Vetores e Zoonoses

Vetores e Zoonoses

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Vetores e Zoonoses

2 de Janeiro de 2014 Tiago A. M. Malta

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Animais vetores são os que carregam um agente (bactérias, protozoários, vírus etc.). Zoonoses são as doenças que carregadas pelos vetores e que podem ser transmitidas aos seres humanos.

Zoonoses: São doenças naturalmente transmissíveis entre animais e seres humanos. Dentre as zoonoses de relevante importância para a Saúde Pública e incidentes em área urbanas, destacam-se: raiva, leptospirose, brucelose, toxoplasmose, dentre outras.

Doenças transmitidas por vetores: São doenças que, para serem transmitidas ao homem, dependem de um animal que transfere de forma ativa um AGENTE ETIOLÓGICO de uma fonte de infecção a um novo susceptível. As principais doenças transmitidas por vetores são: dengue, febre amarela, malária, leishmaniose e doença de Chagas.

Agente etiológico: É a denominação ,o nome, dada ao agente causador de uma doença. Normalmente, este causador precisa de um vetor para proliferar tal doença (ou seja, completar seu ciclo de parasitismo). Este vetor pode ser animado ou inanimado. Existem centenas de agentes etológicos dos quais podem causar, se não tratados, uma série de más conseqüências. Dentro dessas centenas de agentes etiológicos, há que ter em conta que podem ser de origem endógena ou exógena.

Estimasse que existam aproximadamente 200 baratas por individuo no mundo. ―Seu habitat conta com inúmeros micro-organismos patogênicos, transmissores de doenças que vão da gastrenterite até ao herpes. Ainda assim, menos de 40 das 4 mil espécies conhecidas podem ser consideradas pragas urbanas.

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As baratas urbanas, em especial, são totalmente dependentes da presença dos seres humanos e muito importantes dentro da cadeia alimentar das cidades. Apesar de representarem apenas uma mínima porção das espécies existentes de baratas, cerca de 1%, elas são muito numerosas e o seu desaparecimento causaria um forte desequilíbrio nos ecossistemas urbanos.

Por servirem de alimento a muitos predadores que fazem parte da fauna da cidade – como ratos e morcegos –, seu fim causaria também uma rápida desestabilização das populações animais. Esses insetos consomem rapidamente toneladas de fezes, cadáveres, restos alimentares e até papel, cigarros e plásticos. Se sumissem, sofreríamos com um rápido acúmulo de resíduos humanos nos esgotos e cemitérios.‖ (Eduardo Fox- Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho / Universidade Federal do Rio de Janeiro) http://youtu.be/nVNggTNRxPA

Os Barbeiros atuam como vetores do protozoário tripanossomo cruzi, transmissor da Doença de Chagas. Os barbeiros são hematófagos e têm hábitos noturnos. No Brasil, são conhecidas acima de 65 espécies transmissoras da Doença de Chagas. Sendo que as pessoas podem ser infectadas de várias maneiras:

● Em áreas endêmicas de Chagas, a principal forma de transmissão é através de vetores. Os insetos vetores são chamados de triatomíneos (barbeiro).

● Os grandes problemas são encontrados em casas feitas de materiais como barro, palha e sapé. ● Eles costumam picar o rosto das pessoas e ingerir o sangue, ao mesmo tempo tiagomaltapsi@gmail.com http://tiago-malta.blogspot.com.br em que defecam no lugar, o contaminando.

● As pessoas também podem se infectar através de: 1. Consumo de alimentos crus contaminados com fezes de mosquitos infectados; 2. Transmissão congênita (de uma mulher grávida para o bebê); 3. Transfusão de sangue; 4. Transplante de órgãos; 5. Exposição laboratorial acidental.

http://www.youtube.com/watch?v=AIuHN2mOYME BRUCELOSE

A brucelose é uma doença infecto-contagiosa, especialmente perigosa para fêmeas adultas e prenhes, sendo uma zoonose de grande relevância para a saúde pública. Esta enfermidade é causada por bactérias aeróbicas, Gram-negativas do gênero Brucella spp que acomete os animais domésticos e o homem. É responsável por grandes prejuízos no rebanho nacional de bovinos e bubalinos, devido ao aborto, redução da fertilidade e conseqüente queda na produção leiteira.

O período de incubação da brucelose é de duas a três semanas. As pessoas que adquirem a doença têm sintomas como febre intermitente, mal-estar, perda de peso, fadiga muscular, calafrios, sudorese, dor de cabeça severa, mialgias e artralgias, podendo aparecer sintomas como dores abdominais, diarréia e vômito e, em casos graves, endocardite, meningite, osteomielite, artrite, dentre outros. Os pacientes que se recuperam da brucelose apresentam certa resistência a crises subseqüentes.

