CONTROLE DE QUALIDADE Sérgio Fernando de Oliveira Gomes

Instrumento legal utilizado:

“Art. 79. O responsável pelo Controle de Qualidade detém as seguintes responsabilidades:

I - aprovar ou rejeitar as matérias-primas, os materiais de embalagem e os produtos intermediários, a granel e terminados em relação à sua especificação;

I - avaliar os registros analíticos dos lotes; I - assegurar que sejam realizados todos os ensaios necessários;

IV - participar da elaboração das instruções para amostragem, as especificações, os métodos de ensaio e os procedimentos de controle de qualidade;

V - aprovar e monitorar as análises realizadas, sob contrato; VI - verificar a manutenção das instalações e dos equipamentos do controle de qualidade;

VII - assegurar que sejam feitas as validações necessárias, inclusive a validação dos métodos analíticos e calibração dos equipamentos de controle; e

VIII - assegurar que sejam realizados treinamentos iniciais e contínuos do pessoal da área de Controle de Qualidade, de acordo com as necessidades do setor”. (Resolução 17, abril de 2010).

Especificações e Ensaios de Controle de Qualidade

Os métodos de controle de qualidade devem ser validados antes de serem adotados na rotina, levando em consideração as instalações e os equipamentos disponíveis.

Os métodos analíticos compendiais não requerem validação, entretanto antes de sua implementação, devem existir evidências documentadas de sua adequabilidade nas condições operacionais do laboratório.

Todas as especificações de matérias-primas, materiais de embalagem e produtos terminados devem estar devidamente autorizadas, assinadas e datadas, bem como mantidas pelo Controle de Qualidade ou Garantia da Qualidade.

Devem ser realizados ensaios nos produtos intermediários e no produto a granel, quando couber.

Devem ser realizadas revisões periódicas das especificações para que sejam atualizadas conforme as novas edições da farmacopéia nacional ou outros compêndios oficiais.

As farmacopéias, os padrões de referência, e outros materiais de referência necessários devem estar à disposição no laboratório de controle de qualidade. (Resolução 17, abril de 2010).

FONTES DE CONSULTA Farmacopéia Brasileira 5edição (RES 49 de 24 de novembro de 2010)

Na ausênciade monografiaoficialde matérias-primas, formas farmacêuticas, correlatos e métodos gerais inscritos na Farmacopéia Brasileira, poderáseradotadamonografiaoficial, últimaedição, de um dos seguintes compêndios internacionais:

GERALMENTE DE 90% -110% EM RELAÇÃO AO VALOR ROTULADO (%V.R.)

Reações químicas características Espectros na região do infravermelho

Espectros na região do ultravioleta/visível

Ponto de fusão Teste de chama

Valores de Rfem CCD (Cromatografia em Camada Delgada)

Tempos de retenção em CLAE (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência)

MÉTODOS DE DOSEAMENTO DE FÁRMACOS Analíticos:

Gravimetria

Volumetria (titulações): Neutralização em meio aquosoNeutralização em meio não aquosoOxi-reduçãoPrecipitação e Complexação

Instrumentais: Fotometria de chama

Polarimetria

Espectrofotometria no UV-vis

Espectrofluorimetria Absorção atômica

Cromatográficos:

Cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) Cromatografia a gás (CG)

Biológicos e Microbiológicos

1 -DETERMINAÇÃO DO VOLUME/VOLUME MÉDIO:O objetivo desse teste é avaliar a uniformidade no envase;Aplicável a medicamentos em dose múltipla, única e injetável.

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas Líquidas e Semi-Sólidas

2 -pH:Assegurar a estabilidade, solubilidade e compatibilidade

do produto;Aplicável a soluções e suspensões aquosas.Para medidas de pH em formulações semi-sólidasé necessário realizar diluição prévia.

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas Líquidas e Semi-Sólidas

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas Líquidas e Semi-Sólidas

3 -DENSIDADE:Assegurar a homogeneidade do produto;Aplicável a suspensões,

emulsões e xaropes.Para medidas de densidade em formulações semi-sólidasé necessário realizar diluição prévia.

