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Quinho Ravelli

Patrick Nagel Amilcar Pinna Will Murai Joao Ruas e colunas de Brad Holland e Renato Alarcao

ENDEREÇO DO SITE: w.revistailustrar.com

2a 2b ricardo antunes são paulo / Lisboa ricardoantunesdesign@gmail.com w.ricardoantunes.com

ais um ano se inicia, e para todos nós o ano que passou teve coisas

Dia 1 é dia de Ano Novo... boas e ruins, erros e acertos, sonhos concretizados e projetos deixados para o futuro.

Entramos em 2011 com a vontade e a energia para que possamos acertar mais, concretizar mais e que as coisas boas sejam uma constante.

E entre essas coisas boas, eu pessoalmente acredito que a ilustração, como forma de arte de massa, pode levar a beleza e a inspiração a todos, fazendo desse mundo algo melhor e mais colorido.

Este novo ano que começa é também um ano de novos projetos, e entre os projetos da Ilustrar está a Reference Press, que já falamos na edição anterior, e, a partir dessa edição nº 20, também temos uma nova seção na Ilustrar, a seção ESPAÇO ABERTO, onde amigos, leitores e fãs da revista poderão ter a oportunidade de divulgar seus trabalhos.

Com a presença desses amigos a revista fica cada vez mais bonita, e além deles temos também, nesta edição nº 20, a participação na seção Portfolio do caricaturista mineiro Quinho Ravelli, seguido de Amilcar Pinna no Sketchbook.

O passo a passo fica por conta de Will Murai, com uma pin-up de dar água na boca, e a seção 15 Perguntas é com o ilustrador das capas da Fables, João Ruas.

A seção Internacional recorda o grande ilustrador falecido prematuramente, Patrick Nagel, que definiu toda uma época com seu estilo inconfundível.

E como sempre temos também as colunas de Brad Holland, falando sobre suas recordações familiares e as influências delas em seu trabalho, e Renato Alarcão, sobre dicas para quem quer fazer deste 2011 o “Ano do seu portfolio” - além, é claro, dos participantes da seção Espaço Aberto.

Espero que gostem, e dia 1 de março tem mais.

•EDITORIAL:2
•PORTFOLIO: Quinho Ravelli4
•COLUNA INTERNACIONAL: Brad Holland12
•INTERNACIONAL: Patrick Nagel15
•SKETCHBOOK: Amilcar Pinna21
•STEP BY STEP: Will Murai27
•COLUNA NACIONAL: Renato Alarcão3
• 15 PERGUNTAS PARA: João Ruas36
• ESPAÇO ABERTO48
• CURTAS59
• LINKS DE IMPORTÂNCIA60
DIREÇÃO, COORDENAÇÃO E ARTE-FINAL: Ricardo Antunes
ricardoantunesdesign@gmail.com

DIREÇÃO DE ARTE: Neno Dutra - nenodutra@netcabo.pt Ricardo Antunes - ricardoantunesdesign@gmail.com

REDAÇÃO: Ricardo Antunes - ricardoantunesdesign@gmail.com REVISÃO: Helena Jansen - donaminucia1@gmail.com COLABORARAM NESTA EDIÇÃO:

ILUSTRAÇÃO DE CAPA: João Ruas - joao@feral-kid.com PUBLICIDADE: revista@revistailustrar.com

DIREITOS DE REPRODUÇÃO: Esta revista pode ser copiada, impressa, publicada, postada, distribuída e divulgada livremente, desde que seja na íntegra, gratuitamente, sem qualquer alteração, edição, revisão ou cortes, juntamente com os créditos aos autores e co-autores, e indicando o site da Revista Ilustrar.

Os direitos de todas as imagens pertencem aos respectivos ilustradores de cada seção.

