Guia Silagem

Guia Silagem

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GuiadoCampo Sementes Agroceres

Milho&Sorgo

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Milho&Sorgo S I LAG E M

tem exigido adequado manejo alimentar, para melhor atender os mais exigentes requerimentos nutricionais. Em decorrência da distribuição irregular de forragem, durante o ano na região central, ocasionada por fatores climáticos e pela diversidade de forragens durante o invernona Região Sul, torna-se indispensável um adequado planejamento alimentar, tanto na conservação de volumosos de alto valor nutritivo, especialmente silagem de milho e de sorgo, quanto de alimentos concentrados energéticos, pela elevada participação em rações. Nesse caso, destaca-se também a silagem de grãoúmido por ser a forma mais eficiente e econômica deconservação de grãos de cereais para a alimentação animal.

No Brasil, pela tradição dos colonizadores em agricultura, a pecuária de corte e a de leite têm sido sempre relegadas às áreas de solo de baixa fertilidade ou de topografia imprópria à mecanização que, aliada à criação de raças não selecionadas para precocidade, tem refletido no alongamento do ciclo reprodutivo do rebanho, resultando em baixos índices de desfrute.

Com a globalização do mercado, a pecuária vem sofrendo profundas modificações no sentido de atingir índices mais competitivos, principalmente nas regiões de terras mais valorizadas, ante a outras alternativas do uso do solo. As técnicas de inseminação artificial e de transplante de embriões permitiram grandes avanços na qualidade genética do rebanho, o que paralelamente

Processo de ensilagem - Histórico5
O conceito da silagem7
Principais benefícios da silagem de milho e sorgo9
A silagem de planta inteira10
Adubação do milho e do sorgo para produção de silagem12
Escalonamento da semeadura e programação do corte da forragem para ensilagem14
Tipos de silos15
Dimensionamento dos silos15
Processo de ensilagem19
Processo de fermentação29
Abertura do silo30
Avaliação da qualidade da silagem31
Porcentagem de participação no custo da produção por atividade de silagem37

Índice Escolha do híbrido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38

A conservação de plantas forrageiras através da ensilagem é um processo muito antigo. Pinturas encontradas no Egito ilustram que os habitantes daquela região conheciam a técnica no período de 1.0 a 1.500 a.C., entretanto, os primeiros ensaios técnicos foram realizados no século XIX, na França e Alemanha, quando foi possível armazenar com sucesso o milho em fossos cavados no solo.

Apesar do conhecimento antigo da ensilagem como técnica de conservação, a mesma se tornou popular apenas no fim do século XIX quando, em 1877, o fazendeiro, francês A. Goffart, publicou o primeiro livro sobre o tema com base na sua experiência de ensilagem de milho. Um ano depois, aproximadamente, uma tradução inglesa do seu livro foi publicada nos Estados Unidos, quando a técnica de preservação foi rapidamente assimilada pelos fazendeiros americanos.

No Brasil não se tem idéia exata da introdução da ensilagem, mas é provável que ela tenha sido iniciada já no fim do século XVIII. Uma publicação de 1913 descrevia o processo com a afirmação de que “para nós a ensilagem não representa tão grande valor, porque mais ou menos durante o inverno – o clima de nosso país é ameno –, pode-se conseguir alimentos verdes e forragens substanciais por meio da cultura”.

Entretanto, a produção de inverno de qualquer planta forrageira é em torno de 10 a 20% da produção anual, tornando indispensável a conservação de forragem de qualidade para a adequada alimentação dos animais durante o ano todo.

O processo de expansão da ensilagem teve seu início no fim da década de 1960, graças aos esforços de órgãos de extensão rural, fundações, universidades e departamentos técnicos de grandes cooperativas, resultando no começo dos trabalhos experimentais sobre os processos fermentativos. Nesse caso, o milho e o sorgo foram utilizados com sucesso por serem plantas de alta produção de volumoso e de grãos, conferindo à silagem um alto valor energético.

