(Parte 4 de 5)

Com base nestes problemas se vê a grande importância de desenvolver uma proposta para estruturar a manutenção industrial, uma proposta que seja simples objetiva e que tenha uma estrutura para fazer diferença, pois se estiver com baixa eficiência e deixando muito a desejar, fica evidente que precisa passar por uma reorganização. Segundo Nepomuceno (1999), a organização bem estruturada faz o custo desaparecer frente ao grande retorno financeiro dado pela produção mantida em índices elevados.

3.5 Causas da Falta de um Plano de Manutenção

Organização, programação e metodologia são seguidas desde muito tempo para obtenção da excelência na manutenção, Soares (1986) afirma que o planejamento e a organização são uma garantia, os quais podem calcular a entrada de encomendas, dentro de uma faixa de erro mínimo.

A falta de uma metodologia no setor de manutenção implica numa série de inconvenientes constatados no dia a dia da empresa, tais inconvenientes são (BANZATO, 2010): i. Muitas emergências, tudo é urgente; i. Muitas paradas de produção; i. Manutenção sempre com pessoal insuficiente; iv. Custos elevados de estoque de peças; v. Mesmo com estoque alto não se consegue achar peças; vi. Tempo insuficiente para planejamento; vii. O.S. duplicadas ou perdidas; viii. Conserto de mesma coisa repetidas vezes; ix. Altos custos com retrabalhos; x. Entrega atrasada dos produtos; xi. Adiamento das manutenções; xii. Excesso de horas extras; xiii. Sistema de informação obsoleto.

3.6 A Implantação de um Sistema de Manutenção

A manutenção, mesmo passando despercebida pela maioria das pessoas, é uma operação de fundamental importância para que tanto os produtos quanto os serviços venham a ser executado com qualidade, segurança, lucratividade. Dentre outros fatores que contribuem para diminuir o custo de produtos e serviços, encontra-se um elaborado serviço de manutenção. Portanto a implantação de um Sistema de Manutenção faz com que a manutenção se torne uma função estratégica.

3.6.1 Organização do Setor de Manutenção

Para que a organização seja perfeita, tem-se a necessidade de iniciar pelo modo correto, assim para começar bem se deve implantar a metodologia 5S, que é um conceito necessário para todas as empresas, é uma forma de melhorar todos os aspectos na organização. Deve-se implantar esta metodologia para que se torne a prática uma função básica do dia a dia.

3.6.2 Aperfeiçoamento e Treinamento da Equipe de Manutenção

Visando um aumento gradativo do desempenho da manutenção com a implantação deste modelo de gestão, não se pode deixar de lado o aprimoramento humano, pensando neste aspecto é de extrema importância investir em treinamento dos mantenedores para o desenvolvimento das habilidades. O investimento em capacitação técnica tem o retorno mais seguro quando se pensa em evitar a ocorrência de falhas, além de proporcionar auto-estima, crescimento intelectual e motivação.

Desta forma é de extrema importância treinar os responsáveis pela manutenção da fábrica em cursos que resultará em aperfeiçoamento na manutenção das máquinas e equipamentos.

3.6.3 Utilização de um Software para o Gerenciamento da Manutenção

O Planejamento e Controle da Manutenção atualmente se tornam impossível sem um software para o gerenciamento, devido ao grande fluxo de informações a serem processadas. Este volume imenso de informações diz Xavier (2006), quando bem processadas se torna importantíssimo para a tomada de decisões, pois os parâmetros podem ser comparados a padrões.

O PCM utiliza o histórico representativo para formar um banco de dados e este oferece informações para a atividade de planejamento, orientando as ações da Manutenção.

