Manejo sanitário de equinos

Manejo sanitário de equinos

Perspectivas de Futuro para o Mercado de Cavalos

 

      Ultrapassamos a metade da primeira década do terceiro milênio.

      Os primeiros anos da década de 90, no final do século XX, trouxeram uma dura realidade ao mercado de cavalos, artificialmente aquecido durante as décadas de 70 e 80. Preços de cavalos, que antes facilmente alcançavam preços de carros de luxo, despencaram assustadoramente.

      Àquela época, alguns criadores quiseram adotar medidas, como as adotadas pelos EUA, para segurar o preço dos cavalos, como reduzir, em comum acordo com todas as raças, o número de animais criados por todos. Menor oferta, melhores preços.

      Entretanto, algumas raças diziam que a crise não era com elas e não aderiram a esta campanha. Mas isto acabou por acontecer naturalmente, pois, como não havia preço para os animais, mais de 80% dos criadores abandonaram seus criatórios disponibilizando os animais a preços irrisórios para o mercado. Claro que esta crise afetou todos os setores ligados ao cavalo, como as indústrias de alimentos, suplementos, medicamentos e produtos eqüestres.

      Mas esta disponibilidade de cavalos a preço baixo, que a princípio desesperou muitos criadores, acabou por criar novas modalidades de mercado, que hoje se tornam mais interessantes para a indústria ligada ao cavalo.

      Muitas pessoas, amantes do cavalo, que não adquiriam um devido a seu alto preço, conseguiram ter seu primeiro cavalo a um preço muito convidativo (muitas vezes de graça).

      Porém estas pessoas não tinham onde colocar seus cavalos. Mais um segmento que cresceu muito nesta última década: as pensões, baias de aluguel, e pequenos Centros Hípicos em cidades que antes nada tinham.

      Diversas cidades passaram a contar com muitos cavalos ligados ao lazer, apenas para passeio, mas que movimenta bastante o comércio local e deu novo impulso à indústria do cavalo.

     Antes, poucos proprietários com muitos cavalos, hoje, muitos proprietários com poucos cavalos. Tornou-se mais fácil cuidar melhor de seus cavalos, abrindo uma nova frente para a indústria ligada ao cavalo: produtos de beleza (xampus, condicionadores), suplementos nutricionais, equipamentos hípicos, passaram a ter uma importância muito grande para compor o conjunto cavalo/cavaleiro para passeio.

      Muitas cidades passaram a organizarem cavalgadas e desfiles coincidindo com as festas de peão de rodeio que também tiveram seu crescimento nesta época.

      Paralelamente a este movimento do cavalo de passeio e lazer, um outro segmento teve uma trajetória muito positiva, consolidando uma nova era para o futuro do cavalo no Brasil: Cavalos para Esporte.

     O segmento de cavalos de esporte, em suas diversas modalidades, tais como enduro, provas de trabalho e rédeas, hipismo clássico (graças em parte aos ótimos resultados obtidos pelos nossos atletas no exterior, com destaque para Rodrigo Pessoa, único tri - Campeão Mundial e medalha de Ouro na última Olimpíada), e mesmo em modalidades nem tão tradicionais como Adestramento e no Hipismo Paraolímpico, o Brasil tem obtido destaque, ganhando medalhas tanto no individual como por equipes na última Paraolimpíada Eqüestre.

      Estes novos segmentos trazem uma perspectiva muito positiva, tanto para os criadores, que têm consumidores para seus cavalos, apenas com um perfil diferente daquele da última década (antes, cavalos para criar, hoje, cavalos para utilizar) como também para a crescente indústria ligada ao cavalo.

      São consumidores cada vez mais exigentes com os benefícios que podem ter para seu cavalo, ávidos por novidades, porém também por qualidade e informações técnicas.

      A cada dia mais e mais empresas começam a produzir produtos para os eqüinos, tendo, na maioria das vezes, o cuidado de procurar oferecer produtos de real qualidade e que tragam benefícios para os cavalos.

      Ao chegarmos a uma loja de produtos eqüestres, sempre aparece um produto novo, de uma empresa que, antes desconhecida no setor, está entrando com produtos de qualidade para nossos animais. Isto somente pode demonstrar o interesse econômico que este segmento está despertando.

      E as perspectivas para os próximos anos são muito positivas, portanto, vamos montar a cavalo e cavalgar pelas trilhas deste mundo, que, no lombo de um cavalo, é muito mais interessante.

MANEJO SANITÁRIO DOS EQÜINOS - Parte II

 

     VACINAÇÃO

      A Vacina é a indução de imunidade (produção de anticorpos) em um animal saudável, através da inoculação de vírus inativo, parte do vírus ou bactéria ou o vírus atenuado.

     Muitas são as doenças que acometem os eqüinos e que podem ser prevenidas através da vacinação. Algumas são obrigatórias, outras são zoonoses (afetam também ao homem) e outras são problemas de saúde exclusivos dos eqüinos, mas que podem e devem ser prática comum.

      De uma forma geral, na maioria das doenças que podem ser prevenidas por vacinação, deve-se proceder a um esquema anual de vacinas, iniciando-se em potros aos 4 meses de idade, com reforço após 30 dias e depois anualmente com dose única. No caso de animais adultos em primovacinação (vacinação feita pela primeira vez), também se procede a um reforço após 30 dias e depois anualmente, com dose única. Exceções podem ocorrer dependendo da vacina, então devemos observar atentamente as instruções do fabricante ou ao critério do médico veterinário.

      Para uma boa resposta vacinal, quer seja em potros ou em adultos, os animais devem estar em bom estado nutricional e desparasitados, tanto de ecto como endo-parasitas. Devemos ter um cuidado especial com a assepsia para um esquema efetivo de vacinação. A utilização de agulhas e seringas descartáveis e o local de aplicação limpo é condição fundamental para a boa resposta imune.

     A imunidade ocorre, em geral, após 10 dias da última dose preconizada.

      As principais patologias que afetam o cavalo e que podem ser controladas através da vacinação são descritas a seguir. O esquema de vacinação será descrito em um quadro à parte.

     Tétano

     O Tétano é uma doença causada pela toxina do Clostridium tetani caracterizada pelo aparecimento de espasmos musculares e hiper excitabilidade reflexa.

     O C.tetani pode estar presente em qualquer lugar. Este é um dos principais problemas desta afecção. O C.tetani sobrevive na forma esporulada no meio ambiente, por muito tempo, sem necessidade de um animal para se desenvolver. Ele é um agente que vive e se prolifera em meio anaeróbico, isto é, sem a presença de ar, e em condições especiais nos ferimentos.

     Qualquer tipo de ferimento oferece ao esporo do C.tetani um ambiente propício à sua proliferação, desde um cravo mal colocado a um ferimento superficial em cerca de arame farpado. Estas condições fazem parte da rotina diária de qualquer animal, portanto devemos ter cuidado especial para prevenir o tétano.

     Além disso, o tétano é uma doença de difícil cura, sendo seu custo, muitas vezes, impeditivo, além da baixa taxa de recuperação. E esta patologia é facilmente prevenida com a vacinação anual.

     Em casos de ferimentos profundos, em animais vacinados, devemos ainda aplicar uma dose única de soro anti-tetânico que estimula o sistema imunológico do animal e melhora a resposta do organismo. No local, devemos sempre, no primeiro curativo, limpar bem com água corrente e passar água oxigenada (H2O2) que torna o ambiente com alta concentração de oxigênio, que impede a proliferação do C.tetani.

     Influenza

     A Influenza ou Gripe Eqüina é uma doença viral, altamente infecciosa, que ataca o sistema respiratório.

     Ela é transmitida por contato direto ou por fômites (material de uso contaminado), caracterizada por tosse seca e úmida (com secreção), mucosa nasal vermelha e com corrimento, lacrimejamento e fotofobia. Pode ter como seqüela a broncopneumonia.

     Devido à sua alta taxa de transmissão e por debilitar intensamente o animal, comprometendo seu desempenho, o doente deve ser isolado e mantido em repouso até o restabelecimento. O tratamento pode ser feito à base de expectorantes, boa alimentação, repouso absoluto e, em casos de suspeita de infecção secundária, podem ser administrados antibióticos.

     Encefalomielite

     É uma doença viral infecto-contagiosa caracterizada por sinais neurológicos de perturbação da consciência, disfunção motora e paralisia, transmitida por picadas de insetos ou artrópodes.

     As variedades existentes no Brasil até o presente momento não são transmissíveis ao homem, mas em outros países as variedades encontradas podem afetar o ser humano.

     Por ser altamente contagiosa, de tratamento difícil, deve ser prevenida pela vacinação.

     Herpes Vírus

     

     O herpes Vírus pode causar o Aborto Eqüino em fêmeas prenhes entre o 7º e 10º mês de gestação e Rinopneumonite em animais jovens, além de, em alguns casos, incoordenação motora.

     Não tem tratamento específico trazendo prejuízos de ordem reprodutiva para as fêmeas e debilitando os animais jovens, comprometendo seu desempenho, além destes animais se tornarem transmissores do vírus.

     Garrotilho

     É uma enfermidade infecto-contagiosa causada pela bactéria Streptococcus equi, caracterizada por inflamação no trato respiratório superior e abscedação dos linfonodos adjacentes. Esta é a maior diferença clínica observda entre o garrotilho e a influenza, o enfartamento dos linfonodos sub-mandibulares, que ocorre somente no garrotilho.

     A transmissão ocorre por contato direto ou por fômites contaminados.

     Seu tratamento é simples, através de antibioticoterapia. Porém, em casos de rebanhos eqüinos, o custo pode ser elevado, e a vacinação diminui esse custo consideravelmente. Entretanto, a vacinação com vacinas comerciais disponíveis nem sempre é muito efetiva, sendo recomendado um reforço a cada 6 meses; uma solução em um bom manejo é fazer uma auto-vacina. Coleta-se secreção de um animal infectado na propriedade e envia-se a um laboratório para confecção da auto-vacina e vacina-se o rebanho todo com este produto. Deve-se ter o cuidado de isolar o animal contaminado.

     Apesar de ser uma patologia relativamente simples, o não tratamento, que inclui repouso absoluto do animal, pode levar a conseqüências secundárias graves e complicações indesejáveis.

     Raiva

     A Raiva é uma das principais doenças que devem ser prevenidas pela vacinação. Além de não ter cura, é transmissível ao homem, podendo levar tanto um como outro à morte.

     A transmissão pode ocorrer por mordida de morcegos, raposas, cães e contato com outros animais contaminados.

     Como não tem cura a única solução é o sacrifício do animal.

     Em alguns estados brasileiros a vacinação está obrigatória, sendo a GTA (Guia de Trânsito Animal) emitida somente com apresentação de atestado de vacinação.

     Esquema de Vacinação

     

Alimentação dos Potros em Crescimento

 

     Apesar das variações em função de raça, indivíduo e sexo, os potros possuem grande capacidade potencial de desenvolvimento.

     Esta capacidade de desenvolvimento obriga-nos a um ótimo ajuste na alimentação, iniciando-se desde o período final de gestação da égua, passando pela lactação, e por fim, com o potro, especialmente no período de 06 a 18 meses de idade.

     Desta forma, pode se garantir a obtenção de um crescimento e de um desenvolvimento ósseo e muscular ótimos, desde muito cedo, que lhe dará melhor estrutura para as competições ou trabalhos desenvolvidos ao longo da vida.

      A alimentação do potro, na realidade, inicia-se já na barriga da mãe, desde o terço final da gestação, continuando através da égua até o desmame.

      A partir do desmame devemos ter uma alimentação diferenciada exclusiva para ele, pois a velocidade de crescimento do potro, inicialmente, é muito elevada. Nas raças leves (Mangalarga, Quarto de Milha, Hipismo, PSI, etc.), o peso ao nascimento representa 9 a10% do peso da égua e é dobrado em pouco mais de um mês (mais precisamente em 35 dias).

