CENTRO UNIVERSITÁRIO NILTON LINS DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO DISCIPLINA: HISTÓRIA DA ARQUITETURA E DA CIDADE I PERÍODO: 13.2

A ARQUITETURA NO BRASIL IMPERIAL AULA 05

SETEMBRO, 2012

HISTÓRIA DA ARQUITETURA E DA CIDADE I UNIDADE I – ARQUITETURA NO BRASIL IMPERIAL AULA 05

A VINDA DA FAMÍLIA REAL AO BRASIL EM 1808

•No início do século XIX, a Europa estava agitada pelas guerras. Inglaterra e França disputavam a liderança no continente europeu;

•Em 1806, Napoleão Bonaparte, imperador da França, decretou o Bloqueio Continental, proibindo que qualquer país aliado ou ocupado pelas forças francesas comercializasse com a Inglaterra - objetivo do bloqueio era arruinar a economia inglesa. Quem não obedecesse, seria invadido pelo exército francês.

•Sem outra alternativa, Portugal aceitou o Bloqueio, mas, continuou comercializando com a

Inglaterra. Ao descobrir a trama, Napoleão determinou a invasão de Portugal em novembro de 1807. Sem condições de resistir à invasão francesa, D. João e toda a corte portuguesa fugiram para o Brasil, sob a proteção naval da marinha inglesa. A Inglaterra ofereceu escolta na travessia do Atlântico, mas em troca exigiu a abertura dos portos brasileiros;

•Nessa época, Portugal era governado pelo príncipe regente D. João que não podia cumprir as ordens de Napoleão e aderir ao Bloqueio Continental, pois tinha longa relação comercial com a Inglaterra, por outro lado o governo português temia o exército francês;

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•A corte portuguesa partiu às pressas de Lisboa em 29 de novembro de 1807; •Após 54 dias de viagem a esquadra portuguesa chegou ao porto de Salvador na Bahia, em 2 de janeiro de 1808. Lá foram recebidos com festas, onde permaneceram por mais de um mês;

•Seis dias após a chegada D. João cumpriu o seu acordo com os ingleses, abrindo os portos brasileiros às nações amigas, isto é, a Inglaterra. Eliminando em parte o monopólio comercial português, que obrigava o Brasil a fazer comércio apenas com Portugal;

•Mas o destino da Coroa portuguesa, era a capital da colônia, o Rio de Janeiro, onde D. João e sua comitiva desembarcaram em 8 de março de 1808 e onde foi instalada a sede do governo;

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•A transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro provocou uma grande transformação na cidade. D. João teve que organizar a estrutura administrativa do governo. Nomeou ministros de Estado, colocou em funcionamento diversas secretarias públicas, instalou tribunais de justiça e criou o Banco do Brasil (1808);

•Para a elite, a presença da Corte e o número crescente de comerciantes estrangeiros trouxeram familiaridade com novos produtos e padrões de comportamento em moldes europeus;

•Em abril de 1808, foi criado o Arquivo Central, que reunia mapas e cartas geográficas do Brasil e projetos de obras públicas. Em maio, D. João criou a Imprensa Régia e, em setembro, surgiu a Gazeta do Rio de Janeiro. Logo vieram livros didáticos, técnicos e de poesia. Em janeiro de 1810, foi aberta a Biblioteca Real, com 60 mil volumes trazidos de Lisboa;

•Criaram-se as Escolas de Cirurgia e Academia de Marinha (1808), a Aula de Comércio e

Academia Militar (1810) e a Academia Médico-cirúrgica (1813). A ciência também ganhou com a criação do Observatório Astronômico (1808), do Jardim Botânico (1810) e do Laboratório de Química (1818);

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•Em 1813, foi inaugurado o Teatro São João (atual João Caetano). Em 1816, a Missão

Francesa, composta de pintores, escultores, arquitetos e artesãos, chegaram ao Rio de Janeiro para criar a Imperial Academia e Escola de Belas-Artes. Em 1820, foi a vez da Real Academia de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura-civil;

•Foi uma mudança profunda, mas que não alterou os costumes da grande maioria da população carioca, composta de escravos e trabalhadores assalariados;

•no bojo das transformações ocorridas no brasil, em especial, no rio de janeiro, com a transferência da família real portuguesa, surge a necessidade básica de formar uma sociedade culta e ilustrada ao redor da nova corte, despertando a antiga colônia para uma modernização segundo padrões europeus;

•No dia 26 de março de 1816, chega a cidade do Rio de Janeiro, o navio Calphe, trazendo a bordo vários franceses, artistas de profissão, para residir naquela que era então a sede da monarquia portuguesa;

•A missão tinha por finalidade implementar as artes úteis ao país, por meio da criação de uma Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios;

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•No entanto, somente em 12 de agosto do mesmo ano saiu publicado o decreto real que estabelecia a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios. Seu objetivo situava-se entre a vontade de criar uma Escola de Belas-Artes e o desejo da Coroa portuguesa de desenvolver as artes úteis na América.;

•A ideia, contudo, não se realizou. Posteriormente, em 1820, o projeto converteu-se em uma

Academia Real de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura Civil, artes consideradas indispensáveis “à civilização dos povos e instrução pública” dos indivíduos;

•O prédio, porém, cuja concepção era de Grandjean de Montigny, somente foi inaugurado em 1826, com o nome de Imperial Academia de Belas Artes;

Fachada da Academia Imperial de Belas Artes Gravura de Jean Baptiste Debret.

