Fontes Consultadas ERGONOMIA

Fontes Consultadas ERGONOMIA

Fontes Consultadas

COUTO, Hudson de Araújo. Ergonomia aplicada ao trabalho: conteúdo básico, guia prático. Belo Horizonte: ERGO Editora, 2007.

COUTO, Hudson de Araújo. Método TOR-TOM: manual de avaliação ergonômica e organização do trabalho. Belo Horizonte: ERGO Editora, 2006.

GRANDJEAN, Etienne. Manual de Ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. 4ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2004.

GUÉRIN, F. et all. Compreender o trabalho para transformá-lo: a prática da ergonomia. 1ª ed. 2ª reimpressão. São Paulo: Edgard Blücher, 2005.

IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. 9ª reimpressão. São Paulo: Editora Edgard Blücher, 2003.

Ergonomia

1. FUNDAMENTOS DA ERGONOMIA

1.1 - Origem e evolução da ergonomia

O termo ergonomia foi utilizado pela primeira vez, em 1857, pelo polonês W. Jastrzebowski, que publicou um artigo intitulado “Ensaio de ergonomia ou ciência do trabalho baseada nas leis objetivas da ciência da natureza”.

Quase cem anos mais tarde, em 1949, um engenheiro inglês chamado Murrel criou na Inglaterra a primeira sociedade nacional de ergonomia, a “Ergonomic Research Society”.

Posteriormente, a ergonomia desenvolveu-se em numerosos países industrializados, como a França, Estados Unidos, Alemanha, Japão e países escandinavos.

Em 1959 foi fundada a “International Ergonomics Association - IEA”. Em 31 de agosto de 1983 foi criada a “Associação Brasileira de Ergonomia - ABERGO”. Em 1989 foi implantado o primeiro mestrado do país no PPGEP/UFSC. Correntes de Estudo

Origem da Ergonomia

A figura abaixo mostra a origem da ergonomia, a partir do inter-relacionamento entre os diversos campos de conhecimento e disciplinas científicas envolvidas:

O desenvolvimento atual da ergonomia Pode ser caracterizado segundo quatro níveis de exigências: As exigências tecnológicas: técnicas de produção As exigências econômicas: qualidade e custo de produção As exigências sociais: melhoria das condições de trabalho As exigências organizacionais: gestão participativa 1.2 - Conceitos de ergonomia Conceito da Ergonomics Research Society:

“A ergonomia é o estudo da relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamento e ambiente, e particularmente a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução surgida neste relacionamento”.

Conceito Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO):

“A ergonomia é o estudo da adaptação das tarefas e do ambiente de trabalho às características fisiológicas e psicológicas do ser humano”.

1.3 – Aspectos estudados pela ergonomia

Ser Humano: características físicas, fisiológicas, psicológicas e sociais do trabalho; influência do sexo, idade, treinamento e motivação;

Máquina: entende-se por máquina todas as ajudas materiais que o homem utiliza no seu trabalho, englobando os equipamentos, ferramentas, mobiliário e instalações;

Ambiente: estuda as características do ambiente físico que envolve o homem durante o trabalho, como temperatura, ruídos, vibrações, luz, cores, gases e outros;

Informação: refere-se às comunicações existentes entre os elementos de um sistema, a transmissão de informações, o processamento e a tomada de decisões;

Organização: é a conjugação de todos estes elementos no sistema produtivo, estudando aspectos como horários, turnos de trabalho e formação de equipes;

1.4 - As diferentes abordagens em ergonomia Quanto a abrangência:

Ergonomia do posto de trabalho: abordagem micro ergonômica

Quanto a contribuição: Ergonomia de concepção: normas e especificações de projeto; Ergonomia de correção: modificações de situações existentes; Ergonomia de arranjo físico: melhoria de seqüências e fluxos de produção; Ergonomia de conscientização: capacitação em ergonomia; Ergonomia de sistemas de produção: abordagem macro ergonômica

Quanto a interdisciplinaridade: Engenharia: projeto e produção ergonomicamente seguros; Design: metodologia de projeto e design do produto; Psicologia: treinamento e motivação do pessoal; Medicina e enfermagem: prevenção de acidentes e doenças do trabalho; Administração: projetos organizacionais e gestão de R.H.; 1.5 - Os diferentes tipos de ergonomia 1) Ergonomia de projeto X Ergonomia industrial: Ergonomia de projeto: é a ergonomia preventiva no estágio de projeto Ergonomia industrial: é a ergonomia corretiva de situações existentes

2) Ergonomia do produto X Ergonomia da produção Ergonomia do produto: é a ergonomia de concepção de um dado objeto

Ergonomia da produção: é a ergonomia de chão de fábrica

3) Ergonomia de laboratório X Ergonomia de campo

Ergonomia de laboratório: é a pesquisa em ergonomia realizada em situação controlada de laboratório;

Ergonomia de campo: é a pesquisa em ergonomia realizada em situação real de trabalho.