      Durante o primeiro mês, o ganho de peso médio ótimo é ao redor 1500 g/dia, podendo atingir 1800 g/dia nos indivíduos muito grandes. O ganho de peso está entre 1200 e 1300 g/dia no 2o. mês e ao redor de 750 g/dia aos 6 meses (havendo variações conforme a raça).

     Ao nascer, o potro já apresenta uma altura considerável, onde o potro possui cerca de 60-70% da altura de cernelha de um animal adulto, alcançando cerca de 95% de sua altura máxima aos 24 meses e crescimento final máximo aos 60 meses, com pequenas diferenças entre os sexos, sendo a fêmea mais tardia (havendo pequenas variações conforme a raça).

     A criação de um potro visa produzir um animal muito bem desenvolvido, sobretudo em termos de estrutura óssea e muscular, sem acúmulo de gorduras de reserva. Procuramos um crescimento ótimo e não máximo como em um animal de abate.

     

     SUBALIMENTAÇÃO

     Toda carência ou desequilíbrio da dieta acarreta um atraso ou mesmo uma situação irreversível no desenvolvimento do animal.

     Para os diferentes tecidos, o desenvolvimento máximo obtido em função da idade é, inicialmente, do sistema nervoso, e após, sucessivamente, do tecido ósseo, muscular e de gorduras de reserva.

      Este desenvolvimento está relacionado ao potencial genético máximo (em função de raça, origem, indivíduo e sua idade) e aos limites impostos pela disponibilidade e equilíbrio dos nutrientes indispensáveis.

      Assim, potros de éguas em regime hipoprotéico durante a lactação, mostram um menor desenvolvimento cerebral, confirmado por dificuldades de aprendizagem durante o adestramento.

      O tecido ósseo é o seguinte a ser afetado, em razão de ser o mais precoce. A incidência de problemas ósseos nos potros e cavalos jovens conseqüente a uma má nutrição, é facilmente perceptível em qualquer criação, mesmo naquelas com linhagens acima da média.

      A carência protéica para o potro, diminui o desenvolvimento muscular e mesmo ósseo.

     Uma carência energética afeta primeiramente as gorduras de reserva, depois os músculos da paleta e da garupa, ainda que o esqueleto tenha um desenvolvimento normal.

     Caso a subalimentação seja pequena e passageira, ela provoca um baixo crescimento, dando lugar, tão logo se normalize a situação, a uma recuperação rápida e um pouco perto do ideal, fenômeno conhecido como “ganho compensatório”. Trata-se de um “retardo do crescimento”. Há a possibilidade de recuperação quase total graças ao “desenvolvimento compensatório”, que ocorre com a correção rápida do regime alimentar.

      Se a subalimentação é mais grave, com crescimento fortemente reduzido ou mesmo estagnado, por um período prolongado, a recuperação posterior será incompleta e o tamanho do indivíduo estará diminuído definitivamente, mesmo que se eleve posteriormente o nível de dieta.

      Convém então adaptar a alimentação quantitativa e qualitativamente ao potencial genético de crescimento e desenvolvimento de cada indivíduo.

     

     SUPERALIMENTAÇÃO

     Os excessos, principalmente energéticos, também podem ser extremamente prejudiciais, pois predispõe o animal a Doenças Ortopédicas Desenvolvimentares (que englobam as epifisites), que podem comprometer a função futura do animal.

      O acesso ilimitado do potro a leguminosas de boa qualidade, como por ex. alfafa, e a um consumo excessivo de grãos, elevam consideravelmente a energia nutricional também predispondo a estas Doenças Ortopédicas Desenvolvimentares.

      Uma taxa de crescimento rápido não aumenta o tamanho do animal adulto, mas predispõe o animal a problemas ortopédicos.

     Nos desequilíbrios minerais causados por superalimentação, o potro corre o risco de alterar definitivamente um esqueleto bem desenvolvido e adequado. Isso é observado em alimentação com aveia (ou outro grão, como milho) em complemento exclusivo com as forragens usuais, onde não deve haver o melhor desenvolvimento atlético do potro, mesmo que ele tenha um excelente crescimento ponderal.

     A superalimentação é desaconselhável e perigosa. Ela não pode forçar ao desenvolvimento dos tecidos magros onde ele é limitado: pelos potenciais genéticos do indivíduo, pela idade e, pior ainda, pelos desequilíbrios alimentares que alteram o anabolismo protéico.

      Assim, os potros complementados exclusivamente com cereais, são expostos a deficiências em aminoácidos essenciais que restringem o crescimento ósseo e muscular, favorecendo a obesidade.

     

Alimentação de Éguas em Gestação

 

     Considerações Gerais:

     A má nutrição é um dos maiores responsáveis pela infertilidade da égua.

     Sua importância é notadamente subestimada.

     Quando a alimentação é deficitária, podem ocorrer problemas na ovulação (cio não fértil), na nidação (fixação do embrião no útero) e na gestação, e mesmo na viabilidade do feto.

     No momento que a má nutrição é grave e extensa, ocorrem abortos (que predispõe a complicações infecciosas que comprometem a fertilidade) ou simplesmente o nascimento de prematuros, ou mesmo, de potros fracos, pouco resistentes, que ficam sujeitos a natimortalidade.

     Para prevenir a infertilidade de origem nutricional, a dificuldade prática reside na detecção do erro no arraçoamento, onde devemos adequar os aportes protéicos, minerais e vitamínicos conforme as necessidades do animal.

     

     Nível Alimentar:

      De um modo geral, a égua reprodutora é exposta a uma superalimentação no final da gestação e a uma subalimentação no início da lactação.

      A superalimentação no final de gestação é freqüente mesmo se o apetite for débil. As necessidades energéticas da gestação são moderadas, pois a égua se beneficia do “anabolismo da gestação”, que se caracteriza por uma melhora no rendimento alimentar graças às secreções hormonais, favoráveis ao anabolismo.

      A subalimentação no início da lactação procede de um aumento das necessidades energéticas relacionado à produção leiteira. Ela induz a um emagrecimento mais acentuado quanto mais gorda estiver a égua no momento do parto e quanto mais ascendente for produção de leite.

      O déficit energético provoca uma hipoglicemia que origina uma inatividade ovariana (anestro) e retardamento da fecundação (de pelo menos um mês).

  

  

     Primeira Fase de Gestação (1o. ao 8o. mês)

      Após a fecundação, a égua deve manter seu peso, ou mesmo engordar se estiver muito magra. Nesta fase, ocorre um crescimento de cerca de 1/3 do tamanho do feto. As necessidades da mãe são ligeiramente superiores às de manutenção.

      Um volumoso de ótima qualidade, mineralização adequada e um mínimo de concentrado de qualidade são suficientes para suprir suas necessidades nessa fase.

     

     Segunda fase de Gestação (9o. ao 11o. mês)

      Nesta fase ocorre um aumento muito grande das necessidades nutricionais da égua.

      Há um crescimento de 2/3 do tamanho do feto neste período.

      A alimentação fetal é prioritária em relação à mãe, inversamente do que ocorre no início da gestação. Está sendo definido todo o “futuro potencial” do potro, isto é, todo o potencial de crescimento do potro.

      Nesta fase também, a égua deve adquirir uma Reserva Corpórea, para que, no início da Lactação não ocorra uma perda excessiva de peso, devido às elevadas necessidades energéticas desta fase.

      Uma égua deve ganhar aproximadamente 13% de seu peso durante a gestação, sendo 10% nesta fase.

     

     Superalimentação:

      Devemos ter cuidados com uma superalimentação que pode acarretar problemas graves e importantes, devido ao excesso de gordura da mãe e do feto, como dificuldades no parto e diversas complicações associadas (retenção de placenta, metrite) e nascimento de um potro frágil que sofreu durante o parto.

     

     Equilíbrio Alimentar:

      Um bom estado corporal da égua no momento do parto é uma garantia do nascimento de um potro saudável e com ótimo desenvolvimento pós-natal.

      Uma complementação concentrada adequada no final da gestação possui vantagens como:

     Ø Compensar a queda de apetite momentos antes do parto, permitindo a manutenção do bom estado corporal.

     Ø Estimular o desenvolvimento fetal, assegurando o nascimento de um potro saudável com maturidade.

     Ø Ativar a produção de imunoglobulinas (anticorpos) para a produção de um colostro de excelente qualidade, que promova ótima proteção antiinfecciosa.

     Ø Promover alta produção leiteira favorável ao crescimento inicial do potro.

ALIMENTAÇÃO DE ÉGUAS EM LACTAÇÃO

 

     Início da Lactação (1o. ao 3o. mês)

      As necessidades energéticas no início da lactação são muito superiores às do período de gestação. Elas vão praticamente dobrar em um ou dois meses.

      Um bom arraçoamento quantitativo, continuamente bem adaptado ao estado fisiológico e ao nível de produção leiteira permite manter um peso corporal próximo do ótimo, beneficiando ao mesmo tempo a secreção láctea da égua e a sua fertilidade.

      Paralelamente às necessidades quantitativas, é fundamental considerar as necessidades qualitativas em proteínas, minerais e vitaminas, pois as reservas são muito modestas e as carências muito freqüentes.

      Nesta fase são utilizadas as Reservas Corpóreas da gestação.

      As éguas de raças médias (Mangalarga, Quarto de Milha, Campolina, PSI, etc.) produzem em média, no pico da lactação, 17 litros de leite por dia, enquanto que as raças de tração pesada (Bretão , Percheron) chegam a 25 litros diários. Desta alta produção leiteira, vêm as elevadas necessidades energéticas desta fase.

      A suplementação com concentrados se faz necessária, pois, além de tudo, a égua pode estar prenhe nesta fase.

      Portanto a égua tem tripla função: Manutenção, Lactação e Nova Gestação.

     

     Final da Lactação (4o. ao 6o. mês)

      As necessidades da égua caem drasticamente, pouco acima das necessidades de manutenção. Neste período a produção leiteira reduz-se quase que à metade do início da lactação e o potro já está se alimentando de capim ou feno que suprem parte de suas necessidades.

      Através de uma suplementação de concentrado e volumoso adequada, este potro já pode ser desmamado sem prejuízo para seu crescimento e desenvolvimento, deixando a égua livre para manter-se e levar a termo uma nova gestação (que já deve estar ao redor de 4-5 meses).

      O desmame do potro pode ser feito a partir dos 4 meses de idade sem prejuízo para seu crescimento e desenvolvimento desde que ele seja bem alimentado. O critério ideal para definir o momento da desmama deve ser o tamanho do potro. Se o potro tiver que dobrar acentuadamente os membros anteriores para mamar, é sinal de que ele pode ser desmamado. Se ele não for desmamado neste momento, podem ocorrer desvios nos aprumos deste potro.

     

     Conclusão

      A égua reprodutora tem 03 grandes variações das necessidades alimentares no decorrer de seu ciclo reprodutivo.

      Necessidades pouco superiores à manutenção no início da gestação e no final da lactação, necessidades especialmente protéicas no final da gestação e necessidades muito acentuadas, especialmente energéticas, no início da lactação. O fornecimento de minerais por todo o período de gestação/lactação é fundamental para o bom crescimento do esqueleto do potro.

      De qualquer modo, é importante ressaltar que tais necessidades, sempre acompanhadas de um aporte mineral e vitamínico adequado, somente podem ser conseguidas com uma complementação de concentrados, pois a capacidade de ingestão de volumoso que a égua possui, não supre de maneira adequada às necessidades nestas fases de vida reprodutiva.

      Se no período final da gestação o animal estiver em um estado ótimo, proporcionará uma melhor maturidade do feto, maior qualidade do colostro, aumento na produção leiteira e da atividade ovariana, favorecendo uma nova gestação.

      Por outro lado, se no terço final da gestação houver ganho de peso em excesso, proporcionará, no momento do parto, uma perda excessiva de peso, dificuldade no parto, ocasionado o nascimento de um potro frágil e queda na produção leiteira, com conseqüente prejuízo reprodutivo subseqüente.

ALIMENTAÇÃO DOS GARANHÕES

 

     Necessidades Energéticas

     As necessidades do garanhão reprodutor em manutenção são as mesmas para qualquer animal nesta condição.

