1-OCORRÊNCIA DE EVENTOS EXTREMOS DE PRECIPITAÇÃO em cabaceiras gessica

1-OCORRÊNCIA DE EVENTOS EXTREMOS DE PRECIPITAÇÃO em cabaceiras gessica

(Parte 1 de 2)

Géssica de Paula Alves Marinho1 , Eric Gabriel Fernandez Albuquerque da Silva2

Raimundo Mainar de Medeiros3 , Vicente de Paulo Silva

1 Graduanda em Engenharia Agrícola e Ambiental, Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, PE,email:

gessica.marinho1993@gmail.com 2 Graduando em Engenharia Agrícola e Ambiental, Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, PE,email: eric_fernandez18@yahoo.com.br;3 Doutor em Meteorologia/Universidade

Federal de Campina Grande (UFCG)/Programa de Pós-Graduação em Meteorologia –

Campina Grande – PB, Email: mainarmedeiros@gmail.com;4 Prof. Dr. Universidade Federal Rural de

Pernambuco, UFRPE, PE, Brasil, e-mail: vicenteufrpe@yahoo.com.br

Os eventos extremos de precipitação, como as chuvas fortes e as secas prolongadas, têm sido a causa de vários desastres naturais que provocam mortes e prejuízos para economia de uma localidade. Procurou-se analisar a variabilidade das ocorrências de eventos extremos de precipitação em Cabaceira - PB. Dados diários de precipitação pluviométrica que compreende os anos de 1970 – 2013 foram fornecidos pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA). As análises dos dados de precipitação de cada ano foram realizadas com a utilização do aplicativo Excel. Os eventos extremos analisados foram os de maior intensidade de precipitação diária para cada ano de estudo. Os resultados mostraram que houve mudança no comportamento das ocorrências de precipitação a partir do início da década de 90 na área de estudo. Ocorreu intensificação na precipitação máxima anual apresentando maior número de eventos com valores de precipitação superior a 50 m/dia. Não ocorreu relação direta entre a intensificação na precipitação e ocorrências com eventos de ENOS. Porém, alguns anos apresentaram influência desses eventos. Eventos extremos de precipitação foram mais evidentes entre os meses da estação chuvosa com 68% das ocorrências e apenas 32% foram observados na estação seca.

Palavras-chave: ENOS; desastre analise e variabilidade climática;

The extreme precipitation events, such as heavy rains and prolonged droughts have been the cause of several natural disasters that cause deaths and damage to the economy of a locality. We sought to analyze the variability of occurrences of extreme precipitation events in Cabaceira - PB. Daily rainfall data comprising the years 1970 - 2013 were provided by the Executive Agency of Water Management in the State of Paraíba (EFSA). The analysis of rainfall data for each year were performed using the Excel application. Extreme events analyzed were the most intense daily rainfall for each year of study. The results showed that there was a change in the behavior of occurrences of rainfall from the beginning of the 90 in the study area . Intensification occurred in the maximum annual rainfall presenting greater number of events with values higher rainfall 50 m/day. There was no direct relationship between intensification and precipitation occurrences with ENSO events. However, some years had influence these events. Extreme precipitation events were more evident among the months of the rainy season, with 68% of cases and only 32% were observed in the dry season.

Keywords: ENSO, climate variability and disaster analysis;

O conhecimento das condições climáticas de uma determinada região é necessário para que se possa estabelecer estratégias, que visem o manejo mais adequado dos recursos naturais, almejando dessa forma, a busca por um desenvolvimento sustentável e a implementação das práticas agropecuárias viáveis e seguras para os diversos biomas da região (Sousa et al., 2010).

As constantes mudanças no clima estão provocando aumento nas ocorrências de eventos climáticos extremos no mundo inteiro. No Brasil, esses eventos ocorrem, principalmente, como enchentes (fortes chuvas) e secas prolongadas (Marengo et al.,2010). No Nordeste do Brasil (NEB) os impactos são ainda maiores devido à grande variabilidade na ocorrência de precipitação dessa região. Os principais sistemas responsáveis pela ocorrência de precipitação no NEB são: Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), Vórtices Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), Linha de Instabilidade (LI), Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), Brisas (Marítima e Terrestres) e as Perturbações Ondulatórias nos ventos Alísios (POAS) (Molion e Bernardo, 2002). O El Niño – Oscilação Sul (ENOS) é outro modo de variabilidade climática que influência na ocorrência de precipitação do NEB.

Os eventos extremos são os principais causadores da maioria dos desastres naturais ocorridos nos últimos anos e têm afetado diretamente a população. Como consequências destes desastres ocorrem perdas de vidas humanas e animal, prejuízos na economia, agricultura, transporte, saúde e moradia além de causar impactos graves aos mais variados ecossistemas. As fortes chuvas provocam inundações, alagamento, cheias, desmoronamento em zonas rural e urbanas, e consequentemente mortes por afogamentos, deslizamentos de terras, desabamentos de prédios, cortes de estradas entre outros desastres.

