Enem 2013 - reda???o 1

Enem 2013 - reda???o 1

(Parte 1 de 3)

SEE-AC Coordenação de Ensino Médio RED Redação 231

Gêneros e tipos textuais O que é texto?

Leia a tira a seguir, de Fernando Gonsales, criador de um dos heróis mais carismáticos dos quadrinhos nacionais, o rato Níquel Náusea.

http://www.niquel.com.br (acesso em 13/7/2009).

Observe que, nessa tira, o quadrinista explorou a linguagem verbal e a linguagem não verbal. Para entender bem o texto, como o leitor deve proceder?

Além das palavras e imagens, o que mais pode contribuir para a compreensão da tirinha?

.3. (EDM-MEC) O que você entendeu com a leitura desses quadrinhos?

Qual foi a intenção ou o objetivo do quadrinista ao produzir esse texto?

O gato abre a tira com a frase “Lamento, mas esta é a lei da selva!”. Em que outros contextos você poderia ouvir a mesma frase?

Como vimos, no primeiro quadrinho o gato diz: “Lamento, mas esta é a lei da selva!”. Ao lado de outros elementos (imagens, contexto e outras frases), essa frase ajuda a compor o sentido de um texto. Explique essa afirmação.

Podemos observar no cotidiano a utilização de diversos textos para diferentes situações. Mas o que de fato constitui um texto?

A leitura da tira de Níquel Náusea nos mostrou que o significado de uma parte ou fragmento dela não é autônomo, pois depende das outras partes com que se relaciona. Como vimos, os sentidos (verbais) das frases articulam-se aos sentidos (não verbais) das imagens, e o sentido global do texto resulta dessa interação — mas não só dela.

Também é muito importante considerar o contexto em que o texto está inserido, pois uma mesma frase pode ter

SEE-AC Coordenação de Ensino Médio RED Redação 232 significados distintos em diferentes contextos. Considera- -se contexto o ambiente social ou a esfera de atuação humana em que interagimos por meio de textos verbais e não verbais especialmente produzidos para essas esferas: o lar, a escola, o trabalho, a internet e tantos outros. Concluímos que:

Para compreender um texto é preciso considerar não só as frases e/ou imagens que o compõem, mas também o contexto em que foi escrito.

Vejamos a seguir o que são gêneros e tipos textuais.

Gêneros textuais ou discursivos

Você viu que o contexto é fundamental para que possamos entender plenamente os textos que lemos.

Muitas expressões ou frases são típicas de determinados contextos comunicativos.

Escreva em qual contexto você esperaria encontrar cada um destes enunciados.

a) Era uma vez, num reino muito distante
b) Prezados senhores. Venho por meio desta

d) Verifique a tensão da rede elétrica antes de ligar o aparelho.

Você já viu que cada ambiente social ou esfera da atividade humana produz textos (orais ou escritos) particulares, dificilmente verificados em outras esferas. É comum, por exemplo, encontrar um cardápio dentro de um restaurante. Mas seria bem surpreendente deparar- -se com ele na sala de espera de um consultório médico.

Ao produzir um desses textos que circulam em determinada esfera, não precisamos começar do zero, pois já conhecemos mais ou menos as suas características. Por exemplo: ao escrever uma receita, sabemos que será necessário primeiro listar os ingredientes e depois indicar o modo de preparo.

Pode-se dizer, portanto, que as receitas têm uma estrutura relativamente fixa. Assim como a temática da receita (preparo de alimentos) e o estilo (frases curtas, objetivas e com predomínio do imperativo: misture, amasse, ferva etc.) também são quase sempre os mesmos. Textos que possuem estrutura, temática e estilo relativamente estáveis são chamados de gêneros textuais ou gêneros discursivos.

O telefonema que damos no dia a dia constitui um gênero textual oral, assim como a aula, a conversa, a reunião de trabalho. Já a notícia, a tira, o conto de fadas são gêneros textuais escritos.

