Enem 2013 - portugues 2

Enem 2013 - portugues 2

(Parte 9 de 10)

SEE-AC Coordenação de Ensino Médio LCT Português 186

9. (ENEM-MEC)

Considerando-se a linguagem desses dois textos, verifica-se que

(A) a função da linguagem centrada no receptor está ausente tanto no primeiro quanto no segundo texto.

(B) a linguagem utilizada no primeiro texto é coloquial, enquanto, no segundo, predomina a linguagem formal.

(C) há, em cada um dos textos, a utilização de pelo menos uma palavra de origem indígena.

(D) a função da linguagem, no primeiro texto, centra-se na forma de organização da linguagem e, no segundo, no relato de informações reais.

(E) a função da linguagem centrada na primeira pessoa, predominante no segundo texto, está ausente no primeiro.

10. (ENEM-MEC)

Erro de português

Quando o português chegou Debaixo de uma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de Sol O índio tinha despido O português.

Oswald de Andrade. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

O primitivismo observável no poema acima, de Oswald de Andrade, caracteriza de forma marcante

(A) o regionalismo do Nordeste. (B) o concretismo paulista. (C) a poesia Pau-Brasil. (D) o simbolismo pré-modernista. (E) o tropicalismo baiano.

1. (ENEM-MEC)

Namorados

O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: — Antônia, ainda não me acostumei com o seu [ corpo, com a sua cara.

A moça olhou de lado e esperou. — Você não sabe quando a gente é criança e de [ repente vê uma lagarta listrada?

— A gente fica olhando

A moça se lembrava: A meninice brincou de novo nos olhos dela. O rapaz prosseguiu com muita doçura: — Antônia, você parece uma lagarta listrada. A moça arregalou os olhos, fez exclamações. O rapaz concluiu: — Antônia, você é engraçada! Você parece louca.

Manuel Bandeira. Poesia completa & prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985.

No poema de Bandeira, importante representante da poesia modernista, destaca-se como característica da escola literária dessa época

(A) a reiteração de palavras como recurso de construção de rimas ricas.

(B) a utilização expressiva da linguagem falada em situações do cotidiano.

(C) a criativa simetria de versos para reproduzir o ritmo do tema abordado.

(D) a escolha do tema do amor romântico, caracterizador do estilo literário dessa época.

(E) o recurso ao diálogo, gênero discursivo típico do Realismo.

12. (ENEM-MEC)

Murilo Mendes, em um de seus poemas, dialoga com a carta de Pero Vaz de Caminha.

A terra é mui graciosa, Tão fértil eu nunca vi. A gente vai passear, No chão espeta um caniço, No dia seguinte nasce Bengala de castão de oiro. Tem goiabas, melancias, Banana que nem chuchu. Quanto aos bichos, tem-nos muito, De plumagens mui vistosas. Tem macaco até demais Diamantes tem à vontade Esmeralda é para os trouxas. Reforçai, Senhor, a arca, Cruzados não faltarão, Vossa perna encanareis, Salvo o devido respeito. Ficarei muito saudoso Se for embora daqui.

Murilo Mendes. Murilo Mendes — poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

Arcaísmos e termos coloquiais misturam-se nesse poema, criando um efeito de contraste, como ocorre em

(A) “A terra é mui graciosa” / “Tem macaco até demais”. (B) “Salvo o devido respeito” / “Reforçai, Senhor, a arca”. (C) “A gente vai passear” / “Ficarei muito saudoso”. (D) “De plumagens mui vistosas” / “Bengala de castão de oiro”.

(E) “No chão espeta um caniço” / “Diamantes tem à vontade”.

SEE-AC Coordenação de Ensino Médio LCT Português 187

13. (ENEM-MEC)

No poema “Procura da poesia”, Carlos Drummond de Andrade expressa a concepção estética de se fazer com palavras o que o escultor Michelângelo fazia com mármore. O fragmento abaixo exemplifica essa afirmação.

(...) Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. (...) Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: trouxeste a chave?

Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-14.

Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema constante entre autores modernistas:

(A) a nostalgia do passado colonialista revisitado. (B) a preocupação com o engajamento político e social da literatura.

(C) o trabalho quase artesanal com as palavras, despertando sentidos novos.

(D) a produção de sentidos herméticos na busca da perfeição poética.