4 -VISCOSIDADE:Assegurar a homogeneidade, estabilidade e posologia do produto;Aplicável a suspensões, emulsões, géis, pomadas, cremes, xaropes.

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas Líquidas e Semi-Sólidas

5 -CONDUTIVIDADEAplicável a soluções e suspensões aquosas,

emulsões, géis, xaropes.Aplicável ao controle de qualidade da água potável e purificada.

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas Líquidas e Semi-Sólidas

6 -OUTROS:Limpidez: assegurar a ausência de partículas visíveis em soluções;Características organolépticas: COR, SABOR, ODOR.

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas Líquidas e Semi-Sólidas

1 -DETERMINAÇÃO DO PESO/ PESO MÉDIOO objetivo desse teste é avaliar a

uniformidade no envase;Aplicável a medicamentos em dose múltipla e dose única.

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas SólidasDETERMINAÇÃO DE PESO

O teste se aplica a formas farmacêuticas sólidas em dose unitária comprimidos não revestidos, comprimidos revestidos, pastilhas, cápsulas duras e moles e supositórios), formas farmacêuticas sólidas acondicionadas em recipientes para dose unitária (pós estéreis, pós liofilizados, pós para injetáveis e pós para reconstituição de uso oral) e a formas farmacêuticas sólidas e semissólidas acondicionadas em recipientes para doses múltiplas (granulados, pós, géis, cremes, pomadas e pós para reconstituição).

As pesagens são feitas em balanças de sensibilidade adequada.

Comprimidos

•Comprimidos não revestidos ou revestidos com filme

•Pesar, individualmente, 20 comprimidos e determinar o peso médio.

•Pode-se tolerar não mais que duas unidades fora dos limites especificados na Tabela 1, em relação ao peso médio, porém, nenhuma poderá estar acima ou abaixo do dobro das porcentagens indicadas.

• Comprimidos com revestimento açucarado (drágeas)

• Pesar, individualmente, 20 drágeas e determinar o peso médio.

• Pode-se tolerar não mais que cinco unidades fora dos limites especificados na Tabela 1, em relação ao peso médio, porém, nenhuma poderá estar acima ou abaixo do dobro das porcentagens indicadas.

Comprimidos

Cápsulas gelatinosas

•Cápsulas duras

•Pesar, individualmente, 20 unidades, remover o conteúdo de cada uma, limpar adequadamente e pesar novamente.

•Determinar o peso do conteúdo de cada cápsula pela diferença de peso entre a cápsula cheia e a vazia.

•Com os valores obtidos, determinar o peso médio do conteúdo.

•Pode-se tolerar não mais que duas unidades fora dos limites especificados na Tabela 1, em relação ao peso médio do conteúdo, porém, nenhuma poderá estar acima ou abaixo do dobro das porcentagens indicadas

Cápsulas gelatinosas duras

• Cápsulas moles

• Proceder como descrito para Cápsulas duras.

• Para determinar o peso médio do conteúdo, cortar as cápsulas previamente pesadas e laválas com éter etílico ou outro solvente adequado.

• Deixar os invólucros expostos ao ar, em temperatura ambiente, até completa evaporação do solvente.

• Pesar novamente.

Cápsulas gelatinosas moles Tabela 1 –Critérios de avaliação da determinação de peso para formas farmacêuticas sólidas em dose unitária.

2 -UMIDADE:Avaliar quantidade de água no produto evitando alterações no produto.

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas Sólidas

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas Sólidas

3 -DUREZA:Avaliar a resistência a quebras;Os equipamentos mais modernos avaliam também o

diâmetro e a espessura; Aplicável a comprimidos e núcleos de drágeas.

•Permite determinar a resistência do comprimido ao esmagamento ou à ruptura sob pressão radial.

•O teste consiste em submeter o comprimido à ação de um aparelho que meça a força aplicada diametralmente, necessária para esmagá-lo.

