METODO DADER Manual de Seguimento Terapeutico 3 ed 2014

METODO DADER Manual de Seguimento Terapeutico 3 ed 2014

(Parte 1 de 6)

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Daniel Sabater Hernández Martha Milena Silva Castro María José Faus Dáder

Terceira Edição (Versão em português)

Daniel Sabater Hernández Martha Milena Silva Castro María José Faus Dáder

Terceira Edição (Versão em português)

Alfenas

2014 Editora Universidade Federal de Alfenas

Daniel Sabater Hernández Licenciado em Farmácia Master Universitario en Atención Farmacéutica. Responsável do Programa Dáder de Seguimento Farmacoterapêutico. Membro do Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica. Universidade de Granada

Martha Milena Silva Castro Química Farmacêutica. Universidade Nacional de Colombia Farmacêutica Hospitalar Master Universitario en Atención Farmacéutica. Membro do Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica. Universidade de Granada.

María José Faus Dáder Doutorada em Farmácia Professora Titular de Bioquímica e Biologia Molecular Responsável do Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica. Universidade de Granada.

Tradução: Luciene Alves Moreira Marques Ricardo Radighieri Rascado

Revisão técnica e adaptação: Paula Iglésias Ferreira* Henrique José Santos* *Instituto Pharmcare

Traduzido do original em espanhol: Método Dáder. Guía de Seguimiento Farmacoterapéutico, 2007

Método Dáder. Manual de Seguimento Farmacoterapêutico, 2014, versão em português do Brasil (acordo ortográfico)

© dos textos: Dos autores © da edição: Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica (CTS-131). Universidad de Granada. Desenho e diagramação: José P. García Corpas Impressão: digital Primeira edição, Alfenas, MG. I.S.B.N.: 978-85-63473-14-1 Depósito Legal: Fundação Biblioteca Nacional Tradução, 2014

A U T O R E S Agradecimento ao Dr. Tarcísio José Palhano (Conselho Federal de Farmácia - Brasil) pelas valiosas considerações.

A José Pedro García-Corpas, porque sem a sua valiosa colaboração não seria possível finalizar este guia.

A Francisco Martínez-Romero, Fernando Fernández-Llimós e Manuel Machuca, por terem desenvolvido as duas primeiras edições deste Guia sobre o Método Dáder de Seguimento Farmacoterapêutico, a partir das quais foi possível esta terceira edição. Obrigado por todo o trabalho que partilhamos, que sem dúvida foi parte fundamental no nosso crescimento e formação neste tema.

A Marta Parras, porque sobre ela recaiu a maior parte do trabalho nos primeiros anos do Programa Dáder.

A Jaime Vargas, Inés Azpilicueta, Mariam Beidas e Gerardo Colorado, por partilharem conosco tantas tardes de discussão ou melhor, de conversas produtivas. Graças a esses momentos, que não foram poucos e nem breves, surgiram e amadureceram muitas ideias, que agora se encontram no texto. Temos a certeza de que continuaremos a partilhar mais vezes estes fantásticos momentos.

A Fernando Martínez, Miguel Ángel Gastelurrutia, Ingrid Ferrer, Pedro Amariles, José María Araujo, Narjis Fikri, Emilio García, Estefanía López e Lorena González, por terem realizado o formidável trabalho de ler o guia (primeiras versões e provas) e por terem realizado as sugestões que consideraram oportunas.

A Ana Ocaña, que contribuiu com o caso que serve de exemplo neste guia.

Aos demais membros atuais do Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica da Universidad de Granada: Sonia Anaya, José Manuel Arias de Saavedra, Isabel Baena, Luis Baró, Neus Caelles, Miguel Ángel Calleja, Mª Ángeles Campos, Beatriz Carreras, Clarice Chemello, José Espejo, Paloma Fajardo, Mª José Ferrer, Macarena Flores, Pilar García-Delgado, Paloma Gastelurrutia, Francisco González, José Ibáñez, Almudena Jiménez, Mª Dolores Llamas, Inês Nunes da Cunha, Mª Rosario Marín, Ángel Martín, José Martínez, Ana Moreno, Antonio Pintor, Ana Rosa Rubio, Loreto Sáez-Benito, Amparo Torres y Laura Tuneu. Porque cada projeto que partilhamos constitui mais uma parte daquilo que somos.

Finalmente, queremos reconhecer o trabalho realizado pelos coordenadores do Programa Dáder nos distintos países e províncias, o que permitiu a evolução do Método Dáder e, sobretudo às centenas de farmacêuticos que realizaram seguimento farmacoterapêutico a milhares de pacientes, porque graças ao seu esforço, conseguiram que a maioria obtivesse melhora em seu estado de saúde.