      As necessidades energéticas do garanhão em período de monta são superestimadas pelos criadores, para os quais, um estado corpóreo um pouco acima do normal, é sinal de força, de saúde e orgulho para si próprio. Portanto, a obesidade ou robustez excessiva compromete, inicialmente, a longevidade do reprodutor, pois o excesso de peso fatiga as articulações, favorece a artrose e dificulta o salto, além de tornar um animal já agitado, mais nervoso para se manejar.

     Em período de estação de monta, a função reprodutora é relativamente pouco exigente em Energia, sendo cerca de 30% acima da manutenção, semelhante a um animal em trabalho leve, mas é necessário um excelente equilíbrio alimentar.

      Sobretudo, há comprometimento da fertilidade. Ocorre diminuição do nível hormonal e da libido (por fixação dos hormônios sexuais com o tecido adiposo – gorduroso).

     Inversamente, o emagrecimento afeta certos garanhões muito nervosos, que perdem o apetite. É necessário oferecer alimentação concentrada e variar o regime alimentar para se manter um bom estado corpóreo, vigoroso e fecundo.

      O fornecimento de ácidos graxos essenciais é importante para a fertilidade. Devemos ressaltar aqui a utilidade dos produtos como milho, aveia, germes de trigo, soja, sempre presentes em produtos concentrados balanceados.

     

     Necessidades Protéicas

      Os aportes protéicos ultrapassam um pouco as necessidades de manutenção, em cerca de 20%, para ativar a produção das glândulas sexuais. Mas os excessos são particularmente prejudiciais, pois elevam a reabsorção intestinal de aminas (composto tóxico formado a partir da quebra de proteínas), podendo contribuir para alterar o vigor e a sobrevida dos espermatozóides.

      Uma complementação mineral é necessária para se evitar carências de fósforo, zinco, manganês, cobre, iodo e selênio, que são importantes para a fertilidade e que, normalmente, podem ser deficientes nas forragens.

     

     Necessidades Vitamínicas

      A suplementação vitamínica consiste, em primeiro lugar, em Vitamina A que garante a integridade do epitélio germinal.

      A Vitamina E é de igual interesse para a fertilidade pela proteção anti-oxidante dos ácidos graxos essenciais e da Vitamina A.

      O restante do complexo vitamínico é essencial para o bom equilíbrio do organismo do garanhão.

     

     Arraçoamento Prático dos Reprodutores

     O arraçoamento prático dos garanhões reprodutores prioriza o equilíbrio alimentar, prevenindo-se a superalimentação.

     As necessidades do animal variam de 1,5 %, em manutenção, a 2,3% , em estação de monta intensa, de matéria seca em relação a seu peso, isto é, para um animal de 400 kg deve varias de 6 a 9,2 kg de matéria seca por dia, com as quantidades de energia e proteína adequadas, além do sal mineral específico e água fresca e limpa à vontade.

      Particularmente o feno de alfafa, que expõe o animal a excessos protéicos e a aveia, quando em excesso, desequilibra a ração e favorece a produção de sêmen diluído e pouco fértil.

      Fora do período de monta, um regime de manutenção é suficiente, através do fornecimento de capim ou feno de qualidade, uma suplementação mineral e, eventualmente, o fornecimento de concentrado, pode ser necessário para se manter um estado corpóreo satisfatório.

      No período de monta, uma suplementação extra com concentrado (ração) se faz necessário para complementar as necessidades energéticas, dependendo da freqüência dos saltos e do estado corpóreo do animal.

      A complementação protéica é, em média, semelhante àquelas de animais em trabalho médio, cerca de 11 a 12% de proteína bruta.

      Uma preocupação constante deve ser a qualidade destas proteínas oferecidas (alimentos com teores adequados de lisina e metionina), além de se manter um equilíbrio alimentar adequado, através de suplementação extra de vitaminas e minerais sempre que necessário.

Nutrição do Cavalo de Esporte e Trabalho

 

     Não importa o tipo de esporte que estamos falando, seja Salto, Provas de Trabalho e Rédeas, Enduro, CCE, etc., quando queremos alimentar um cavalo de esporte, nutricionalmente falando, as bases de sua dieta são as mesmas. O que vai diferenciar é a quantidade de nutrientes, principalmente energéticos, e a qualidade dos suplementos que devemos oferecer ao animal.

      A alimentação do cavalo de esporte deve ser adaptada conforme as exigências. A dieta deve ser balanceada e equilibrada, suprindo as necessidades do cavalo sem deficiências nem excessos.

      Partindo-se sempre da disponibilidade de volumoso com quantidade e qualidade adequados, água fresca e limpa e sal mineral específico à vontade, devemos escolher qual o complemento e suplemento adequados às necessidades de meu cavalo, que serão diferentes conforme o esporte e o cavalo como indivíduo.

      Aqui, os fatores individuais devem ser levados em consideração de forma mais acentuada, quando da determinação das necessidades de cada animal. Mesmo através da utilização de tabelas de necessidades específicas conforme o esforço do animal, o oferecimento de uma suplementação concentrada deve ser feito levando-se em consideração:

     Ø Raça do Animal: algumas raças têm aproveitamento mais eficiente que outras (raças pesadas possuem melhor conversão alimentar que raças mais leves)

     Ø Temperamento: animais com temperamento mais nervoso possuem necessidades maiores que animais mais calmos.

     Ø Digestibilidade Individual: variação de indivíduo para indivíduo. (ate 20% de variação)

     Ø Clima: 10 a 20 % de variação.

     Ø Baia ou pastagem: animais estabulados têm restrição no fornecimento de volumoso, o que pode aumentar as necessidades de concentrado.

     Ø Estado Geral: muito importante ao se avaliar as necessidades do animal em função também do peso, pois se o animal estiver muito magro devemos superestimar suas necessidades até ele obter o peso ideal. O contrário também ocorre, isto é, se o animal estiver acima do peso, devemos fazer com que emagreça até o peso ideal e estimarmos novamente suas necessidades.

     

      As necessidades específicas do trabalho são de Água, Energia (mais sob a forma de gordura -óleos- e menos amido -grãos-) e Sais Minerais (mais especificamente os eletrólitos: Ca, Mg, K, Na e Cl).

     

      ÁGUA: Para animais de trabalho ela é fundamental no treinamento, antes da competição, durante esta (em provas de longa distância) e ao final. Ou seja, sempre que o animal tiver sede, devemos disponibilizar água fresca e limpa.

      O cavalo pode perder toda sua gordura corporal e até metade de sua proteína, porém se perder 15% de sua reserva hídrica pode ser fatal.

     

      ENERGIA: As necessidades energéticas são as muito importantes, pois é a base fundamental para uma boa performance esportiva.

      Devemos fornecer uma quantidade adequada de energia, de fonte facilmente assimilável pelo cavalo, isto é, que não gaste muita energia para ser aproveitada (Energia Líquida Alta). A quantidade de energia a ser fornecida é variável, dependendo principalmente da quantidade do esforço a que o cavalo é submetido (horas/dia). Em animais de esforço intenso, as necessidades energéticas dobram em relação às de manutenção.

      Devemos priorizar o fornecimento de rações de alta energia, com extrato etéreo elevado (acima de 4%) dependendo da intensidade do esforço. Rações com alta energia têm a grande vantagem de serem oferecidas em menor quantidade, sobrando mais espaço para o fornecimento de volumoso, o que evita uma sobrecarga gástrica e intestinal.

      O volumoso deve variar de 70 a 50% do total da dieta, sendo que a ração deverá ser de 30 a 50% da dieta total (sempre levando em conta somente a matéria seca do alimento).

      Caso a quantidade de concentrado não seja suficiente para o cavalo desempenhar a função desejada, deve-se utilizar uma ração mais energética ou um suplemento energético, mas jamais o concentrado deverá ultrapassar os 50% da dieta, sob riscos de cólicas.

      Uma menor quantidade de volumoso diminui o preenchimento do volume intestinal, diminuindo a quantidade de peso que o animal sustenta, o que pode ser favorável para o exercício de curta duração.

      Por outro lado, em exercícios de longa duração, deve fornecer uma maior quantidade de volumoso, pois a forragem aumenta os consumos hídricos, eletrolíticos e de nutrientes, o que aumenta a disponibilidade durante o exercício.

      Devemos tomar cuidado com o aporte vitamínico suficiente para absorção dos ácidos graxos (energia) contidos na alimentação. A utilização de uma dieta muito rica em energia aumenta também as necessidades vitamínicas do cavalo, já elevadas pelo exercício físico.

      Nas transições alimentares, devemos evitar o aumento excessivo de energia através de gordura na ração nas três semanas que antecedem uma competição, pois é necessário um período mínimo de trinta dias para que o animal esteja adaptado ao novo alimento.

      Rações muito ricas em energia, como com cereais (muita aveia ou milho) com 60-70% de amido acarretam enormes problemas. O intestino delgado não pode digerir todo o amido contido nos cereais, é o intestino grosso que recupera o excesso podendo a levar a complicações como: Fermentações Microbianas, Timpanismo / Formação de Gases, Diarréia / Queda do Tônus Digestivo, Dilatação do Ceco – Cólicas, Degeneração Cardíaca, Hepática e Renal e Dismicrobismo – Laminite.

      Além disso, o excesso de ácidos graxos essenciais (energia) na alimentação impede a absorção normal de Magnésio, mineral responsável pelo relaxamento da musculatura.

      Portanto, em dietas muito energéticas para animais que não necessitem de tanta energia, haverá indisponibilidade de Magnésio, dificultando o relaxamento da musculatura deste animal. O animal “trava” a musculatura.

      Devemos tomar certos cuidados no fornecimento de energia ao animal para que esta não esteja em excesso, pois pode prejudicar o desempenho do animal.

     

      MINERAIS: Além do sal mineral, específico para eqüinos que deve ser deixado em um cocho à parte, os minerais necessários em quantidade mais elevada e que devem ser suplementados na alimentação são os eletrólitos (Cloro, Sódio, Potássio, Cálcio e Magnésio).

      Esta suplementação depende da intensidade do esforço e varia de animal para animal, mas sempre deve ser fornecida com água à vontade.

     

      PROTEÍNA: Em primeiro lugar devemos ressaltar que o trabalho muscular não é condicionado ao consumo de proteína, mas de energia.

      Estamos falando de animais de esporte, portanto animais adultos, já formados e não em reprodução. Portanto sua dieta deve ter um limite de proteína para que não haja queda na Performance Esportiva.

      As necessidades protéicas dos cavalos de esporte são pequenas (1000 a 1400 g/dia) quando comparadas às necessidades de éguas em reprodução, que podem chegar a 2000 a 2800 g/dia.

      Lembre-se que os excessos de proteína podem comprometer a boa performance do animal.

      Muita atenção deve ser dada à escolha do alimento, devendo-se evitar confundir qualidade de proteína com excesso. Devemos ainda evitar as matérias primas ricas em proteína, como soja e alfafa.

      Uma complementação concentrada ideal não deve jamais ultrapassar os 12% de proteína bruta e a dieta total não devendo ultrapassar os 14% de proteína bruta.

      Em todos estes casos, devemos valorizar o fornecimento de alimentos de alta qualidade, onde possamos administrar uma menor quantidade de alimento para suprir as necessidades do animal.

      A grande dificuldade de se avaliar realmente os malefícios dos excessos (energéticos, protéico ou mineral) é que isto não ocorre da noite para o dia, mas demora certo tempo (6 até 18 meses), o que dificulta o correto diagnóstico de erro no manejo alimentar.

     

     Manejo Alimentar na Competição

     Ø Evitar alterações bruscas na dieta nas três semanas que antecedem competição;

     Ø Não oferecer alimentos a base de grãos nas 2 a 3 horas que antecedem uma competição. Esta alimentação eleva a concentração de insulina sangüínea, diminuindo a utilização de gorduras. Este alto valor de insulina sangüínea, levará a uma hipoglicemia no início da competição, quando o animal deverá ter maior disponibilidade energética, diminuindo a resistência e a velocidade, com conseqüente queda na performance.