Além de estrutura, temática e estilo semelhantes, os textos de determinado gênero possuem uma finalidade (ou objetivo) parecida. Quem faz uma receita tem sempre a intenção de ensinar o preparo de um alimento; quem dá uma aula tem o propósito de transmitir certo conteúdo a alunos.

Como os gêneros são relativamente estáveis, eles podem permanecer, modificar-se, desaparecer ou dar origem a um novo gênero, dependendo do momento histórico.

Há gêneros bem atuais cuja esfera de circulação é a internet, como o bate-papo virtual (chat), as conversas diretas, em grupos ou privadas, os blogs e os e-mails, que tiveram origem em gêneros correspondentes utilizados na esfera não virtual de circulação, como a conversa, o telefonema, o diário pessoal, a agenda e a carta.

Gêneros textuais ou discursivos são textos que circulam em determinada esfera da atividade humana (escola, trabalho, internet, jornalismo, literatura etc.) e possuem estrutura, temática e estilo relativamente fixos. Os textos que pertencem a um dado gênero também têm a mesma finalidade.

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Tipos textuais

Para iniciar o estudo dos tipos textuais, escreva qual poderia ser o objetivo ou a intenção das seguintes frases ao serem enunciadas.

a) Quando saiu do trabalho, antes de pegar o ônibus, como sempre, passou no mercado e comprou comida para o jantar, mas foi surpreendida por algo totalmente inesperado.

b) Sou obrigado a discordar do que acaba de dizer nosso nobre colega, pois o fato que cita não é verdadeiro.

c) Casa térrea, dois quartos, uma suíte, banheiro, ampla sala, quintal com jardim.

d) Verifique a tensão da rede elétrica antes de ligar o aparelho.

e) “Preciclagem” é um termo criado recentemente; corresponde à preocupação dos consumidores em diminuir a produção de resíduos já no ato da compra, optando pelos produtos de material biodegradável ou reciclável.

f) No feriado, relaxe em Camburi, na pousada Manga- -Rosa.

Ao interagir nos diferentes ambientes sociais que frequentamos, lançamos mão de diversos gêneros textuais, como já foi visto anteriormente. Para construir tais gêneros, organizamos os textos de modos distintos.

narramos as ações em uma sequência cronológica:

Por exemplo, quando queremos contar uma história, “O rei costumava andar pela alameda e viu um movimento estranho”.

Se queremos descrever um objeto, pessoa ou lugar, apresentamos suas características, usando adjetivos e verbos que indicam estado: “A casa é branca, os quartos são amplos. Ela fica na esquina. Há árvores no quintal”.

Por outro lado, se estamos em um debate na sala de aula e queremos defender nosso ponto de vista, temos de organizar o texto de outro modo. Em vez de narrar ações ou descrever seres, apresentaremos argumentos.

Esses diferentes modos de organizar os textos constituem os chamados tipos textuais. Diferentemente dos gêneros textuais, cuja lista é quase infinita, os tipos textuais são poucos. Existem basicamente cinco: narrativo, descritivo, expositivo, argumentativo e injuntivo (persuasivo ou instrucional).

Injuntivo vem de injungir, que significa “ordenar”. Esse é o tipo textual em que o locutor dá uma ordem ao interlocutor. A ordem pode ser dada com a intenção de instruí-lo a fazer algo que ele já está decidido a fazer: o manual de instruções de montagem da mesa diz “encaixe os quatro pés na parte inferior do tampo”. Nesse caso, o texto é instrucional. Contudo, a ordem pode ser dada com a intenção de persuadir o interlocutor a fazer algo que ele não necessariamente pretende fazer. É o caso dos anúncios publicitários, que tentam nos convencer a consumir (produtos ou ideias) com frases como “Beba Suco X”, “Troque o ônibus pelo carro” etc. Nesse caso, o texto é persuasivo.

Raramente encontramos um texto que seja totalmente narrativo, ou totalmente descritivo, e assim por diante. Em geral, os textos são formados por sequências de um tipo ou outro.