Os autores.

1. ABREVIATURAS
2. INTRODUÇÃO
2.1. Aproximação ao conceito de Seguimento Farmacoterapêutico (SF)
2.2. Documentação do Seguimento Farmacoterapêutico
2.3. História farmacoterapêutica do paciente
3. RESULTADOS NEGATIVOS ASSOCIADOS À MEDICAÇÃO (RNM)
Consenso de Granada (2002)
3.2. A evolução do termo PRM
3.2.1. Resultados negativos associados à medicação
3.2.2. O termo PRM atualmente
3.3. Importância dos resultados negativos associados à medicação
3.4. Suspeitas de resultados negativos associados à medicação
3.5. Classificação dos resultados negativos associados à medicação
4. MÉTODO DÁDER DE SEGUIMENTO FARMACOTERAPÊUTICO
4.1. Oferta do serviço
4.2. Entrevista farmacêutica: primeira entrevista
4.2.1. Estrutura e desenvolvimento da primeira entrevista farmacêutica
farmacêutica
4.3. Estado da situação
4.3.1. Estrutura e preenchimento do estado da situação
4.3.2. Normas e recomendações para elaborar o estado da situação
4.4. Fase de estudo
4.4.1. Fase de estudo dos problemas de saúde
4.4.2. Fase de estudo dos medicamentos
4.4.3. Onde se pode encontrar informação para realizar SF?
4.5. Fase de avaliação
4.6. Fase de intervenção: plano de atuação

Índice 3.1. Problemas relacionados com os medicamentos (PRM) no Segundo 4.2.2. Aspetos da comunicação a considerar durante a entrevista Método Dáder. Manual de Seguimento Farmacoterapêutico. Terceira Edição, 2011

4.6.2. Etapas para desenhar o plano de atuação
4.6.2.1. Definir objetivos
4.6.2.2. Hierarquizar as prioridades
4.6.2.3. Determinar as intervenções farmacêuticas
4.6.2.4. Planejamento das intervençõs farmacêuticas
farmacêutica)
4.7.1. Registro das entrevistas sucessivas
4.7.2. Registro das intervenções farmacêuticas
4.7.2.2. Folha de intervenção farmacêutica para registrar
resultados positivos
5. CASO PRÁTICO ORIENTADO DE ACORDO COM O MÉTODO DÁDER
5.1. Oferta do serviço
5.2. Entrevista farmacêutica: primeira entrevista
5.3. Primeiro estado de situação
5.4. Fase de estudo
5.5. Fase de avaliação
5.6. Fase de intervenção: plano de atuação
farmacêuticas: planificação
5.6.2. Relatório ao médico
5.7. Entrevistas sucessivas (resultado da intervenção)
5.7.1. Novos estados de situação gerados no SF
5.7.2. Nova fase de estudo
avaliação das intervenções
5.7.4. Fase de intervenção: novas considerações no plano de atuação
5.7.5. Agenda do paciente
5.7.6. Registro das intervenções farmacêuticas
6. B I B L I O G R A F I A

4.6.1. Características e generalidades do plano de atuação ............................... 4.7. Entrevistas farmacêuticas sucessivas (resultado da intervenção 4.7.2.1.Folha de intervenção farmacêutica para registrar os RNM 5.6.1. Definição e hierarquização por prioridade dos objetivos. Intervenções 5.7.3. Novas entrevistas com o paciente e novos estados de situação: Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica. Universidad de Granada.

1. Abreviaturas

Método Dáder. Manual de Seguimento Farmacoterapêutico. Terceira Edição, 2011 7

AINE: anti-inflamatório não esteroidal AMPA: automedição da pressão arterial ARAII: antagonistas do receptor tipo 2 da angiotensina CF: cuidados farmacêuticos DCV: doença cardiovascular E: efetividade EpS: educação para a saúde ES: estado de situação FRCV: fator de risco cardiovascular HBP: hipertrofia benigna da próstata HTA: hipertensão arterial IAM: infarto agudo do miocárdio IECA: inibidores da enzima conversora de angiotensina IF: intervenção farmacêutica IMC: índice de massa corporal Kg: quilograma m: metro N: necessidade PA: pressão arterial pa: princípio ativo PRM: problema relacionado com os medicamentos PS: problema de saúde RCV: risco cardiovascular RNM: resultado negativo associado à medicação S: segurança SF: seguimento farmacoterapêutico THS: terapêutica hormonal de substituição

2. Introdução

O objetivo que se pretende alcançar com a utilização de medicamentos é melhorar a qualidade de vida dos pacientes, através da cura das doenças ou, quando isto não é possível, controlando as suas consequências e os seus sintomas.

