Em Paz Com Deus - Billy Graham

Em Paz Com Deus - Billy Graham

(Parte 1 de 7)

Paz com Deus

O caminho certo para a paz pessoal num mundo em crise

Billy Graham

Título original: Peace with God

Tradução de Soraia Guedes

Prefácio4

Sumário Primeira Parte: A Avaliação da Situação 6

1. A Grande Busca6
2. A Bíblia Indestrutível16
3.Como É Deus?25
4. A Terrível Existência do Pecado35
5. Como Lidar com o Demônio48
6. O Desespero da Solidão59
7. O Que nos Espera Depois da Morte?6

Segunda Parte: A Proposta da Solução 82

8. Por que Jesus Veio ao Mundo?82
9. Como e por Onde Começar9
10. O que É Arrependimento?109
1. O que É Fé?17
12. O Velho e o Novo129
13. Como Ter Certeza137

Terceira Parte: A Aplicação do Antídoto 145

14. Os Inimigos do Cristão145
15. Diretrizes Para a Vida Cristã156
16. O Cristão e a Igreja167
17. Acaso Sou Eu Tutor de Meu Irmão?175
18. A Esperança Para o Futuro193
19. Enfim a Paz202

Prefácio

Nesses trinta anos desde que Paz com Deus foi escrito, um mundo em conflito parece ter perdido para sempre sua frágil serenidade. Pela primeira vez na história, uma geração inteira de jovens vive com medo de que o tempo, sob a forma de um holocausto nuclear, esgote-se antes que possam tornar-se adultos, o que talvez explique, em parte, por que uma percentagem trágica deles, no auge de uma juventude promissora, encontra várias formas de renunciar à vida. Tornamo-nos uma geração de escapistas. Enquanto escrevo estas palavras, travam-se conflitos armados por todo o globo, e as ruas de mais de uma cidade grande vibram ao som dos disparos. Um presidente americano foi assassinado desde que o livro foi escrito, assim como um ministro da Justiça, um líder dos direitos civis, um presidente egípcio e um famoso astro do rock. Um outro presidente foi vítima de uma tentativa de homicídio. Fizeram-se reféns em muitos lugares e um avião coreano de passageiros foi abatido. Travaram-se muitas guerras. Tampouco podemos nos voltar para a segurança de nossos lares em busca de paz interior, pois muitos deles já não existem, uma vez que quase metade de todos os casamentos recentes hoje em dia termina em divórcio. Esta luta que se desenrola violenta no mundo inteiro é apenas um reflexo do conflito que atormenta o coração dos indivíduos.

Milhões de pessoas leram este livro em sua versão original.

Ele foi traduzido para mais de trinta línguas. Milhares delas escreveram contando como suas vidas ou as vidas de outras pessoas foram transformadas e afetadas. Soubemos que é o livro religioso mais lido e distribuído no mundo oriental. Um inspetor da alfândega em uma destas áreas deparou-se com uma cópia de Paz com Deus na bagagem de um cristão que visitava seu país. O turista disse que lhe daria o livro com prazer, mas já o havia prometido a um amigo naquele país.

"Então será que pode esperar enquanto leio?", perguntou o inspetor. E assim nosso amigo esperou — meia hora, uma hora, duas horas. Por fim, sem comentário, o livro foi devolvido à maleta, e nosso amigo liberado. Revisando o livro, fiquei surpreendido ao constatar a pertinência do original, porém alguns detalhes precisaram ser atualizados.

Esta edição revisada, como o fez a edição original de Paz com

Deus, indica o caminho, o único caminho, para a autêntica paz pessoal em um mundo em crise. Desde a sua publicação, há trinta e um anos, milhões de leitores de muitos países têm seguido seus passos simples e claros e descoberto para si a vida nova e revolucionária oferecida por um galileu então desconhecido. Estes leitores incluem homens que escreveram aguardando a execução e até mesmo um de meus genros.

