ok-3-ESTUDO DA PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NO MUNICÍPIO DE camalau romildo

ok-3-ESTUDO DA PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NO MUNICÍPIO DE camalau romildo

Romildo Morant de Holanda1, Emmanuelle Maria Gonçalves Lorena2, Raimundo Mainar de Medeiros3, Vicente de Paulo Silva4

1Prof. Dr. Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, PE, Brasil, e-mail: romildomorant@gmail.com 2Mestranda em Engenharia Ambiental, UFRPE, PE, Brasil, e-mail: emmanuelle@lorenas.com.br Dr. em meteorologia e Bolsista PNPD - CAPES da Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, PE, Brasil, e-mail: mainarmedeiros@gmail.com Prof. Dr. Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, PE, Brasil, e-mail: vicenteufrpe@yahoo.com.br

RESUMO A precipitação pluviométrica é de soberaníssima importância para o dimensionamento de projetos na agricultura, irrigação, agropecuário, abastecimento de água para a sobrevivência humana, animal e vegetal, socioeconômica e em diversa engenharia como: agronomia, civil, florestal, agrícola, hidrologia entre outras. Tem-se como objetivo verificar anualmente a frequência da precipitação durante um período de 52 anos e a influência dos fenômenos meteorológicos El Niño(a) no munícipio em estudo. Para analisar a distribuição de precipitação ao longo da série estudada, calcularam-se as médias mensais e sazonais da precipitação no período de 1962 a 2014. Analisou-se as influências de fenômenos meteorológicos El Niño(a) e a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) na distribuição das precipitações na cidade de Camalaú. A influência dos fenômenos El Niño(a) sobre a ocorrência de secas ou enchentes no Nordeste Brasileiro ainda não está bem compreendida, anos com atuação dos fenômenos atuantes e precipitação acima ou abaixo das climatológicas. A distribuição pluviométrica em Camalaú ocorre de forma irregular e com grande variabilidade durante o ano, demonstrando que mesmo em anos de El Niño as chuvas ocorrem praticamente entre a normalidade em anos atípicos. A análise da variabilidade espacial temporal das chuvas proporciona informações de como o homem rural e urbano deverá estabelecer medidas para captura de águas de chuvas e seu armazenamento utilizando da época do período chuvoso. A contribuição da Zona de Convergência Intertropical é de insignificância variabilidade entre a transição dos fenômenos El Niño(a).

PALAVRAS–CHAVE: Eventos extremos, Climatologia, Polígono da Seca.

ABSTRACT Rainfall is soberaníssima importance for project design in agriculture, irrigation, agriculture, water supply for human survival, animal and vegetable, socioeconomic and diverse engineering as: agronomy, civil, forestry, agriculture, hydrology and others. It has been the objective of annually check the frequency of rainfall over a period of 52 years and the influence of meteorological El Niño(a) in the municipality under study. To analyze the distribution of rainfall throughout the series studied, monthly and seasonal averages were calculated precipitation in the period 1962 to 2014. We analyzed the influences of weather phenomena El Niño(a) and the Intertropical Convergence Zone (ITCZ ) on the distribution of rainfall in the city of Camalaú. The influence of El Niño(a) on the occurrence of droughts or floods in Northeast Brazil is not yet well understood, years with performance of active phenomena and precipitation above or below the climatological. The rainfall distribution in Camalaú occurs irregularly and with great variability during the year, showing that even in years of El Niño rains occur between almost normal in atypical years. The analysis of the temporal spatial variability of rainfall provides information such as rural and urban man shall establish measures for rain water capture and its storage using the time of the rainy season. The contribution of the Intertropical Convergence Zone is insignificance variability between the transition from El Niño (a).

KEYWORDS: Extreme events, Climatology, Drought Polygon

A precipitação é uma das variáveis meteorológicas mais importantes para os estudos climáticos das diversas regiões do Brasil. Tal importância deve-se as consequências do que elas podem ocasionar, quando em excesso ou em deficiência para os setores produtivos da sociedade, tanto do ponto de vista econômico quanto social (agricultura, irrigação, agronomia, civil, florestal, agrícola, hidrologia, abastecimento humano, entre outras), causando enchentes, secas, inundações, alagamentos, assoreamento dos rios, quedas de barreiras, etc. em conformidade com Calbete et al. (2003).