A silagem de plantas de milho ou sorgo no Brasil passou por 4 fases tecnológicas distintas, de acordo com a evolução do mercado:

• Na primeira foi dada ênfase à maior produção de volume de massa verde, como meio de obtenção de muito alimento a custo baixo e/ou para suprir as necessidades da época da seca no período do inverno no Brasil central.

• Na segunda fase, com o incremento do nível genético do rebanho, iniciou-se a busca por silagem de melhor qualidade, visando economia no uso de concentrados energéticos, na dieta animal que tinha o custo elevado. Todavia, sem conhecer a qualidade da forragem das plantas, foi dado enfoque à maior

Processo de ensilagem - Histórico participação de grãos como meio de melhoria da qualidade da silagem. Esta afirmação baseia-se em estudos das décadas de 1960 e 1970, demonstrando que os grãos são mais digestíveis – 85,8%. Já as folhas têm índice de digestibilidade de 61,2% e o colmo de 48,2%.

• Na terceira fase, pode-se combinar as duas situações com o conhecimento da fração forragem das plantas. Estudos recentes demonstraram que híbridos que possuem alta digestibilidade da fração verde da planta, combinadoscom a alta produtividade de grãos, resultavam em silagem de melhor qualidade, independentemente da contribuição das partes da planta na composição da silagem.

• Na quarta fase, segundo trabalhos pioneiros realizados por pesquisadores na França (Tabela 1) e no

Brasil (Tabela 2), a textura dos grãos influencia significativamente a sua digestibilidade, sendo os grãos tipo mole ou dentado, de maior digestibilidade do que os do tipo duro (que mostraram alta taxa de passagem pelo trato digestivo, resultando em significativas perdas de amido nas fezes dos animais, principalmente quando cortados em estágios mais avançados de maturidade).

Assim, nos próximos anos, os híbridos recomendados para silagem de planta inteira serão mais específicos e diferentes daqueles que buscamos atualmente para grãos. Híbridos de grãos duros alaranjados com alta resistência ao acamamento podem apresentar altos níveis de lignina ou fibras, podendo resultar em menor digestibilidade da fração verde e do amido.

Dentado Duro Mat. SecaAmido

Textura do Grão Parâmetros

Fração rapidamente Degradável (%)

Degradabilidade Efetiva (%)

Tabela 1. Influência da textura de grão de milho Dentado x Duro, na degradação ruminal da matéria seca e do amido.

Mat. SecaAmido

Adaptado de Philippeau et alii 1999.

Os trabalhos indicam que os híbridos de grãos duros possuem digestibilidade semelhante à dos dentados até a fase de linha de leite na metade do grão, entretanto, a redução na digestibilidade ocorre quando a linha de leite passa da metade até a maturidade fisiológica indicando uma menor “janela de colheita”. Esse fato deve-seà formação de uma densa matriz protéica de baixa digestilibilidade em volta do amido muito comum em grãos tipo duros.

A ensilagem de grãos úmidos de cereais é um processo mais recente. Os primeiros trabalhos científicos que evidenciaram o aumento na eficiência alimentar em animais que receberam silagem de grãos de alta umidade, tanto de milho quanto de sorgo, datam do fim da década de 1950. Nos Estados Unidos, na década de 1970 a silagem de grão úmido de milho já era um procedimento rotineiro para muitos confinadores de ruminantes e monogástricos.

No Brasil, a silagem de grão úmido de milho foi introduzida a partir de 1980, na região de Castro - PR, sendo inicialmente utilizada na alimentação de suínos e mais tarde na alimentação de bovinos leiteiros e de corte. Entretanto, as primeiras publicações científicas brasileiras datam da década de 1990, período no qual a tecnologia foi definitivamente aceita pelo setor produtivo nacional.

O conceito da silagem

Silagem é o produto oriundo da conservação de forragens úmidas (planta inteira) ou de grãos de cereais com alta umidade (grão úmido) através da fermentação em meio anaeróbico, ambiente isento de oxigênio, em locais denominados silos.