Perguntaram a uma das repórteres que cobriram nossa

Cruzada em Bristol, Inglaterra, se tivera alguma ligação com igrejas antes de vir a Bristol, e ela replicou: "Ah sim, sou cristã. Fui convertida por Billy Graham em 1954." Aos dez anos, quando estava no internato, fora a um "bazar de coisas usadas" (semelhante aos que montamos em nossas garagens). Sobre a mesa encontravam-se alguns livros. Ela reparou em um exemplar de Paz com Deus e sentiu-se de imediato atraída. Pagou seis pence pelo livro — todo o dinheiro que possuía no momento — e ficou acordada a noite inteira lendo-o à luz de lanterna em seu quarto na escola. Aceitou Cristo por causa do livro. Embora tivesse freqüentado a igreja na infância, nunca ninguém lhe explicara a simples mensagem do evangelho nem como poderia mostrar-se sensível a Cristo.

Peço a Deus que esta edição revisada chegue às mãos e aos corações de um mundo perdido, confuso e em constante busca, pois sinto que agora, ainda com mais intensidade do que quando o livro foi escrito, homens, mulheres e jovens em toda parte anseiam pela paz com Deus.

Estou profundamente grato àqueles que me ajudaram na preparação desta nova edição. Agradeço em particular à minha esposa, Ruth, que trabalhou muitas horas nesta revisão; minha filha mais velha, Gigi Tchividjian; e minha secretária, Stephanie Wills. Que Deus possa usar este livro para transformar as vidas de milhões de pessoas desta nova geração.

Billy Graham

Primeira Parte: A Avaliação da Situação

1. A Grande Busca

Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.

VOCÊ iniciou a Grande Busca no momento em que nasceu.

Passaram-se muitos anos, talvez, antes que você percebesse, antes que se tornasse evidente que esteve sempre buscando — buscando algo que nunca teve — buscando algo que era mais importante do que tudo na vida. Algumas vezes você tentou esquecer. Algumas vezes tentou ocupar-se com outras coisas, de modo que não houvesse tempo nem atenção para nada além dos problemas imediatos. Algumas vezes pode até ter achado que se livrara da necessidade de continuar buscando esta coisa sem nome. Em alguns momentos, você quase conseguiu abandonar a busca por completo. Mas foi sempre envolvido por ela de novo — teve sempre que retomá-la.

Nos momentos mais solitários de sua vida, você olhou para outros homens e mulheres e imaginou se também estariam buscando — algo que não podiam descrever, mas sabiam que queriam e necessitavam. Alguns deles pareciam ter encontrado a realização no casamento e na vida familiar. Outros partiram para alcançar fama e fortuna em outras partes do mundo. Contudo, outros permaneceram no país e prosperaram, e olhando-os, você

* N.T. Todas as citações bíblicas foram extraídas de A Bíblia Sagrada, Antigo e Novo Testamento, Rio de Janeiro, 1975, série RAO 4 Z-l, edição revista e atualizada, tradução portuguesa de João Ferreira de Almeida, com referências a algumas variantes.

talvez tenha pensado: "Estas pessoas não participam da Grande Busca. Elas encontraram seu caminho. Sabiam seu objetivo e conseguiram atingi-lo. Somente eu percorro este caminho que não leva a parte alguma. Somente eu continuo perguntando, buscando, tropeçando ao longo desta estrada escura e desesperadora que não tem sinalização."

A Súplica da Humanidade

Mas você não está só. Toda a humanidade percorre este caminho com você, pois todos encontram-se nesta mesma busca. Toda a humanidade está buscando a resposta para a confusão, a doença moral, o vazio espiritual que oprime o mundo. Toda a humanidade implora orientação, auxílio, paz.

Dizem que vivemos na "era da ansiedade". Historiadores mostram que houve poucas vezes na história da humanidade em que o homem esteve sujeito a tanto medo e incerteza. Todos os esteios familiares que conhecíamos parecem ter sido destruídos. Falamos de paz, porém nos defrontamos com constância com a guerra. Planejamos complexos esquemas de segurança, mas ainda não a encontramos. Tentamos nos agarrar a qualquer oportunidade passageira e, mesmo quando a agarramos, ela desaparece.

Durante gerações, corremos como crianças assustadas, primeiro por um beco sem saída e depois por outro. Todas as vezes dize mos a nós mesmos: "Este é o caminho certo, este nos levará aonde queremos ir." Mas todas as vezes estivemos errados.

