ok-5-vicente-oscilação pluviometica caruaru

ok-5-vicente-oscilação pluviometica caruaru

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Vicente de Paulo Silva1, Emmanuelle Maria Gonçalves Lorena2, Raimundo Mainar de Medeiros3, Romildo Morant de Holanda 4

Prof. Dr. Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, Brasil, e-mail: vicenteufrpe@yahoo.com.br Mestranda em Engenharia Ambiental, UFRPE, PE, Brasil, e-mail: emmanuelle@lorenas.com.br Dr. em meteorologia e Pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, Brasil, e-mail: mainarmedeiros@gmail.com 4Prof. Dr. Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, Brasil, e-mail: romildomorant@gmail.com

R E S U M O Na região Nordeste estudos está sendo realizados através de analise e prognósticos dos índices pluviométricos por vários autores. Objetiva-se uma análise das oscilações pluviométricas entre o período de 1913 a 2015. Esta analise é relevante, uma vez que a área estudada se caracteriza por possuir variabilidade e diversidade de impactos das precipitações de grande significado nas áreas urbanas e rurais, devido ao fato de estarem relacionados a plantio de sequeiro, erosão, inundações, enchentes, alagamentos, seca e as vazões dos lençóis dágua após os reuso das águas do setor roupeiro. Os resultados obtidos mostraram alta variabilidade pluviométrica ao longo da série amostral nestes 104 anos estudados (1913 a outubro de 2016). A técnica dos quantis de acordo com Xavier e Xavier (1999) não resultou em boa metodologia para a área em estudo. A influência do Fenômeno de larga escala El Niño e La Niña teve papel fundamental para as variabilidades irregulares dos índices pluviométricos registrados, assim como as altas ocorrências de queimadas, o desmatamento intensivo no seu entorno também contribuíram para esta variabilidade intreanual, tendo como causa principal a falta de planejamento hídrico e sua distribuição urbana para sobrevivência humana.

Palavras - chaves: Semiárido, temporais, variabilidade, sustentabilidade agropecuária.

ABSTRACT In the Northeast region studies are being carried out through analysis and prognosis of pluviometric indexes by several authors. An analysis of the pluviometric oscillations between the period from 1913 to 2015 is considered. This analysis is relevant, since the studied area is characterized by variability and diversity of impacts of large-scale rainfall in urban and rural areas, due to To the fact that they are related to rainfed plantations, erosion, floods, floods, floods, droughts and drainage of water beds after the reuse of the waters of the wardrobe sector. The results obtained showed high rainfall variability over the 104 years studied (1913 to October 2016). The quantis technique according to Xavier and Xavier (1999) did not result in a good methodology for the study area. The influence of the large scale El Niño and La Niña Phenomenon played a key role in the irregular variability of recorded rainfall, as well as the high occurrence of fires and the intensive deforestation in the surrounding area also contributed to this inter-annual variability. Lack of water planning and its urban distribution for human survival.

Keywords: Semiarid, temporal, variability, agricultural sustainability.

A água é a principal componente da composição e da formação dos seres vivos. As distribuições espacial e temporal da precipitação condicionam o clima e estabelecem o tipo de vida de uma região e/ou local. O estudo das variabilidades pluviométricas é ferramenta fundamental na importância das atividades agrícola. O conhecimento da probabilidade de ocorrência de certos eventos, como: veranico, enchentes, temporais, secas, ocorrência de chuvas intensas em curto intervalo de tempo, inundações, alagamento, enxurradas e desmoronamento possibilitam-se a fazer planejamento do preparo, manejo e conservação do solo, semeadura e colheita das culturas, necessidade de estruturas hidráulicas como barragens, pontes, bueiros, da implantação e manejo de sistemas de irrigação, entre outras atividades e aplicações do uso da agua.

A agricultura apresenta grande dependência das condições climáticas, notadamente da precipitação pluviométrica da região. Por isso, é fundamental estudar-se a influência das suas variações sobre as diferentes estratégias de uso do sistema agrícola, de modo a apresentar subsídios para o processo de tomada de decisão, visando otimizar o planejamento das atividades agrícolas, porém os estudos dessa natureza são bastante dificultados devido as séries históricas de precipitações pluviométricas disponíveis serem, na maioria dos casos, muito pequenas para efetuálos de acordo com Andrade Júnior et al. (2001).