Um software de manutenção para ser eficiente deve possibilitar ao usuário estruturar toda parte funcional da indústria, permitindo a emissão de S, OS, apontamento de horas trabalhadas, tempo de máquina parada, além de realizar o planejamento de todo o Sistema de Manutenção como: preventiva, preditiva, lubrificações, checklists e calibrações e também gerar relatórios e gráficos gerenciais. Um software que está sendo implantado na empresa em questão é o SIGMA, nele além dos principais itens citados possui vários outros para utilizar após a estrutura de Manutenção evoluir para uma fase mais avançada.

3.6.4 Identificação, Codificação e Cadastramento de Equipamentos

É muito importante conhecer o grau de importância dedicado a cada equipamento, deve-se identificar corretamente para a priorização na geração de uma ordem de serviço ser seqüencial seguindo esta sistemática. A Tabela 4 é apresentada a numeração das prioridades, vindo a ser o máximo com valor 10 e o mínimo 2, utilizando somente os números pares.

Tabela 4 - Grau de Importância para cada Equipamento Notas Justificativas

10 Pára toda a fábrica (considerar também os itens segurança e meio ambiente). 8 Pára um setor da fábrica (coloca em risco a integridade do operador). 6 Reduz a produção de um setor. 4 Facilita, mas não reduz a produção. 2 Setores não produtivos.

Fonte: Adaptado Parmalat Brasil S/A Ind. Alimentos

Tag é uma palavra do idioma inglês que significa etiqueta de identificação, localização das áreas operacionais e seus equipamentos (VIANA, 2002). De acordo com Pereira (2009), a identificação dos equipamentos por TAG, deve ser de acordo com o software escolhido para o gerenciamento. Na empresa em questão existe um tagueamento pronto para as máquinas e equipamento a Figura 9 mostra o exemplo.

FA-WA-03-EST-01 Número Sequencial do Equipamento

Tipo do Equipamento Número Sequencial da Linha/Setor Linha ou Setor

Localização/Planta

Figura 9 - Tag da Empresa Estudada Fonte: Adaptado de Parmalat Brasil S/A Ind. Alimentos

No exemplo da Figura 9, FA significa Planta Jundiaí, WA significa linha Wafer, 03 o número seqüencial da linha ou setor, EST significa a abreviação do equipamento Esteira, e 01 o número seqüencial do equipamento. Caso haja equipamento similar neste setor este seria chamado de FA –WA - 03 - EST- 02.

Para o cadastro no SIGMA, foi necessário cadastrar os processos e os equipamentos, para o processo foi utilizado o tag conforme a figura 10.

W-3-P-010 Número Sequencial do Processo

Processo

Número Sequencial da Linha

Linha de Wafer

Figura 10 - Tag Utilizado para Cadastramento Fonte: Elaborado pelo autor

Para completar o cadastramento foi utilizado o tag da Figura 1 completando o cadastramento de todos os equipamentos da linha Wafer.

W-3-E-010 Número Sequencial do Equipamento

Equipamento Número Sequencial da Linha

Linha de Wafer

Figura 1 - Tag Utilizado para Cadastramento Fonte: Elaborado pelo autor

Após criação dos tag foi montado planilha do começo ao fim do processo, a Tabela 5 representa a identificação dos processos.

Tabela 5 - Lista e Tags do Processo PROCESSO TAG

Processo Fabricação de creme W3P010 Maturação de creme W3P020 Fabricação de massa W3P030 Formação e assamento das placas wafer W3P040 Resfriamento W3P050 Aplicação de creme W3P060 Consistência do creme aplicado W3P070 Empilhamento de placa com creme W3P080

Esteira transportadora W3P090 Esteira transportadora 90º W3P100 Serra para corte W3P110

Transferidor da serra para detector metais W3P120

Detector metais W3P130

Esteira transportadora detector até masipack W3P140 Máquina embalagem W3P150

Esteira transportadora saída máquina W3P160 Mesa redonda embalagem nas caixas W3P170 Selagem das caixas W3P180 Painel elétrico dos maturadores W3P190 Painel elétrico forno W3P200 Painel elétrico forno, embalagem, serra W3P210 Painel elétrico da cremeadeira W3P220

Fonte: Elaborado pelo autor

São apresentados na Tabela 6 os tags criados para cada equipamento do processo.