Angelo Shuman (Divulgação) - shuman@uol.com.br Jennifer Dumas (Patrick Nagel) - jtdumas@dock.netFoto arquiv o Ricardo Antunes

A Revista Ilustrar tem o prazer de anunciar a criação da Reference Press, sua mais nova editora, destinada à publicação de livros de grandes ilustradores e artistas, nacionais e internacionais, publicados em parceria com a editora americana Brandstudio Press.

O primeiro lançamento é o aguardado livro de ilustrações de Benicio, “Sex & Crime - The Book Cover Art of Benicio”, uma mostra de algumas de suas famosas pin-ups que ilustraram diversas capas de pocket books ao longo de décadas. Belas mulheres, sensualidade, crimes e espionagem em ilustrações com o genial talento de Benicio.

Os lançamentos seguintes são: o livro com as incríveis heroínas de Hiro Kawahara, o segundo volume de ilustrações de Benicio e uma coletânea inédita com artistas.

Houve uma mudança de datas, e o livro será lançado em MARÇO, no site da Reference Press: w.referencepress.com

Acompanhem pelo Twitter da Revista Ilustrar a data dos lançamentos: @revistailustrar

Reference Press. A sua referência em arte.

ilustrador, jornalista,

QUINHO chargista e caricaturista mineiro, Quinho Ravelli, tem trabalhado em especial com jornais da região de

Minas, principalmente os jornais

O Estado de Minas e jornal

Aqui, além de trabalhar com o grupo Diários Associados há mais de 15 anos.

Seu começo não podia ter sido melhor, com Ziraldo apadrinhando seu trabalho depois de ter participado do salão de Humor Henfil.

Com seu trabalho de charge voltado principalmente para a crítica política, Quinho expressa no humor todo o contexto político atual.

Eu era um menino muito tímido, introspectivo. Então usava a minha desenvoltura no desenho pra me aproximar das pessoas.

Na escola, já ilustrava acontecimentos marcantes da turma em forma de cartoons, charges ou histórias em quadrinhos. A partir daí, vi que era o que eu gostaria de fazer na vida.

No interior de Minas não havia muito espaço para ilustração, então fiquei por um tempo perdido entre um comércio menor e outro, produzindo cartazes de eventos, reproduzindo a óleo quadros clássicos e coisas do tipo, até participar do Salão Nacional de Humor Henfil em 95, ganhar o primeiro lugar em charge e ser apadrinhado pelo Ziraldo.

Ele me convidou para uma exposição coletiva de cartunistas mineiros no Rio, no palácio do Catete e a partir daí fui convidado a trabalhar nos Diários Associados em Belo Horizonte, onde estou até hoje.

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QUINHO Ravelli

Belo horizonte quinhoravelli@hotmail.com http://quinhoilustrador.blogspot.com

© Quinho R a v elli

Foto: arquiv o Quinho R a v elli

São muitas as influências. Aqui no Brasil, principalmente a turma do Pasquim.

Muitas vezes, diante de um determinado desafio complicado, procuro me perguntar como último recurso: “Como tal artista resolveria isso?”

A partir daí vou direcionando o trabalho como uma colcha de retalhos.

Creio que quase nada há de mim nos trabalhos que faço, devo tudo aos outros.

O trabalho na redação é um desafio diário. Há pouco tempo e tudo deve ser resolvido com eficiência.

Tenho consciência que trabalho num grande jornal e que preciso responder à altura com o meu trabalho. Muitas vezes é difícil ficar concentrado no trabalho da prancheta, pois a minha editoria não é muito isolada e as pessoas circulam por ela. Raramente leio um texto completo para ilustrá-lo.

Não é o ambiente mais adequado pra se fazer uma charge diária, mas faço o que posso em meio às ilustrações que chegam a todo momento. Muitas vezes é um sufoco.

Mas no fim das contas, quando saio, me sinto bem por ter sido capaz de cumprir o meu papel por mais um dia.

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Eu não vivi na fase da ditadura, mas obviamente que a charge política nessa época transcendia o humor pelo humor, o que a tornava mais forte do ponto de vista contestador.