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•A criação da Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, no Rio de Janeiro, 1826, inaugura o ensino artístico no Brasil em moldes semelhantes aos das academias de arte europeias.;

•No Brasil, a arte realizada na Academia corresponde, em linhas gerais, a modelos neoclássicos e românticos aclimatados, que têm que enfrentar as condições da natureza e da sociedade locais;

•Movimento cultural europeu, do século XVIII e parte do século XIX, que defende a retomada da arte antiga, especialmente greco-romana, considerada modelo de equilíbrio, clareza e proporção;

•O movimento, de grande expressão na escultura, pintura e arquitetura, recusa a arte imediatamente anterior - o barroco e o rococó, associada ao excesso, e aos detalhes ornamentais; •os neoclássicos defendem a supremacia da técnica e a necessidade do projeto - desenho - a comandar a execução da obra, seja a tela ou o edifício. A isso liga-se a defesa do ensino da arte por meio de regras comunicáveis, o que se efetiva nas academias de arte;

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•A influência neoclássica também se faz sentir na arquitetura brasileira, e o agente transmissor deste estilo é a própria AIBA, em um primeiro momento com o arquiteto e professor, membro da missão artística francesa Grandjean de Montigny e posteriormente com seus discípulos, que irão erguer obras monumentais;

•A arquitetura neoclássica alcançou elevados padrões formais e construtivos, mas os recursos para a sua produção e uso eram importados do continente europeu;

•Por esta razão, ficou restrita apenas aos meios oficiais e as camadas mais abastadas do litoral, em contato permanente com a Europa;

Fachada da Academia Imperial de Belas Artes

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•A arquitetura elaborada sob a influencia da Academia era caracterizada pela clareza construtiva e simplicidade de formas – em geral, as linhas básicas da composição eram marcadas por pilastras, sobre as quais nas platibandas, dispunham-se objetos de louça;

•As paredes, de pedra ou tijolo, eram revestidas e pintadas de cores suaves, e sobre esse fundo se destacavam janelas e portas enquadradas em pedra aparelhada e arrematadas em arco pleno, em cujas bandeiras dispunham-se rosáceas mais ou menos complicadas, com vidros coloridos;

•Os corpos das entradas salientes compunham-se de escadarias, colunatas e frontões de pedra aparente;

•Essa transformação do caráter geral da arquitetura correspondeu um novo modo de organização dos espaços internos – nesses ambientes, sempre rebuscados, desenvolvia-se intensa vida social;

•Com base na alteração dos hábitos, tornou-se comum, mesmo nas residências mais refinadas, a utilização pelas famílias do pavimento térreo - Noutros exemplos, as casas eras dispostas em um só pavimento , constituindo-se uma nova forma de residência – nesses casos os porões revelam-se nas fachadas pela uma fileira de abertura de óculos;

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Palácio Imperial de Petrópolis/RJ

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•Os edifícios das províncias constituíam formas imperfeitas, da arquitetura dos centros maiores do litoral;

•Os elementos neoclássicos limitavam-se, quase sempre, aos enfeites de gesso e aos papéis decorativos importados, aplicados sobre paredes de terra, socadas por escravos;

•As soluções neoclássicas eram empregadas apenas superficialmente, para atender de modo mais eficiente as condições locais - As residências urbanas das províncias constituíram cópias imperfeitas da arquitetura dos grandes centros do litoral;

•Os elementos estruturais sempre grosseiros, constituídos de taipa de pilão, adobe ou pau-apique, não permitiam o uso de soluções mais complexas – as características ficavam restritas apenas a elementos de acabamento das fachadas, com importância secundaria, como as platibandas, com seus vasos e figuras de louça ou portas e janelas arrematadas com vergas de arco pleno;

•Em muitos casos, as vergas eram retilíneas, arrematadas por uma cimalha saliente ou por um pequeno frontão;

•Dava-se as portas maiores dimensões – as bandeiras das portas, em lugar de vidro, tinham grades de ferro forjado – facilitar o arejamento;

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Solar Comendador Valim – Bananal/SP

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Características Urbanas

•Em relação aos aspectos urbanísticos começam surgir os jardins e até chafarizes, estes circundados por gradil de ferro, delimitando o espaço público do privado;

•A parte da frente das residências destinava-se aos salões e a área social da casaPara dentro

•As residências utilizavam-se ainda das mesmas soluções de implantação dos tempos coloniais: sobre o alinhamento das ruas e sobre os limites laterais dos lotes; ficam quartos e salas de jantar, aos fundos, o serviço;

•Os porões, que aparecem sob o térreo, são utilizados ora como locais de serviço, ora como depósito de lenha, liberando o térreo para utilização com cômodos de permanência diurna. - Surgem os primeiros jardins, ocupados com árvores e flores europeias, com exceção apenas das palmeiras imperiais;

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