Tabela 6 - Lista e Tags do Processo EQUIPAMENTO TAG

Batedeira de creme Metra W3E010 Tanque maturador Dan-tec 6000L W3E020 Batedeira de massa W3E030 Forno Haas W3E040 TBK W3E050 Cremeadeira W3E060 Geladeira W3E070 Empilhador coman W3E080 Esteira W3E090 Esteira W3E100 Serra Coman W3E110 Transferidor W3E120 Esteira W3E130 Detector de metais W3E140 Esteira W3E150 Masipack Modulus W3E160 Esteira W3E170

Mesa W3E180 Seladora 3M W3E190 Painel elétrico W3E200 Painel elétrico W3E210 Painel elétrico W3E220 Painel elétrico W3E230

Fonte: Elaborado pelo autor

Com esses cadastros foi alimentado o Sigma, assim fica extremamente fácil a localização do equipamento o qual será feita a manutenção

3.6.5 Planejamento para Lubrificação

Uma das funções mais importantes no chão de fábrica é a função do lubrificador, que deve ser levada a sério pelos líderes, pois as paradas para lubrificação faz as máquinas e equipamentos terem maior vida útil, aparecendo aí a diferença substancial entre ter um lubrificador e não ter, uma grande economia.

A lubrificação não deve ser deixada como responsabilidade de todos; este trabalho deve ser realizado por pessoal treinado para interpretar diagramas, saber utilizar corretamente óleos e graxas, seguir roteiros, enfim todas as atividades inerentes à função.

De acordo com Pereira (2009), deve-se iniciar através do princípio de que exista a lubrificação, mesmo precária, pois precisa fazer uma análise da situação atual, colher todos os dados existentes e elaborar um plano para a lubrificação juntamente com os lubrificadores ou os mecânicos responsáveis, havendo necessidades deve-se incluir como responsáveis mecânicos especializados para o acompanhamento e orientações.

3.6.6 Concepção da Manutenção Corretiva, Preventiva e Preditiva

Segundo SOARES (1986), a adoção do método de manutenção preventiva, pela maioria das grandes organizações industriais, é a prova concreta da pouca eficiência do método corretivo. Mas é evidente que uma instalação industrial com grande variação de máquinas se torna necessário sim de uma manutenção preventiva bem implantada, mas esta sempre será acompanhada da manutenção corretiva, para adequar melhor os gastos, pois o custo com uma manutenção puramente preventiva se torna alto. Todavia coerentemente se deve usar a preditiva em equipamentos que param todo o processo, como por exemplo, é usado na empresa a termografia, feita por empresa terceirizada.

Observa-se na Figura 12 que os custos com Manutenção não deve ser alto, pois compromete a viabilidade do negócio, se os custos continuar subindo a partir do ponto de lucro máximo o lucro cairá exponencialmente conforme subir os custos se percebe que é impossível atingir 100% de disponibilidade e ainda a empresa continuar viável.

Custo

Disponibilidade

Lucro Máximo lucro

Lucro zero

Custo da manutenção

Figura 12 - Custos versus Nível de Manutenção Fonte: Adaptado de Murty & Naikan, (1995) apud Marcorin & Lima (2003)

3.6.7 Indicadores de desempenho da Manutenção

O setor da produção é o cliente da manutenção, assim tem a necessidade de medir a eficiência desta para se interar se o seu nível atual corresponde ao esperado pela empresa, pois se a produção vai bem é porque existe uma manutenção que está executando sua função de acordo com o objetivo.

Percebe-se que para excelência na Manutenção, é imprescindível a união entre os setores manutenção e produção conforme mostra a Figura 13.

