É na ruptura do silencio que se constrói o homem novo

É na ruptura do silencio que se constrói o homem novo

MESTRADO EM FORMAÇÃO EDUCACIONAL, INTERDISCIPLINARIDADE E SUBJETIVIDADE.

É NA RUPTURA DO SILÊNCIO QUE SE CONSTRÓI O HOMEM NOVO

Edinei Messias Alecrim

IRECÊ

2014

EDINEI MESSIAS ALECRIM

É NA RUPTURA DO SILENCIO QUE SE CONSTRÓI O HOMEM NOVO

Texto apresentado como exigência parcial de conclusão da Disciplina Antropologia, Educação e desenvolvimento social com o tema: É na ruptura do silêncio que se constrói o homem novo. Curso de Pós-Graduação Stricto Sensu Universidad Autónoma Del Sur - UNASUR e intermediado através de convênio pela Faculdade de Ciências Humanas da Paraíba – SAPIENS, Turma 1, Pólo de Irecê, Solicitado pela Professora Carla M. Oliveira.

IRECÊ

2014

É NA RUPTURA DO SILENCIO QUE SE CONSTRÓI O HOMEM NOVO

Edinei Messias Alecrim1

edineimessias@hotmail.com

Na atual realidade educacional, muitos são os desafios a serem superados na tentativa de construir um novo paradigma educacional norteado por valores humanitários. Assim, o humanismo tão necessário na missão de educar, passa necessariamente pela ideia de que os homens são seres livres e dotados de instrumentos de transformação, e não meramente objetos de opressão e dominação.

O modelo de educação do contexto contemporâneo é visivelmente de competitividade. O processo de globalização fomentado pelos neoliberais2 prega o jogo do individualismo e da busca desenfreada para o ter, que conseqüentemente leva os homens a viverem valores de competição.

Nesse sentido, o desejo de competitividade se tornou nesse novo paradigma educacional, o pivô dos interesses dos sujeitos que buscam oportunidades de estudos, prevendo unicamente seu lugar no mercado de trabalho. Torna perceptível que este modelo educacional, conduz os novos homens e mulheres a conceberem o conhecimento como moeda de troca no grande mercado consumidor, pois a educação virou mercadoria.

Todavia, a educação neste contexto moderno, desprovida a cada dia de educadores humanistas capazes de combater tais estruturas que fere o real objetivo do educar, vem perdendo assim a capacidade de contrapor aos antivalores cultivados pela sociedade do espetáculo que ai está. Assim, é humano afirmar que se vive um contexto educacional de formação para a competitividade.

Sendo assim, que valores são necessários para o educador posicionar-se contrário a esse modo de vida individualista? Buscaglia (1982, p. 143) salienta: “Para mim, é provável que a coisa mais empolgante na vida seja saber que tenho o potencial para me tornar plenamente humano”. Necessariamente, é essa a ideia que o homem é capaz de humanizar-se e posterior a isso, construir relações humanas e axiológicas de contraposição ao modelo de competição e individualismo presente no cenário educacional dos tempos de hoje.

Uma educação humanizadora e não de competitividade requer educadores novos. Pensar em educadores capazes de mover-se e mover as relações de dominação é acreditar que está nascendo um homem novo. Para Freire, (1980, p.64) “Ser silencioso não é não ter uma palavra autêntica, mas seguir as prescrições daqueles que fala e impõem sua voz”. A ideia de um ser silencioso remete-nos a uma interpretação social do que venha a ser a própria cultura do silêncio.

Os novos educadores precisam sair da condição de imobilizados. Supõe-se que quando o dominante condiciona e interfere de forma estrutural na consciência dos dominados, o seu produto final será um relacionamento pautado na submissão dos oprimidos. Assim, como compreender melhor esta cultura? Faz-se necessário analisar primeiramente as relações de poder, suas origens e suas interferências no pensar e agir dos homens nas mesmas relações de poder e controle em que se encontram inseridos.

As relações de poder estabelecidas no interior das instâncias educativas estão sendo combatidas, mesmo por uma pequena, mas sólida presença de educadores novos, que contribuem para a humanização da educação, quando educam para o “inquietar-se mediante as situações de dominação”.

O contexto globalizado em que se encontra engessada a nossa educação, fortalece a cada instante os ideais de poder, fazendo crescer assustadoramente a massa sobrante, oriundas das relações de marginalização existentes entre o dominador e o oprimido. Situações gritantes como essas, requerem atitudes educacionais além da postura conteudista, que demonstre objetivar as transformações sociais, políticas, econômicas e educacionais da atual sociedade.

Portanto, assim como nos ajuda a refletir Saja3: “Não importa mais só latir, a gente tem que morder”. Tal pensamento reflete a ideia que não se pode conceber um sistema educacional onde seus educandos não tenham participação social e envolvimento político. Todavia, se faz necessário formar educadores humanistas, que acima de tudo deixem marcas e que demonstre que a missão de educar é também de humanizar o próprio paradigma educacional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BUSCAGLIA, Leo F. A arte de ser plenamente humano in: vivendo, amando e Aprendendo. 7. Ed. Rio de Janeiro: Record, 1982.

FREIRE, Paulo. Práxis da libertação in: conscientização: teoria e prática de libertação – uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. 3. Ed. São Paulo: Moraes, 1980.

HOLANDA, Francisco Uribam Xavier de. Do Liberalismo ao Neoliberalismo: o itinerário de uma cosmovisão impenitente. 2. Ed. Porto alegre: EDIPUCRS, 2001.

SAJA, Antonio. Vídeo: Desafios da contemporaneidade. Educar para vencer. Secretaria da Educação do Estado da Bahia.

1 Mestrando em Educação, subjetividade e Interdisciplinaridade; Pedagogo; Assistente Social e Especialista em Psicopedagogia clínica a institucional.

2 Os Neoliberais defendem que o único sistema de organização social, baseado na divisão do trabalho é o capitalismo. São inúteis e inviáveis todas as formas alternativas de organização social, inclusive o socialismo. HOLANDA, Francisco Uribam Xavier de. Do Liberalismo ao Neoliberalismo: o itinerário de uma cosmovisão impenitente. 2. Ed. Porto alegre: EDIPUCRS, 2001.

3 Filósofo e Professor da Universidade Federal da Bahia – UFBA.

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