(E) a contemplação da natureza brasileira na perspectiva ufanista da pátria.

14. (ENEM-MEC) Texto I

Agora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O que o segurava era a família. Vivia preso como um novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente. Se não fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o pé não. (...) Tinha aqueles cambões pendurados ao pescoço. Deveria continuar a arrastá-los? Sinha Vitória dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível, seriam pisados, maltratados, machucados por um soldado amarelo.

Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: Martins, 23.ª ed., 1969, p. 75.

Texto I

Para Graciliano, o roceiro pobre é um outro, enigmático, impermeável. Não há solução fácil para uma tentativa de incorporação dessa figura no campo da ficção. É lidando com o impasse, ao invés de fáceis soluções, que Graciliano vai criar Vidas Secas, elaborando uma linguagem, uma estrutura romanesca, uma constituição de narrador em que narrador e criaturas se tocam, mas não se identificam. Em grande medida, o debate acontece porque, para a intelectualidade brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de aparecer idealizado em certos aspectos, ainda é visto como um ser humano de segunda categoria, simples demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente complexos. O que Vidas Secas faz é, com pretenso não envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam plenamente capazes.

Luís Bueno. Guimarães, Clarice e antes. In: Teresa. São Paulo: USP, n.º 2, 2001, p. 254.

A partir do trecho de Vidas Secas (texto I) e das informações do texto I, relativas às concepções artísticas do romance social de 1930, avalie as seguintes afirmativas.

I. O pobre, antes tratado de forma exótica e folclórica pelo regionalismo pitoresco, transforma-se em protagonista privilegiado do romance social de 30.

I. A incorporação do pobre e de outros marginalizados indica a tendência da ficção brasileira da década de 30 de tentar superar a grande distância entre o intelectual e as camadas populares.

I. Graciliano Ramos e os demais autores da década de 30 conseguiram, com suas obras, modificar a posição social do sertanejo na realidade nacional.

(A) I
(B) I
(C) I
(D) I e I

É correto apenas o que se afirma em (E) I e II.

15. (ENEM-MEC)

No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no Brasil havia duas literaturas independentes dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo ele muito diferentes por formação histórica, composição étnica, costumes, modismos linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais que publicou o título geral de Literatura do Norte. Em nossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante engenho que no Brasil há, em verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as características locais.

CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 2003.

SEE-AC Coordenação de Ensino Médio LCT Português 188

Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas regiões nacionais, sabe-se que

(A) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando em relevo a formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectos culturais trazidos de fora pela imigração europeia.

(B) José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças.

(C) o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente o ponto de vista dos menos favorecidos.

(D) a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas que caracterizam o nosso povo.

(E) Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes

Neto e Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do século X, cuja obra retrata a problemática do homem urbano em confronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo.

16. (ENEM-MEC) Texto I

embarcações

Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava. Estranhas coisas entraram então para o trapiche. Não mais estranhas, porém, que aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os nove aos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam, indiferentes ao vento que circundava o casarão uivando, indiferentes à chuva que muitas vezes os lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos presos às canções que vinham das

AMADO, J. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento).

Texto I

À margem esquerda do rio Belém, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro – ali os bêbados são felizes. Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades de cachaça e pirão. No trivial contentavam-se com as sobras do mercado.

TREVISAN, D. 35 noites de paixão: contos escolhidos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009 (fragmento).

Sob diferentes perspectivas, os fragmentos citados são exemplos de uma abordagem literária recorrente na literatura brasileira do século X. Em ambos os textos,

(A) a linguagem afetiva aproxima os narradores dos personagens marginalizados.

(B) a ironia marca o distanciamento dos narradores em relação aos personagens.

(C) o detalhamento do cotidiano dos personagens revela a sua origem social.

(D) o espaço onde vivem os personagens é uma das marcas de sua exclusão.

(E) a crítica à indiferença da sociedade pelos marginalizados é direta.

17. (ENEM-MEC)

Após estudar na Europa, Anita Malfatti retornou ao Brasil com uma mostra que abalou a cultura nacional do início do século X. Elogiada por seus mestres na Europa, Anita se considerava pronta para mostrar seu trabalho no Brasil, mas enfrentou as duras críticas de Monteiro Lobato. Com a intenção de criar uma arte que valorizasse a cultura brasileira, Anita Malfatti e outros artistas modernistas

(A) buscaram libertar a arte brasileira das normas acadêmicas europeias, valorizando as cores, a originalidade e os temas nacionais.

