesca, apesar de predatório, permitia, com pouco esforço, resultados imediatos para os índios. Os currais de pesca também já eram bastante utilizados na época.

Com o aumento das vilas e o surgimento das cidades em um ritmo desordenado a pratica da pesca se expandiu muito, devido à crescente demanda da humanidade por alimentos e também o aumento no poder da captura do pescado. O poder e o alcance das embarcações cresceram rapidamente devido á revolução industrial e ao advento das embarcações a vapor em 1860 (LINS PAULO, 2011, p.23,apud JENNINGS et al; 2001). E assim surgiu a pesca industrial com a utilização de embarcações de médio e grande porte para o beneficiamento principalmente financeiro das companhias ou organizações que realizam as operações nos navios de pesca.

Os maiores avanços tecnológicos para a expansão da pesca aconteceram após a Segunda Guerra Mundial, equipamentos como ecossonda, radar e sonar (que antes eram usados para fins militares) passaram a ser usados na investigação pesqueira e na pesca industrial. O que potencializou as capturas, triplicando a produção mundial nas décadas seguintes. (LINS PAULO, 2011, p.61, apud JENNINGS et al; 2001). Essas técnicas foram modernizadas e são usadas até hoje, trazem muitos resultados nas pescarias principalmente de grande porte como a industrial.

  1. OBJETIVO

Permitir o conhecimento a cerca das técnicas empregadas na pesca em águas marinhas tanto por artes ativas, quanto por passivas que são de extrema importância para diferenciar a pesca artesanal da industrial. Além das tecnologias aplicadas às capturas que foram desenvolvidas para o melhor aproveitamento na coleta do pescado.

  1. METODOLOGIA

Foram realizadas pesquisas na internet em sites com textos informativos e em guias de instituições que trabalham com o ensino e com o auxílio à pesquisa.

  1. RESULTADO

4.1 - ARTES PASSIVAS

As técnicas de pesca com artes passivas são aquelas que envolvem capturas de peixes ou outros animais aquáticos por enredamento, aprisionamento ou pescaria com anzol, que não são movidos ativamente pelo homem ou por máquinas enquanto os organismos são capturados, isto é, o organismo que se move para dentro da armadilha (LINS PAULO, 2011, p.37, apud LAGLER, 1978). Essas técnicas são muito parecidas com as utilizadas pelos povos primitivos em suas coletas de alimentos.

4.1.2 - MUNZUÁ

È uma armadilha semifixa, revestida por uma armação de madeira, e que possui uma abertura cônica na parte frontal, que impede que os organismos, geralmente crustáceos, escapem. Esse apetrecho é iscado em seu interior para atrair os organismos para a armadilha. Alguns pescadores usam bóias para localizar os muzuás, facilitando assim o seu recolhimento. Outros, devido a roubos, não usam nenhum tipo de identificação aparente, valem-se da sabedoria ancestral e recolhem os muzuàs sem maiores dificuldades.

Fonte: Nery (1995).

4.1.3 - COVO

È uma armadilha semifixa, revestida por uma tela de arame ou nylon e de armação de madeira, que possui uma abertura ou sanga na parte frontal. Essa armadilha é iscada no seu interior para atrair crustáceos ou peixes (LINS PAULO, 2011, p. 39, apud CASTRO E SILVA; CAVALCANTE, 1994). Serve também para a pesca de polvos, é considerada uma arte passiva uma vez que é o próprio animal que procura o dispositivo, para refúgio ou procura de alimento e dificilmente consegue escapar. Na maioria das vezes apenas os animais adultos ficam presos, o que torna esta pesca pouco predadora.

Fonte: Castro e Silva e Cavalcante (1994).