Medeiros et al. (2014) Analisaram-se as ocorrências de eventos extremos de precipitação em Campina Grande, com dados diários de precipitação que compreende os anos de 1970–2010, Os eventos extremos analisados foram os de maior intensidade de precipitação diária para os anos estudados. Os resultados mostraram que houve mudança no comportamento das ocorrências de precipitação a partir da década de 70 na área de estudo. Ocorreu intensificação na precipitação máxima apresentando maior número de eventos com valores de precipitação superior a 80 m. Não houve, de modo geral, relação direta entre a intensificação na precipitação e ocorrências com eventos de ENOS. Eventos extremos foram evidentes entre os meses da estação chuvosa, com 8% das ocorrências e 12% na estação seca.

Nos dias atuais é perceptível a importância das pesquisas que envolvem o estudo do clima na busca da construção de novos parâmetros de conhecimento e consequente aplicação nas diversas atividades humanas, agricultura, represamento de água, agropecuário, economia, comércio, lazer, que dependem dos dados e informações cada vez mais concisos sobre chuvas, secas, temporais e eventos extremos com informações de médio e longo prazo geradas com um alto grau de acerto de acordo com Viana (2010).

O monitoramento do regime pluviométrico da região nos últimos anos tem mostrado que a escassez de recursos hídricos acentua os problemas socioeconômicos, em particular ao final de cada ano, com os totais pluviométricos em torno ou abaixo da média da região em conformidade com Marengo e Silva Dias (2006).

Secas prolongadas tornam a água um recurso indisponível e até escasso provocando a migração da população para outras regiões em busca de melhores condições de sobrevencia de vida. A falta de precipitação bloqueia o desenvolvimento da agrícola e a agropecuária trazendo consequências negativas para a economia da região. Nas plantas, a falta de água prejudica o seu desenvolvimento em suas diversas fases de crescimento, principalmente, quando este problema ocorre durante fases fenológicas nas quais elas necessitam de maiores quantidades de água, como, por exemplo, durante a floração e frutificação conforme Fietz et al. (1998).

A ausência de chuvas provoca baixa disponibilidade de água no solo que limita o desenvolvimento das plantas provocando perdas na produtividade final. As culturas agrícolas também podem ser afetadas pelo excesso de água que mata as plantas por afogamento quando essas estão na fase inicial de crescimento.

De maneira geral, pode-se dizer que o aquecimento global, em um futuro próximo, tende a apresentar um cenário de clima mais extremo, com maiores ocorrências de estiagens e inundações. Logo, é importante saber a frequência e a intensidade com que esse fenômeno meteorológico vem ocorrendo nas últimas décadas.

O município de Cabaceiras (Figura 1) localiza-se na Microrregião do Cariri Oriental e na Mesorregião da Borborema, limitando-se com os municípios de São João do Cariri, São Domingos do Cariri, Barra de São Miguel, Boqueirão e Boa Vista (AESA, 2014). Situado nas coordenadas geográficas latitude de 7o30’ ao sul e longitude 36o17’ a oeste de Greenwich, com altitude média em relação ao nível do mar de 390 metros, localizada na área mais baixa do Planalto da Borborema (CPRM, 2005).

Cabaceiras estão inseridas nos domínios da bacia hidrográfica do Rio Paraíba, região do

Alto Paraíba. Seus principais cursos da água são os rios Taperoá, Paraíba e Boa Vista, e os riachos do Pombo, Gangorra, Pocinho, da Varjota, do Tanque, Fundo, Algodoais, do Junco e Macambira. No município situa-se o Açude Público Epitácio Pessoa ou comumente conhecido como o açude de Boqueirão.

A área de estudo encontra-se inserida na Borborema, na unidade geomorfológica denominada Planalto da Borborema de formas tabulares e convexas. O Planalto da Borborema segundo Souza et. al. (2003), se constitui no mais importante acidente geográfico da Região Nordeste, exercendo na Paraíba um papel de particular importância no conjunto do relevo e na diversificação do clima.

Figura 1. Mapa de localização da área de estudo.

O regime pluviométrico municipal possui uma distribuição irregular espacial e temporal, que é uma característica do Nordeste brasileiro, em função disto a sua sazonalidade de precipitação concentra quase todo o seu volume durante os cinco meses no período chuvoso (SILVA, 2014).

As chuvas da região sofrem influência das massas Atlânticas de sudeste e do norte. O regime pluviométrico municipal possui uma distribuição irregular espacial e temporal, que é uma característica do NEB, em função disto, a sua sazonalidade de precipitação concentra quase todo o seu volume durante cinco meses do ano (janeiro a julho). (Silva, 2004).

Os fatores provocadores da precipitação na área de estudo são: As contribuições das formações dos ciclones de altos níveis quando o seu centro esta sobre o Oceano Atlântico, o posicionamento da Zona de Convergência Intertropical, as formações de linha de instabilidade auxiliadas pelos vórtices ciclone do Atlântico sul, a troca de calor e seus efeitos locais com auxilio do vento alísio de sudeste as contribuições das ondas de leste e Maddem e Juliem e atuação do fenômeno de larga escala La Niña que aumentam a nebulosidade e provacam chuva acima da normalidade.