1.6 - Abordagem sistêmica em ergonomia Dados a coletar referentes ao ser humano: Trabalhador (ou trabalhadores) que intervém no posto e seu papel no sistema de produção; Formação e qualificação profissional;

Número de trabalhadores trabalhando simultaneamente sobre cada posto e regras de divisão de tarefas (quem faz o que?);

Número de trabalhadores trabalhando sucessivamente sobre cada posto e regras de sucessão (horários, modos de alternância de equipes);

Características da população: idade, sexo, forma de admissão, remuneração, estabilidade no posto e na empresa, absenteísmo;

Estrutura geral da máquina (ou das máquinas); Dimensões características (croqui, foto, fluxo de produção); Órgãos de comando da máquina; Órgãos de sinalização da máquina;

Princípios de funcionamento da máquina (mecânico, elétrico, hidráulico, pneumático, eletrônico);

Dados a coletar referentes às ações: As ações imprevistas ou não programadas; Os principais gestos de trabalho realizado pelo operador; As principais posturas de trabalho; Os principais deslocamentos; As principais ligações sensório-motoras; As principais categorias de tratamento de informação; As principais decisões a serem tomadas; As principais regulações: do homem, posto e sistema; As principais ações do operador sobre: máquina, entrada e saída.

Dados a coletar referentes às condições ambientais: O espaço e os postos de trabalho; O ambiente térmico; O ambiente acústico; O ambiente luminoso; O ambiente vibratório; O ambiente toxicológico

Dados a coletar referentes às condições técnicas (comandos): Número e variedade de comandos; Posição, distância relativa dos sinais e dos comandos; Grau de precisão da ação do operador sobre os comandos; Intervalo entre o aparecimento do sinal e dos comandos; Rapidez e freqüência das ações realizadas pelo operador;

Grau de compatibilidade nos movimentos de diferentes comandos manobrados seqüencial ou simultaneamente;

Disposição relativa dos comandos; Grau de coerência no sentido dos movimentos. Tipos de abordagens da ergonomia

Modelo antropocêntrico do ser humano em atividade de trabalho Processos perceptivo e cognitivo

1.7 – Principais áreas da Ergonomia aplicada ao trabalho Área 1 – Trabalho fisicamente pesado:

Trata-se, fundamentalmente, de definir se o trabalhador tem condições ou não de executar atividades prolongadas com grandes grupos musculares: por exemplo, motos serristas, carregadores de sacas de mantimentos, trabalhadores rurais em processos não mecanizados, etc.

Área 2 – Trabalho em altas temperaturas:

Nesse tipo de atividade, o organismo desenvolve alta taxa de sudorese para tentar perder calor por evaporação e assim manter a temperatura corpórea constante. A sudorese excessiva costuma causar desidratação, com queda de capacidade de trabalho.

Área 3 – Trabalho em ambientes frios:

A grande predominância neste item é das indústrias de abate e processamento de carnes. Também importante é o trabalho em câmaras frigoríficas. O frio promove uma redução do fluxo de sangue para a pele, além de tremores e perda da habilidade. Favorece também a ocorrência de transtornos de vias respiratórias.

Área 4 – Biomecânica:

Estudo dos esforços realizados pelo trabalhador, o uso da coluna vertebral, o manuseio, levantamento e transporte de cargas, cadeiras e assentos no local de trabalho, conforto de banco de veículos e equipamentos motorizados, ação dos membros superiores como ferramentas de trabalho e postos de trabalho com computadores.

Área 5 – Ergonomia no método e no posto de trabalho:

Aspectos ergonômicos de ferramentas, dispositivos, posicionamentos do corpo para realizar o trabalho, adequação da altura das bancadas, da posição dos comandos, das áreas de alcance e do posicionamento de caixas com material.

Área 6 – Condições para o trabalho intelectual:

Estabelecimento de padrões aceitáveis de conforto térmico, conforto acústico e iluminação adequados para esse tipo de atividade.

Área 7 – Ergonomia na Organização do Trabalho:

Estuda-se as formas de se conseguir os resultados prescritos, especialmente a tecnologia, o maquinário, a matéria-prima, o material, a manutenção, o meio ambiente e mão-de-obra, pois qualquer problema em alguma dessa áreas pode resultar em sobrecarga sobre o trabalhador, com o aparecimento de lesões e distúrbios diversos.

Área 8 – Ergonomia na prevenção de acidentes do trabalho:

Num grande contingente de acidentes do trabalho identificam-se condições anti-ergônomico que favorecem o ato inadequado do trabalhador ou o induzem a cometer a falha.

Área 9 – Prevenção da fadiga no trabalho:

Prevenção da fadiga excessiva, atuando nas diversas formas de fadiga física, fadiga mental e interação com a área de Gestão de Pessoas na prevenção da fadiga psíquica.

Áreas recentes de atuação da Ergonomia: Questões ergonômicas ligadas à reestruturação produtiva; Carga mental no trabalho; Estresse no trabalho – prevenção; Saúde mental no trabalho; Qualidade de vida no trabalho; Ergonomia e Produtividade.

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