Reconhecidamente, áreas improdutivas ao produtor agrícola no passado, são hoje consideradas produtivas e lucrativas, graças ao conhecimento atual mais aprofundado de certas variáveis meteorológicas, permitindo o encorajamento e desenvolvimento de projetos até mesmo mais ambiciosos por parte do nosso produtor rural. Dada a importância da precipitação como elemento climático mais variável, vários pesquisadores tem destacado em seus trabalhos aspectos da variabilidade da precipitação na Região Nordeste do Brasil (NEB), a exemplos de Kousky e Cavalcanti (1984), Diniz (1998) e de Anjos e Moreira (2000) entre outros, por outro lado são poucas as referências bibliográficas que tratam do comportamento da insolação em nosso país. Se por um lado altas taxas de brilho solar são imprescindíveis na utilização da radiação solar como fonte de energia alternativa, por outro lado, as precipitações observadas em patamares bem abaixo da média histórica durante a estação chuvosa, ou mesmo, fora da época normal, são responsáveis por transtornos dos mais variados à economia de uma região, culminando em alguns casos com decretação de uma situação de seca, comuns no semiárido da Região Nordeste do Brasil conforme Anjos (2002).

Na região semiárida, mesmo com as distribuições e ocorrências das chuvas irregulares e com atuações dos fatores meteorológicos sofrendo bloqueios que impedem as regularidades, existem condições necessária e suficiente de armazenamento, bastando para isto: não só um bom planejamento, como também um adequado monitoramento da qualidade de água em conformidade com os autores Tenenbaum et. al (2005).

Segundo Menezes et al, (2015) as variabilidades dos índices pluviométricos entre o período de 1913 a 2010 para o município de Teresina tem suas variações refletidas claramente sobre a dinâmica atmosférica da região, marcada pela intensa variabilidade, onde a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) entre os meses de janeiro a março, sendo esse o período chuvoso. A análise do comportamento da precipitação nas cidades de grande e médio porte é de extrema importância para o gerenciamento dos recursos hídricos, uma vez que se trata de áreas densamente urbanizadas. Muitas vezes, sem uma estruturação urbana adequada, estas cidades se encaixam perfeitamente nesse contexto.

Em conformidade com Marengo (2012) a região do NEB caracteriza-se naturalmente com alto potencial para evaporação da água em função da grande disponibilidade de energia solar e altas

da região

temperaturas. Aumentos de temperatura associados à mudança de clima decorrente do aquecimento global, independente do que possa vir a ocorrer com as chuvas, já seriam suficientes para causar maior evaporação dos lagos, açudes e reservatórios e maior demanda evaporativa das plantas. Isto é, a menos que haja aumento de chuvas, a água se tornará um bem mais escasso, com sérias consequências para a sustentabilidade do desenvolvimento regional. Ainda de acordo com Marengo e Silva Dias (2006) o monitoramento do regime pluviométrico da região nos últimos anos vem mostrado que a escassez dos recursos hídricos acentua os problemas socioeconômicos, em particular ao final de cada ano, com os totais pluviométricos em torno ou abaixo da média histórica

Medeiros at. al (2013) analisaram a variabilidade climática da umidade relativa do ar, da temperatura máxima do ar e da precipitação na bacia hidrográfica do Rio Uruçuí Preto – PI, enfocando tais variações como um meio para compreender futuras mudanças. Afirmam que as temperaturas máximas anuais aumentaram durante o período analisado, podendo acarretar vários problemas socioeconômicos, bem como, para a saúde humana. A partir dos dados, verifica-se, também, que a umidade relativa do ar está diminuindo ao longo da série estudada, fato que pode estar relacionado com o aumento da temperatura e consequentemente com uma maior evaporação das águas. Sobre os totais pluviométricos anuais, nota-se que os valores estão aumentando gradativamente, sendo que esse aumento pode estar relacionado com o aumento da temperatura, que faz com que se tenha maior evaporação e consequentemente maior precipitação.

Medeiros et. al (2014) Verificou-se que o Índice de Anomalia de Chuva pode ser utilizado como ferramenta para o acompanhamento climático de uma localidade, nesse caso a bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto, além de ser utilizado para regionalização, podendo também, através desse monitoramento gerar prognósticos e diagnósticos da climatologia local. A partir dos critérios de classificações tomados com bases nos desvios percentuais classificaram-se os meses e anos dos locais que compõem a bacia hidrográfica, onde se obteve oscilações de extremamente chuvoso a extremamente seco.

A variabilidade climática de uma região exerce importante influência nas diversas atividades socioeconômicas, especialmente na produção agrícola. Sendo o clima constituído de um conjunto de elementos integrados, determinante para a vida, este adquire relevância, visto que sua configuração pode facilitar ou dificultar a fixação do homem e o desenvolvimento de suas atividades nas diversas regiões do planeta. Dentre os elementos climáticos, a precipitação tem papel preponderante no desenvolvimento das atividades humanas, produzindo resultados na economia segundo os autores Sleiman e Silva (2008).

Sant’anna Neto (2008) estudaram o clima e seus impactos numa perspectiva geográfica, deve atingir dois níveis: o da dimensão socioeconômica e o da ambiental. Na dimensão socioeconômica, compreende a influência dos fenômenos atmosféricos e dos padrões climáticos na estruturação do território e no cotidiano da sociedade, território esse que pode ser modificado em função da variabilidade decorrente das alterações climáticas.

