Informe Técnico-Campanha de Vacinação para Influenza 2014-1

Informe Técnico-Campanha de Vacinação para Influenza 2014-1

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Informe Técnico

Campanha Nacional de Vacinação para Influenza

INFORME TÉCNICO CAMPANHA NACIONAL DE VACINAÇÃO PARA INFLUENZA - 2014

A Secretaria Municipal da Saúde, por meio da Subgerência de Imunização do Centro de Controle de Doenças/CCD – COVISA, em consonância com o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde, realizará no período de 2 de abril a 9 de maio de 2014, em todas as unidades de saúde a Campanha de Vacinação para Influenza, sendo 26 de abril, o Dia da Mobilização Nacional.

O Município de São Paulo (MSP) foi pioneiro em realizar em 1998 a I Campanha Municipal de Vacinação para Pessoas com idade ≥ 60 anos, atingindo uma cobertura vacinal de 70% naquele ano. As

Campanhas Nacionais tiveram início em 1999, neste ano a vacina influenza foi oferecida apenas a população de idosos a partir de 65 anos de idade, entendendo-se, já no ano seguinte para idosos a partir de 60 anos de idade.

Este será o 16º evento nacional e 17º municipal. Além de indivíduos com 60 anos ou mais de idade, serão vacinados os trabalhadores de saúde, os povos indígenas, as crianças na faixa etária de 6 meses a < 5 anos, as gestantes, as puérperas (até 45 dias após o parto), os grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, a população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.

As infecções respiratórias agudas constituem um conjunto de doenças frequentes e o vírus da influenza um dos principais agentes etiológicos destas doenças. A influenza apresenta potencial para levar a complicações graves e ao óbito, especialmente nos grupos de alto risco para as complicações da infecção viral (crianças < 5 anos de idade, gestantes, puérperas, adultos com 60 anos ou mais, portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais).

A influenza constitui-se em uma das grandes preocupações das autoridades sanitárias, devido ao seu impacto na mortalidade decorrente das suas variações antigênicas cíclicas sazonais.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), por meio do Programa Global de Influenza monitora a atividade da doença mundialmente. A atualização, baseada nos dados epidemiológicos e laboratoriais disponíveis, é realizada por meio de informes técnicos disponibilizados a cada duas semanas.

A principal intervenção preventiva em saúde pública para este agravo é a vacinação. Em 2013, a cobertura vacinal atingida ao final da Campanha no Estado de São Paulo foi de 93,17% (6.609.923) A cobertura vacinal, de acordo com o grupo populacional vacinado está demonstrada na tabela 1.

No Município de São Paulo, a cobertura vacinal foi de 93% (1.891.812) e homogeneidade de 96%, a avaliação por grupo está demonstrada na tabela 2.

Tabela 2- Distribuição da população, doses e cobertura vacinal na Campanha Nacional de Vacinação para influenza, segundo grupos prioritários – MSP - 2013

Grupos Prioritários* População Doses Cobertura Vacinal

*Exceto doente crônico e população privada de liberdade Fonte: http://pni.datasus.gov.br

Durante a Campanha de Vacinação para Influenza também são oferecidas as vacinas adsorvida difteria e tétano para os adultos ≥ 60 anos e gestantes ainda não vacinados ou com esquema vacinal incompleto e, pneumocócica 23 valente (polissacarídica) principalmente para os grupos de risco elevado.

1- Influenza

A influenza é uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório. É de elevada transmissibilidade com distribuição global. Possui tendência de se disseminar facilmente em epidemias sazonais. A transmissão ocorre por meio de secreções das vias respiratórias da pessoa contaminada ao falar, tossir, espirrar ou pelas mãos, que após contato com superfícies recém-contaminadas por secreções respiratórias podem levar o agente infeccioso direto à boca, aos olhos e ao nariz.

A doença pode se apresentar desde uma forma leve e de curta duração, até formas clinicamente graves e complicadas. Os casos graves da doença evoluem para a síndrome respiratória aguda grave (SRAG) levando até mesmo ao óbito.