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O contágio ocorre mais freqüentemente pela ingestão ou inalação de aerossóis provenientes de secreções, mas ocorre também por contato direto de abrasões na pele ou até mesmo das mucosas nasal, conjuntiva e genital com animais infectados e ingestão de carnes ou produtos lácteos contaminados. O diagnóstico pode ser feito por meio da análise sanguínea, isolando a bactéria ou com amostras da medula óssea. A Brucelose Também conhecida como febre do mediterrâneo, febre ondulante, febre de Malta, febre de Gibraltar.

Prevenção: A advertência dos trabalhadores que cuidam de animais ou de seu abate sobre os riscos da doença, o controle da saúde dos animais e a vigilância sanitária sobre o leite e seus derivados são decisivos na prevenção da brucelose. A pasteurização do leite é eficaz na destruição das bactérias, mas a melhor forma de prevenção é o tratamento das infecções nos animais, ou a sua eliminação.

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida, no Brasil, através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, a dengue é considerada um dos principais problemas de saúde pública globais.

Em todo o mundo, existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. A dengue é conhecida no Brasil desde os tempos de colônia. O mosquito Aedes aegypti tem origem africana. Ele chegou ao Brasil junto com os navios negreiros, depois de uma longa viagem de seus ovos dentro dos depósitos de água das embarcações.

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É uma doença causada pelo fungo Sporotrix schenckii, que ataca tanto os homens quanto os animais. Pode ser subaguda ou crônica. Geralmente manifesta-se como uma infecção benigna, limitando-se à pele e tecido subcutâneo. Em raros casos ocorre proliferação para outros tecidos e órgãos internos, sendo que ocasionalmente pode afetar primariamente o pulmão, evoluindo para disseminação sistêmica.

Este agente etiológico é um fungo dismórfico, saprófito, ambiental e cosmopolita, responsável por afetar diferentes espécies, como cães, gatos, bovinos, eqüinos, animais silvestres e o homem. A infecção normalmente ocorre por ferimentos cutâneos responsáveis por infectar materiais. No homem, habitualmente, os casos de esporotricose estão relacionados com o manejo de vegetais ou ao contato com a terra, uma vez que esse fungo encontra-se no solo, palha, vegetais e madeiras. No entanto, também pode ocorrer por arranhadura e mordedura de gatos, ou resultante da manipulação de feridas desses animais que contenha grande quantidade do fungo. Os gatos podem adquirir a doença devido ao hábito de arranhar madeiras, ou em lutas por alimento ou disputas territoriais com outros de sua espécie.

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Febre amarela é uma doença infecciosa causada por um tipo de vírus chamado flavivírus, cujo reservatório natural são os primatas não-humanos que habitam as florestas tropicais. Existem dois tipos de febre amarela: a silvestre, transmitida pela picada do mosquito Haemagogus , e a urbana transmitida pela picada do Aedes aegypti, o mesmo que transmite à dengue e que foi reintroduzido no Brasil na década de 1970. Embora os vetores sejam diferentes, o vírus e a evolução da doença são absolutamente iguais.

A febre amarela não é transmitida de uma pessoa para a outra. A transmissão do vírus ocorre quando o mosquito pica uma pessoa ou primata (macaco) infectados, normalmente em regiões de floresta e cerrado, e depois pica uma pessoa saudável que não tenha tomado a vacina. A forma urbana já foi erradicada. O último caso de que se tem notícia ocorreu em 1942, no Acre, mas pode acontecer novo surto se a pessoa infectada pela forma silvestre da doença retornar para áreas de cidades onde exista o mosquito da dengue que prolifera nas cercanias das residências e ataca durante o dia.

Sintomas: Os principais sintomas da febre amarela – febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular muito forte, cansaço, calafrios, vômito e diarréia aparecem, em geral, de três a seis dias após a picada (período de incubação). Aproximadamente metade dos casos da doença evolui bem. Os outros 15% podem apresentar, além dos já citados, sintomas graves como icterícia, hemorragias, comprometimento dos rins (anúria), fígado (hepatite e coma hepático), pulmão e problemas cardíacos que podem levar à morte. Uma vez recuperado, o paciente não apresenta seqüelas.

Doente com febre amarela precisa de suporte hospitalar para evitar que o quadro evolua com maior gravidade. Não existem medicamentos específicos para combater a doença. Basicamente, o tratamento consiste em hidratação e uso de antitérmicos que não contenham ácido acetilsalicílico. Casos mais graves podem requerer diálise e transfusão de sangue.

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Vacinação: Existe vacina eficaz contra a febre amarela, que deve ser renovada a cada dez anos. Nas áreas de risco, a vacinação deve ser feita a partir dos seis meses de vida. De maneira geral, a partir dos nove meses, a vacina deveria ser recomendada para as demais pessoas, uma vez que existe a possibilidade de novos surtos da doença caso uma pessoa infectada pela febre amarela silvestre retorne para regiões mais povoadas onde exista o mosquito Aedes aegypti. A vacinação é recomendada, especialmente, aos viajantes que se dirigem para localidades, como zonas de florestas e cerrados, e deve ser tomada dez dias antes da viagem para que o organismo possa produzir os anticorpos necessários.

http://www.youtube.com/watch?v=rhVmtR876oc LEISHMANIOSE

É uma doença transmitida por protozoários do gênero Leishmania. No Brasil existem atualmente seis espécies de protozoários responsáveis por causar doença humana. As variedades mais encontradas são a Leishmaniose Visceral (LV) e a Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA).