     Ø Os grãos devem ser oferecidos, no mínimo, 4 a 5 horas antes da competição.

     Ø Se a competição for de longa distância (CCE, Enduro, etc.) manter o animal com água e volumoso à vontade. A forragem aumenta o consumo hídrico, de eletrólitos e nutrientes, aumentando a disponibilidade durante o exercício de longa duração, auxiliando na performance do animal.

     Ø Se a competição for de curta distância (corrida, trabalho, rédeas, salto, etc.) manter o animal somente com água à vontade. A diminuição da disponibilidade do volumoso neste momento, diminui o preenchimento intestinal, diminuindo a quantidade de peso que o animal sustenta, auxiliando na performance do animal. Claro que se o animal for ficar o dia todo em um local de competição, não podemos privá-lo totalmente de se alimentar, mas devemos fazê-lo com ponderação.

A IMPORTÂNCIA das FIBRAS na DIETA dos EQÜINOS

 

     Um mínimo de aporte alimentar de fibras é indispensável ao cavalo a fim de assegurar, ao mesmo tempo, uma perfeita higiene mental, uma fonte de lastro (ligada à porção indigestível que garante a limpeza digestiva) e um aporte energético.

      É fundamental ter em mente que o cavalo é um animal herbívoro, que se alimenta especialmente de vegetais, normalmente chamados de volumosos, ou simplesmente “verde”.

      Para preservar o equilíbrio psicológico e neurovegetativo do cavalo, é importante a manutenção de uma quantidade mínima de 05 kg de Matéria Seca (alimento sem água) por dia por animal (de 500 kg), em manutenção. A ocupação alimentar é para o cavalo um fator de tranqüilização. Por isso as fibras, que aumentam a duração da ingestão e da digestão dos alimentos, são tão importantes para a integridade do cavalo.

     O aparelho digestivo do cavalo possui particularidades onde são exigidos altos teores de fibras na dieta para que ele possua uma ótima digestão.

     Em primeiro lugar, o estômago do cavalo é relativamente pequeno em relação ao restante do aparelho digestivo, o que o obriga a se alimentar por longos períodos (cerca de 18-19 h por dia) em regime de pastagem. A capacidade estomacal é de apenas 9% do volume total, isto é, se o volume total do aparelho digestivo tiver capacidade para 130 litros (média para um cavalo de 500 kg), o estômago terá capacidade para apenas 12 litros de alimento, incluindo sucos gástricos, gases e o próprio alimento. Esta “pequena” capacidade do estômago limita consideravelmente a ingestão de concentrados (rações) que não possuem as denominadas fibras longas, essenciais ao bom funcionamento do aparelho digestivo do cavalo.

     As rações concentradas, devido às suas características, principalmente de fibras mais curtas, são digeridas principalmente no estômago e porções iniciais do Intestino Delgado, tendo um baixo aproveitamento nas porções finais do aparelho digestivo (ceco e cólon).

     O limite de ração na dieta é de 2,5 kg por refeição, sendo o ideal ao redor de 1,5 a 2,0 kg. Havendo necessidade de complementar a dieta com volume superior, devemos administrar em várias refeições ao dia (ex.:para 6,0 kg diários, são necessárias 03 a 04 refeições; havendo necessidade de um maior volume de ração, devemos fracionar mais ainda ou procurar rações de melhor qualidade), para evitar quadros de cólicas, tão traumáticos para o animal.

     As necessidades de fibras longas na alimentação do cavalo são especialmente para o bom trânsito do alimento através do aparelho digestivo. Fibras longas são aquelas provenientes de volumosos não triturados em pequenas porções, isto é, para uma boa digestão do cavalo, devemos administrar o alimento na forma mais natural possível.

     O efeito de lastro das fibras possui uma relação inversa à sua digestibilidade. As fibras indigestíveis estimulam o peristaltismo (movimento de alças intestinais), contribuindo fortemente para evitar indigestões e autointoxicações.

     Os alimentos volumosos têm sua digestão essencialmente na porção final do aparelho digestivo (ceco e cólon), local denominado de câmara de fermentação, pois é onde ocorre uma ação mais intensa da flora intestinal, digerindo o volumoso, aproveitando mais intensamente seus nutrientes (Ácidos Graxos Essenciais - fonte energética -, proteínas e minerais). A quantidade e a qualidade das fibras na alimentação do cavalo é determinante para o bom funcionamento deste órgão digestivo, cuja capacidade é de 70% do volume total (90 litros para um cavalo de 500 kg).

      A consistência das fezes do cavalo, principal indicador da saúde digestível do animal, está diretamente ligada ao teor de fibra na alimentação.

     Capins muito novos, recém rebrotados ou plantados, normalmente provocam quadros de diarréias leves devido aos baixos teores de fibra em sua composição. O mesmo ocorre com uma alimentação muito rica em concentrado (rações, milho, trigo, etc., superior a 50 % da dieta total), onde as fezes ficam semelhantes às de vaca, pastosas, sem consistência firme, indicando um baixo aproveitamento dos alimentos.

     Por outro lado, volumosos muito secos também podem causar quadros de desconforto digestivo devido a uma aceleração exagerada do peristaltismo, devido ao elevadíssimo teor de fibras indigestíveis na dieta.

     Uma boa consistência de fezes, nem pastosas nem ressecadas, indica que o alimento ficou tempo suficiente no aparelho digestivo para ter seus nutrientes aproveitados ao máximo pelo animal.

     É sempre conveniente ajustar os aportes alimentares em fibras quanto à sua taxa e natureza, para assegurar conjuntamente uma boa digestibilidade e uma excelente higiene digestiva.

     As taxas são variáveis em função da categoria em que se encontra o animal: reprodução, crescimento, trabalho ou manutenção.

     Os alimentos industriais (rações concentradas) são relativamente pobres em celulose (fibras) e devem ser considerados como um complemento das forragens volumosas.

     As necessidades mínimas de fibra bruta são estimadas em 15 a 18% da dieta total.

     Cada categoria possui necessidades diferentes, sendo algumas mais exigentes que outras. Para se suprir estas necessidades, não é possível a utilização exclusivamente de volumosos, pois a capacidade de ingestão do cavalo é inferior às suas necessidades, devido ao alto grau de especialização e seleção que o homem impôs ao cavalo. Por isso é que devemos utilizar as rações concentradas para complementar as necessidades do cavalo.

     Esta complementação não deve ultrapassar 55% do volume total de alimento ingerido por dia por animal, e deve ser adequada às suas reais necessidades.

     Lembramos que a relação volumoso/concentrado deve variar conforme a qualidade do volumoso e também do concentrado: quanto melhor a qualidade de um, menor será a quantidade de outro. Devemos sempre priorizar um concentrado de melhor qualidade

A PROTEÍNA NA ALIMENTAÇÃO DOS EQÜINOS

 

     Historicamente, criou-se o conceito de que animal bem tratado deve ter alimentação rica em proteína, onde o fornecimento de alfafa e rações com teores de Proteína Bruta próximos a 15% seriam os ideais para a boa performance do eqüino.

      Em uma análise técnica, considerando-se individualmente cada categoria animal (potros, éguas em reprodução, garanhões, animais de trabalho ou em manutenção), sabemos que existem diferenças nas necessidades protéicas de cada categoria.

      O fornecimento de proteína é fundamental, devendo ocorrer de forma balanceada (sem deficiências nem excessos) de acordo com as exigências de cada animal.

      Além da qualidade da Proteína, outro fator a ser levado em consideração, é sua quantidade. Todo animal deve ter um limite no teor de proteína em sua dieta. Um excesso de proteína na alimentação pode trazer problemas para o animal. Uma dieta balanceada deve considerar tudo o que se oferece ao animal, equilibrando-se o concentrado e o volumoso, além dos suplementos oferecidos ao animal.

      Especialmente para cavalos de esporte, um conceito fundamental é de que o Trabalho Muscular é condicionado ao fornecimento de Energia, e não de Proteína. Portanto, devemos limitar e mensurar corretamente os valores protéicos especialmente oferecidos a esta categoria.

      Quando ocorre o processo de digestão do alimento, com quebra da proteína para absorção dos aminoácidos (componente da proteína, como Lisina, Metionina), ocorre a formação de um composto tóxico (amina) para o cavalo.

      Em condições normais, este composto é naturalmente eliminado pela urina, através dos rins. Quando ocorre excesso de proteína na alimentação, ocorre um excesso deste componente tóxico que não vai conseguir ser eliminado através da urina indo para a circulação sangüínea. Isto pode ocasionar o desenvolvimento de flora patogênica (prejudicial) pelo Intestino Grosso o que causará:

      - Enterotoxemia: produção de toxinas no Intestino

      - Problemas Hepáticos

      - Emagrecimento do Animal

      - Problemas Renais com urna abundante

      - Má recuperação após o esforço: mais facilmente observado em cavalos de esporte, com atividade física regular

      - Problemas de fertilidade em garanhões: queda na espermatogênese (processo de produção de espermatozóides)

      - Transpiração Excessiva: em alguns animais é facilmente observado através do suor "espumante", o que leva a uma perda excessiva de eletrólitos (minerais) fundamentais para o animal

      - Cólicas e Timpanismo (produção de gases)

     

      Considerações Gerais

     

      Qualquer que seja a categoria animal a ser nutrida, devemos sempre pensar em balancear a dieta do animal, suprindo suas necessidades, sem deficiências nem excessos.

      Para isso, devemos sempre contar com o auxílio de profissionais capacitados e de softwares de dieta, para oferecermos corretamente todos os nutrientes fundamentais: Energia, Proteína, Macro e Micro Minerais e Vitaminas, lembrando sempre que, para cada categoria, existem diferentes necessidades nutricionais que devem ser supridas para o bom desempenho do animal.

      Uma boa nutrição deve ser baseada nas reais necessidades do animal, e não naquelas que achamos que o animal necessita.

      Os "achismos" , "suposições" ou simples cópia do que o vizinho faz, podem ser tão ou mais prejudiciais que a não oferta dos nutrientes adequados ao animal.

      Aqui vale um outro alerta: Este prejuízo pode ser muito evidenciado no nosso bolso, pois muitos produtos são extremamente caros e nem sempre eficazes ao nosso animal.

      É claro que a imensa maioria de suplementos existentes, desde que oriundo de empresas idôneas, tem sua eficácia.

      Mas o ponto principal é: O produto em questão é eficaz e necessário ao meu animal?

      O que quero ressaltar é a individualidade de cada animal. Isto é, as necessidades de cada animal são inerentes a ele, devendo ser avaliadas de acordo com as características de raça, digestibilidade individual, temperamento, condições ambientais em que o animal vive e, claro, dependendo do tipo de esforço físico a que ele está submetido.

      Esta regra vale para todos os tipos de suplementos, mas, especificamente aqui, quero ressaltar a devida importância dos aminoácidos.

      Aminoácidos são a base de todas as proteínas. Quando se fala em necessidades protéicas falamos realmente de necessidades em aminoácidos.

      Existem os aminoácidos chamados essenciais (Lisina, Metionina, Triptofano, Histidina, Fenilalanina, Alanina, Treonina, Valina e Arginina) e os não essenciais (Creatina, Carnitina, Glicina, Serina, Prolina, Hidroxiprolina, Cisteína, Isoleucina, Leucina, Tirosina, Glutamina, Ornitina, Taurina) .

      Aminoácidos essenciais são aqueles que o organismo do eqüino não consegue sintetizar, devendo obrigatoriamente constar de sua dieta.

      Aminoácidos não essenciais são fundamentais para o bom funcionamento do organismo, porém o animal consegue sintetizá-los através de outros aminoácidos (ex. Carnitina é derivada dos aminoácidos Metionina e Lisina, Creatina é sintetizada dos aminoácidos Glicina, Arginina e Metionina).

      Em condições normais, para um cavalo em manutenção, uma dieta equilibrada, com forragem fresca ou feno de boa qualidade, é suficiente para suprir as necessidades do animal.