Historicamente a região Nordeste do Brasil (NEB) sempre foi afetada por grandes secas ou grandes cheias. Relatos de secas na região podem ser encontrados desde o século XVII, quando os portugueses chegaram à região. Ocorrem com uma frequência de 18 a 20 anos de seca a cada 100 anos de acordo com os autores Marengo e Valverde (2007).

Eventos como La Niña têm sido associados à ocorrência de estações chuvosas mais úmidas que o normal na Região do NEB e El Niño tem sido associado às ocorrências de estações mais secas que o normal na referida região.

O monitoramento do regime pluviométrico dessa região nos últimos anos tem mostrado que a redução de recursos hídricos acentua os problemas socioeconômicos e agropecuários em particular, no final de anos com totais pluviométricos em torno ou abaixo da média da região segundo os autores Marengo e Silva Dias (2006).

A partir das informações da pluviosidade é interessante efetivar-se um estudo sobre a variação climatológica relacionando-a com fenômenos de grande escala El Niño(a) para se aprimorar informações a respeito das características climáticas da região e Microrregião de Camalaú e na Mesorregião Agreste Paraibano do Estado da Paraíba

Objetiva-se a verificar anualmente a frequência da precipitação durante um período de 52 anos e a influência dos fenômenos meteorológicos El Niño(a) no munícipio em estudo.

MATERIAL e MÉTODOS

O município de Camalaú localizado na Microrregião do mesmo nome e na Mesorregião

Agreste Paraibano do Estado da Paraíba, com área territorial de 109 km² representando 0,1937% do Estado, 0,007% da Região Nordeste e 0,0013% do território brasileiro. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2010 sua população era estimada em 26.0 habitantes, o município em estudo limita-se pelos municípios de Campina Grande, Massaranduba, Matinhas, São Sebastião de Lagoa de Roça, Montadas, Puxinanã e Esperança. A sede do município tem as coordenadas geográficas na Latitude: 07º10’15’’ sul e Longitude: 35º51’13’’ a oeste de Greenwich com altitude de 634 metros. (Figura 1).

Figura 1. Localização do município de Camalaú. Fonte: CPRN, 2005.

Os dados mensais e anuais de precipitação referente ao período de 52 anos de dados observados (1962-2014), para caracterizar a precipitação pluviométrica e sua relação com fenômenos meteorológicos, como El Niño e La Niña. A partir dos dados foram obtidos gráficos de variações anuais, médias mensais e sazonais da precipitação para representar de forma satisfatória o regime pluviométrico da região, os referidos dados fornecidos pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA, 2015) e pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE, 1990).

Os fatores provocadores de chuvas para a área de estudo são: Zona de Convergência

Intertropical (ZCIT) e as contribuições dos sistemas de Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCANs) quando em atividade sobre o NEB, além dos efeitos decorrentes dos ventos alísios do nordeste auxiliados pela formação dos vórtices Ciclônicos do Atlântico Sul (VCAS) e os aglomerados convectivos fortalecidos pelo Padrão do Dipolo (PD) no Oceano Atlântico Tropical e as perturbações ondulatórias no campo dos ventos alísios, proporcionando eventos de secas, enchentes, inundações, alagamentos, transbordamento de rios, córregos, açudes, barreiros, barragens, lagoas, lagos e poços.

Utilizou-se de quatro tipos de classificações climática pelo método de Thorntwaite e Mather (1948, 1955) para os períodos: Normal; Chuvoso; Regular e Seco. No período Normal a classificação foi do tipo C1A’S2a’; no período Chuvoso tem-se uma classificação do tipo C2D’a’; para o período de chuva Regular a classificação foi do tipo C2B’2 a’ e no período seco classificou-se com C2E’Ra’. Em conformidade com a classificação de Köppen tem um clima do tipo BSh.

Observa-se na Figura 2 a distribuição mensal da precipitação histórica com o seu quadrimestre chuvoso entre os meses de fevereiro a março, seguidamente de seu quadrimestre seco eu ocorrem entre os meses de agosto a setembro, os meses chuvosos centra em março e abril e com precipitação anual de 536,2 m.

Figura 2. Distribuição mensal da precipitação histórica (m) no município de Camalaú para o período de 1962 – 2014. Fonte: MEDEIROS (2016).

A figura 3 tem-se a distribuição percentual dos índices pluviométrico mês a mês. Os meses mais chuvoso (março) e mais seco (setembro) tem seu percentual estimado em 2% e 1%, respectivamente da precipitação anual. Os meses chuvosos (janeiro a maio) representam 78% da chuva anual e nos meses de junho a dezembro sua representação percentual é de 2% da chuva esperada do ano.