Contudo, se observarmos os diferentes gêneros textuais, perceberemos que muitos deles apresentam uma sequência tipológica predominante: nos contos predominam sequências narrativas; nos artigos de opinião, sequências argumentativas, e assim por diante.

Veja, no quadro a seguir, os cinco tipos textuais básicos, suas principais características e exemplos de gêneros nos quais cada um deles predomina.

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Narrativo Narrar fatos, reais ou fictícios.

- Verbos de ação: “Eu vinha andando e vi a mulher”.

- Verbos no passado: pareceu, refugiou-se, buscavam, vendiam, enriqueciam.

- Marcadores temporais: logo, depois, antes, em seguida, certo dia, ontem.

- Presença de um conflito, isto é, um acontecimento que complica a situação inicial da história.

Anedota, diário, romance, conto, crônica, notícia, lenda, fábula, conto de fadas, relato pessoal, relato histórico, biografia, autobiografia.

Descritivo Descrever seres, paisagens e conceitos.

- Verbos de estado: ser, estar, parecer.

- Presente do indicativo: “está lá no alto”, “não há árvores”.

- Formas nominais do verbo: “posta à janela” (particípio), “espiando o mundo” (gerúndio).

- Adjetivações (“cabeça branca, braços pálidos”) e comparações (“uma mulher como as de antigamente”).

Anúncio classificado, cardápio, laudo técnico. (Sequências descritivas são muito comuns em todos os gêneros narrativos.)

Expositivo Expor informações.

- Linguagem objetiva.

- Verbos no presente.

- Predomínio da 3.ª pessoa.

Seminário, verbete de enciclopédia, reportagem.

Argumentativo Defender um ponto de vista.

- Apresentação de argumentos segundo uma organização lógica.

- Estabelecimento de relações de causa e efeito.

- Estrutura formada por introdução, desenvolvimento e conclusão.

- Verbos no presente.

Debate, editorial, artigo de opinião, manifesto, carta aberta, carta de solicitação, carta de reclamação.

Injuntivo (persuasivo ou instrucional)

Fazer com que o interlocutor tome alguma atitude. - Verbos no imperativo: faça, beba, coma.

Anúncio publicitário, regras de jogo, receita, manual de instruções, regulamento, livro de autoajuda.

Portanto:

Os tipos textuais são modos de organizar o texto.

São basicamente cinco: narrativo, descritivo, expositivo, argumentativo e injuntivo (persuasivo ou instrucional). A maioria dos textos está formada por sequências de vários tipos, mas, em geral, um ou dois deles são predominantes.

Leia os textos a seguir e observe o gênero e o tipo textual predominantes em cada um.

Texto 1

Como usar melhor sua inteligência

As principais dicas dos cientistas para você aproveitar seu poder mental

Pratique exercícios físicos

Estudos mostram que os exercícios físicos aumentam o número de vasos sanguíneos no cérebro, melhorando a nutrição e oxigenação dos neurônios. A prática de atividades físicas também estimularia a geração de células no hipocampo, a área do cérebro encarregada da memória, e impulsionaria a produção de um tipo de substância, chamada fator de crescimento, que aumenta as conexões entre os neurônios.

Aproveite as habilidades evolutivas

Os evolucionistas dizem que a inteligência humana evoluiu por causa de nossa necessidade de viver em grupo: eram favorecidas as habilidades mentais para entender o que os outros estavam pensando e sentindo. Por extensão, alguns estudiosos dizem que investir nas habilidades de se relacionar aumenta a inteligência. Analise as motivações das outras pessoas, em que elas diferem de você, como reagem.

Repita para lembrar

Estima-se que o cérebro perca 90% das informações.

Apenas os eventos e fatos marcados pela emoção vão direto para o compartimento destinado à memória de longo prazo, como o nascimento de um filho ou uma briga. Para gravar os dados de que precisamos no dia a dia, o ideal é repeti-los 30 segundos após recebê-los e de novo cerca de uma hora depois.