      Entretanto, ao se submeter este animal a condições que exijam uma melhora em sua dieta, torna-se necessário uma suplementação adequada para que estes aminoácidos não faltem ao organismo do animal.

      Esta suplementação pode ser através de um concentrado (ração de boa qualidade) ou ainda através da adição de suplementos nutricionais específicos.

      Está muito em voga hoje a utilização de suplementos a base de creatina, estudam-se outros a base de carnitina, glutamina, bcaa, entre outros, todos atuando diretamente na melhoria de disponibilidade de energia para o animal.

      Comprovações definitivas de sua eficácia, ainda não podem ser evidenciadas.

      Há controvérsia se a utilização destes suplementos é realmente eficaz na performance atlética ou mesmo desenvolvimentar do animal.

      Entretanto, o que temos observado, é que alguns animais respondem positivamente ao uso destes suplementos e outros nem tanto.

      Cabe aqui ressaltar que esta diferença, pelos motivos já citados, pode ser devida às individualidades de cada animal, a fatores inerentes a ele, ao meio ambiente e à interação entre o animal e o meio ambiente.

      Portanto, para o uso prático destes suplementos, não se deixe levar apenas pela propaganda, muita vezes enganosa, de promessa disso ou daquilo.

      Consulte um técnico especializado, muitas vezes sai mais barato que o uso indiscriminado destes suplementos.

      Teste o produto em seu animal por 45 a 60 dias. Se houver resposta positiva, é uma evidência da necessidade de seu animal àquele suplemento. Caso tenha dúvidas de melhora na performance, provavelmente seu animal não necessita de tal suplementação.

      Na dúvida, não prejudique.

Aminoácidos na Nutrição Eqüina

 

     A performance do cavalo, qualquer que seja sua categoria, crescimento, reprodução ou esporte, deve ser baseada em um tripé: Genética x Treinamento (ou Manejo) x Alimentação.

      Uma boa nutrição deve ser baseada nas reais necessidades do animal, e não naquelas que achamos que o animal necessita.

      Os “achismos” , “suposições” ou simples cópia do que o vizinho faz, podem ser tão ou mais prejudiciais que a não oferta dos nutrientes adequados ao animal.

      Aqui vale um outro alerta: Este prejuízo pode ser muito evidenciado no nosso bolso, pois muitos produtos são extremamente caros e nem sempre eficazes ao nosso animal.

      É claro que a imensa maioria de suplementos existentes, desde que oriundo de empresas idôneas, tem sua eficácia.

     Mas o ponto principal é: O produto em questão é eficaz e necessário ao meu animal?

     O que quero ressaltar é a individualidade de cada animal. Isto é, as necessidades de cada animal são inerentes a ele, devendo ser avaliadas de acordo com as características de raça, digestibilidade individual, temperamento, condições ambientais em que o animal vive e, claro, dependendo do tipo de esforço físico a que ele está submetido.

     Esta regra vale para todos os tipos de suplementos, mas, especificamente aqui, quero ressaltar a devida importância dos aminoácidos.

     Aminoácidos são a base de todas as proteínas. Quando se fala em necessidades protéicas falamos realmente de necessidades em aminoácidos.

     Existem os aminoácidos chamados essenciais (Lisina, Metionina, Triptofano, Histidina, Fenilalanina, Alanina, Treonina, Valina e Arginina) e os não essenciais (Creatina, Carnitina, Glicina, Serina, Prolina, Hidroxiprolina, Cisteína, Isoleucina, Leucina, Tirosina, Glutamina, Ornitina, Taurina) .

     Aminoácidos essenciais são aqueles que o organismo do eqüino não consegue sintetizar, devendo obrigatoriamente constar de sua dieta.

     Aminoácidos não essenciais são fundamentais para o bom funcionamento do organismo, porém o animal consegue sintetizá-los através de outros aminoácidos (ex. Carnitina é derivada dos aminoácidos Metionina e Lisina, Creatina é sintetizada dos aminoácidos Glicina, Arginina e Metionina).

     Em condições normais, para um cavalo em manutenção, uma dieta equilibrada, com forragem fresca ou feno de boa qualidade, é suficiente para suprir as necessidades do animal.

     Entretanto, ao se submeter este animal a condições que exijam uma melhora em sua dieta, torna-se necessário uma suplementação adequada para que estes aminoácidos não faltem ao organismo do animal.

     Esta suplementação pode ser através de um concentrado (ração de boa qualidade) ou ainda através da adição de suplementos nutricionais específicos.

     Está muito em voga hoje a utilização de suplementos a base de creatina, estudam-se outros a base de carnitina, glutamina, bcaa, entre outros, todos atuando diretamente na melhoria de disponibilidade de energia para o animal.

     Comprovações definitivas de sua eficácia, ainda não podem ser evidenciadas.

     Há controvérsia se a utilização destes suplementos é realmente eficaz na performance atlética ou mesmo desenvolvimentar do animal.

     Entretanto, o que temos observado, é que alguns animais respondem positivamente ao uso destes suplementos e outros nem tanto.

     Cabe aqui ressaltar que esta diferença, pelos motivos já citados, pode ser devida às individualidades de cada animal, a fatores inerentes a ele, ao meio ambiente e à interação entre o animal e o meio ambiente.

     Portanto, para o uso prático destes suplementos, não se deixe levar apenas pela propaganda, muita vezes enganosa, de promessa disso ou daquilo.

     Consulte um técnico especializado, muitas vezes sai mais barato que o uso indiscriminado destes suplementos.

     Teste o produto em seu animal por 45 a 60 dias. Se houver resposta positiva, é uma evidência da necessidade de seu animal àquele suplemento. Caso tenha dúvidas de melhora na performance, provavelmente seu animal não necessita de tal suplementação.

     Na dúvida, não prejudique.

A Linhaça na Alimentação dos Eqüinos

 

     Alimento perfeito ou equilíbrio perfeito entre alimentos?

      O que se deve buscar para a dieta do cavalo?

      Alimento perfeito não existe, mas equilíbrio perfeito de alimentos é o que se deve almejar para um melhor resultado na criação ou performance dos cavalos.

      Muito se tem falado a respeito do uso da linhaça na alimentação dos eqüinos.

      Quando tratamos da alimentação dos cavalos, os nutrientes com os quais devemos nos preocupar, são os seguintes:

      Como a maioria dos grãos, a linhaça é um ótimo complemento a ser utilizado na alimentação do cavalo, desde que seu uso se justifique e seja feito com critério e avaliação cuidadosa das necessidades reais do animal.

      A linhaça pode ser utilizada de três formas: grão integral, farinha e óleo.

      O grão integral é tradicionalmente utilizado em pequenas quantidades, 20 a 50 g diários ou mesmo duas vezes por semana, com o intuito de se prevenir cólica.

      Cerca de 95% das cólicas são ocasionadas por um erro de manejo. Isso quer dizer que, adequando-se o manejo às reais necessidades do cavalo, ele dificilmente terá cólica (chance de 5%). Portanto, administrar um "preventivo" para cólicas na dieta diária, somente se justifica se o manejo estiver errado. E manejo errado, não se justifica.

      Além disso, esta linhaça em grão somente tem uma ação efetiva se administrada umedecida, pois a casca do grão é extremamente dura, dificultando sua ação laxativa. O problema está em que quando se umedece o grão de linhaça este libera ácido prússico (cianídrico) que é altamente tóxico para o cavalo se administrado em quantidades elevadas. O ácido prússico impede a absorção de oxigênio pelo organismo, levando à morte súbita.

      Já a linhaça oferecida sob a forma de farinha ou óleo pode trazer alguns benefícios bastante interessantes ao animal, desde que obedecidas às recomendações iniciais.

      A linhaça é um alimento muito rico em ômega 3, um ácido graxo essencial que, juntamente com o ômega 6, é responsável por uma série de respostas do organismo a agressões.

      Um equilíbrio entre os ácidos graxos ômega 3 (ácido alfa-linolênico, ácido eicosapentanóico e ácido docosahaxanóico, de baixo potencial inflamatório) e dos ácidos graxos ômega 6 (ácido linolêico e ácido aracdônico, de alto potencial inflamatório) leva a uma resposta equilibrada do organismo, trazendo benefícios como:

      · Abrandamento de reações inflamatórias e alérgicas indesejáveis, melhorando a resposta imunológica.

      · Para potros em crescimento funciona como auxiliar no desenvolvimento neurológico.

      · Para éguas em gestação auxilia no desenvolvimento fetal e na lactação, aumentando a quantidade do leite.

      · Observamos ainda restabelecimento do brilho e da cor da pelagem, bem como a saúde da pele.

      · Em cavalos de esporte e trabalho aumenta a energia disponível, levando a uma recuperação muscular mais rápida após exercícios.

      · Promove ainda prevenção de distúrbios circulatórios e cardiovasculares além de ser excelente auxiliar no tratamento de laminites, artrites e artroses e miopatias.

      A maioria dos grãos presentes na dieta tradicional do cavalo são muito ricos em ômega 6, propiciando um desequilíbrio na relação ômega 3/ômega 6.

      Este desequilíbrio pode ser atenuado através da administração criteriosa e equilibrada da linhaça sob a forma de farinha ou óleo na dieta do animal.

      A quantidade de farinha de linhaça a ser administrada, sempre como complemento à dieta diária, pode variar de 100 g a 400 g para cavalos saudáveis, podendo chegar a até 700 g diários para animais debilitados.

      O óleo de linhaça deve ser prensado a frio, pois o refinado volatiliza os ácidos graxos, perdendo o benefício a que se propõe com seu uso.

      Mas a linhaça não é somente fonte de ômega 3 e 6. É um alimento rico em energia, rico em proteína (a farinha chega a 35% de proteína bruta), e como toda matéria prima, não é equilibrada em vitaminas e minerais. Portanto, seu uso de forma indiscriminada e abusiva, ou mesmo como alimento único é mais prejudicial que benéfico ao animal.

      Excesso de energia na dieta causa timpanismo, diarréias, queda do tônus digestivo levando a contrações e possíveis cólicas, dilatação do ceco, degeneração cardíaca, hepática e renal, dismicrobismo e laminite.

      Excesso de proteína na dieta causa uma série de distúrbios como enterotoxemia, problemas hepáticos, emagrecimento, problemas renais, má recuperação após o esforço, problemas de fertilidade em garanhões, transpiração excessiva, cólicas, timpanismo e dismicrobismo.

      O desequilíbrio vitamínico mineral leva a distúrbios de absorção de nutrientes além de poder proporcionar doenças carenciais ou por excesso de um ou outro nutriente, com conseqüências desagradáveis a médio prazo.

      Portanto, visto que, apesar dos benefícios reais de seu uso, a linhaça também pode proporcionar problemas quando de seu uso incorreto, devemos pensar seriamente em quando e como utilizá-la.

      Esta deve ser equilibrada, oriunda de empresas idôneas para se ter garantia da qualidade do produto.

      Existem vários tipos de apresentação de ração: Farelada, Peletizada, Laminada ou Extrusada. As rações industrializadas (Peletizadas, Laminadas ou Extrusadas) possuem 03 vantagens fundamentais sobre as fareladas, principalmente as misturadas na propriedade:

      Uma dieta correta, onde se privilegia o volumoso de boa qualidade (feno ou pastagem de gramíneas), com água fresca e limpa e sal mineral específico para cavalos à vontade, complementados com concentrado equilibrado e de origem idônea, pode ainda, se necessário, ser suplementada com a farinha de linhaça se assim o animal o exigir.

      Mas jamais como concentrado único, pois ela por si só, não é equilibrada.

      Acima de tudo, não prejudique o animal.

ALIMENTAÇÃO DOS EQÜINOS

 

     Além do sal mineral que deve ser oferecido sob qualquer circunstância ao animal, o cavalo pode ter a necessidade de alguns elementos minerais conforme as circunstâncias.

      A Performance Esportiva é fruto de 03 fatores: GENÉTICA x TREINAMENTO x ALIMENTAÇÃO.

      Um Programa de Nutrição deve ser adequado à função desenvolvida pelo eqüino e à categoria à qual ele pertence. Deve-se levar em consideração as quantidades mínimas necessárias de energia, proteína, vitaminas e minerais.