Leishmaniose Visceral: É conhecida como calazar, esplenomegalia tropical e febre dundun. É infecciosa, mas não contagiosa. Acomete vísceras, como o fígado e o baço, podendo ocasionar aumento de volume abdominal.

Transmissão: A LV é transmitida ao homem por meio da picada do inseto vetor (Lutzomyia longipalpis) conhecido popularmente como "mosquito-palha, birigui, asa branca, tatuquira e cangalhinha". Esses insetos têm hábitos noturnos e vespertinos, atacando o homem e os animais principalmente no início da noite e ao amanhecer.

Sintomas: Os sintomas mais freqüentes são febre e aumento do volume do fígado e do baço, emagrecimento, complicações cardíacas e circulatórias, desânimo, tiagomaltapsi@gmail.com http://tiago-malta.blogspot.com.br prostração, apatia e palidez. Pode haver tosse, diarréia, respiração acelerada, hemorragias e sinais de infecções associadas. Quando não tratada, a doença evolui podendo levar à morte até 90% dos doentes.

Leishmaniose Tegumentar Americana: É uma doença infecciosa, não contagiosa, que provoca úlceras na pele e mucosas. É transmitida ao homem pela picada das fêmeas de flebotomíneos infectadas.

Transmissão: A transmissão ocorre pela picada de fêmeas de flebotomíneos infectadas.

Sintomas: As lesões podem ocorrer na pele e/ou mucosas. As lesões de pele podem ser única, múltiplas, disseminada ou difusa. Apresentam aspecto de úlceras, com bordas elevadas e fundo granuloso, geralmente indolor. As lesões mucosas são mais freqüentes no nariz, boca e garganta. Quando atingem o nariz podem ocorrer entupimentos, sangramentos, coriza e aparecimento de crostas e feridas. Na garganta, dor ao engolir, rouquidão e tosse.

Tratamento: Para ambos os casos, o SUS oferece tratamento específico e gratuito para a doença. O tratamento é feito com uso de medicamentos específicos a base de antimônio, repouso e uma boa alimentação. A droga de primeira escolha para tratamento de casos de LV é o antimoniato de N-metil glucamina (Glucantime®).

Prevenção: As medidas preventivas visam à redução do contato homem-vetor, podendo ser realizadas medidas de proteção individual, dirigidas ao vetor e à população canina, tais como: uso de mosquiteiros com malha fina, telagem de portas e janelas, manejo ambiental, eliminação de fontes de umidade, dentre outras medidas de conservação ambiental que evitam a proliferação do inseto vetor.

CARRAPATOS A febre maculosa, também conhecida como febre do carrapato é uma doença infecciosa aguda causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que é intracelular obrigatória e tem como vetor biológico o carrapato Amblyomma cajennense, conhecido como ―carrapato estrela‖.

Rickettsia rickettsii: Esta doença não é comum, mas o número de casos tem aumentado desde o ano de 1996. É mais comum em zonas rurais, principalmente no sudeste. O vetor desta bactéria é o maior responsável pela manutenção da R. rickettsii tiagomaltapsi@gmail.com http://tiago-malta.blogspot.com.br na natureza, pois há a transmissão transovariana (transmissão para ovos e larvas) e a transmissão transestadial (transmissão da bactéria presente nas larvas, para as fases de ninfa e adulto). Isto permite que o carrapato fique infectado por toda a sua vida e também por várias gerações. A única forma de transmissão é através da picada do carrapato, após ficar fixado no hospedeiro por um período que varia de 4 a 6 horas, ficando incubado por cerca de 2 a 14 dias.

As maculas podem aparecer logo nos primeiros dias de febre. São lesões de pele, de coloração rosada, localizadas nos punhos e tornozelos, progredindo para o tronco, face, mãos e pés. Após alguns dias estas lesões podem ser sentidas ao toque, devido a um aumento de volume e ganham uma tonalidade mais escura, podendo ficar arroxeadas após 4 dias. Em áreas mais intensas, pode haver descamação e onde houve a picada, pode aparecer uma úlcera necrótica. Pode haver a evolução para cura natural após 3 semanas. Já nos casos mais graves, pode haver áreas de necrose nos dedos, orelhas, palato mole e genital, podendo vir acompanhado de sangramento de gengiva, do nariz, vômitos e forte tosse seca. O diagnóstico é feito através de exames laboratoriais, como a imunofluorescência indireta (RIFI) que é um exame específico para esta doença. Também é importante considerar os achados clínicos e os dados epidemiológicos, pois o resultado deste exame é muito demorado. O tratamento é feito com a administração de antibióticos, como a tetraciclina e o cloranfenicol, nos primeiros 2 ou 3 dias, sendo que o ideal é estender a medicação por 10 a 14 dias.

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