Objetiva-se uma análise das oscilações pluviométricas entre o período de 1913 a 2015. Esta analise é relevante, uma vez que a área estudada se caracteriza por possuir uma variabilidade das chuvas e uma diversidade de impactos das precipitações de grande significado nas áreas urbanas e rurais, devido ao fato de estarem relacionados a plantio de sequeiro, erosão, inundações, enchentes, alagamentos, seca e as vazões dos lençóis dágua após os reuso das águas do setor roupeiro.

MATERIAL e MÉTODOS

O município de Caruaru está localizado na mesorregião Agreste e na Microrregião do Vale do

Ipojuca do Estado de Pernambuco, limitando-se a norte com Toritama, Vertentes, Frei Miguel e Taquatinga do Norte, a sul com Altinho e Agrestina, a leste com Bezerros e Riacho das Almas, e a oeste com Brejo da Madre de Deus e São Caitano. A área municipal ocupa 928,1 km2 e representa 0,94% do

Estado de Pernambuco, sendo que 16,6 km² estão em perímetro urbano e os 903,9 km² restantes formam a zona rural. A sede do município tem altitude de 554 metros e coordenadas geográficas de 08°17’S latitude e 35° 58’W de longitude, distando 140,7 km da capital. Na figura 1 tem-se a localização do município de Caruaru.

Figura 1. Localização do município de Caruaru – PE. Fonte: adaptada pelo autor.

O município de Caruaru está inserido na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, formada por maciços e outeiros altos, com altitude variando entre 650 a 1.0 metros. Ocupa uma área de arco que se estende do sul de Alagoas até o Rio Grande do Norte. O relevo é geralmente movimentado, com vales profundos e estreitos dissecados. Com respeito à fertilidade dos solos é bastante variada, com certa predominância de média para alta. O município é cortado por rios perenes, porém de pequena vazão e o potencial de água subterrânea é baixo.

A vegetação é formada por Florestas Subcaducifólica e Caducifólica, próprias das áreas agrestes.

Tem a caatinga como vegetação dominante do município, com suas arvores típicas, como: juazeiro, baraúna, mulungú, algaroba e imburana, arbustos do tipo velameiro, marmeleiro e urtiga, broméliaceas do tipo como o caroá, macambira, gravatá e os cactáceas do tipo facheiro, xiquexique, mandacarú, coroa-de-frade e palmatória. Possui ainda, vegetação úmida e arborizada (floresta tropical) ao sul, pois faz divisa com o brejo pernambucano no extremo sul do município.

O clima de Caruaru de acordo com a classificação de Köppen-Geiger é do tipo semiárido (BSh), possuindo verões quentes e secos e invernos amenos e chuvosos. A quadra chuvosa se inicia em fevereiro com chuvas de pré-estação (chuvas que ocorrem antes da quadra chuvosa) com seu término ocorrendo no final do mês de agosto e podendo se prolongar até a primeira quinzena de setembro. O trimestre chuvoso centra-se nos meses de maio, junho e julho e o seus meses mais seco ocorrem entre outubro e dezembro. Os fatores provocadores de chuvas no município são a contribuição da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), formação dos vórtices ciclônicos de altos níveis (VCAS) quando seu centro posiciona-se sobre o oceano, influencia da contribuição dos ventos alísios de nordeste no transporte de vapor e umidade a quais condensam e forma nuvens provocando chuvas de moderadas a fortes, as formações das linhas de instabilidades, a orografia e suas contribuições locais formando nuvens e provocando chuvas de moderada a forte.

Por se localizar nas terras da Borborema o solo tem nas Superfícies suaves onduladas a onduladas, ocorrem os Planossolos, medianamente profundos, fortemente drenados, ácidos a moderadamente ácidos e fertilidade natural média e ainda os Podzólicos, que são profundos, textura argilosa, e fertilidade natural média a alta. Nas elevações ocorrem os solos Litólicos, rasos, textura argilosa e fertilidade natural média. Nos Vales dos rios e riachos, ocorrem os planossolos, medianamente profundos, imperfeitamente drenados, textura média/argilosa, moderadamente ácidos, fertilidade natural alta e problemas de sais. Ocorrem ainda Afloramentos de rochas.

Os dados pluviométricos foram adquiridos da Agencia Pernambucana de Água e Clima (APAC) compreendido entre os anos de 1913 a outubro de 2016. Utilizou de cálculos simplificados estatisticamente para definir, média, desvio padrão, coeficiente de variância, máximos e mínimos valores absolutos ocorridos, Utilizou-se da série para definir a quadra chuvosa e seca, o trimestre seco e chuvoso além do mês seco e chuvoso.

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