      Considerações Básicas:

      Quando tratamos da alimentação dos cavalos, os nutrientes com os quais devemos nos preocupar, são os seguintes:

      · Carboidratos e Lipídeos: as necessidades energéticas dos animais são atendidas através dos carboidratos e dos lipídeos que lhes fornecemos. Estas necessidades estão ligadas principalmente ao tamanho do animal e ao tipo de trabalho que desempenha.

      Os lipídeos não são utilizados apenas como fonte de energia, mas também fornecem os ácidos graxos que são essenciais ao bem estar dos animais. Apenas depois de termos atendido às necessidades de AG dos animais é que podemos usar os lipídeos para atender às necessidades energéticas.

      · Proteína: As necessidades de proteína dos animais são específicas para prover os aminoácidos de que o animal necessita, assim como a atividade que desempenham, como crescimento e reprodução. Devemos nos preocupar, não só com a quantidade da proteína, mas principalmente com a sua qualidade.

      · Minerais: Grupo dividido em macro e micro elementos minerais.

      Os macro-elementos estão envolvidos com a estrutura do animal e são perdidos diariamente durante o desempenho de suas atividades (Ca, P, Na, Cl, K, Mg, S).

      Os micro-elementos estão envolvidos, principalmente, com as funções metabólicas dos animais. (Fe, I, Cu, F, Mn, Mo, Zn, Co, Se, Cr, Sn, Ni, V, Si).

      · Vitamina: Estão divididas em duas categorias principais: as hidrossolúveis e as lipossolúveis.

      Com a forragem verde, de alta qualidade, que o cavalo obtém na pastagem, provavelmente não temos que nos preocupar com a adição de qualquer teor extra de vitaminas A, D e E para animais em manutenção. No entanto, se o animal é mantido numa baia e alimentado com feno, provavelmente precisará de uma suplementação de vitaminas.

      A maioria das vitaminas hidrossolúveis é fornecida em níveis suficientes pelos alimentos normalmente dados ao animal, ou são produzidas em quantidades adequadas no sistema digestivo.

      Sob condições de stress intenso, como corrida, provas ou exposições, o animal poderá não conseguir as quantidades necessárias de vitaminas através da alimentação normal. Para estes animais, recomenda-se uma suplementação de vitaminas.

      NECESSIDADES BÁSICAS

      Em primeiro lugar é necessário ressaltar que o cavalo é um animal Herbívoro, isto é, se alimenta fundamentalmente de forrageiras. Portanto, em sua dieta habitual, é necessário o fornecimento de volumoso (capim ou feno).

      Para alimentação adequada do cavalo, devemos respeitar sua natureza, suprindo suas necessidades básicas, que são:

      VOLUMOSO: Feno ou Capim fresco de qualidade:

      Feno: é a forma desidratada do capim, isto é, o capim com apenas 10-20% de água. Deve ser feito de capim de qualidade (Coast-cross, tífton, alfafa, etc.) e fenado no ponto certo, nem muito seco, nem muito úmido. Quando o capim é fenado além do ponto correto de corte, pode ficar muito fibroso, o que pode causar cólica nos cavalos. Se for cortado no ponto certo e deixado secar em demasia, fica muito fibroso, também podendo causar cólica nos animais. Se for cortado no ponto certo, mas deixado secar pouco, sendo enfardado úmido, pode ocorrer o aparecimento de fungos que podem causar problemas nos animais. Desde que feito da forma correta e bem armazenado, é um excelente alimento para os cavalos.

      Capim: este pode ser fornecido sob a forma de pastagens ou suplementado no cocho, picado. Quando oferecido no cocho picado, deve-se atentar para a qualidade deste capim. Os mais utilizados sob esta forma são os capins elefantes (napier, colonião, etc.). O manejo das capineiras deve ser muito bem feito para que o aproveitamento pelo cavalo seja o melhor possível. É muito comum o corte destes capins com altura superior a dois metros e meio (às vezes até quatro metros) de altura. Porém, quando é cortado com altura superior a dois metros e meio, ocorre uma perda considerável da qualidade, devido à baixa digestibilidade de seu talo. O ideal é cortá-lo entre um metro e meio e dois metros e meio.

      ÁGUA: Fresca, Limpa e Potável

      Deve-se ter sempre à disposição do animal água fresca, jamais gelada devido aos riscos de cólicas que esta pode ocasionar. Deve também estar sempre limpa, evitando-se as águas barrentas que podem causar distúrbios digestivos pelo acúmulo da terra dentro do aparelho digestivo do cavalo. Deve ser fornecida ainda à vontade, pois as necessidades de água pelo cavalo são elevadas, de 20 a 75 litros por dia, dependendo do porte do animal, do clima, da intensidade do trabalho e da natureza da alimentação. As fêmeas em lactação têm suas necessidades aumentadas em 15 a 30 litros por dia.

      COMPLEMENTAÇÃO MINERAL

      Esta também é de fundamental importância para suprir as necessidades básicas do cavalo, que são relativamente elevadas com relação aos minerais. Estes devem ser oferecidos de maneira equilibrada, através de sais minerais de empresas idôneas e à vontade, num cocho à parte.

      SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL

      Após termos suprido as mínimas necessidades para manutenção do cavalo, aí sim, conforme atividade a que vamos submetê-lo, seja um potro em crescimento, égua em reprodução ou cavalo de esporte e trabalho, devemos oferecer-lhe os complementos de uma alimentação, para que possamos atingir os níveis Energéticos e/ou Protéicos suficientes para suprir estas novas necessidades, mas sempre respeitando sua natureza valorizando o volumoso.

      RAÇÃO (COMPLEMENTO CORRETOR)

      Esta deve ser equilibrada, oriunda de empresas idôneas para se ter garantia da qualidade do produto.

      Existem vários tipos de apresentação de ração: Farelada, Peletizada, Laminada ou Extrusada. As rações industrializadas (Peletizadas, Laminadas ou Extrusadas) possuem 03 vantagens fundamentais sobre as fareladas, principalmente as misturadas na propriedade:

      1. Toda matéria prima que chega à fábrica de ração é classificada e analisada para se ter certeza da qualidade de seus nutrientes (Umidade, Proteína, Minerais, etc.). Com base nessas análises, é possível garantir a qualidade e os níveis do produto final (com relação à proteína, minerais, fibra, etc.). Como não é possível analisar a matéria prima na propriedade, não há garantia de manutenção do padrão do produto final.

      2. As rações fareladas produzem muito pó que, se inspirados pelo cavalo, podem levar a problemas respiratórios. Além disso, este pó pode causar obstrução do canal naso-lacrimal (canal que liga a narina ao olho) levando a produção excessiva de secreções oculares.

      3. Para se evitar este pó, é muito comum molhar a ração antes do fornecimento ao animal. Ocorre que as rações fareladas, por serem mais leves que as peletizadas, ocupam um volume maior, portanto os cavalos demoram mais tempo para comer esta ração. Em temperaturas mais elevadas, podem ocorrer processos de fermentação desta ração molhada levando a quadros de cólicas.

      Existem ainda as matérias-primas (aveia, trigo, milho, etc.) que muitos criadores/proprietários de animais oferecem misturado à ração balanceada. Ocorre que estas matérias-primas são, em geral, muito ricas em fósforo (a relação Ca:P pode ser de 1:3 quando o ideal é 1,8:1) o que leva a um desbalanceamento na relação cálcio/fósforo sangüíneo levando a graves problemas como a cara inchada.

      Quanto às apresentações de rações industrializadas, não devemos nos preocupar com a aparência do produto (peletizada, laminada ou extrusada), mas principalmente com os níveis de garantia destes produtos.

      Tecnicamente falando, um produto extrusado é superior a este mesmo produto laminado e este mesmo produto peletizado. Isto não quer dizer que qualquer produto extrusado é superior a outros, nem que toda ração laminada é superior às peletizadas.

      O que mais importa na avaliação da qualidade de um produto são seus níveis de garantia, principalmente valores de qualidade de energia e proteína. A qualidade de sua energia também pode ser avaliada através do valor de seu extrato etéreo, que é o valor de gordura de uma ração, onde se este valor for alto, a qualidade de sua energia, e também de sua proteína, serão elevados.

      Existem rações peletizadas no mercado que possuem qualidade energética e protéica muito superiores às laminadas e extrusadas.

      Devemos estabelecer realmente quais as necessidades do cavalo para podermos suprir de forma adequada e obtermos os melhores resultados de performance e também na saúde do animal. Para isso devemos observar qual o tempo de digestão de cada tipo de alimento para podermos dividir e ocupar melhor o tempo de cada animal.

GENÉTICA E TREINAMENTO DE CAVALOS DE COMPETIÇÃO

 

      Além do sal mineral que deve ser oferecido sob qualquer circunstância ao animal, o cavalo pode ter a necessidade de alguns elementos minerais conforme as circunstâncias.

      A Performance Esportiva é fruto de 03 fatores: GENÉTICA x TREINAMENTO x ALIMENTAÇÃO.

      Neste artigo vamos ressaltar os dois primeiros fatores, pois a alimentação merece um destaque à parte.

     

      1. GENÉTICA:

      Feita pelo homem para adaptar o cavalo às suas necessidades e desejos. Como por exemplo, o cavalo Quarto de Milha, selecionado para a distância de 402 metros, imbatível nesta corrida, bem destacado nas provas de rédeas e trabalho assim como o Crioulo; os cavalos Mangalarga Marchador, selecionados pela sua comodidade; os cavalos Anglo-Árabe selecionados pela sua resistência e leveza em transpor obstáculos; os animais de tração com uma estrutura e força invejáveis, etc.

      Esta genética é a que procura, através de seleção de exemplares característicos, transmitir determinados genes à sua descendência.

      Nos animais de esporte, mais especificamente, estes genes são os que determinam a predominância dos tipos e qualidades das fibras que predominam no animal.

      O primeiro tipo de fibra, de contração lenta, tipo I, é um trabalho essencialmente aeróbico (como o enduro), utilizando-se lipídeos como principal fonte de combustível, oriundo principalmente de reservas corpóreas e um pouco da alimentação diretamente. O principal sub produto da queima de combustível é o CO2 com baixa produção de calor.

      Para animais de trabalho anaeróbico de duração mais longa, onde se mescla com aerobismo (como o salto), predominam as fibras rápidas do tipo IIA que utilizam glicídios como fonte energética e um pouco de reserva corpórea. Além disso, o principal sub produto da queima de combustível é o CO2 com baixa produção de calor.

      Para animais de trabalho essencialmente anaeróbico (como os quarto de milha e Puro Sangue Inglês), predominam as fibras rápidas do tipo IIB, que utilizam glicídios como principal fonte energética e muito pouco de reserva corpórea. Além disso, o principal sub produto da queima de combustível é o ácido lático com alta produção de calor.

      Mas o trabalho da genética se encerra no momento em que uma égua emprenha de um garanhão, porém ele é fator limitante essencial para determinar o tipo de trabalho e a intensidade do esforço que o animal selecionado suporta.

     

      2. TREINAMENTO:

      O treinamento de cavalos para esporte é específico para cada esporte e deve ser delegado a profissionais especializados. Alguns cuidados gerais devem ser tomados para que se possa alcançar a melhor performance e grande longevidade (o cavalo compete até idade mais avançada).

      A base do treinamento deve ser buscar potencializar as características genéticas do animal, além, é claro, da preocupação com o esporte a ser competido. Isto é, para cavalos de explosão, como puro sangue inglês e quarto de milha, o trabalho deve ser feito priorizando-se as fibras de contração rápida, que utilizam principalmente glicose como fonte energética, sendo um trabalho principalmente anaeróbico. Desta forma, o treinamento destes animais deve ser intenso, porém por um curto espaço de tempo, e não por duas a três horas diárias. Ao se trabalhar estes animais por um longo tempo diariamente, começa-se a priorizar a utilização de uma fonte energética, como lipídeos, que não será disponível na competição, assim como estimulará as fibras lentas, não utilizada em trabalho de explosão.

