Conhecendo uma pessoa física ser humano - uma auto-reflexão crítica sobre o que significa “conhecer” alguém

Conhecendo uma pessoa física ser humano - uma auto-reflexão crítica sobre o que...

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CONHECENDO UMA PESSOA FÍSICA/SER HUMANO: UMA AUTO-REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE O QUE SIGNIFICA “CONHECER” ALGUÉM por PEDRO BRITTO. [online] Disponibilizado pelo próprio autor em: <https://sites.google.com/view/pedrobritto/artigos>. Rio de Janeiro, 2017.

CONHECENDO UMA PESSOA FÍSICA/SER HUMANO: UMA AUTO-REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE O QUE SIGNIFICA “CONHECER1” ALGUÉM

Pedro Cezar Johnson Rodrigues de Britto* Rio de Janeiro, 14 de setembro de 2017

*Graduando em Ciências Econômicas pela UERJ em 2017.1

Uma hipótese é acreditar em que existam duas categorias principais de informações básicas imutáveis que qualifiquem uma pessoa: a primeira categoria poderia ser referida como o próprio nome completo da pessoa; já a segunda seria relacionada a origem da pessoa – a data e local de nascimento (inclusive nome/informações dos pais ou árvore genealógica), e o sexo de nascimento.

No Brasil, existem outros meios formais de informações pessoais, tais como o

Cadastro de Pessoa Física (CPF), o Registro Geral (RG, ou vulga identidade), Carteira de Trabalho, Carteira Nacional de Habilitação (CNH), Carteira do SUS, e assim por diante – estes são só exemplos. O que importa que todas estas informações são representadas por números (e estes números seriam também “imutáveis”) – um tipo de registro. São números diferentes, mas que em nossa geração mais contemporânea (ou vulga “nova era holística) que possui das novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC), estas informações todas poderiam ser reduzidas ou unificadas em apenas um código ou microchip acessível via senha com algum módulo de segurança (biométrico, por exemplo).

Suponhamos que tenhamos todas estas informações de determinado indivíduo.

Será que então conhecemos esta pessoa? A minha resposta seria um grande NÃO. Conhecer um ser humano transcende ao conhecimento pertinente a segmentação

1 CONHECIMENTO será tratado na maior parte deste texto como o CONHECIMENTO sobre a própria INDIVIDUALIDADE – características pessoais de uma outra pessoa física.

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demográfica e geográfica. Talvez um mero e simples “apelido” bem INFORMAL possa transmitir mais informações de conhecimento sobre uma pessoa do que todas estas informações precisas, imutáveis e formais juntas.

O ato de CONHECER ALGUÉM transcende de nosso plano/dimensão física/material para a dimensão/plano abstrato psicográfico. Um vulgo “currículo” – tanto “CV” quanto “LATTES” – tem o poder de aumentar nossa margem de percepção e de conhecimento de um indivíduo, seja através do que ele próprio se qualifica quanto através de suas obras/trabalhos realizados e formação acadêmica (os conhecimentos que esta pessoa tem). No entanto, pela natureza “corrupta” do brasileiro – é normal ESPECIFICAMENTE no caso do “curriculum vitae” encontrarmos ‘mentiras’, ou ‘meiasverdades’. Isto justifica o processo de “entrevista” no caso de quando se busca contratar um funcionário para trabalhar para si próprio ou para alguma pessoa jurídica pela qual alguém representa – daí a evolução dos Recursos Humanos (RH) como ciência. Caso contrário, uma simples análise de currículos seria mais do que o suficiente para fazermos tal seleção.

É claro que este seria um caso utópico em duas vias (ou mão dupla) – tanto a firma deveria apresentar o seu currículo de forma perfeita (informando todas as suas características e o que se deseja “comprar” da força de trabalho de alguém – bem como o quanto a firma está disposta a remunerar por tais serviços). Da mesma forma o currículo de uma pessoa física deveria ser perfeito passando todas as informações pessoais e psicológicas individuais. Ambos currículos seriam tão eficientes quanto o grau de veracidade (honestidade e sinceridade) passada nas informações.

Retomando ao tema objetivo deste artigo, podemos pensar então em conhecer alguém como um sistema subdivido em dois subsistemas: o primeiro estaria relacionado com as informações pessoais e imutáveis bem como o currículo pessoal – conforme descrito acima. O segundo subsistema seria já algo mais abrangente – seria nossa capacidade de conhecermos metaforicamente o “espírito” ou “alma” de uma pessoa.