Porém, com a abertura, o foco pôde se ampliar também a outros temas, como esportes, costumes, música, ciência, religião, etc.

Hoje a política continua a ser abordada de maneira ácida pelas charges e continua a ser o tema central, mas assuntos diversos são abordados com maior frequencia do que na época da ditadura. E o que mudou foi apenas o cenário político, não a qualidade dos chargistas.

Basta constatar isso fazendo uma visita ao chargeonline. Vê-se claramente que há chargistas atuais que funcionariam de maneira magnífica no célebre Pasquim, se tivessem é claro, vivido naquela época.

O cartoon é uma linguagem direta. É como uma frase de impacto que leva à reflexão.

Muitas pessoas procuram se inteirar sobre um assunto quando veem uma charge interessante sobre o mesmo.

Da mesma forma que uma ilustração pode despertar o interesse do leitor por um texto.

O que vejo de melhor no papel do chargista é essa capacidade de fazer com que as pessoas se interessem pela informação, pelo que lhes afeta diretamente.

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Nas caricaturas procuro captar, sobretudo, a personalidade.

Quando andamos pelas ruas, principalmente as de grande diversidade humana, podemos notar que cada pessoa tem sua particularidade e que a sua imagem nos dá dicas preciosas a respeito de como ela é.

Muitas vezes, ao notarmos tamanha quantidade de máscaras e corpos diferentes, a consciência esquecida de que somos criaturas convivendo num planeta rapidamente vem à tona.

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Invernos em Ohio por Brad Holland

Pode ser verão no Brasil, mas é inverno em Ohio. O Natal sempre me faz pensar em minha infância por lá. No Ohio, a neve parecia sempre cair nos feriados e as nossas famílias distantes sempre vinham juntas, mesmo que em uma pequena cidade como Fremont, onde tínhamos parentesco com tantas pessoas que nem sequer conhecíamos a maior parte delas.

Ohio é um estado grande no Centro- Oeste da América. Ele é muitas vezes considerado a configuração típica americana. Thomas Edison nasceu lá. Também Ulysses Grant, que venceu a Guerra Civil Americana. Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua, veio de Ohio. Assim como Clark Gable e milhares de outras pessoas cujas ações você deve conhecer, mas cujo local de nascimento talvez não.

As pessoas não costumam pensar em Ohio como sendo na fronteira com o Canadá, mas é. A linha é traçada entre o meio do lago Erie, o quarto maior dos cinco Grandes Lagos da América do Norte e o décimo terceiro maior lago do mundo. Eu cresci a poucos quilômetros ao sul de lá. Nós raramente podíamos captar a cidade próxima de Cleveland em nosso velho rádio a válvulas, mas as estações de rádio de

Ontário (no Canadá) vinham claras através da água. No inverno, os ventos canadenses açoitavam pela água também. O riacho atrás de nosso celeiro congelava. Crianças da vizinhança saíam para patinar. O crepúsculo vinha mais cedo. E em noites limpas as luzes do norte acenavam como bandeiras iridescentes no céu do ártico.

Nós crescemos na orla da cidade e à beira de uma cultura que já tinha quase desaparecido do mainstream. Meus amigos na cidade cresceram com discos, carros e filmes. Meus irmãos e eu vagueávamos pelos milharais no verão e caminhando e fazendo ruído em meio à mata silenciosa no inverno. Eu nunca vi um filme de adolescentes nem tive um toca-discos, mas eu tenho lembranças claras de ratos-almiscarados escorregando pela margem do riacho lamacento ou uma doninha sentada com ar furtivo na neve.