O Caminho da Liberdade Política

Um dos primeiros caminhos que escolhemos chamava-se "liberdade política". Proporcione a todos liberdade política, dissemos, e o mundo transformar-se-á em um lugar feliz. Vamos escolher nossos próprios chefes de governo e teremos o tipo de governo que tornará nossa vida digna de ser vivida. Assim, conseguimos a liberdade política, mas não aquele mundo melhor. Nossos jornais diários falam de corrupção em altos cargos, de favoritismo, de exploração, de hipocrisia, que igualam e por vezes superam o despotismo dos reis da antigüidade. Liberdade política é uma coisa preciosa e importante, mas não pode nos proporcionar por si só o tipo de mundo que ansiamos.

Havia um outro caminho muito promissor chamado "educação", e muitos depositaram nele toda a sua fé. A liberdade política aliada à educação resolverá o problema, disseram, e todos nos precipitamos desenfreados pelo caminho educacional. Durante muito tempo, ele nos pareceu um caminho brilhante, bem iluminado e sensato, e nós o percorremos com ansiedade e esperança, mas aonde nos levou? Você sabe a resposta. O povo americano é o mais bem informado da história da civilização — e também o mais confuso. Alunos do curso secundário conhecem mais sobre as leis físicas do universo do que os maiores cientistas da época de Aristóteles. E embora nossas cabeças estejam abarrotadas de conhecimento, nossos corações estão vazios.

O caminho mais brilhante e convidativo de todos era aquele denominado "padrões de vida mais elevados". Quase todos achavam que poderiam confiar neste caminho para chegar de modo automático àquele mundo melhor e mais feliz. Acreditava-se que esta era a rota certa. Esta era a rota que "bastava apertar o botão para chegar lá"! Este era o caminho que passava pelos anúncios coloridos das revistas, por todos os carros novos e cintilantes, pelas fileiras reluzentes de geladeiras elétricas e máquinas de lavar automáticas, por todos os frangos gordos cozinhando em novíssimas panelas com fundo de cobre. Sabíamos que desta vez tínhamos tirado a sorte grande! Os outros caminhos podiam ter sido enganadores, mas desta vez nós tínhamos acertado!

Muito bem, olhe à sua volta neste exato instante. Neste momento preciso da história, você vê nos Estados Unidos um país que possui um grau de liberdade política jamais sonhado em muitas partes do mundo civilizado. Você vê o maior e mais abrangente sistema de educação já criado pelo homem, e somos elogiados tanto aqui como no exterior por nosso elevado padrão de vida. "O modo de vida americano" é como gostamos de chamar esta nossa economia cromada, por completo eletrificada e automática — mas será que ela nos fez felizes? Será que nos trouxe a alegria, a satisfação e a razão de viver que buscávamos?

Não. Enquanto estamos aqui nos sentindo convencidos e orgulhosos de termos realizado tantas coisas apenas imaginadas pelas gerações anteriores; enquanto transpomos nossos oceanos em horas ao invés de meses; enquanto produzimos remédios milagrosos que eliminam algumas das doenças mais temidas pelo homem; enquanto construímos edifícios que fazem a Torre de Babel parecer um formigueiro; enquanto aprendemos cada vez mais sobre os mistérios das profundezas do mar e penetramos cada vez mais longe no espaço cósmico, será que reduzimos um pouquinho sequer aquela nossa sensação de vazio? Será que todas estas maravilhas modernas nos proporcionam uma sensação de realização, será que ajudam a explicar por que estamos aqui, será que indicam o que temos de aprender? Ou aquela terrível sensação de vazio persiste? Será que cada nova descoberta da magnitude do universo nos consola ou nos faz sentir mais sozinhos e desamparados do que nunca? Estaria o antídoto para o medo e o ódio e a corrupção humanas em alguma proveta de laboratório ou no telescópio de um astrônomo?

A Sedução da Ciência

Não podemos negar que a ciência tenha dado ao homem muitas coisas que ele pensava querer. Mas esta mesma ciência nos apresenta agora o mais terrível presente já conferido à humanidade. A vida e o futuro de cada ser vivo neste planeta são atingidos por este presente da ciência. Ele estende-se como uma sombra sinistra nos nossos pensamentos vigilantes. Ronda como um espectro de horror os sonhos de nossos filhos. Fingimos que ele não está lá. Tentamos fingir que não recebemos este presente, que tudo não passa de uma piada, e que algum dia vamos acordar e descobrir que não conquistamos o espaço cósmico, e que o armamento nuclear nunca foi aperfeiçoado — mas os jornais matutinos nos contam uma história diferente.

