Introdução à Administração Chiavenato - Teoria dos sistemas - Exercícios resolvidos

Introdução à Administração Chiavenato - Teoria dos sistemas - Exercícios resolvidos

UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA

PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO

CENTRO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

CURSO DE BACHARELADO EM ENGENHARIA CIVIL

NELSON POERSCHKE

4º EXERCÍCIO

TEORIA DOS SISTEMAS

Boa Vista

2013

1. Como você vê, atualmente, o mercado de construção civil em Roraima? Quais as características que deve possuir uma empresa para operar esse mercado, em termos de sistema aberto?

Aquecido como em todo o Brasil, o mercado da construção civil em Roraima conta, segundo o Sindicado das Indústrias da Construção Civil, com 29 empresas, entre médio e pequeno porte. Esta indústria é organizada em projetos e a teoria e prática da produção dominante são influenciadas intensamente pelos conceitos e técnicas da área denominada gestão de projetos. Apesar do desenvolvimento e considerada maturidade desta teoria, (bem como dos métodos, técnicas e ferramentas associados a ela), há um bom número de projetos que apresentam problemas, tais como excesso de custos, descumprimento de prazos e níveis de desempenho abaixo do previsto.

Apesar do expressivo crescimento deste setor, ainda ocorre escassez de mão de obra, principalmente nos ofícios com maior qualificação. Deste modo, as construtoras já encontram grande dificuldade em preencher seus quadros de funcionários, sendo obrigadas a reduzir o grau de exigências. Observa-se que uma parcela significativa de trabalhadores que deixa suas regiões de origem em busca de melhores condições de vida acaba vindo a ingressar neste setor. Isto se deve em parte ao fato de que o recrutamento da força de trabalho na construção civil não ser realizado por meio de uma seleção e treinamento formal. Com isto, as empresas acabam submetendo seus processos de produção e estrutura organizacional aos hábitos provenientes da cultura de seus operários.

O sistema da Indústria da Construção Civil é aberto no sentido mais amplo da palavra. Como características principais do setor, pode-se citar:

- dependência dos fatores climáticos, o que não ocorre com a maioria dos setores da indústria de transformação, cujo processo produtivo é protegido das variações do clima. Ao contrário, por se dar ao ar livre, por manipular insumos perecíveis, como no caso do cimento, e por implicar processos que são aviltados pela presença da água, o processo construtivo ainda sobre as influências climáticas, que podem impor transtornos e interrupções. Isto significa que, ao contrário do que ocorre com a indústria de transformação, e de modo semelhante ao que acontece com a agricultura, a Indústria da Construção ainda não conseguiu superar inteiramente os percalços naturais, sendo, portanto, atividade com riscos mais elevados;

- o capital circulante é muito maior no caso do setor da Construção, exigindo vultosos recursos financeiros até que o produto esteja pronto para ser entregue ao cliente. Isto significa também, no caso das grandes obras de construção pesada (rodovias, barragens para hidrelétricas), grandes descontinuidades na circulação financeira da economia como um todo, e a necessidade de volumosos recursos financeiros durante grandes períodos de tempo.

- a heterogeneidade do produto: enquanto cada obra de construção pesada é um produto singular, devido às próprias particularidades do meio ambiente onde é executada e aos fins a que se destina, no próprio caso das edificações habitacionais - em que, em princípio, se poderia ter uma maior homogeneidade -, a diversidade da clientela, da disponibilidade local de insumos, dos seus preços, e das alternativas de engenharia induz a uma grande diversidade das habitações produzidas; e

- à exceção das obras de montagem industrial, os principais setores da construção operam com um volumoso e diversificado conjunto de materiais de construção. Esta é também uma particularidade do setor que contribui para limitar o desempenho de seu processo produtivo, pois o fato de a matéria-prima não poder estar em sua totalidade no canteiro de obras (por seu caráter perecível e volumoso), aliado à enorme diversidade dos materiais empregados (destinados, sobretudo, às obras prediais urbanas), imprime óbvias limitações ao processo de produção, tanto pelas dificuldades de padronização como pelas eventualidades de atrasos no fornecimento de algum material essencial.

  1. Você acha possível aumentar a produtividade (reduzindo custos) na construção civil e oferecer melhores serviços ao cliente ao mesmo tempo? Dê um exemplo.