DUREZA DUREZA dureza diâmetro e a espessura

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas Sólidas

4 -FRIABILIDADE:Avaliar a resistência ao atrito ou

movimentos;Aplicável a comprimidos e núcleos de drágeas.

•Permite determinar a friabilidade de comprimidos, isto é a falta de resistência dos comprimidos à abrasão, quando submetidos à ação mecânica de aparelhagem específica.

•Um comprimido “friável” pode apresentar problemas, tais como perda de integridade (formação de “lascas”) durante o transporte e a retirada da embalagem.

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas Sólidas

5 -TESTE DE DESINTEGRAÇÃOVerifica se a desintegração ocorre

no tempo e meio determinados;Aplicação: comprimidos, cápsulas e drágeas.

•Permite determinar se um comprimido ou cápsula desintegra-se dentro de um limite de tempo especificado, quando unidades, em número especificado, são submetidas a suco gástrico ou intestinal simulado, a 37°C, sob agitação ascendente.

•Caso não haja desintegração, o fármaco não poderá ser dissolvido no líquido gastrintestinal, não podendo, conseqüentemente, ser absorvido e exercer a ação terapêutica desejada.

Testes Físico-Químicos para Formas Farmacêuticas Sólidas

6 -TESTE DE DISSOLUÇÃODetermina a quantidade de p.a. liberado em determinadas

condições;Aplicação: sólidos de uso oral, ação controlada; sistemas transdérmicos.

•Permite determinar a porcentagem da quantidade de princípio ativo, declarado no rótulo do produto, liberado no meio de dissolução, dentro do período de tempo especificado na monografia de cada produto, quando o mesmo é submetido à ação de aparelhagem específica, sob condições experimentais descritas.

•Se o fármaco não dissolver no intervalo de tempo especificado, não haverá uma concentração adequada do fármaco no sangue necessária para a ação terapêutica desejada.

7-UNIFORMIDADE DE DOSES UNITÁRIASVariação de peso: estima o teor de

fármaco em cada unidade;Uniformidade de conteúdo: determina o teor fármaco em cada unidade.

Testes Físico-Químicos para Formas

Farmacêuticas Sólidas Uniformidade de doses unitárias pela variação de peso

•Estabelecer método para a verificação da uniformidade de doses unitárias através da variação de peso de formas farmacêuticas em dose unitárias.

Aplicação do método

• O método de Variação de peso pode ser aplicado se o produto for cápsulas duras, comprimidos não revestidos ou revestidos com filme, contendo 25 mg ou mais da substância ativa compreendendo 25% ou mais, em peso, da dose unitária ou, no caso de cápsulas duras, o conteúdo da cápsula.

• O método de Uniformidade de Conteúdo é exigido para todas as formas farmacêuticas que não atendem às condições especificadas para aplicação do método de Variação de peso.

Especificações de produtos acabados

Especificações de produtos acabados Especificações de produtos acabados

Especificações de produtos acabados Especificações de produtos acabados

Referências Bibliográficas

1 - EUROPEAN Pharmacopoeia, 3. ed., Strasbourg: Council of Europe. 1779p, 1997. 2 - Brasil. Farmacopeia Brasileira, volume 1 / Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2010. 3 - UNITED States Pharmacopoeia 35. National Formulary 30. Rockville: United States Pharmacopeial Convention, 2012. 4 - BRITISH Pharmacopoeia, 2012. London: Her Majesty Stationary Office, 2012. 5 - MENDHAM, J.; DENNEY, R. C.; BARNES, J. D.; THOMAS, M. J. K,. VOGEL Análise Inorgânica Quantitativa. 6. ed., Rio de Janeiro: LTC, 2002. 6 - SOLOMONS, T. W. G., Química Orgânica. 9. ed., Rio de Janeiro: LTC, 2v, 2009.

Sérgio Fernando de Oliveira Gomes e-mail: sergiogomes.prof@newtonpaiva.br

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