Fremont, como a maioria do Ohio, foi colonizada por alemães lá pelos anos de 1700. Os parentes da minha avó tinham vindo da Alsácia. Os parentes do meu avô vieram mais tarde. Nossa família próxima veio de Kaisers, Kisers, Overmyers e Wagners. Nós nunca tivemos certeza de como nós tínhamos parentesco com os Krause e Kessler (embora soubéssemos que tínhamos)

- ou para os Titsworth e Fangboner, na verdade - e francamente - nós ficamos felizes de não saber o quão perto poderíamos ter nos chamado Titsworth ou Fangboner. Desistimos de tentar fazer qualquer distinção talmúdica entre primos em terceiro grau de duas gerações diferentes e primos em segundo grau de três gerações diferentes. Nós apenas assumimos que temos parentesco com todos na cidade, mas só podíamos confirmar primos de primeiro grau como verdadeiros parentes - a menos que, naturalmente, algum parente de fraldas aparecesse com duas cabeças e um rabo para provocar admiração.

Todos os meus parentes eram queridos para mim, mas minha avó e eu compartilhamos de um laço que transcende os laços familiares. Talvez eu tenha esquecido as coisas que me aconteceram na semana passada ou há um ano, mas me lembro com clareza da visão das tardes que passei com ela, meio de um século atrás.

Sempre que eu ia aparecer na sua porta, coberto de manchas de grama no verão, embrulhado como uma múmia no inverno, sujo de lama na primavera, ou com bolsos cheios de castanhas no outono, minha avó sempre me cumprimentava como se eu fosse o anjo Gabriel anunciando a segunda vinda. Todo verão ela insistia para que eu a visitasse durante um mês. Em jantares de feriado, ela me fazia sentar ao lado dela, na cabeceira da mesa.

No coração da nossa união estavam as histórias que ela costumava ler para mim. Ela leu-me histórias até que eu pudesse lê-las para ela, e depois, quando comecei a escrever as minhas

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Brad holland estados unidos brad-holland@rcn.com w.bradholland.net

© Br ad Holland

Foto: arquiv o Br ad Holland

© Br ad Holland próprias, ela também as ouviu. As histórias que preferíamos eram mitos do velho mundo e fábulas, e lendas folclóricas tão sombrias e sólidas como a mobília de sua casa. Mas nem todas as histórias eram mitológicas. No ritual de ler e ser lido, a minha avó tinha aberto uma pequena e baixa porta para mim sobre o passado de sua família. Lá dentro, eu encontrei os espíritos dos parentes que estavam mortos há muito tempo, mas que, vivos novamente nos contos de minha avó, haviam se tornado tão reais para mim como os personagens de ficção.

Quando criança, minha avó era a favorita de seu avô. Ele tinha lido para ela, como ela agora lia para mim. Ele lhe contou histórias e, com o tempo, ela contou as histórias para mim. Entre elas estavam as histórias da atuação dele durante a Guerra Civil Americana.

Christian Kiser tinha se alistado na infantaria da União, aos 19 anos. Ele lutou durante quatro anos e quase foi capturado em Vicksburg, no rio Mississippi. Ele escapou e viveu para contar para sua neta sobre isso.

E ela viveu para me contar. Durante a guerra, ele carregava uma pequena garrafa de cânfora azul. Ele a deu a ela. Ela a deu a mim. Mais tarde em sua vida, o jornal local fez um perfil sobre ele e publicou sua foto. Ele deu a ela o bloco de madeira que foi usado para a impressão. Ela o deu a mim. Eu ainda tenho isso, uma vaga, arranhada imagem vermelha e preta, gravada em aço e presa a um bloco pequeno de madeira. Eu valorizo isso mais do que qualquer coisa que eu já comprei.

Para muitas pessoas da minha idade, e certamente para os mais jovens, a Guerra Civil Americana é um assunto livresco ou de uma série que viram na televisão pública. Mas para mim foi um conto contado duas vezes, passado diretamente - com apenas um salto - a partir de campos de batalha de Shiloh, Chattanooga e Lookout Mountain. A pequena porta baixa que a minha avó abriu para o passado de sua família havia se tornado a minha entrada para o próprio passado.

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