A história da educação em poucas palavras

A história da educação em poucas palavras

A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM POUCAS PALAVRAS

Zaira Marliza leite da Silva

Desde a colonização brasileira é possível perceber que a educação no país sempre enfrentou problemas, disputas, troca de acusações e porque não dizer, também, que sempre se mostrou um meio de divulgação e ou manipulação dos sistemas de poder de cada época. Nesse contexto, vale relembrar a tentativa frustrada de “educar” os índios, sem o devido respeito as suas limitações culturais, com a implantação do trabalho missionário de evangelização e posteriormente educacional. Essa prática mostrou-se necessária devido à urgência da alfabetização para que se tornasse possível evangelização dos mesmos.

Cabe frisar, que o importante não era a educação dos indígenas, mas a evangelização, como esta não se tornaria possível sem o aprendizado da leitura e da escrita, iniciou-se então nessa “classe” de seres humanos a educação como uma necessidade prática e não pela importância de se alfabetizar. Seguindo esse mesmo padrão de “ensino”, observamos nesse período, uma educação diferenciada, para as diferentes classes do período colonial, a educação e seu nível, eram destinados a classes muito distintas Após o “descarte” dos índios, em troca de uma mão de obra mais vantajosa e mais forte, poucas mudanças foram realizadas. Cabe ressaltar, porém, desse período a maravilhosa herança cultural herdada do negro, que devido à troca de experiências culturais entre brancos e negros, possibilitou de certa forma, mesmo sob o véu obscuro da escravatura, uma nova fala brasileira.

No ensino dessa época, podemos destacar no texto, também, a ação do Marquez de Pombal, que destituiu o modelo educacional implantado e permanente por mais de duzentos anos, os motivos para essa expulsão, embora existam publicações que tratam do tema, favoráveis ou não a ela, também se manteve rodeada por duvidas discussões. Posterior a essa atitude de Pombal, a igreja tempos depois na busca pelo reconhecimento da integridade e validade o ensino jesuítico, se uniu a burguesia, “a união das forças mais uma vez, com o objetivo de alcançar fins específicos”. Neste caso em questão, recuperar a notoriedade das benfeitorias do ensino prestado pelas missões. A educação e as disputas de poder e notoriedade, tão presentes ao longo da história da educação, nos leva a questionar a busca por uma educação justa e desvinculada dos “fins específicos”, denota muitas vezes a total inércia dos responsáveis por ela.

A herança da educação voltada para atender interesses ainda permanece arraigada em muitos de nós, infelizmente. Fazendo uma análise comparativa da história, com a educação contemporânea, seria pertinente levantarmos uma reflexão sobre o sistema educacional e sobre as políticas públicas de incentivo para o desenvolvimento/aprimoramento da educação pública nacional. Percebemos que a educação, sem hesito, sofreu transformações ao longo da sua história, bem como o perfil dos educandos, mas permanece carregando, mesmo que mascarada ou não, a necessidade de atender a um fim específico. O ensino público é destinado à preparação de todo indivíduo, para que este se torne apto e preparado a viver em sociedade, distante da teoria e ligados a prática, observamos enquanto educadores, que na atualidade continuamos vivendo períodos controversos e tumultuados.

Percebemos que em muitos casos no sistema público educacional, tal qual no período colonial, continuamos preparando mão de obra barata e sem voz ativa. Seria pertinente destacar que “enquanto a teoria não caminhar unida a prática e a realidade de cada contexto social, o sonho de uma educação igualitária para todos continuará distante do povo brasileiro, e acabará se perdendo em muitas discussões, sem atingir um fim específico que beneficie o ensino e o povo brasileiro”.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

LIBÂNEO, J. C. Pedagogia e pedagogos, para quê? São Paulo: Cortez, 2005. 8. ed.

PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre : Artmed, 2000. ______________Práticas pedagógicas, profissão docente e formação. Lisboa: Dom Quixote, 1993.

REFERÊNCIAS BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros curriculares nacionais: Arte/Brasília: MEC/SEF, 1997.

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