Os vírus influenza são da família dos Ortomixovírus, são partículas que possuem um invólucro lipoprotéico com três tipos antigênicos conhecidos: A, B e C; contendo em seu interior uma molécula de RNA (ácido ribonucléico) segmentada em oito fragmentos. Os vírus influenza tipo A são subclassificados por duas glicoproteínas de superfície, a hemaglutinina (H) e neuraminidase

(N), que podem sofrer mutações periódicas e imprevisíveis.

Os vírus A e B são responsáveis por epidemias de doenças respiratórias que ocorrem em quase todos os invernos, com duração de quatro a seis semanas e frequentemente associadas com o aumento das taxas de hospitalização e morte.

Fonte: OPAS, WDC

O período de incubação dos vírus influenza varia entre um e quatro dias. A maioria das pessoas infectadas se recupera dentro de uma a duas semanas sem a necessidade de tratamento médico. No entanto, nas crianças, gestantes, puérperas, idosos e pessoas com doenças crônicas, a infecção pelo vírus influenza, pode levar à formas clinicamente graves como a pneumonia e morte.

É importante esclarecer que manifestações clínicas envolvendo o trato respiratório muitas vezes são causadas por inúmeros tipos de vírus como o rinovírus (resfriado comum) e o vírus sincicial respiratório. Apesar da freqüência dos casos e destes vírus estarem em circulação no mesmo período sazonal do vírus da Influenza, cabe esclarecer que os mesmos NÃO são prevenidos pela vacina Influenza por não pertencerem as cepas virais especificamente selecionadas para a composição desta vacina, que podem mudar a cada ano.

Em consonância com o Protocolo de Tratamento de Influenza estabelecido pelo Ministério da

Saúde (MS) em 2013, considera-se caso suspeito de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): indivíduo de qualquer idade com Síndrome Gripal (SG) - caracterizada por febre de início súbito, mesmo que referida, acompanhada de tosse ou dor de garganta e pelo menos um dos seguintes sintomas: cefaléia, mialgia ou artralgia, na ausência de outro diagnóstico específico; e que apresente dispnéia, ou os seguintes sinais de gravidade: saturação de O2 < 95% em ar ambiente; sinais de desconforto respiratório ou aumento da frequência respiratória avaliada de acordo com a idade; piora nas condições clínicas da doença de base; hipotensão em relação à pressão arterial habitual do paciente.

O tratamento antiviral é importante no manejo clínico da gripe severa ou complicada, e recomendações de tratamento precisam levar em consideração informações sobre o tipo de vírus de influenza circulante bem como a prevalência de resistência aos medicamentos antivirais entre estes.

O controle da influenza requer uma vigilância qualificada, somada às ações de imunizações anuais, direcionadas especificamente aos grupos de maior vulnerabilidade e com capacidade de desenvolver complicações.

redução da ocorrência da doença, internações e óbitos

A vacinação dos grupos prioritários é fundamental como uma estratégia de prevenção para a

1.1- Vigilância epidemiológica do vírus influenza

A Vigilância Epidemiológica da influenza foi implantada em diversos países do mundo, inicialmente, para identificação da circulação do vírus e posteriormente, incorporou-se ao monitoramento da morbimortalidade por essa doença.

No Brasil, a rede de laboratórios de referência para vírus respiratórios é composta de três (03) laboratórios credenciados junto a OMS como centros de referência para influenza (NIC - Nacional Influenza Center), os quais fazem parte da rede global de vigilância da influenza. Entre estes laboratórios há um laboratório de referência nacional, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e dois laboratórios de referência regional: o Instituto Adolfo Lutz (IAL), em São Paulo/Capital, e o Instituto Evandro Chagas (IEC), em Belém/Pará.

