A planta da Tiririca

A planta da Tiririca

Tiririca (Cyperus rotundus)

A planta da Tiririca (Cyperus rotundus) é originária da Índia, em algumas regiões do país também pode ser conhecida como capim-dandá, tiririca-comum e capim-alho, está bastante difundida sendo encontrada praticamente em todo mundo. É pertencente da família Cyperaceae e da Ordem Cyperales. As plantas da família Cyperaceae se assemelham muito com a família Poaceae(gramas).

São plantas pequenas, herbáceas com porte entre 15 - 50 cm em nossas condições. A sub-espécie tuberosus pode chegar a 1 m. Pelo intenso desenvolvimento de cadeias de pseudo-tubérculos no solo formam-se clones de considerável tamanho. De cada bulbo basal forma-se, contudo, apenas um conjunto de folhas e uma haste floral, não sendo as plantas, por isso, cespitosas. A partir do bulbo basal inicia-se a formação de extenso sistema de rizomas que se desenvolve horizontalmente e que pode se aprofundar até 40 cm.

Os rizomas em si não tem gemas, mas de espaço a espaço ocorre uma hipertrofia, semelhante a um tubérculo, na qual ocorrem gemas. As hipertrofias tem formato arredondado ou irregular, com até 25 m de comprimento. Inicialmente são brancas e suculentas, tornando-se depois escuras ou negras, recobertas de escamas membranáceas que quando dessecadas deixam escaras. O sistema radicular é formado a partir de bulbos basais e das hipertrofias e é muito extenso. As raízes são fibrosas e finas e aprofundam-se a mais de um metro. A base de cada planta é constituída de uma estrutura engrossada, chamada bulbo basal, da qual emergem as folhas e hastes florais. De cada clone (conjunto de hipertrofias e bulbos interligados por rizomas) emerge um grande número de manifestações aéreas, constituídas por folhas e hastes com inflorescência. Essas emergências podem ser bastante próximas, porém não dão à planta um aspecto cespitoso.

Dos diversos clones existentes numa área ocorre um grande número de manifestações aéreas, sendo comum em áreas densamente infestadas, que ocorrem 2.0 a 4.0 emergências por metro quadrado.

Os caules emergem isoladamente de cada bulbo basal. Altura de 10 - 40 cm, sendo que na sub-espécie tuberosus podem chegar a 1 m. Seção trígona com ângulos arrendondados, com até 5 m de espessura, sendo que na parte basal, logo acima do bulbo e sob as bainhas a seção pode ser arredondada. Superfície lisa e glabra, verde ou verde-amarelada. As folhas são predominantemente basais, bainhas membranáceas, fechadas.

Lígulas ausentes. Lâminas lineares, planas, sulcadas longitudinalmente, de comprimento em geral menor que o do caule, com 3 - 5 m de largura, de ápice abruptamente agudo, margens escabrosas, coloração verde-escura, brilhante. Na parte apical do caule forma-se uma antela de eixos simples ou pouco ramificados. Os raios, em número de 3 - 9, têm comprimentos irregulares, geralmente não passando de 5 cm, sendo guarnecidos por prófilos.

Na parte apical de cada raio há um conjunto de espiguetas lineares, de inserção oblíqua muito vistosas pela coloração purpúrea ou vermelho-acastanhada, típicas da espécie.

A inflorescência de aspecto típico, coloração vermelho-acastanhada constituem valioso auxílio na identificação. Pode haver certa confusão com C. esculentus. As caracteristicas a seguir são típicas de C. rotundus: hipertrofias formando cadeias com rizomas finos e fibrosos, sendo que a cadeia não aparece em plantas novas; hipertrofias com gosto amargo; multiplicação quase só por hipertrofias; inflorescência com espiguetas avermelhadas ou vermelho-acastanhadas.

A tiririca se dissemina através de aplicação de matéria orgânica contaminada, máquinas e implementos agrícolas com tubérculos aderidos, mudas contaminadas, touceiras de grama, enxurradas, sulcos e canais de irrigação.

A tiririca reduz a produção agrícola em 40 por cento, em média, podendo chegar a 90 por cento, no caso de hortaliças.

As técnicas de manejo da tiririca baseiam-se na inibição da formação de novos tubérculos e/ou da brotação destes, e podem ser: prevenção, controle e erradicação.

Em temperatura baixa o desenvolvimento e a multiplicação se dão com lentidão.

Congelamento do solo mata os tubérculos. Estes também perdem viabilidade se dessecados; um revolvimento do solo em época seca ajuda a diminuir o número de tubérculos viáveis na área.

A parte aérea é sensível a sombreamentos, podendo-se até eliminá-la com sombreamento prolongado. Da parte subterrânea, todavia, ocorrem rebrotamentos. A fotossíntese é efetuada pelo ciclo C-4, altamente eficiente em regiões quentes. Por isso o controle é muito difícil, tanto por métodos de manejo como por herbicidas.

A espécie é susceptível a diversos herbicidas, incluindo glifosato porém, se o controle químico for feito de forma isolada, o resultado é em geral desapontador pois após algum tempo ocorrem rebrotas a partir de tubérculos existentes no solo.

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