Texto 2

A gazza ladra

No peitoril da janela a moça distraída desatarracha os brincos e os deixa pousados no mármore. E os deixa esquecidos no mármore quando, cansada da paisagem,

SEE-AC Coordenação de Ensino Médio RED Redação 235 volta ao bordado. Um rápido voo, um farfalhar de asas. No bico do pássaro os brincos faíscam com seu ouro contra o azul.

É a gazza ladra. Assim me foi contado desde a infância. A gazza ladra gosta do que brilha, se encanta com joias, cacos de espelho, pedacinhos de vidro. E tudo rouba, levando para o ninho. [...]

Tocaiada no galho espia para dentro das casas. Há um olhar cobiçoso de gazza pousado na cruzinha entre os seios da moça. Há um desejo de gazza na corrente de relógio que atravessa o colete. Há uma espera de gazza no anel, no alfinete, no brinco, na chave. [...]

Gazza, gazza, onde anda você que não me roubou nada? Onde anda você que nunca pousou no peitoril de minha janela? Onde faz você seu ninho que nunca consegui encontrar? Onde, onde é, gazza ladra, que você existe?

COLASANTI, Marina. A casa das palavras e outras crônicas.

São Paulo: Ática, 2006, p. 69-71. (Col. Para Gostar de Ler, 32). (Fragmento). © by Marina Colasanti.

Texto 3

Casamento é celebrado em clima de “apagão ecológico”

Roberto de Oliveira, da Revista da Folha

Num prédio de 40 apartamentos da agitada rua

Rodésia, na Vila Madalena, bairro símbolo de balada em São Paulo, o salão de festas estava às escuras. Mas, lá dentro, a animação corria solta: cerca de cem pessoas tocavam, cantavam e bebiam para celebrar um casamento. À luz de velas.

A festividade, em clima de “apagão ecológico”, atendia ao pedido da Hora do Planeta, iniciativa criada em 2007, em Sydney, pela organização não governamental WWF (Fundação para a Vida Silvestre, na sigla em inglês). Pela proposta, que chegou anteontem ao Brasil, todos deveriam apagar as luzes das 20h30 às 21h30.

Segundo a ONG, cerca de 1 bilhão de pessoas em 3.900 cidades de 8 países “se apagaram”. Até ontem à noite, a WWF não tinha um balanço sobre a adesão em São Paulo.

A julgar pelos prédios, bares e restaurantes iluminados em toda a cidade, pode-se dizer que ela não foi significativa.

“Desde pequenina, separo lixo. Achei que a festa poderia ser uma iniciativa para conscientizar as pessoas”, disse a noiva, a cantora Marcela Ribeiro, 28. Nada de copos ou bandejinhas descartáveis. Era tudo de vidro e porcelana. O convite (enviado por e-mail, claro) informava sobre a adesão à Hora do Planeta. [...]

Texto 4

Cartaz da Campanha Nacional de Doação de Órgãos, veiculada entre 27/9 e 12/10/2009.

Observe que os quatro textos pertencem a gêneros diferentes, mas quanto à tipologia há os que apresentam certas características semelhantes. Analise cada um deles.

Texto 1

Texto 2

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Texto 3

Texto 4

Você está pronto para a redação do ENEM? Pense bem!

Escrever bem é uma qualidade sem vida própria. Ela depende de pensar bem. Escrever bem é uma decorrência natural de pensar bem. Se você sabe o que quer dizer, está com os argumentos afiados, domina um repertório razoável de temas políticos, econômicos e culturais, então seu texto já está meio pronto. O resto é técnica. Nesta apostila, você encontrará o caminho para construir um bom texto dissertativo-argumentativo. Para começar, não perca de vista as 5 competências que o ENEM estabeleceu para servir de base à proposta de redação e à correção de seu texto. Feito isso, leia com bastante atenção os textos informativos sobre as competências exigidas no exame e a estrutura da dissertação, e não deixe de realizar todas as atividades propostas. Por falar em ler: só escreve quem lê. Leia revistas, jornais, livros, textos na internet. Leia tudo. E pense bem!

As 5 competências exigidas na redação do ENEM

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