Conforme o Boletim Informativo do Ministério da Saúde, até a SE 51/2013, foram registrados no

Sinan online um total de 36.023 casos de SRAG que foram hospitalizados, destes 12% (n= 4.317) evoluíram para óbito. Do total de casos, os vírus influenza foram responsáveis por 16,5% (5.930), sendo que, destes, 62,9% (n= 3.733) foram pelos vírus A (H1N1) pdm09. As maiores proporções de casos de SRAG hospitalizados encontravam-se em residentes nas regiões Sudeste e Sul do país. Do total de óbitos por SRAG hospitalizados, a influenza foi responsável por 2,1% (n= 955); destes, 80,3% (768) foram pelo vírus A (H1N1) pdm09; 8,9% representados pelo vírus influenza B e 6,5% pelo vírus influenza A (H3N2). Dentre os casos confirmados de SRAG hospitalizados para o vírus Influenza A (H1N1) pdm09 (3.733), 70,9% pertencem à região Sudeste, tendo havido aumento da atividade viral a partir da SE 12 e pico na SE 23/13.

No Estado de São Paulo, até 29 de dezembro de 2013 (SE 52), foram notificados 14.3 casos de SRAG hospitalizados, sendo que 19,3% (2.763) foram casos confirmados para o vírus influenza, 71,4% (1.973) confirmados para o vírus influenza A (H1N1) pdm09, 5,6% (154) confirmados para o vírus influenza A sazonal e 21,3% (588) confirmados para o vírus influenza B. Foram registrados 1.797 óbitos por SRAG hospitalizados, destes 477 (26,5%) identificados para o vírus influenza, sendo que 84,9% (405) foram confirmados para o vírus influenza A (H1N1) pdm09; 3,8% (18) para o A (H3) Sazonal; 9,0% (43) para o B Sazonal e 2,3% (1) para o A não subtipado. Dentre todos os óbitos por SRAG hospitalizados por influenza A (H1N1) pdm09, 285 (70,4%) apresentavam pelo menos uma comorbidade, incluindo cinco gestantes, além de quatro gestantes sem comorbidade. Ainda dentre todos os óbitos por SRAG hospitalizados por influenza A (H1N1), quanto à situação vacinal, 286 (71%) óbitos possuíam informação, sendo 257 (90%) não vacinados, 29 (10%) vacinados. Dentre os vacinados, cinco (17,2%) apresentaram data de vacinação inferior a 15 dias, 1 (37,9%), 12 sem registro de data, 10 (34%) adequadamente vacinados, 3 (10,2%) vacinados em 2012.

No MSP em 2013 foram notificados 3.575 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com 354 óbitos. Houve predomínio do vírus H1N1 pdm09, com 585 casos de SRAG e 84 óbitos, seguido pelo vírus da Influenza B com 143 casos de SRAG e 10 óbitos. Houve uma antecipação da sazonalidade da Influenza, atribuída ao vírus H1N1, com aumento do numero de casos a partir da SE 13 se mantendo até a SE 26. (Figura 1)

Figura 1- Casos de SRAG segundo semana epidemiológica de notificação, MSP, 2012 e 2013.

Fonte: SINAN WEB * dados de 03/02/2014

Dos 70 óbitos investigados, 51,4% eram do sexo feminino; a maior proporção (54,3%) ocorreu na faixa etária de 25 a 59 anos; 65 (92,9%) apresentavam alguma comorbidade/imunossupressão, sendo as doenças cardiovasculares as mais frequentemente referidas nos prontuários médicos e entrevistas domiciliares (4,3% dos óbitos); 15 (21,4%) estavam em uso de drogas imunossupressoras.

1.2- Sistema de vigilância sentinela de influenza

Após a pandemia de 2009, o Ministério da Saúde publicou em 17 de novembro de 2011 a portaria nº 2.693, com o objetivo de fortalecer a vigilância da influenza em todo país, principalmente nas capitais dos estados e nos municípios com população com mais de 300.0 habitantes.

Esse processo busca qualificar o sistema de monitoramento com dados mais detalhados do perfil epidemiológico dos casos (SG e SRAG), permitindo conhecer melhor os vírus respiratórios e suas características de circulação, tais como: sazonalidade, patogenicidade, e outras características próprias da sua biologia.

