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Faculdade Renascença de São Paulo

Autorizada pela Portaria MEC nº 72,616 de 15.08.1973

Mantida pela Sociedade Brasileira de Educação Renascentista

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

AULA 5

ELABORAÇÃO DE PROJETOS AMBIENTAIS

Um projeto representa um planejamento de ações que pretende resolver uma situação sentida como um problema ou uma demanda, no qual se articula o trabalho dos alunos e docentes, que utilizarão alguns materiais, para que em um tempo determinado previamente, se proceda a sua realização.

Para a elaboração de Projetos de Educação Ambiental, é importante basear-se em uma estrutura clara e objetiva para que quem recebe o Projeto em mãos possa ter uma dimensão clara do que será desenvolvido. Os seguintes itens são estruturalmente importantes:

OBJETIVOS:

PÚBLICO – ALVO

CRONOGRAMA

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO (citar etapas a serem realizadas)

DIRECIONAMENTOS

RESULTADOS PREVISTOS

RECURSOS NECESSÁRIOS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANÁLISE DAS ETAPAS DO PROJETO:

Objetivo Geral

O objetivo surge como outra face do problema central, apresentando-se como solução ao mesmo. Sempre será uma frase curta descrevendo de forma clara e precisa, a situação desejada ao finalizar o projeto.

Público-alvo

Estão representados o público envolvido, sua faixa etária, se necessário.

Cronograma - Calendário

São os tempos necessários para levar adiante as atividades. No cálculo do tempo, devemos levar em conta a equipe disponível e as horas de trabalho reais a dedicar, assim como a disponibilidade de recursos materiais.

Atividades (desenvolvimento - etapas)

As atividades representam as ações que devem ser realizadas para complementar cada um dos objetivos específicos e assim, chegar ao objetivo geral do projeto.

Direcionamentos

A quem se refere, a que se propõe.

Resultados previstos

Cita-se a previsão de possíveis resultados a serem atingidos no final do processo.

Recursos Necessários

São os recursos humanos e materiais que viabilizam as atividades do projeto.

Avaliação do Processo

Esta avaliação do processo é, um tipo de avaliação que permite fazer correções para melhorar as atividades, no desenvolvimento mesmo do projeto, de tal forma que, se existem elementos que não tínhamos levado em conta na elaboração, sejam externos ou internos, que começam a influenciar a realização das atividades em qualidade de atuação, podem ser corrigidas para cumprir plenamente com os objetivos enunciados.

Para obter este tipo de avaliação é necessário contar com indicadores de cumprimento. Um indicador especifica o desempenho básico a ser alcançado de modo a conseguir concretizar o objetivo específico, os resultados e as atividades.

Um indicador deveria especificar o grupo em meta (para quem), a quantidade (quanto), a qualidade (quão bem), o tempo (para quando) e a localização (onde), e deve ser:

  • Substancial, reflete um aspecto essencial de um objetivo em termos precisos.

  • Fático, assinala realizações, mais que impressões subjetivas.

  • Plausível, as trocas observadas podem ser atribuídas diretamente ao projeto.

  • Atingível, quer dizer, obter, a partir de um esforço extra razoável.

Para elaborar projetos ambientais nas escolas é preciso:

  • Analisar os modelos de inserção curricular da EA na educação formal

  • Analisar as diferenças dos currículos tradicionais com os ambientais

  • Analisar as alternativas de inserção da educação ambiental como eixo transversal

  • Caracterizar um conjunto de técnicas disponíveis para a aplicação da educação ambiental na sala de aula ou fora dela.

Modelos de Inserção da Educação Ambiental

Para alcançar a meta do desenvolvimento sustentável, a educação ambiental deve colaborar com a formação de um novo sujeito social, no contexto de uma cultura ambiental, que possibilite a geração de novas formas de organização social e redefina a relação da pessoa consigo mesma, com as outras e com seu entorno.

Para tal surge a necessidade de se aplicar uma nova forma de conceitualizar de toda a educação, problematizando objetivos, estruturas curriculares e estratégias didáticas.

Podemos afirmar que a EA na educação formal promove:

Uma conceitualização, complexa, crítica, dinâmica e integradora da realidade socioambiental.

Um processo reflexivo-afetivo sobre o tratamento conceitual, partindo do pressuposto básico da não neutralidade dos conhecimentos, e envolvendo o desenvolvimento de uma ética pessoal e comunitária.

A motivação para envolver-se na defesa da qualidade de vida de seu entorno, motivação adquirida no trabalho comunitário de seu contexto significante, elaborando novas interpretações da realidade e dos próprios potenciais.

A aprendizagem do exercício da cidadania, da capacidade de escolher, tomar decisões e exercer seus direitos e responsabilidades na proteção de sua qualidade de vida e da sua comunidade.