De acordo com a classificação de Köppen o clima da área de estudo é considerado do tipo Bsh - Semiárido quente, precipitação predominantemente abaixo de 400 m ano -1 , e temperatura mais baixa da área estudada, devido ao efeito da altitude (400 a 700 m), e temperatura média de 24 ºC, mais ameno devido o efeito da altitude de 400 metros. As chuvas da região sofrem influência das massas Atlânticas de sudeste e do norte, além de possuir uma distribuição pluviométrica anual muito irregular (336,6 m) e com umidade relativa média do ar de 64,1% Medeiros, (2013).

Dados diários de precipitação pluviométrica que compreende os anos de 1970 – 2013 foram fornecidos pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA). As análises estatísticas dos dados foram desenvolvidas pelo software Excel. Avaliou-se a ocorrência dos eventos extremos de precipitação de maior intensidade em cada ano, como também o dia de sua ocorrência.

A análise das características de eventos extremos com os eventos de ENOS – El Niño

Oscilação Sul (Tabela 2) foi realizado pela classificação dos anos, em anos de ocorrência de um evento de El Niño e anos de ocorrência de um evento de La Niña, da série de estudo.

Resultados e Discussão

Na análise das ocorrências de eventos extremos de precipitação do período de 1970- 2013 (Figura 1) demonstram que na década de 90 e 2000 vem ocorrendo maior variabilidade nos índices de precipitação variando, na sua maioria, entre 50 e 218 m, com destaque para os anos de 1971, 1975, 1977, 1978, 1981, 1985, 1988, 1989, 1991, 1994, 1995, 1996, 2000, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2011 que os índices pluviométricos foram maiores que 50 m, exceto os anos de 2002 (172 m ) e 2008 com 218,2 m). A década de 70 e 80 ocorreu variabilidade na intensificação da precipitação máxima mensal apresentando menores números de eventos com índices pluviométricos inferiores aos 50 m. Nos últimos anos (2000 a 2010) os eventos extremos oscilaram na sua flutuação espaço-temporal com precipitação máxima diária bem acima do padrão normal.

Notou-se também que não houve relação direta entre a intensificação na precipitação e ocorrências com eventos de ENOS (Figura 1). Porém, em alguns anos a relação foi constatada. Em geral, no nordeste os ENOS alteram os totais pluviométricos da região e também a ocorrência de períodos secos (Carvalho, 2009). Eventos extremos de precipitação são mais evidentes entre os meses da estação chuvosa que se estende de fevereiro a julho, (Tabela 1), com 24 ocorrências, de um total de 40, representando 60% de chances de ocorrência. Nesse período foram registrados os eventos mais intensos com valores superiores a 50 m. A estação seca (setembro – dezembro) exibiu pequenas ocorrências de eventos extremos de precipitação representando cerca de 5% de chances de ocorrência. Porém, a maioria desses eventos possuiu valores de precipitação pouco menor que 50 m. Esses eventos apesar de não serem tão frequentes possuem grande quantidade de água que é suficiente para proporcionar grandes estragos e prejuízos locais à fruticultura local.

Figura 1. Precipitação absoluta máxima anual (m) durante o período de 1970 a 2010 em Cabaceiras, PB. FONTE: Medeiros, (2013).

Tabela 1. Dia da ocorrência da máxima precipitação anual durante o período de 1970 a 2010 em Campina Grande, PB.

197501/03 – 50,6 1986 02/02 – 46,2 1997 23/03 – 41,3 2008 18/03 – 218,2
198013/02 – 35,5 1991 29/03 – 74,6 2002 15/02 – 172,0 2013

Tabela 2. Classificação e Intensidade do El Niño – Oscilação Sul no período de 1970 a 2010.

Período Classificação Intensidade Período Classificação Intensidade Período Classificação Intensidade

2012 El Niño Moderado 2013 El Niño Forte

Conclusão

Ocorrência de mudança no comportamento das precipitações a partir do início da década de 90 e 2000 vem causando, variabilidade espaço-temporal na intensificação da precipitação máxima anual apresentando maior número de eventos com valores de precipitação igual ou superior a 50 m/dia;

Não ocorreu relação direta entre a intensificação na precipitação e ocorrências com eventos de ENOS. Ressaltando que em alguns anos perceberam-se as influências da La Niña; Eventos extremos de precipitação foram mais evidentes entre os meses da estação chuvosa com 68% das ocorrências e apenas 32% foram observados na estação seca.

Agradecimentos Á CAPES pela concessão da bolsa de estudo e a elaboração da pesquisa.

Referências Bibliográficas

Horizonte – MG, Anais(CD-Rom), 2009.

CARVALHO, A. L.; SOUZA, J. L.; LYRA, G. B.; PORFIRIO, A. C. S.; FERREIRA JUNIOR, R. A.; SANTOS, M. A.; WANDERLEY, H. S. Probabilidade de ocorrência de períodos secos para a região de Rio Largo, Alagoas. In: Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, XVI, Belo

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