Figura 3. Distribuição mensal da precipitação e seu percentual no município de Camalaú para o período de 1962 - 2014. Fonte: MEDEIROS (2016).

Andrade (2011), estudando a variabilidade da precipitação pluviométrica de um município do estado do Pará, observou para chuva média mensal, maiores índices no período dezembro a maio e menores índices entre Junho a Novembro, coincidindo com os resultados obtidos nesse estudo, mesmo sendo em uma região diferente. De acordo com Molion e Bernardo (2002), isso ocorre devido a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) migrar de uma posição mais ao norte, cerca de 14ºN em agosto-setembro, para a posição mais ao sul, cerca de 4ºS, durante março-abril, sendo este o principal mecanismo responsável pelas chuvas que ocorrem no norte do Nordeste do Brasil, durante a estação chuvosa entre fevereiro e maio.

Na Tabela 1, apresenta-se os anos que ocorreram os eventos de El Niño(a) e sua intensidades.

Tabela 1. Intensidade de eventos El Niño(a) fundamentado no padrão e magnitude das anomalias da TSM do Pacífico Tropical.

Período Classif. Intensid. Período Classif. Intensid. Período Classif. Intensid.

1963 El Niño Fraco
2012 com 143,3 m sendo considerados anos de El Niño com intensidade forte a moderada

A Figura 4 mostra a distribuição anual de precipitação pluvial e a média histórica para a área de estudo, os anos de maiores índice pluviométrico foram: 1974 (1.128,3 m); 1977 (801,4 m); 1985 (1.458,9 m) e 2009 com 1.016,5 m tendo como eventos de La Niña forte/fraca e em transição com o El Niño. O ano de 1982 (179 m);1983 (288,5 m); 1990 (169 m); 1998 e 1999 com 115,5 e 84,8 m respectivamente, o ano de 2003 com 233,2 m e

Figura 4. Variação da precipitação ao longo dos anos no município de Camalaú. Fonte: MEDEIROS, (2016).

Segundo Medeiros (2007), em todos os anos de acontecimento de El Niño cerca de 50% a 65% dos mesmos apresentaram chuvas abaixo da média para área estudada.

Bezerra (2003) realizou estudos para as últimas duas décadas (80-90) e demonstrou que vários cientistas confirmaram que as variações climáticas do fenômeno El Niño não ocorrem isoladamente.

A influência dos fenômenos El Niño(a) sobre a ocorrência de secas ou enchentes no

Nordeste Brasileiro ainda não está bem compreendida, onde se tem anos com atuação dos fenômenos atuantes e precipitação acima ou abaixo das climatológicas;

A distribuição da precipitação pluviométrica em Camalaú ocorre de forma irregular e com grande variação durante todo o ano, demonstrando que mesmo em anos de El Niño as chuvas ocorrem praticamente entre a normalidade;

A análise da variabilidade espacial e temporal das chuvas proporciona informações de como o homem rural e urbano deverá estabelecer medidas para captura de águas de chuvas e seu armazenamento usando o período mais chuvoso.

A contribuição da Zona de Convergência Intertropical é de insignificância variabilidade entre a transição dos fenômenos El Niño(a).

AESA - Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba. João Pessoa, 2015. Disponível em <http://geo.aesa.pb.gov.br>. Acesso: 20 de maio de 2016.

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BEZERRA, A. C. N.; ROCHA, E. J. P.; ROLIM, P. A. M. Identificação da região do El Niño que influencia com maior intensidade o regime de precipitação no litoral leste da Amazônia através das anomalias de TSM do Oceano Pacífico. Anais. In: XIII Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, 2003, Santa Maria - RS. Situação atual e perspectivas da Agrometeorologia. v.2, p.1037-1038. 2003.

CALBETE, N. O.; CALBETE, S. R.; ROZANTE, J. R.; LEMOS, C. F. Precipitações intensas ocorridas no período de 1986 a 1996 no Brasil, 1996. Disponível em: http:/w.cptec.inpe.br. Acesso em: 29 maio. 2016.

IBGE - FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA

Geografia do Brasil. Região Nordeste. Rio de Janeiro: SERGRAF, 2010. Disponível em CD.

KÖPPEN, W.; GEIGER, R. KLIMATE DER ERDE. Gotha: Verlag Justus Perthes. 1928. Wall-map 150cmx200cm.

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