A intensidade do uso da força de trabalho, que se explica, em grande parte, pela natureza de seu processo produtivo, que dificulta a utilização intensiva de equipamentos, a não ser nas tarefas mais pesadas. A característica descontínua do processo produtivo - que apresenta, com grande intensidade, parcelamento tanto das tarefas quanto do espaço produtivo - ao não exigir um espaço fixo, uma planta industrial que permita a utilização intensiva de máquinas que tragam consigo o predomínio amplo do princípio da simultaneidade faz com que o aumento da produtividade se fundamente numa racionalização maior do processo de trabalho e menos na mecanização.

Para reduzir custos e melhorar a produtividade é preciso incorporar novas tecnologias aos processos, as quais, por sua vez, envolvem o aprendizado e uma mudança cultural, isto é, a inovação organizacional.

As empresas estão convencidas de que a qualidade em serviços ou produtos depende não mais das técnicas e equipamentos adotados, mas especialmente da forma como se coordena os trabalhos realizados pela equipe envolvida. O que de fato interessa não é mais o gerenciamento das pessoas em si, mas o gerenciamento do conhecimento inerente a essas pessoas e a forma como a troca e a interação desses conhecimentos podem trazer sucesso para a empresa. O gerente de projeto deve ter uma boa visão de seu cliente e seu grau de satisfação e da produtividade e qualidade dos serviços oferecidos.

Há um crescimento de consciência que a produtividade, qualidade e, mesmo a vantagem competitiva estão ligadas diretamente à habilidade das organizações em aprender e inovar, pois o conhecimento é uma fonte certa de vantagem competitiva durável (SVELBY, 1997 apud JOHANNESSEN et al, 1999).

Desta forma, principalmente no caso de Roraima, onde as empresas do ramo ainda estão nas fases embrionárias do amadurecimento empresarial, é possível o aumento da produtividade e, consequentemente, da satisfação do cliente.

Cito como exemplo as iniciativas do Sistema S ao se preocupar em ofertar cursos que visam preparar turmas de operários com capacitação técnica nas diversas áreas da construção civil, além do Curso de Técnico em Edificações oferecido pelo IFRR.

  1. Qual é a função das fronteiras organizacionais? Defender, limitar ou integrar?

Uma organização só pode sobreviver na medida em que troca e negocia conteúdos com o meio, isto é, se for um sistema aberto. A organização recebe do meio ambiente matéria-prima e energia, massa crítica de modo a transformar estes elementos em produtos ou resultados necessários para a sua sobrevivência e exportando-os para o meio. Esse sistema é delimitado por uma fronteira que define o limite do dentro e fora dele. Ela deve ser suficientemente sólida, de forma a conter o sistema e a permitir a manutenção de uma lógica interna, e suficientemente permeável para permitir as trocas entre a organização e o meio. Se a fronteira se impermeabiliza totalmente, deixa de existir a interação com o meio e o sistema morre. Caso contrário, se for excessivamente permeável, o sistema corre o risco de desagregar-se, se dissipando no meio. Gerir fronteiras torna-se um elemento fundamental para a organização. Esse processo orna-se mais ou menos complexo na proporção da descentralização dos subsistemas e da diferenciação das tarefas a eles atribuídas. Numa organização e preciso coordenar o departamento de produção com o departamento comercial, o departamento de marketing com o departamento de recursos humanos, entre outros, no sentido de que todos os departamentos partilhem uma visão estratégica orientada para a tarefa primária da organização.

Desta forma, pode-se concluir que as fronteiras existem para defender o sistema. Assegurada essa existência, a fronteira limita ou integra de acordo com a necessidade, mas visando sempre a defesa do sistema.

  1. Como se podem estabelecer entrelaçamentos com outras empresas para melhorar o desempenho da organização?

Implementando formas de cooperação ou mesmo fusão de departamentos com tarefas semelhantes entre empresas diferentes, mas com atividades complementares.

  1. O que se entende por turnaround?

É um termo em inglês utilizado internacionalmente em administração de empresas e que indica um conceito de gestão estratégica que se tornou popular durante as décadas de 1970-1980.

Consiste na implementação de um conjunto de ações que visam redirecionar uma empresa que ruma ao insucesso e devolvê-la à normalidade operacional e solvabilidade financeira. Ou dito de outra forma, conjunto de ações que propiciam a recuperação e evitam o fechamento da empresa em dificuldades.

  1. Explique retroação negativa.

A retroação é um parâmetro que impõe correções no sistema, no sentido de adequar suas entradas e saídas e reduzir os desvios ou discrepâncias, regulando o seu funcionamento.

A retroação negativa é a ação de frenagem, inibidora da saída, que atua sobre a entrada do sistema. Na retroação negativa o sinal de saída diminui e inibe o sinal de entrada.