(B) defenderam a liberdade limitada de uso da cor, até então utilizada de forma irrestrita, afetando a criação artística nacional.

(C) representaram a ideia de que a arte deveria copiar fielmente a natureza, tendo como finalidade a prática educativa.

(D) mantiveram de forma fiel a realidade nas figuras retratadas, defendendo uma liberdade artística ligada à tradição acadêmica.

(E) buscaram a liberdade na composição de suas figuras, respeitando limites de temas abordados.

18. (ENEM-MEC)

O poema abaixo pertence à poesia concreta brasileira. O termo latino de seu título significa “epitalâmio”, poema ou canto em homenagem aos que se casam.

SEE-AC Coordenação de Ensino Médio LCT Português 189

Considerando que símbolos e sinais são utilizados geralmente para demonstrações objetivas, ao serem incorporados no poema “Epithalamium - I”,

(A) adquirem novo potencial de significação. (B) eliminam a subjetividade do poema. (C) opõem-se ao tema principal do poema. (D) invertem seu sentido original. (E) tornam-se confusos e equivocados.

19. (ENEM-MEC)

Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. Leia os seguintes textos:

I. Quando nasci, um anjo torto

Desses que vivem na sombra Disse: Vai Carlos! Ser “gauche” na vida

Carlos Drummond de Andrade. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964.

I. Quando nasci veio um anjo safado

O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim.

Chico Buarque. Letra e Música. São Paulo: Cia. das Letras, 1989.

I. Quando nasci um anjo esbelto

Desses que tocam trombeta, anunciou: Vai carregar bandeira. Carga muito pesada pra mulher Esta espécie ainda envergonhada.

Adélia Prado. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de Andrade, por

(A) reiteração de imagens. (B) oposição de ideias. (C) falta de criatividade. (D) negação dos versos. (E) ausência de recursos.

*Anotações*

SEE-AC Coordenação de Ensino Médio LCT Português 190

Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade.

H27 Reconhecer os usos da norma-padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.

Observe o anúncio publicitário abaixo, publicado na revista Le lis blanc (São Paulo, dez. 2004), e responda às duas próximas questões.

saia de saia

Sim, elas estão com tudo: com flores imensas ou bem miúdas, lisas, com pregas, rodadas e muito balanço

20. (ENEM-MEC)

No anúncio publicitário acima, ocorreu um caso de homonímia perfeita, ou seja, palavras de mesma grafia, mesma pronúncia, sentidos diferentes.

Assinale, dentre os itens seguintes, aqueles que possuem a mesma caracterização semântica e depois marque a alternativa adequada.

I. A dança de acasalamento do animal lembra a maneira como o jovem dança neste momento.

I. A taxa cobrada pelo serviço taxa apenas as pessoas de baixa renda.

I. O primeiro passo é dirigir-se ao paço municipal para receber as orientações.

IV. Os devotos de São Tomás de Aquino são extremamente fervorosos.

V. Na Capital Federal, a descriminação do senador gerou manifestações contra a discriminação das pessoas.

(A) Há homônimos perfeitos apenas nos itens I e I. (B) Há homônimos perfeitos apenas nos itens I, I e II. (C) Há homônimos perfeitos apenas nos itens I, II e IV. (D) Há homônimos perfeitos apenas nos itens I, I e IV. (E) Há homônimos perfeitos em todos os itens.

21. (ENEM-MEC)

Tendo como referência o anúncio publicitário acima, marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as proposições abaixo.

I. A preposição “com”, utilizada no texto publicitário, orienta para uma relação semântica de conteúdo, sendo que a expressão “estão com tudo” pode ser substituída por “possuem” sem que se prejudiquem a coerência e a correção gramatical do texto.

I. No texto, o termo “rodadas” foi mal empregado, uma vez que não mantém o paralelismo da enumeração introduzida pelos dois-pontos, não admitindo a preposição “com” na ligação com seu termo regente.

I. No texto, os termos “imensas” e “miúdas” são considerados antônimos, já que expressam características opostas, em que um pode ser empregado pelo oposto do outro.

Assinale a alternativa correta.

(Parte 9 de 10)

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