      Da mesma forma ocorre com os animais que trabalham por mais tempo, onde o treinamento deve ser condizente com o tipo de trabalho a ser executado.

      Entretanto, para uma boa saúde mental do animal, para um ótimo equilíbrio psíquico, sempre deve-se alternar, ao menos uma vez por semana, o tipo de trabalho executado. Se o cavalo é de explosão, onde o treinamento diário é essencialmente no picadeiro, devemos realizar um trabalho de exterior de 60 a 90 minutos uma vez por semana. E claro que, para animais de marcha e enduro, onde o trabalho de exterior é priorizado, uma vez por semana realizar um trabalho de picadeiro é bastante interessante.

      A relação cavalo e cavaleiro deverá ser intensa, porém jamais um cavaleiro inexperiente deverá trabalhar um cavalo inexperiente. O que um não tem de experiência, o outro deve ter.

      O principal efeito do treinamento no cavalo deve ser um aprendizado psicológico, com condicionamento físico gradual, ensinando ao cavalo o que, quando e como fazer.

      Antes do treinamento, a doma deve se bem feita e iniciada após os 36 meses de idade, quando as estruturas do cavalo já estão bem consolidadas.

      Deve-se primordialmente conquistar o cavalo e não subjugá-lo.

      Após a doma, iniciar trabalhos de adestramento básico é muito importante para que o cavalo aprenda a responder rapidamente aos comandos do cavaleiro.

      Para qualquer esporte, o cavaleiro deve ter uma iniciação de equitação fundamental para saber quando e como enviar os comandos ao cavalo de forma que ele responda rapidamente.

      Deve-se iniciar o treinamento com trabalho cerca de 03 vezes por semana, 20-30 minutos diários e ir aumentando gradativamente.

      O treinamento mínimo para competição deve ser de 18-24 meses, dependendo das condições do animal.

      Este período mínimo de treinamento é devido à adaptação fisiológica que as estruturas do cavalo devem ter para suportar uma competição, e este período de adaptação das estruturas é variável:

      · Pulmão e Coração: 3 meses de treinamento;

      · Músculos: 5 a 6 meses de treinamento

      · Tendões, Ligamentos e Articulações: 8 a 12 meses de treinamento.

      · Ossos: Até 03 anos de treinamento

      A grande dificuldade de se aguardar o período necessário para se iniciar a competição, é que os parâmetros utilizados para observarmos se o animal está em bom estado atlético é a observação de batimento cardíaco, freqüência respiratória e musculatura, que se adaptam rapidamente às condições de competição. Enquanto que, as estruturas que sofrem alto impacto em uma competição (tendões, ligamentos e articulações) demoram de um a três anos para estarem aptas.

      Respeitando-se os limites do cavalo, que a própria natureza lhe impõe, teremos um animal apto a competir por muito mais tempo, até os 20 anos de idade ou mais, desde que, é claro, procuremos também uma alimentação adequada por toda a vida, mas isso já é outra história.

Suplementaçao Mineral

 

     Além do sal mineral que deve ser oferecido sob qualquer circunstância ao animal, o cavalo pode ter a necessidade de alguns elementos minerais conforme as circunstâncias.

      Temos que tomar alguns cuidados aos oferecermos uma suplementação mineral ao animal, pois temos que oferecê-la em equilíbrio, jamais um único elemento mineral (exceto em casos de patologias específicas).

      Cálcio (Ca) e Fósforo (P)

      A suplementação adequada de cálcio e fósforo é importante para se obter uma perfeita integridade do esqueleto, um bom desenvolvimento ósseo, sólido e resistente às trações musculares.

      O equilíbrio no fornecimento de cálcio e fósforo é muito importante para se prevenir o aparecimento de afecções ósseas, como a osteofibrose ou hiperparatireoidismo nutricional secundária ("cara inchada").

      Relação Ca/P: Entre 1,5 a 2,5 partes de cálcio para 1,0 parte de fósforo (1,5:1,0 a 2,5 :1,0).

      Cloreto de Sódio (NaCl)

      As necessidades diárias em manutenção são facilmente cobertas pelas rações comuns do mercado, mas em situações especiais, onde há exigências diferenciadas, sobretudo em clima quente, uma suplementação extra se torna imprescindível para impedir o aparecimento de sinais de fadiga e queda de resistência.

      Uma carência crônica se manifesta por uma alteração do apetite e pelo aparecimento da "pica" (propensão a ingerir qualquer coisa: urina, terra, madeira, etc.), por rugosidade da pele e, eventualmente por redução da velocidade de crescimento ou da secreção Láctea e por uma predisposição a acidentes musculares agudos.

      Magnésio (Mg)

      O Magnésio é chamado de sedativo do sistema nervoso, tanto central (como o cálcio), como periférico (oposto ao cálcio). Suas necessidades são aumentadas com dietas hiperprotéicas e hiperenergéticas.

      Em animais nervosos ou irritados, ou submetidos a estresse contínuo, um tratamento, por período definido, com um suplemento rico em magnésio, tem um efeito benéfico para o animal. Não deve ser oferecido ininterruptamente, mas por período breves.

      Potássio (K)

      O Potássio, assim como o sódio, está ligado à excitabilidade muscular.

     O excesso de potássio é muito perigoso; ele induz a uma grande fadiga muscular e pode levar a problemas cardíacos. Devemos tomar muito cuidado com uma alimentação muito rica em melaço, pois este é rico em potássio.

      Ferro (Fe)

      Fator Antianêmico.

      É muito comum alguns proprietários de cavalos de esporte aplicarem ferro injetável aos animais, pretendendo aumentar a capacidade esportiva do animal. Esta prática, além de não aumentar a performance do animal, prejudica a absorção de zinco e cobre, em detrimento da solidez óssea, prejudica a produção de hemoglobina e a elasticidade dos tendões.

      O aumento da taxa sangüínea de ferro acelera a utilização da vitamina E e predispõe a lesões musculares. Carência Rara.

      Cobre (Cu)

      É um fator antianêmico, participa do desenvolvimento ósseo, prevenção de osteocondrose, elaboração de camadas córneas. Risco de Carência Elevado.

      Zinco (Zn)

      Ligado à ossificação, integridade dos tegumentos (pele e camadas córneas, juntamente com o cobre, Vitamina A e Biotina) e imunidade. Risco de Carência Elevado.

      Manganês (Mn)

      É indispensável à fertilidade e ao desenvolvimento ósseo. Carência: Rara.

      Cobalto (Co)

      Está ligado na composição da vitamina B12 (cianocobalamina).

      Ele permite sua síntese pela microflora no aparelho digestivo. Carência: Rara.

      Selênio (Se)

      Antioxidante do Organismo (com Vit.E).

      Juntamente com a Vitamina E, o selênio protege as células, mais particularmente:

      - glóbulos vermelhos: reduz o risco de hemólise;

      - capilares: previne as microhemorragias e edemas;

      - músculos: contribui para evitar a degeneração muscular

      Carência: mediana.

      Iodo (I)

      Ligado à síntese de T3 e T4 (hormônios tireoideanos), à reprodução e ossificação.

      Sua carência leva ao bócio (hipertrofia da tireóide) e ao hipotireoidismo.

      Carência: mediana.

     

      MINERAIS QUELATOS

      Também são chamados de minerais orgânicos, minerais quelatados ou mineral aminoácido quelato. São minerais ligados a um aminoácido e que possuem maior capacidade de serem absorvidos pelo organismo.

      Podem ser de três tipos:

      1. Mineral Aminoácido Quelato: quando uma molécula de mineral está ligada a um aminoácido específico. É de fácil assimilação pelo organismo.

      2. Mineral Aminoácido Complexo: (específico e inespecífico) quando uma molécula de mineral está ligada a um aminoácido complexo. É menos absorvida que o anterior.

      3. Mineral Proteinato: quando uma molécula mineral está ligada a um complexo polipeptídico.

      É a menos absorvida dos três tipos.

      A diferença entre os três tipos está no peso molecular, na constante de estabilidade das ligações e nos aminoácidos utilizados.

      Os minerais quelatados possuem as vantagens de serem melhor biodisponíveis (até 90% de absorção, contra 10 a 20% dos minerais inorgânicos), sem interferirem na absorção de outros nutrientes, sem possuírem efeitos colaterais, nem causarem dopping.

      O simples fato de um mineral ser quelatado (ou quelado) não significa que ele é superior aos outros. Como exemplo temos o cálcio quelado por oxalato (presente em alguns tipos de capim). Este complexo quelatado não é absorvido pelo organismo. Quando vamos utilizar um mineral quelatado, devemos conhecer sua procedência, para saber se é ou não absorvido pelo organismo.

IMPACTAÇÃO INTESTINAL

 

      Considerações Gerais:

     As cólicas são, injustamente, atribuídas à ração que se oferece ao animal. As causas da impactação, como na maioria das cólicas, estão associadas a um mau manejo.

     O volumoso, alimento natural e ideal do cavalo, também pode, quando mal manejado, causar cólica nos animais.

     As causas da impactação podem ser:

     1.Utilização de fibras grosseiras: de baixa digestibilidade, é a principal causa deste tipo de cólica. Estas fibras podem ser oriundas de:

     1.1.Feno cortado além do ponto, ficando com o talo muito grosso;

     1.2.Feno deixado secar por tempo demasiado, ficando com o talo muito ressecado;

     1.3.Capim fresco do tipo elefante (napier, colonião, etc.) cortados além do ponto ideal ficando com o talo grosso e ressecado.

     2.Mastigação deficiente: ocasionada por problemas dentários;

     3.Consumo de água inadequado: proporcionará fezes ressecadas;

     4.Tédio: que poderá levar o animal à pica (ingestão de corpos estranhos, da cama, de areia, etc.);

     5.Consumo de Água Inadequado: em cursos naturais rasos, como rios e lagoas, onde o animal ingere areia do fundo juntamente com a água.

     6.Verminótica: causada após vermifugação em animais jovens com parasitismo intenso.

     

     Apesar dos sintomas aparentes mais leves, a gravidade deste tipo de cólica é alta, levando, na maioria das vezes, o animal à cirurgia e também ao óbito.

     

     Considerações Específicas:

     Os movimentos intestinais (peristáltico, anti-peristáltico, segmentar e pendular) são movimentos induzidos por estímulos mecânicos; a ingestão exagerada de alimentos grosseiros, de baixa digestibilidade, provocará problemas no processo digestivo.

     Com o oferecimento de volumosos grosseiros, ou em animais com problemas de dentição, teremos fibras de baixa digestibilidade, ricas em lignina, e o movimento peristáltico poderá ser aumentado causando cólicas do tipo espasmódica. Este aumento exagerado dos movimentos peristálticos poderá levar a quadros mais graves como volvo (torção de alça intestinal no eixo do mesentério), torção (torção de alça intestinal no seu próprio eixo) ou intussussepção (invaginação de porção do intestino para dentro da porção seguinte).

     Se houver uma sobrecarga desta fibra de baixa qualidade, ocorrerá uma estagnação do bolo fecal. Isto também pode ocorrer pela ingestão de corpos estranhos, que bloqueará a passagem do alimento.

     Se esta estagnação ocorrer no Intestino Delgado, chama-se Quimostase. O curso deste tipo de cólica é rápido, variando de 6 a 12 horas no duodeno e jejuno e de 2 a 4 dias no íleo. Se for no duodeno e jejuno, observam-se crises de dor violenta, o animal cai e levanta rapidamente, pode ocorrer icterícia por crise toxêmica do fígado, há desidratação por obstrução do ciclo da água. Caso ocorra no íleo, há inquietação, perda de apetite, olhadas para o flanco direito, animal fica em posição de micção, levanta e bate a cauda. A morte pode ocorrer por ruptura de alça intestinal, dilatação gástrica secundária ou por enterotoxemia.