Figura 13 - Excelência na Manutenção Fonte: Elaborado pelo autor

O sistema de controle adotado deve harmonizar todos os processos que interagem na Manutenção, ele permitirá entre outros, identificar claramente:

i. Quais serviços serão feitos; i. Quando os serviços serão feitos; i. Quais recursos serão necessários; iv. Quanto tempo será gasto em cada serviço; v. Qual será o custo de cada serviço; vi. Quais materiais serão aplicados; vii. Quais máquinas, dispositivos e ferramentas serão necessárias. Deve-se tomar cuidado, pois controle excessivo pode promover:

i. Aumento de custo, às vezes o custo de controle é maior que a perda provável ou esperada.

i. Redução de iniciativa das pessoas, numa empresa onde se faz muitas reuniões, e os controles são de grande volume, é sinal que as coisas não andam bem.

i. Redução na motivação, o interesse das pessoas está diretamente relacionada com sua participação intelectual e operacional, e a responsabilidade que lhe é atribuída.

iv. Anulação da delegação, a existência da descrição de cargos e funções, plano de carreira, é essencial para o bom andamento da empresa como um todo.

Indicadores são úteis quando servem para medir o desempenho para ser aplicado na melhoria, no mais apenas confundem e poluem murais, agregando muito pouco (PEREIRA, 2009).

35 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para melhor entendimento e acompanhamento foi elaborado um diagrama Figura 14, nele são mostradas todas as etapas do Sistema de Manutenção criado, verificam-se a facilidade de visualização e localização no diagrama, o mesmo oferece viabilidade podendo em qualquer etapa voltar para melhorar qualquer aspecto que se perceber dificuldade.

Sistema de Manutenção

Organização do Setor

Treinamento

Software para Gerenciamento

Identificação e Cadastramento

Planejamento para Lubrificação

Concepção da Manutenção Corretiva, Preventiva, Preditiva

Indicadores de Desempenho

1ª Etapa 2ª Etapa

3ª Etapa

4ª Etapa 5ª Etapa

6ª Etapa 7ª Etapa

Figura 14 - Diagrama das Etapas Fonte: Elaborado pelo autor

Este Sistema de Manutenção tem o objetivo de aplicar a manutenção corretiva, preventiva e preditiva em todas as máquinas e equipamentos da empresa, dando ênfase na lubrificação, pois esta função é essencial para vida dos elementos de máquinas.

Estes dois tópicos correspondem a sexta e a quinta etapa respectivamente, mas antes de chegar a estes níveis deve-se primeiramente passar pela etapa que dá início do processo de mudança de postura diante da função manutenção, que é a implantação do 5S para a organização do Setor na primeira etapa, esta ferramenta é capaz de elevar a eficiência de uma empresa. Na segunda etapa que se trata do treinamento, vem a ser a parte da integração de todos os mantenedores, deve-se montar uma planilha de habilidades para os recursos destinados a este investimento sejam bem aplicados.

A grande importância da manipulação de dados para processamento das informações faz do software de Manutenção uma utilização obrigatória para a excelência na administração dos recursos humanos e materiais, portanto esta ferramenta está evidenciada na terceira etapa do Sistema de Manutenção. Na quarta etapa foram apresentados os códigos para serem alimentados no software Sigma que está sendo implantado na empresa.

Finalmente na sétima e última etapa avalia-se o estado atual, para assim decidir qual rumo a tomar, são os indicadores de desempenho.

Este Sistema de Manutenção mostrou-se eficiente, pois apontam os principais pontos que faz diferença para a excelência de manutenção.

A redução dos custos na Manutenção é almejado de forma incisiva por todas as indústrias, é evidente que os custos sejam o mínimo com a máxima produtividade, assim é importante fazer um levantamento dos custos até mesmo para decidir qual tipo de manutenção implementar.

A Figura 15 está relacionando os três tipos principais de manutenção com seus custos em função do tempo, é evidenciado na Manutenção corretiva que no início é até de custo baixo, mas com o tempo vai aumentando quanto maior a ocorrência com relação proporcional.

Corretiva

(Parte 4 de 5)

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