As unidades são responsáveis pela coleta de amostras clínicas e organização de dados epidemiológicos agregados por semana epidemiológica, monitorando a proporção de casos suspeitos de Síndrome Gripal (SG) em relação ao número total de atendimentos (% SG), que então são registradas no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Influenza (SIVEP/Gripe). Além disso, este sistema permite a identificação dos vírus respiratórios circulantes, contribuindo para a adequação imunogênica da vacina contra a influenza utilizada anualmente, a identificação de novas cepas, e também caracterização antigênica e genômica dos vírus isolados da influenza. No Estado de SP, os exames são realizados no laboratório de referência para influenza, o Instituto Adolfo Lutz (IAL/SP).

No Brasil até a SE 51 de 2013, foram coletadas 16.703 amostras biológicas. Destas, 21,4% (3.567) foram positivas para o vírus influenza ou outros vírus respiratórios. Predominou a circulação do VRS no início do ano e, entre março e abril, aumentou a atividade dos vírus influenza: o vírus influenza A (H1N1) pdm09 em maior intensidade, embora com aumento na circulação dos vírus influenza B e influenza A (H3N2), a partir das SE 20 e 27, respectivamente. Os maiores números de amostras positivas foram registrados entre as SE 23 e 27, com queda expressiva na positividade, a partir da SE 27/13. No que concerne à circulação dos vírus por faixa etária, o vírus influenza A (H1N1) pdm09 predominou nos indivíduos entre 30 e 59 anos, em maior proporção naqueles com 40 a 49 anos, e o vírus influenza B predominou entre os mais jovens, principalmente naqueles com 5 a 19 anos. Entre os demais vírus respiratórios, houve destaque para o predomínio na circulação do VRS em menores de cinco anos.

No Estado de São Paulo, de acordo com os dados disponíveis no Sivep-Gripe, em 2013, observou-se aumento progressivo da proporção de atendimento de casos de SG, em relação ao atendimento por clínica médica e pediatria até SE 17/13, com declínio posterior. Os vírus influenza B e A foram identificados, respectivamente nas SE 3 e SE 8 de 2013. A partir da SE 15/2013, verificou-se o aumento da atividade viral do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com pico na SE 23/13. Cocirculou, no período, o vírus influenza B e o A (H3N2). Dentre as amostras testadas para o painel de vírus respiratórios, 185 foram positivas, sendo 118 para o Vírus Sincicial Respiratório; 43 Adenovírus e 24 Parainfluenza.

Na temporada de 2013, as cepas mais prevalentes no Estado, caracterizadas pelo Instituto

Adolfo Lutz foram: • Influenza A/California/07/2009 - H1N1(pdm09);

• Influenza B/Brisbane/60/2008 - like; linhagem Victoria.

O MSP já contava com duas unidades sentinelas de SG, Hospital Infantil Menino Jesus e Hospital

Municipal Vereador José Storopoli e em 2013, foram implantadas 5 novas unidades de notificação de SRAG e internações por CID J09 a J18 : • 15/04 – Hospital Municipal Moyses Deutsch, Hospital Edmundo Vasconcelos, Complexo Hospitalar do

Mandaqui • 01/08 – Hospital Santa Marcelina de Itaquera

• 06/12 - Hospital Santa Catarina

No ano de 2013, a meta alcançada pelo MSP foi DE 96,15%, com 500 amostras colhidas/520 amostras preconizadas. Foram identificados vírus respiratórios em 153/500 das amostras coletadas. O predomínio foi do vírus sincicial respiratório com 64,1 % das amostras positivas.

Tabela 3. Número e percentual de Vírus identificados na Vigilância Sentinela de Influenza, MSP, 2013.

Vírus identificados No. %

VRS 98 64,1 Influenza A 17 1,1 Parainfluenza 3 14 9,2 Influenza B 12 7,8 Adenovirus 10 6,5 Parainfluenza 1 2 1,3

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