4.1.4 – CURRAL, REDE DE ESTACAS OU CERCO

Constitui-se de um cerco geralmente feito de taquaras trançadas, fixado no substrato por meio de estacas, onde existe apenas uma abertura que permite a entrada do peixe, mas não a sua saída. Por isso, é importante garantir que a parede do curral tenha altura suficiente para permanecer sempre acima do nível da água (para que possa ser feita a vistoria e coleta dos organismos) e a trama bem fechada (para impedir a fuga dos peixes). A despesca é feita durante a baixa-mar.

Fonte: Nery (1995).

4.1.5-ESPINHEL

Esse apetrecho consiste em uma linha principal horizontal, na qual tem linhas secundárias na vertical com anzol iscado em sua extremidade. As iscas utilizadas podem ser lulas, polvos, sardinhas, cavalinhas e etc. No começo da tarde os espinhéis são lançados ao mar e aproximadamente cinco horas depois eles são puxados novamente. Dentre os principais peixes capturados por espinhel no Ceará destacam-se o robalo, Arabaiana, Cioba, tubarões, arraias, moréia e dentão (OLIVEIRA et al; 2007).A escolha da área de pesca é feita sempre pelo mestre da embarcação, através de sua experiência, e também de fatores externos como temperatura da superfície do mar, profundidade e época do ano.

Fonte: Barthem e Goulding (1997).

4.1.6 - REDE DE ESPERA

As redes de esperas são feitas de uma panagem retangular cujo comprimento pode variar de 20 e 30 metros ou até mesmo 100 metros e cuja altura é de 1 a 3 metros. A panagem é estendida entre duas linhas ou cordões: uma linha superior munida de flutuadores e uma inferior, com um lastro ou chumbada. Graças aos flutuadores e ao lastro, a panagem mantém-se verticalmente na água. Os peixes ficam emalhados pelo opérculo e sem possibilidade de escapar. Não obstante, muitos peixes são capturados por ficar emalhados pela parte central do corpo e outros porque o fio da rede se envolve com osso maxilar ou com os dentes. Estas redes são geralmente lançadas à noite e recolhidas de manhã, porque apanham muito mais peixe de noite do que de dia.

Fonte: redesdepesca.blogspot.com.br (2009).

4.2 - ARTES ATIVAS

Os métodos de pesca com artes ativas são aqueles que utilizam redes ou apetrechos que se movimentam na captura de peixes, crustáceos e macroinvertebrados. (LINS PAULO, 2011, p.45, apud KING, 1995; HAYES et al; 1996).

4.2.1 - REDE DE SACADA

Consiste em um pano de rede horizontal ou uma bolsa com formato de paralelepípedo, pirâmide ou cone, com a boca aberta e armada para cima. Utiliza- se luz ou iscas para atrair os peixes. São submergidas para a profundidade desejada e são içadas manualmente ou mecanicamente, operadas da costa ou por embarcações. Redes de sacada portátil são pequenas redes de mão que não necessitam instalação fixa. Quando içadas mecanicamente podem ser operadas por uma ou mais embarcações. (OLIVEIRA, D. S.; FERNANDES, V. P. C., 2011)

Fonte: Grupo PET engenharia de pesca Brasil. (2011)

4.2.2 - REDE DE ARRASTO

A rede de arrasto com portas para a pesca foi pioneiramente projetada e construída por técnicos do Bureau of Fisheries Laboratory, Carolina do Norte (EUA), durante os anos de 1912 e 1915, e sua primeira operação comercial de pesca foi efetuada em Fernandina, na Flórida (EUA), seu sucesso foi tão grande que esse aparelho passou a ser utilizado em todo o mundo (LINS PAULO, 2011, p. 46, apud MACHADO, 1989).

As redes de arrasto são aparelhos bastante utilizados na pesca industrial no mundo inteiro, essas técnicas são caracterizadas pelo poder de captura da fauna íctica e de invertebrados marinhos ao longo do fundo do mar ou através da coluna d'água. Essas artes variam no design e nos métodos de arrasto (LINS PAULO, 2011, p. 46, apud KING, 1995; SAINSBURY, 1996).

Fonte: Sparre e Venema (1997)

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