     Se ocorrer no Intestino Grosso, normalmente no ceco, na flexura pelviana do cólon e no início do colon menor, chama-se de Coprostase. Também pode ser causada por intoxicação por amitraz (carrapaticida). Os sintomas desenvolvem-se gradualmente. As crises de dor são fracas e podem durar dias. Os animais deitam-se com cuidado, olham o abdômen, assumem posição de micção, a eliminação de fezes é rara e em pequenas quantidades.

     Em um bom processo digestivo, o conteúdo do intestino delgado é semi-líquido, ficando mais firme no intestino grosso, onde ocorre absorção de água.

     O cavalo produz, em média 40 litros de saliva (animal de 400 kg) por dia. Esta quantidade estará aumentada conforme o alimento seja mais grosseiro e diminuída se o alimento for tenro. Se houver ingestão ineficiente de água, haverá problemas no processo digestivo, aonde o alimento já chegará ao estômago mais ressecado e mais ainda no intestino grosso, causando a impactação por fezes ressecadas.

     No caso de verminose intensa, ao se utilizar um vermífugo altamente eficaz, que age inibindo a transmissão neuro-muscular dos helmintos, estes ficam paralisados no Intestino Delgado, se enovelam causando obstrução, impedindo a passagem do alimento. Pode ocorrer refluxo nasal contendo vermes (Parascaris equorum). Ocorre uma ação alérgena e tóxica dos vermes mortos que pode levar o animal a um choque toxêmico. Pode-se ainda observar perfurações ou rupturas intestinais, peritonite, intussussepção.

      

    PREVENÇÃO

     Como todas as cólicas, um bom manejo alimentar é fundamental para se prevenir e evitar a impactação.

     Fibras

     A utilização de fibras de boa qualidade deve ser condição primordial para um bom manejo alimentar.

     Se utilizar feno, observe a qualidade deste feno, se não está com talo exageradamente grosso e se não está ressecado demais.

     Se utilizar capim picado, não deixe passar o ponto ideal de corte que está ao redor de 1,60 e 2,20 de altura. É comum observarmos no período de sêca, capineiras com 3 , 4 e até 5 metros de altura. Muitos tratadores tentam minimizar isto picando este capim bem curto e muitas vezes colocando um pouco de farelo de trigo por cima para o cavalo comer o capim. Isto não só não melhora a digestibilidade do alimento como obriga ao cavalo ingerir alimento de baixa qualidade nutricional e que pode causar os problemas descritos. O ideal é oferecer este capim inteiro ou picá-lo com um tamanho acima de 5 cm. Desta forma o cavalo ingere apenas a porção de qualidade do volumoso.

     Dentes

     Uma avaliação das condições dentárias de seu cavalo é muito importante para se prevenir de problemas no futuro. Hoje já existem diversos veterinários que estão se especializando em odontologia eqüina.

     Água

     Devemos avaliar as condições em que nossos animais ingerem a água. Ela está disponível sempre fresca e limpa e à vontade? Se o animal bebe em rio ou lagoa, será que ele está ingerindo somente água ou também areia?

     Tédio

     Será que as condições de vida que meu animal leva são adequadas? Ele é solto todos os dias? Ele está sendo alimentado adequadamente? Ele está com vícios, como pica, ingerindo substâncias que podem ser prejudiciais a ele?

     Vermes

     A aplicação periódica de vermífugos eficazes desde os 30 dias de vida do animal deve-se ser realizada, com repetições a cada 90 dias por toda a vida do animal. Caso haja suspeita de alta infestação em um animal jovem, deve-se proceder a uma aplicação de vermífugo mais fraco, ou sub-dose de um vermífugo de boa qualidade e, após 20 dias, deve ser aplicado a dosagem normal de um vermífugo eficaz.

     

     Como toda e qualquer enfermidade que acomete os animais, o tratamento deve ser feito sempre por um veterinário. Aos primeiros sinais de alterações do comportamento que possam ser suspeitos de doença, não exite em chamar um profissional de sua confiança.

     Confie também a este profissional de sua confiança dicas para o bom manejo de seu amigo eqüestre.

Complementação Alimentar Equilibrada dos Cavalos

 

     Para alimentação adequada do cavalo, devemos respeitar sua natureza, suprindo suas necessidades básicas.

      É fundamental ter em mente que o cavalo é um animal herbívoro, que se alimenta especialmente de vegetais, normalmente chamados de volumosos, ou simplesmente “verde”, ou mesmo forrageiras. Estes podem ser fornecidos sob a forma gramíneas frescas, feno ou mesmo silagens.

      Após termos suprido as mínimas necessidades para manutenção do cavalo, aí sim, conforme atividade a que vamos submetê-lo, seja um potro em crescimento, égua em reprodução ou cavalo de esporte e trabalho, devemos oferecer-lhe os complementos de uma alimentação, para que possamos atingir os níveis Energéticos e/ou Protéicos suficientes para suprir estas novas necessidades, mas sempre respeitando sua natureza, valorizando o volumoso.

     A Ração na verdade deve ser chamada de complemento corretor, pois esta deve ser sua função: complementar e corrigir as necessidades do animal, que o volumoso disponível não consegue suprir. Ela deve ser equilibrada, oriunda de empresas idôneas para se ter garantia da qualidade do produto.

      Existem vários tipos de apresentação de ração: Farelada, Peletizada, Laminada ou Extrusada.

     Existem ainda as matérias-primas (aveia, milho, trigo, etc.) que muitos criadores/proprietários de animais oferecem misturado à ração balanceada. Ocorre que estas matérias-primas são, em geral, muito ricas em fósforo (a relação Ca:P pode ser de 1:3 quando o ideal é 1,8:1) o que leva a um desbalanceamento na relação cálcio/fósforo sangüíneo levando a graves problemas como a cara inchada.

     Quanto às apresentações de rações industrializadas, não devemos nos preocupar com a aparência do produto (peletizada, laminada ou extrusada), mas principalmente com os níveis de garantia destes produtos.

     Tecnicamente falando, um produto extrusado é superior a este mesmo produto laminado e este mesmo produto peletizado. Isto não quer dizer que qualquer produto extrusado é superior a outros, nem que toda ração laminada é superior às peletizadas, mas sim o que determina a superioridade de um produto em relação ao outro são os componentes que constituem esta ração.

     O que mais importa na avaliação da qualidade de um produto são seus níveis de garantia, principalmente valores de qualidade de energia e proteína. A qualidade de sua energia também pode ser avaliada através do valor de seu extrato etéreo, que é o valor de gordura de uma ração, onde, se este valor for alto, a qualidade de sua energia, e também de sua proteína, deverão ser elevados.

     Existem rações peletizadas no mercado que podem possuir qualidade energética e protéica muito superior às laminadas e extrusadas.

     Devemos estabelecer realmente quais as necessidades do cavalo para podermos suprir de forma adequada e obtermos os melhores resultados de performance e também na saúde do animal.

     A escolha da ração certa poderá fazer uma enorme diferença no resultado esperado em nossos animais.

     Podemos dividir o manejo alimentar dos cavalos em 5 categorias básicas:

     1.Manutenção: Onde as necessidades básicas podem ser supridas simplesmente com volumoso, sal mineral e água. Porém, se formos alimentar nossos animais com feno, por exemplo, o custo tende a ser mais barato se suplementarmos com uma ração de manutenção, com cerca de 10 a 12% de proteína bruta e 2 a 3 % de extrato etéreo. As quantidades não devem ultrapassar 1% do peso vivo do animal, sendo suficiente, muitas vezes, 0,5 a 0,8%. Isto é, para um cavalo de 400 kg de peso, não ultrapassar 4 kg diárias, sendo suficiente 2 a 3 kg, sempre divididos em 2 a 3 refeições.

     2.Éguas em Reprodução: nesta fase, temos 2 sub-fases:

     a.Início da Gestação – 1º ao 8º mês: necessidades semelhantes às de manutenção, onde uma ração com 10 a 12% de proteína bruta e 2 a 3 % de extrato etéreo podem ser suficientes.

     b.Terço Final de Gestação (8º ao 11º mês) e Lactação: Necessidades muito elevadas em relação ao início. A ração já deve ter cerca de 15% de proteína bruta com 3 a 5% de extrato etéreo. A quantidade já deve ser no mínimo 0,9% do peso vivo, podendo chegar a 1,2% no início da lactação. Isto, para uma égua de 500 kg de peso vivo, um mínimo de 4,5 kg de ração eum máximo de 6 kg diários, sempre divididos em 2 a 3 refeições.

     3.Potros em Crescimento: Dividido em 3 fases:

     a.Potro em Lactação: O potro começa a ingerir alimento sólido ainda ao pé da mãe, logo no primeiro mês de vida. Entretanto, ele se alimenta realmente só de leite até o 3º mês de idade. A partir desta fase, ele começa a se alimentar de volumoso e ração, aliado ao leite. Ainda ao pé da mãe, a alimentação sólida é apenas complementar ao leite, sendo suficiente 1% do peso vivo por dia (1 kg de ração para cada 100 kg de peso vivo), dividido em 2 refeições.

     b.Após o desmame até os 18 meses de idade: Deve-se utilizar uma ração apropriada para potros, com 17 a 19% de proteína bruta e 3 a 5% de extrato etéreo, nessa mesma proporção, 1% do peso vivo em ração, dividido em 2 refeições.

     c.Dos 18 aos 36 meses, deve-se oferecer uma ração com 15% de proteína bruta e 3 a 5% de extrato etéreo, mantendo-se a mesma proporção de 1% do peso vivo em ração, dividido em 2 refeições.

     4.Garanhões: Dividida em 02 fases:

     a.Garanhões em Manutenção: São as mesmas necessidades de um outro animal em manutenção, onde as necessidades básicas podem ser supridas simplesmente com volumoso, sal mineral e água. Caso ofereça uma ração, esta pode ser com 10 a 12% de proteína bruta e 2 a 3% de extrato etéreo. A quantidade não deve ultrapassar 1% do peso vivo do animal, sendo suficiente, muitas vezes, 0,5 a 0,8%.

     b.Garanhão em Monta: Aqui as necessidades são bem superiores, especialmente no que diz respeito à energia da ração. Pode-se utilizar uma ração com 10 a 12% de proteína bruta e 3 a 6% de extrato etéreo. As quantidades variam de 0,8 a 1,2% do peso vivo em ração, dependendo da intensidade da monta. Isto é, para um garanhão de 500 kg, em monta leve, podem ser suficientes 4 kg de ração, podendo chegar a 6 kg em monta intensa.

     5.Cavalos de Esporte: Nesta categoria as necessidades são essencialmente energéticas. Proteína de qualidade, mas não em quantidade. A ração pode ter de 11 a 12% de proteína bruta e o extrato etéreo pode chegar a 10%. Quanto maior o extrato etéreo, menor deverá ser a quantidade de ração oferecida (maior energia por kg de produto). As quantidades variam conforme a qualidade da ração e a intensidade do trabalho, de leve e muito intenso. Podem ser de 0,8 a 1,5% do peso vivo em ração.

     

     Algumas dicas fundamentais:

     1.Para cada categoria animal, necessidades diferentes, qualidade e quantidades diferentes de complementos.

     2.Não dê importância excessiva à quantidade de alimento, mas sim à sua qualidade.

     3.Adote o princípio: “Mínimo necessário, não máximo obrigatório”.

     4.Menores quantidades de alimentos por refeição, têm aproveitamento mais eficiente. Evite ultrapassar a oferta de 2 kg de ração por refeição para um cavalo de 500 kg.

     5.Os excessos podem ser tão ou mais prejudiciais que as deficiências.

     6.Devemos sempre levar em consideração as variações individuais de cada animal, tais como, raça, digestibilidade individual e temperamento.

     7.Toda alteração alimentar, de grãos ou concentrados, deve ser lenta e gradual, mínimo de 3 semanas.

     8.Mais de 90% das cólicas em cavalos são causadas por um mau manejo alimentar, que o homem impõe ao animal.

     9.O volumoso deve ser no mínimo, 50% da dieta do animal. Quanto maior o consumo energético do animal, maior a necessidade de se complementar com grãos.

     10.Mantenha sempre água fresca e limpa e sal mineral específico à disposição, qualquer que seja a categoria animal.

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