A silagem de planta inteira (volumoso energético) é um alimento distinto da silagem de grão úmido (concentrado energético). Portanto, são alimentos complementares e não substitutivos.

Na alimentação de ruminantes (bovinos de leite e de corte, bubalinos e ovinos), a silagem de grãos úmidos, por ser uma alternativa de um alimento com concentrado energético, complementando a silagem de planta inteira, que é o volumoso, resulta em uma dieta eficiente e de menor custo.

Na alimentação de monogástricos (suínos, aves e eqüinos) a silagem de grão úmido substitui total ou parcialmente os grãos de cereais, que tradicionalmente são conservados na forma de grãos secos.

Tabela 2. Degradação ruminal in Situdos grãos de milho tipo Dentado e Duro em 3 estágios de maturidade.

% Degradabilidade24h% Resíduo72h Textura de grão*

Duro (formação grão) Duro (1/2 linha leite) Duro (maturação fisiológica) Dentado (formação grão) Dentado (1/2 linha leite) Dentado (maturação fisiológica)

% Vitreosidade% Matéria Seca

*Grãos Flint/Duro (AG 9010, TORK) e Grãos Dentados (AG 1051 e AG 4051). Fonte: Celestine, G.A. et alii, 2001, Universidade Federal de Lavras, Lavras - MG.

Silo grão úmido Concentrado energético Ruminantes (corte/leite) Monogástricos

Silo planta inteira

Alimento volumoso Ruminantes (corte/leite)

Segundo o pesquisador Marcos Neves, da Universidade Federal de Lavras, silagem não é fonte de proteínas, minerais e gorduras (aproximadamente15% da matéria seca), mas sim de fibras, carboidratos (amido) e açúcares (85% da matéria seca). Desse modo, se quisermos desenvolver híbridos mais específicos para silagem, no futuro, deveremos selecionar melhor em digestibilidade das fibras e do amido dos grãos, atuando em quantidade e textura de grãos mais dentados.

Composição da matéria seca da silagem de milho

Principais benefícios da silagem de milho e sorgo

A Silagem de planta inteira

A planta para ensilagem deve apresentar os seguintes requisitos fundamentais na época da colheita: alta produtividade, teor de matéria seca em torno de 32 a 37%, alto teor de carboidrato solúvel, baixo poder tampão para facilitar o abaixamento do pH no interior do silo e excelente aceitabilidade e digestibilidade.

Dentre as plantas forrageiras tropicais, o milho e o sorgo se destacam pela fácil ensilabilidade, onde todo o processo pode ser executado mecanicamente. Além disso, proporcionam silagens de alta qualidade, sem a necessidade de aditivos para estimular a fermentação, pois no ponto da colheita, o teor de matéria seca em torno de 35% inibe as fermentações indesejáveis.

O uso de aditivos deve ser recomendado em situações de silagem com materiais de baixo teor de carboidratos ou quando for colhido fora do ponto correto, ou seja, excessivamente úmido ou seco, muito comum em situação de erro de manejo ou estresses climáticos.

Em geral, os produtores, com o intuito de colher altos índices de massa verde, utilizam alta população de plantas não-compatíveis com o nível de fertilidade ou de manejo da adubação, alterando significativamente a qualidade da silagem pelo aumento da fração de colmo na matéria seca com reduções em porcentagem de folhas e grãos. Veja o efeito negativo da alta população de plantas/ha na qualidade da silagem.

Maximiza rendimentos e custos compatíveis, principalmente para pequenas propriedades agropecuárias.

Volumoso de alto valor nutritivo e de produção econômica viável.

Assegura a produção de leite no período da seca ou do inverno, quando as cooperativas ou indústrias estabelecem cotas de fornecimento.

Suplementação na época da seca no Brasil Central, principalmente em regiões de estresse hídrico rigoroso (3 a 4 meses de chuvas por ano), onde muitas vezes nem a cultura da cana-de-açúcar consegue se desenvolver.

Ideal para fornecimento a animais em sistema de confinamento o ano todo.

Possui bom valor energético e níveis medianos de proteína, assegurando a produção, principalmente em animais de alta exigência e de produtividade.