A importância deste objetivo justifica a existência de um grande número de medicamentos, cada vez com mais qualidade, eficazes e seguros, que constituem a “arma terapêutica” mais usada para manter ou melhorar a saúde da população.

Contudo, nem sempre que um paciente utiliza um medicamento o resultado é bom. Em muitas ocasiões a farmacoterapia falha. Isto acontece quando os medicamentos causam dano (não são seguros) e/ou quando não atingem o objetivo para o qual foram prescritos (não são efetivos).

Estes fracassos da farmacoterapia foram publicados em numerosos estudos e atualmente não existem dúvidas de que provocam perdas na saúde dos pacientes e perdas econômicas ao conjunto da sociedade1-3. Não obstante, também se demonstrou que os fracassos da farmacoterapia são, em grande percentagem, evitáveis4,5. Este fato justifica o desenvolvimento do conceito de Atenção Farmacêutica (AF), que pretende trazer soluções para este problema de Saúde Pública e constituir uma resposta efetiva para detectar, prevenir e resolver estes fracassos da farmacoterapia.

A Atenção Farmacêutica engloba todas as atividades assistenciais do farmacêutico orientadas para o paciente que utiliza medicamentos. Entre estas atividades, o seguimento farmacoterapêutico (SF) apresenta uma efetividade maior para atingir os melhores resultados em saúde possíveis, quando se utilizam medicamentos.

Em traços gerais, o SF é uma prática clínica que pretende monitorar e avaliar, continuamente, a farmacoterapia do paciente com o objetivo de melhorar os resultados em saúde. Atualmente, não há dúvida, de que dentro da equipe de saúde que atende o paciente, o profissional mais qualificado para realizar SF é o farmacêutico, pela sua formação específica em medicamentos, pela sua acessibilidade e pela sua motivação para que o seu trabalho assistencial seja reconhecido.

Em resumo, a existência de um problema de saúde pública (os fracassos da farmacoterapia), que produz diminuição da qualidade de vida e perdas econômicas, requer um trabalho do farmacêutico (de modo assistencial), prestando Atenção Far-

9Método Dáder. Manual de Seguimento Farmacoterapêutico. Terceira Edição, 2011 macêutica e, especialmente, SF, para tentar diminuir a morbi-mortalidade relacionada com o uso dos medicamentos, assim como aproveitar ao máximo esta oportunidade para realizar um trabalho assistencial.

2.1. APROXIMAÇÃO AO CONCEITO DE SEGUIMENTO FARMACOTERAPÊUTICO (SF)

Na legislação espanhola, o SF tem duas implicações claras: é um serviço essencial que se deve prestar ao paciente e pressupõe uma responsabilidade que o farmacêutico tem de cumprir.

Tudo isto está na “Ley 29/2006, de 26 de julio, de garantías y uso racional de los medicamentos y productos sanitarios”6. Nesta lei está exposto que o trabalho que os farmacêuticos e outros profissionais de saúde realizam nos procedimentos de Atenção Farmacêutica tem uma importância fundamental, uma vez que assegura a acessibilidade ao medicamento, oferecendo, em coordenação com o médico, aconselhamento em saúde, seguimento farmacoterapêutico e apoio profissional aos pacientes. Esta lei refere ainda que se deve estabelecer um sistema para o seguimento dos tratamentos aos pacientes, que se deve realizar como parte dos procedimentos de Atenção Farmacêutica, contribuindo para assegurar a efetividade e segurança dos medicamentos.

Anteriormente a esta lei, em 2001, o “Ministerio de Sanidad y Consumo de España”, através do “Documento de Consenso en Atención Farmacêutica”7, estabeleceu os procedimentos de Atenção Farmacêutica como as atividades assistenciais do farmacêutico orientadas para o paciente e determinou que o SF era uma destas.

Atualmente define-se seguimento farmacoterapêutico (SF) como “o serviço profissional que tem como objetivo detectar problemas relacionados com medicamentos (PRM), para prevenir e resolver os resultados negativos associados à medicação (RNM)". Este serviço implica compromisso e deve ser disponibilizado de um modo contínuo, sistemático e documentado, em colaboração com o paciente e com os profissionais do sistema de saúde, com a finalidade de atingir resultados

Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica. Universidad de Granada.10

S e g u i m e n t o F a r m a c o t e r a p ê u t i c o

• Serviço profissional • Detectar problemas relacionados com os medicamentos para prevenir e resolver resultados negativos associados à medicação • Implica compromisso

• Atingir resultados concretos que melhorem a qualidade de vida dos pacientes

Terceiro Consenso de Granada sobre PRM e RNM. 2007

Em relação a esta definição de SF, é necessário fazer as seguintes considerações:

• O SF constitui uma atividade profissional, na qual o farmacêutico tem que assumir a responsabilidade pelas necessidades que os pacientes têm em relação aos seus medicamentos. Portanto, não se trata de uma simples aplicação de conhecimentos técnicos, mas sim de o farmacêutico ser capaz de utilizá-los e aplicá-los para avaliar e intervir em cada situação

• A detecção, prevenção e resolução dos resultados negativos associados à medicação conduzem inevitavelmente à monitorização e avaliação contínua (ininterrupta e indefinida no tempo) dos efeitos dos medicamentos que o paciente utiliza. Isto transforma o SF numa atividade clínica, na qual o farmacêutico vai detectar alterações no estado de saúde do paciente atribuíveis à medicação. Para realizar este trabalho, deverá utilizar e medir variáveis clínicas (sintomas, sinais, eventos clínicos, medições metabólicas ou fisiológicas) que permitam determinar se a farmacoterapia é necessária, efetiva e/ou segura.

• A realização do SF implica a necessária colaboração e integração do farmacêutico na equipe multidisciplinar de saúde que atende o paciente. Dentro desta equipe, o farmacêutico deve conhecer e definir qual é a sua função na gestão e no cuidado dos problemas de saúde do paciente, e fornecer o seu parecer clínico, elaborado na perspectiva do medicamento, sempre que considere conveniente.

• O SF deve ser disponibilizado de modo contínuo. Isto significa que o farmacêutico deve cooperar e colaborar com o paciente por tempo indeterminado (compromisso). Para isto, o farmacêutico tem de se envolver, não apenas, na prevenção ou resolução dos RNM quando eles surgem, mas

Método Dáder. Manual de Seguimento Farmacoterapêutico. Terceira Edição, 2011

Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica. Universidad de Granada.12 também no tratamento integral dos problemas de saúde do paciente. E, desenvolver ações educativas, monitorar os tratamentos e os seus efeitos ou, em geral, realizar qualquer atividade que permita otimizar o cuidado dos problemas de saúde e obter o maior benefício possível da farmacoterapia que o paciente utiliza. Para promover a continuidade do SF no tempo, este engloba o desenvolvimento de um plano de atuação destinado a preservar ou a melhorar o estado de saúde do paciente, avaliando continuamente os resultados das intervenções realizadas para atingir esta finalidade9.

• O SF deve ser realizado de modo sistematizado. Isto significa que se ajusta às orientações ou normas, ordenadamente relacionadas entre si, que contribuem para atingir o objetivo: melhorar ou manter o estado de saúde do paciente. Como tal, o SF necessita da concepção e do desenvolvimento de procedimentos (métodos) 9-1, facilmente aplicáveis, em qualquer âmbito assistencial, que definam um modo estruturado e ordenado de atuar, e que, por sua vez, ajudem a focar o trabalho do farmacêutico. Deste modo, pretende-se aumentar a eficiência e a probabilidade de êxito do serviço de SF.

Neste sentido, o Método Dáder de Seguimento Farmacoterapêutico12 desenvolvido pelo “Grupo de Investigación en Atención Farmacéutica de la Universidad de Granada” apresenta-se como uma ferramenta útil, permitindo ao farmacêutico seguir normas claras e simples para realizar SF de forma sistematizada. Por outro lado, e na sequência do comentado no tópico anterior (o SF deve ser disponibilizado de modo contínuo), o Método Dáder propõe, como parte do seu procedimento, a concepção de um plano de atuação com o paciente que promova a continuidade do SF no tempo.

Estas duas características do SF (contínuo e sistematizado) serão abordadas amplamente no capítulo do Método Dáder de SF deste guia.

• O SF deve ser realizado de modo documentado. A documentação do SF é um fator determinante para o desenvolvimento desta prática assistencial. Isto pressupõe que o farmacêutico adote um papel ativo na elaboração de sistemas de documentação adequados, que permitam registrar esta atividade.

2.2. DOCUMENTAÇÃO DO SEGUIMENTO FARMACOTERAPÊUTICO

Na Espanha, como qualquer profissional que pratica uma atividade assistencial, o farmacêutico está obrigado a cumprir os deveres de informação e de documentação clínicaa estabelecidos na Ley 41/200213. Esta obrigação está destacada e exposta novamente na “Ley 29/2006, de 26 de julio, de garantías y uso racional de los medicamentos y productos sanitários”6.

Em relação à documentação clínica, é importante assinalar o seguinte:

• Os profissionais de saúde que desenvolvem a sua atividade de modo individual (privado) são responsáveis pela gestão e pela guarda da documentação clínica que produzem durante o processo assistencial.

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