  1. O que se entende por negentropia? Exemplifique.

Entropia é a tendência que os sistemas têm para o desgaste, para desintegração, para o afrouxamento dos padrões e para um aumento da aleatoriedade. A medida em que a entropia aumenta, os sistemas se decompõem em estados mais simples. A entropia aumenta com o decorrer do tempo. À medida que aumenta a informação, diminui a entropia, pois a informação é a base da configuração e da ordem.

Se a entropia tende a desorganização, é necessário abrir o sistema e reabastecê-lo com energia e informações a fim de manter a sua existência. A esse processo dá-se o nome de entropia negativa ou negentropia.

Um exemplo de negentropia é o metabolismo dos organismos vivos que, para enfrentar o catabolismo que leva ao consumo e destruição do tecido do organismo para viver, exerce o anabolismo, que reconstitui os tecidos através da ingestão de alimentos ou seja, substâncias retiradas do mundo exterior ao organismo/sistema.

  1. Distinga ambiente geral e ambiente tarefa.

Ambiente Geral, também chamado macro ambiente, é constituído de um conjunto amplo e complexo, de condições e fatores externos que envolvem e influenciam difusamente todas as organizações, é um conjunto de condições genéricas e externas à organização que contribuem de um modo geral para tudo aquilo que ocorre em cada organização, para as estratégias adotadas e para as consequências das ações organizacionais. Geralmente pode ser constituído das variáveis que não estão associadas ao dia-a-dia da organização: tecnologia, políticas econômicas, sociais, demográficas e ecológicas.

Ambiente de tarefa, é o contexto ambiental mais próximo da organização, fornece as entradas ou insumos de recursos e informações, bem como a colocação e distribuição de suas saídas ou resultados. O ambiente de tarefa é constituído pelas partes do ambiente que são relevantes ou potencialmente relevantes para a organização poder estabelecer e alcançar seus objetivos. Geralmente constituído de agentes com quem a organização tem uma relação direta no seu dia-a-dia como os consumidores, clientes, usuários, fornecedores, concorrentes e grupos reguladores.

  1. Distinga tecnologias fixas e tecnologias flexíveis.

Tanto a tecnologia fixa como a flexível é subdividida em produto concreto e produto abstrato.

No caso de uma tecnologia fixa e um produto concreto, as mudanças são difíceis de implantar ou muito lentas, sendo que se a mudança for muito extrema o mercado poderá rechaçar. Um exemplo são as montadoras de carros.

Uma tecnologia fixa e um produto abstrato, onde são vistas as escolas ou universidades, com seus métodos educacionais consolidados, mas que produzem um produto abstrato que é o conhecimento. Pode-se ter uma forte gama de cursos, mas é baseado em conhecimentos especializados e bem definidos.

Uma tecnologia flexível e um produto concreto, onde a tecnologia está sempre em inovação e o produto deve ser sempre seguro e atraente para o consumidor. Visto em empresas de eletrônicos e plásticos.

Uma tecnologia flexível e um produto abstrato, onde o ambiente influencia fortemente o conjunto. É observado em empresas de propaganda e relações públicas.

  1. O que se entende por arranjo organizacional?

Arranjos ou Estruturas Organizacionais são as formas como o grupo de pessoas que será responsável pelo desenvolvimento de um produto será constituído e organizado. Esta organização inclui: definição do número de participantes; origem dos membros; escolha da liderança; grau de comprometimento dos membros em termos de tempo dedicado ao projeto; e espaço físico que será compartilhado pelos membros.

Existem dois níveis de arranjo organizacional para a gestão do Processo de Desenvolvimento de Produto. O primeiro é comum a empresas com processos globais de pesquisa e desenvolvimento e demarca a divisão de responsabilidades entre matriz e subsidiárias. Neste caso, têm sido encontradas duas tendências principais: a descentralização e a concentração ou especialização de locais e recursos.

O segundo nível de arranjo organizacional ordena as relações de integração entre áreas funcionais (Produção, Marketing, Engenharia, Pesquisa etc.) numa mesma unidade. A utilização de técnicas como a Engenharia Simultânea tem enfatizado a necessidade de integração via substituição de um modelo sequencial de realização de atividades por maior paralelismo e trabalho conjunto dessas áreas funcionais já nas etapas iniciais do ciclo de desenvolvimento. Logo, este nível refere-se às relações interdepartamentais e à configuração da estrutura organizacional adequada para responder à natureza sistêmica do Processo de Desenvolvimento de Produto.

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