Existem outros caminhos, é claro, e muitas pessoas os percorrem neste exato momento. Existem os caminhos da fama e da fortuna, do prazer e do poder. Nenhum deles conduz a parte alguma, exceto ao fundo do atoleiro. Estamos emaranhados na teia de nosso próprio raciocínio, tão completa e habilmente tolhidos que não podemos mais enxergar a causa nem a cura da doença que provoca esta dor mortal.

Se é verdade que "para cada mal existe um remédio", então precisamos nos apressar para encontrá-lo. A areia na ampulheta da civilização está caindo com rapidez, e se existe um caminho que conduza à luz, se existe um retorno à saúde espiritual, não devemos perder uma hora sequer!

A Busca de Soluções

Muitos se debatem neste tempo de crises e vêem que seus esforços não os ajudam a se erguer, mas sim a afundar cada vez mais no abismo.

O índice de suicídio teve um aumento vertiginoso, na década de 80. Nos últimos dez anos, o índice de suicídio de crianças entre 10 a 14 anos triplicou. A revista Leadership calcula que, por ano, meio milhão de pessoas tentam o suicídio — e 50.0 são bemsucedidas. Em 1981, morreram mais pessoas por suicídio do que por homicídio.

No ano passado, milhares de americanos — muitos dos quais adolescentes — que não conseguiam descobrir nem mesmo as respostas erradas, preferiram tirar suas próprias vidas a continuar vagando nesta selva criada pelo homem, a qual chamamos de civilização.

Durante os últimos vinte anos, o índice de divórcio nos Estados Unidos aumentou, até mesmo na igreja com um em cada dois casamentos terminando em divórcio. Este índice aumentou 100 por cento desde 1900!

Gastamos uma fortuna para "adotar" graciosas criancinhas carentes, enquanto nossas crianças são alvo de maus-tratos ou de horríveis atrocidades da "pornografia infantil". Ouvimos falar sobre aborto livre, mães substitutas, bancos de esperma e assim por diante. Nossas famílias estão crivadas de todos os tipos de abusos e aberrações.

Então "onde estamos?", pergunta você. "Onde estamos agora e para onde vamos?" Deixe-me dizer-lhe onde estamos e o que somos. Somos uma nação de pessoas vazias. Nossas cabeças estão abarrotadas de conhecimento, mas em nossas almas existe um vácuo espiritual.

Reclamamos no passado que a juventude deste país perdera o ímpeto, a iniciativa, a disposição para trabalhar e progredir. Todos os dias, ouvia pais dizerem que não entendiam por que seus filhos não queriam trabalhar, mas apenas ganhar tudo de mão beijada. Os pais não pareciam perceber que seus filhos bem educados e criados com cuidado estavam, na verdade, vazios por dentro. Não estavam imbuídos do espírito que torna o trabalho uma satisfação. Não estavam cheios da determinação que faz do progresso um prazer. E por que eles estavam tão vazios? Porque não sabiam de onde tinham vindo, por que estavam aqui, nem para onde estavam indo!

Hoje, nossos jovens procuram direção e perspectiva. Estão em busca de modelos a serem seguidos, de padrões de determinação.

Assemelham-se a fileiras de belos automóveis novos, perfeitos nos mínimos detalhes, mas sem gasolina nos tanques. A carroceria é uma beleza, porém não há nada no bojo para dar-lhes potência. E, assim, ficam parados e enferrujam — de tédio.

A Extensão do Tédio

Fala-se que os Estados Unidos possuem a maior renda per capita de tédio do mundo! Sabemos disto porque temos mais variedade e um número maior de distrações artificiais do que em qualquer outro país. As pessoas se tornaram tão vazias que não são capazes nem de se distrair sozinhas. Elas têm que pagar a outras pessoas para distraí-las, para fazê-las rir, para tentar fazêlas se sentir bem, felizes e satisfeitas por alguns minutos, para tentar fazê-las perder aquela desagradável e assustadora sensação de vazio — aquela sensação espantosa e aterrorizante de estar perdido e só.

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