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Dentro deste segundo e amplo subsistema (que por natureza englobaria também o primeiro – uma questão paradoxal) estaria o conhecimento da visão de mundo que determinada pessoa tem, ou simplesmente conhecermos a forma, os padrões ou probabilidades de como uma pessoa pensa e age – bem como seu carácter e personalidade. Uma forma simples e genérica, no entanto, IMPOSSÍVEL de nós seres humanos descobrirmos tais informações seria desde o ato do nascimento até a morte, visualizarmos tudo o que se passa na mente e subconsciente de alguma pessoa (bem como também sentirmos o que os cinco sentidos humanos desta pessoa sentem – no caso a visão, audição, olfato, paladar e tato). Além desta capacidade IMPOSSÍVEL, teríamos também de agrupar todas estas informações e armazena-las em um banco de dados para uma eventual análise e interpretação dos dados – que daí sim geraria tal informação e conhecimento.

O tempo necessário para tal tarefa seria no mínimo o número de anos em que uma pessoa vive – porém, poderia ser maior conforme o tempo gasto nestas análises posteriores. Acredito que metaforicamente esta seja uma tarefa de responsabilidade apenas de Deus (como sendo um tipo de “juiz” perfeitamente “justo”), de Lúcifer (com a intenção de poder julgar e punir a pessoa, tipo um “promotor”), e de Cristo (com a intenção de poder defender esta pessoa e evitar que ela seja punida, mas perdoada – tipo um “advogado”).

Apesar destas análises metafóricas serem interessantes, acredito que elas sejam irrelevantes para nossa realidade – pois afinal, mesmo com todas nossas novas tecnologias ainda assim somos apenas SERES HUMANOS limitados ao nosso próprio corpo por nossa mortalidade (não somos entidades divinas/abstratas). Surge-se então a questão: como poderíamos então CONHECER alguém? (Inclusive “divindades” independente da crença ou religião individual de cada um não tenham tal poder de obter tais conhecimentos, mas somente mesmo o Pai).

A minha resposta seria: nós, como seres humanos mortais e imperfeitos, podemos ainda assim ser ‘superiores’ a “divindades baixas” através de nosso dom da CRIATIVIDADE e mutação neste específico quesito de termos o PODER de conhecer outra pessoa – ainda que existam pessoas que não consigam nem conhecerem direito a si próprias (porém não vale a pena neste momento abordar este tema, pois eu diria isto

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estaria associado a disfunções psicológicas ou até mesmo psiquiátricas – talvez não tão nítida na imagem que esta pessoa expõe a sociedade, mas relacionada a alguma limitação no seu grau de auto reflexão crítica, maturidade e poder de “evoluir”).

Através de nossa CRIATIVIDADE humana e novos instrumentos de gerir informações e ampliar comunicações desenvolvemos nossas CIÊNCIAS transcendendoas do PARADIGMA MODERNO para o PARADIGMA CONTEMPORÂNEO (a partir do final do século X, com ênfase maior agora no segundo decênio do século XI – principalmente para nós, de países de “Terceiro Mundo” ou “Emergentes”/em desenvolvimento).

Para concluir esta reflexão em forma de “micro artigo”, diria que nós temos o poder de através de nossos conhecimentos científicos descobertos (ou “produzidos”, como algumas pessoas chamam) pela humanidade e escritos em nossa literatura – podemos sim elaborar questionários com perguntas simples para conhecermos as essenciais individuais de cada pessoa. Citarei apenas três exemplos de cunho normativo para concluir – exemplos de perguntas que poderiam ser feitas a amizades2 bem íntimas, no sentido em que há um forte grau de confiança no relacionamento (porém, talvez não seja necessário para obtermos o resultado). O que é realmente importante é a questão da comunicação/interpretação de situações hipotéticas3 e imaginárias.

Peça para a PESSOA X se imaginar andando sozinha em uma rua de madrugada “deserta” (neste CENÁRIO Y não há carros passando, não há lojas/comércio, seguranças, polícia nem ao menos outras pessoas).

Peça então agora a PESSOA X que imagine que surjam três indivíduos neste cenário – sendo estes três de porte físico avantajado (1,80m de altura, 100kg de massa), e sendo que os três portando armas de fogo – no caso dois com “fuzis” e um com um “revolver” e que já chega apontando a arma em sua testa. Neste cenário, a arma

2 Chamarei este “amigo íntimo” (a pessoa entrevistada) genericamente de PESSOA X. 3 Neste caso, será pedido à PESSOA X que imagine um vulgo CENÁRIO Y.

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apontada fisicamente na testa da PESSOA X estaria destravada, e qualquer movimento brusco que a PESSOA X fizesse já automaticamente faria a arma disparar e a PESSOA X morrer.

