Meloidogyne Incógnita

Meloidogyne Incógnita

ECLOSÃO E MORTALIDADE DE JUVENIS J2 DE MELOIDOGYNE INCOGNITA RAÇA 2 EM ÓLEOS ESSENCIAS

SÃO LUÍS DE MONTES BELOS – GOIÁS 2017

Os Nematóides fitoparasitas do gênero Meloidogyne são um dos grupos mais importantes de inimigos da agricultura brasileira. Tem ocorrência generalizada em toda região tropical e subtropical. No Brasil parasita diversas culturas como algodão, batata, café, cana-de-açúcar, feijão, milho, soja, tomate entre muitas outras.

O controle de fitonematóides, em geral, pode ser feito por diferentes estratégias, com emprego de métodos químicos, físicos, culturais ou biológicos, onde se observa a viabilidade em cada caso. O emprego de nematicidas sintéticos é limitado em culturas de menor valor econômico ou em pequenas áreas cultivadas, em razão de seu preço elevado O controle químico, muitas vezes, é a única opção para o produtor que exige resposta imediata para o seu problema, sendo por isso usado de forma indiscriminada. A utilização excessiva de nematicidas pode acarretar a contaminação de água, alimentos e solo, além intoxicação de animais e do próprio homem. A busca de novas alternativas de controle de fitonematóides e, atualmente, uma preocupação mundial, dando-se prioridade a utilização de substancias naturais biologicamente ativas.

As plantas possuem substâncias denominadas metabólitos secundários que possuem diversas funções, dentre elas a de proteger a planta contra o ataque de organismos patogênicos. O emprego de plantas com propriedades nematicidas para o controle de fitonematóides vem sendo muito estudado e o uso de óleos essenciais representa mais uma alternativa no controle de fitonematóides em pequenas áreas.

Os óleos essenciais são constituídos de uma miscelânea de substancias químicas cuja interação pode resultar em compostos que podem interferir no metabolismo do nematoide, desorganizando ou inibindo funções vitais desde as fases iniciais do desenvolvimento embrionário, bem como nos mecanismos de movimentação, em razão da possível desestruturação do sistema nervoso.

Foi feito um estudo com seis espécies medicinais, que são (alfavaca, alecrim pimenta, capim santo, capim citronela, cidreira e eucalipto) em sete concentrações (0; 0,3125; 0,625; 1,25; 2,5; 5,0 e 10ml). Sobre a eclosão e mortalidade de juvenis de segundo estágio (J2) de Meloidogyne Incógnita raça 2. Foi feito um ensaio 6x7, ou seja, seis óleos essenciais em sete concentrações, empregando 42 tratamentos diferentes, cada tratamento foi repetido 6 vezes, constituído de 60 ovos cada placa de petri. No total foram utilizados 360 ovos por tratamento, 252 placas e 15.120 ovos no total do ensaio.

Foi retirado esses ovos que estavam em raízes infestadas de tomateiro “Santa Clara”, incubados em placas de petri, em temperatura ambiente.

As avaliações iniciaram-se 24 horas após a montagem do ensaio, prolongandose por 16 dias, com contagem de J2 eclodidos e/ou mortos a cada 48 horas. Foi utilizado microscópio estereoscópio para a análise.

Para a confirmação da mortalidade, transferiram-se os exemplares para água, examinando-os, em seguida, em lâminas, ao microscópio ótico no aumento de 40x, para verificar alguma mínima atividade nos exemplares. O número final de J2 mortos no ensaio foi obtido pela soma das oito contagens até o 16º dia de observação.

A eclosão dos J2 submetidos a baixas concentrações de óleo essencial concentrou-se nos seis primeiros dias de incubação. Contudo, até o decimo dia após o início do ensaio, constatou-se que houve eclosão, mesmo que em taxas mais baixas. Isto ocorreu, provavelmente, em razão da heterogeneidade de estágios de desenvolvimento dos ovos (do início do desenvolvimento embrionário a pré-eclosão) dispostos na mesma placa. Os J2 já completamente formados estariam aptos a eclodir, pois suas reservas nutritivas o capacitam a tal ação.

Observa-se através da tabela 2 (abaixo) que a menor taxa de eclosão de J2 em óleo foi observada em cidreira, sendo 9% em 2,5 ml respectivamente. Já a maior taxa de eclosão foi no eucalipto de 72% em 0,325 ml. Inibição total podemos verificar no capim citronela, desde a menor concentração usada (0,3125 ml) e no alecrim pimenta, a partir de 0,625 ml. No capim santo e alfavaca foram necessárias doses de 2,5 ml e no óleo de cidreira foi o menos efetivo com necessidade de 5,0 ml de óleo essencial para a inibição total de eclosão.

Com relação a mortalidade dos juvenis, podemos observar também na tabela 2 (acima), que os todos os óleos essenciais testados foram eficientes, acarretando taxas de mortalidade variando de 41% (óleo de eucalipto a 0,625 ml) a 100% (óleo de alecrim pimenta a 0,325 ml, óleo de alfavaca em 0,625 ml e óleos de capim santo e cidreira na concentração mínima de 1,25 ml). No óleo de eucalipto, a total mortalidade ocorreu em 2,5ml. No capim citronela, a mortalidade não pode ser avaliada em razão da não eclosão de J2.

Diante dos resultados obtidos neste ensaio, constatou-se que os óleos essenciais de alecrim pimenta e capim citronela, em razão dos valores elevados observados na inibição de eclosão e mortalidade de juvenis de Meloidogyne incógnita raça 2, apresentaram-se como os mais promissores e que há potencial de sua utilização no manejo integrado de nematoide das galhas, principalmente em pequenas áreas, como é o caso dos cultivos de plantas ornamentais, medicinais e olerícolas.

Finalizando o experimento pode-se afirmar que: Todos os óleos essenciais testados são eficazes na inibição da eclosão de J2, nas concentrações de 5,0 e 10,0 ml. Os óleos essenciais de alecrim pimenta e capim citronela são os mais efetivos na inibição da eclosão de J2. Mesmo havendo eclosão, as ações de todos os óleos essenciais provocam a expressiva mortalidade de J2.

AMORA, Deisy Xavier, Potencial de óleos essenciais no controle de

Meloidogyne javanica em tomateiro. Orientador: Silamar Ferraz. Co orientadores: Everaldo Antônio Lopes e Leandro Grassi de Freitas. Universidade Federal de Viçosa, fevereiro de 2010.

MOREIRA, et al. Eclosão e Mortalidade de juvenis J2 de Meloidogyne incógnita raça 2 em óleos essenciais. Rev. Cienc. Agron., Fortaleza, v.40, n.3, p. 441-448, jul-set, 2009.

Meloidogyne incógnita (nematóide das galhas). FMC. Disponível em: <http://w.nematoides.com.br/page/sintomasdetalhes.aspx?chave=meloidogyneincognita>. Acesso em 12 set. 2017.

Nematóide das galhas. AGROLINK. Disponível em: <https://w.agrolink.com.br/culturas/problema/nematoide-das-galhas_523.html>. Acesso em 12 set. 2017.

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