Operações 100% mecanizadas, reduzindo os custos e mão-de-obra.

Conservação por longo período, desde que devidamente compactado e vedado.

Permite o balanceamento econômico de dietas nutricionais para os animais. Abre oportunidades para a terceirização de serviços no campo.

Proteína Bruta (PB)Digestibilidade ao redor de 90%

Digestibilidade ao redor de 40%

Extrato Etéreo (E)

Cinzas ou Minerais Fibra Detergente Neutro (FDN)

Carboidratos (CNF)

Planta/ha % Digest

% Digestibilidade25 Plantas/ha

Efeito do aumento da população de plantas/ha na digestibilidade da silagem de milho.

Fonte: Departamento de Desenvolvimento de Produtos – Sementes Agroceres, 1998.

O milho é considerado a “cultura-padrão” para a produção de silagem, entretanto, em condições adversas de clima ou em épocas de plantio tardio, o milho perde desempenho e qualidade onde, neste caso, o sorgo silageiro é considerado como cultura-padrão e complementar ao milho. Veja os resultados comparativos na Tabela 3.

O sorgo tem sido desenvolvido para silagem e atualmente apresenta condições semelhantes às do milho através da introdução de caracteres genéticos como o colmo seco, a alta produtividade de grãos e o aumento da digestibilidade, além de permitir a elaboração de dietas mais econômicas e a possibilidade de mais um corte. O sorgo também é recomendado, próximo aos grandes centros, onde existe o risco de roubo de espigas, comprometendo o valor da silagem do milho.

O amido dos cereais é digerido no rúmen pelas bactérias e, no intestino, pelas enzimas digestivas. No rúmen, o amido é utilizado muito mais como substrato para as bactérias crescerem e se proliferarem, enquanto no intestino é fonte primária de energia para o animal. Além disso, cerca de 65% da energia de um bovino advém da produção de ácidos graxos voláteis, resultantes da fermentação e da digestão do amido no rúmen.

Tabela 3. Comparativo de qualidade de silagem de milho* e sorgo** sob situação normal e de estresse.

MS - Matéria Seca FDN - Fibra Detergente Neutra FDA - Fibra Detergente Ácida DIG - Digestibilidade (in vitro) LIG - Lignina NDT - Nutrientes Digestíveis Totais CV - Consumo Voluntário IMS/d - Ingestão Matéria Seca/diária IE - Índice Energético PV - Peso Vivo

MS t/ha %Qualidade

Milho silagem Situação favorável Situação desfavorável Sorgo porte alto

IMS/d Ex. Vaca 500kg PVQualidade

Milho silagem Situação favorável Situação desfavorável Sorgo porte alto

MS t/ha LitrosQualidade

Milho silagem Situação favorável Situação desfavorável Sorgo porte alto

Leite/ha

*Média de 8 híbridos de milho: **Média sorgo forrageiro Volumax.

Lt. Leite/cab.

Fonte: Departamento de Desenvolvimento de Produtos Sementes Agroceres, 2002.

Práticas de implantação e tratos culturais para os híbridos de milho e de sorgo destinados à produção de silagem devem ser rigorosamente respeitados, tendo em vista que irão refletir na quantidade e na qualidade da silagem produzida, conseqüentemente na economia do processo.

A extração de nutrientes é maior quando a cultura é destinada à produção de silagem em relação à produção de grãos, pela retirada total da parte aérea (Tabela 4). Portanto, a reposição dos nutrientes deve ser feita de forma criteriosa com base na análise de solo, atendendo às relações ideais entre os nutrientes no complexo coloidal do solo e nos níveis de produtividade pretendidos (Tabelas 5 e 6). Por causa da alta extração de potássio devemos procurar manter uma relação Nitrogênio e Potássio aplicado próximo de 1:1.

Adubação do milho e do sorgo para produção de silagem.

Tabela 4. Extração média de nutrientes pela cultura do milho destinada à produção de grãos e de silagem em razão de diferentes níveis de produtividade.

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