Ambientalização escolar

A educação ambiental formal, tal como a entendemos, poderíamos dizer que é um eixo integrador que significa e resignifica todo o processo educativo, envolvendo as normas institucionais, os conteúdos, sua base, sua organização, sua interpretação; as metodologias envolvidas, as experiências de aprendizagem, a abertura à comunidade, entre outros; é um sistema que promove um novo modelo de socialização educativa, a socialização ambiental.

A transversalidade é necessária para o tratamento dos problemas sociais, envolvendo os temas de demanda social, abrindo a escola para sua comunidade e posicionando-se frente a ela.

Ambientalização curricular

Os problemas que emergem da realidade não estão cuidadosamente classificados em relação às disciplinas da escola, desta maneira para compreendê-los é necessária uma abordagem interdisciplinar.

As problemáticas ambientais do presente têm gerado a necessidade de enfoques integradores do conhecimento para compreender as causas e a dinâmica dos processos sócio-ambientais que, por sua complexidade ultrapassam a capacidade de conhecimento dos paradigmas científicos atuais, demandando uma recomposição holística, sistemática e interdisciplinar do saber.

Por isso, se questiona a apresentação de temas organizados de forma fragmentada e isolados; o eixo ambiental pode se constituir como uma alternativa válida para integrar as diversas áreas de conhecimento gerando um diálogo entre saberes.

É uma perspectiva que nos pode permitir uma aproximação da complexidade do todo, focado nas relações e não nas características dos elementos isolados; para tanto, é necessário ter um planejamento curricular espiralado, que permita um movimento de integração conceitual.

Surgem muitas dúvidas a respeito da inserção da educação ambiental:

  • Quais são as relações que se dão entre as disciplinas?

  • Como se coordenam no tempo e no espaço escolar?

  • Qual é o papel de cada um dos professores?

  • Que mudanças são necessárias?

Etapas

Problematização

É necessária a revisão, e se for necessário, a reformulação de cada área disciplinar como suporte para a compreensão conceitual e ética da problemática ambiental promovendo a transformação dos paradigmas.

Para isto, deveríamos nos perguntar:

  • Qual é a colaboração de cada disciplina no diagnóstico das problemáticas ambientais, analisando os processos que as tem formado?

  • Qual é o papel de cada disciplina na geração de alternativas de solução?

Posteriormente poderíamos enriquecer o processo de Ensino – Aprendizagem, que servirá de base para a segunda etapa, a convergência disciplinar.

Interdisciplinaridade

A interdisciplinaridade abre a possibilidade de um trabalho cooperativo. Os pequenos grupos de estudantes ou docentes, frente a um problema, se enriquecem através da comparação de pontos de vista, que potencializam a geração de conflitos sócio-cognitivos, condição necessária para a aprendizagem reflexiva e construtiva.

Além disso, os grupos proporcionam suporte para solucionar esses conflitos, já que na cooperação não só se podem formular melhores perguntas, como também melhores respostas.

A pesquisa interdisciplinar é um processo e não um produto de coordenação de resultados. Por isso é que a interdisciplinaridade requer um esforço de inter-compreensão, não é uma colocação comum através de uma linguagem única, e sim através da compreensão do contexto do outro, por mais que não estejam de acordo. A interdisciplinaridade requer um diálogo fluído, multidisciplinar dos participantes.

A formação de grupos “interdisciplinares” de alunos e docentes, com o objetivo de realizar projetos de pesquisa das problemáticas ou características do entorno imediato da unidade escolar, se converte em uma alternativa para criar um “espírito interdisciplinar”, um contexto em que as disciplinas deixem de ignorar-se umas às outras, para atuar conjuntamente numa situação da realidade que afeta o coletivo, ou para criar situações de aprendizagem capazes de motivar os alunos, favorecendo uma implicação afetiva positiva nas ações cotidianas.

Organização Curricular

Currículo Tradicional
  • Baseia-se em ciências e em disciplinas que enfatizam aspectos teóricos.

  • Está predefinido.

  • Pedagogia de divulgação da informação não problemática.

  • Armazenagem para seu uso futuro no melhoramento do status do aluno e seu bem estar econômico.

  • Aprendizagem individual.

  • Estudantes passivos - espectadores e receptores de conhecimento.

  • Aquisição de conhecimento precede a sua aplicação

Currículo baseado na Educação Ambiental
  • Interdisciplinares e focado em problemas práticos, reais.

  • Emergente e centrado em problemas ambientais específicos que emergem a medida que os estudantes se envolvem neles.

  • Pedagogia problemática. Resolução de problemas.

  • Função do conhecimento - ser usado na conformação de valores sociais de sustentabilidade e qualidade emancipada de vida.

  • A aprendizagem segue uma linha holística e conjunta.

  • Estudantes pensadores ativos e geradores de conhecimentos.

  • Aprendizagem e ação caminham juntas.

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