O indivíduo portando a arma apontada na testa da PESSOA X exige que ela entregue todo seu dinheiro, documentos, celular e senhas. A pergunta que você faria a PESSOA X seria a seguinte: Qual seria a sua reação imediata?

Caso a PESSOA X responda que passaria tudo (ou pelo menos parcialmente tudo); deverá ser modificado este subcenário das exigências do indivíduo marginal (com a arma apontada na testa). Neste caso, informe que a exigência do indivíduo com a arma apontada na testa pronta para disparar seria a seguinte: que a PESSOA X vá se abaixando bem devagar (acompanhando com a arma apontada na testa) para que então o indivíduo pratique um estupro via sexo oral (em via única) com a PESSOA X. Novamente pergunta-se: Qual seria a sua reação imediata?

Pelo menos 90% das pessoas que entrevistei disseram que fariam tudo que fosse ordenado. No entanto, em torno de 10% responderam a seguinte frase: “Ok, atire”. Eu responderia: “Ok, pode atirar à vontade, que a minha vida que você esteja retirando da sociedade fique a julgamento de seu próprio julgamento subconsciente; porém sugeriria irmos para outro local, para que possa ocultar meu corpo com mais facilidade – para que não seja julgado e condenado pela sociedade; mas neste contexto que estamos, estou te dando a permissão para me matar, e por mim, o senhor está perdoado; e nos vemos em outro plano existencial de vida”.

Este exemplo pode aparentar ser um tanto extremista ou surreal – no entanto, através desta abstração podemos retornar à realidade e interpretarmos os dados obtidos. O paradigma central deste exemplo consiste em determinar o GRAU DE IMPORTÂNCIA que uma pessoa atribui a questão da “LIBERDADE” ou “LIVRE-ARBÍTRIO”, e também medir de forma correlacionado o grau de CORRUPÇÃO NATURAL de um indivíduo ao realizar algo em que ela acredita ser errado, mas com o objetivo de preservar a própria vida. No caso, o público alvo para este tipo de pergunta seriam ‘pessoas jovens que não têm dependentes/filhos’. Caso tenham dependentes, ficaria mais difícil medirmos esta correlação.

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Peça para a PESSOA X imaginar o seguinte CENÁRIO Y: que lhe seja ofertado gratuitamente um doce, um bolo, algum biscoito, ou algum prato de comida genérico – e que este produto alimentício seja de extrema utilidade para a PESSOA X. Tal produto teria as seguintes características/limitações: seria algo LIMITADO, impossível de ser reproduzido (uma receita feita de forma errada, mas que originou tal produto – mas quem o produziu não lembra mais como fez); e teria um SABOR imensuravelmente DELICIOSO (“que gere numa primeira mordida uma ‘festa no paladar’”). Como um adendo, a PESSOA X em questão estaria com muita fome neste momento.

A pergunta objetiva a ser feita à PESSOA X seria a seguinte: O que você faria com tal produto?

Algumas respostas obtidas foram:

a) Comeria tudo na mesma hora apreciando o SABOR e satisfazendo parcialmente a FOME. b) Comeria um pouco, e armazenaria o resto em pedaços para que se possa obter tal utilidade em momentos futuros. E para satisfazer a fome real, iria procurar por outros alimentos que cumprem tal função4. c) Comeria um pouco, e guardaria o resto para comer depois e DIVIDIR com seu cônjuge ou melhor amigo. d) Comeria muito pouco, mas não iria querer comer mais – iria preferir guardar e chamar o máximo de amigos que puder para COMPARTILHAR O SABOR.

Apesar da inocência embutida neste cenário, estão questão pode nos auxiliar a compreendermos o seguinte paradigma individual: o grau de egocentrismo, etnocentrismo, ecocentrismo ou até mesmo cosmocentrismo individual da PESSOA X. Provocativamente, eu diria que uma pessoa que responda conforme o “item (a) ” seja uma pessoa que tem certas disfunções psiquiátricas em torno de sua racionalidade comprometida conforme classificação do CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) a BIPOLARIDADE – um egoísta irracional.

4 Esta última frase também é válida para as respostas (c) e (d).

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Neste último exemplo que irei me limitar – deixarei o paradigma para o leitor decifrar. Neste caso, o que deverá ser indagado à PESSOA X seria em relação ao uso de drogas/fármacos – de qual seria a crença desta pessoa.

A relevância deste questionamento é embasada por uma observação que tenho feito em relação às pessoas próximas de mim. Seria o tal famoso “8 ou 80”. Enquanto vejo muitas pessoas que têm em seu limite uma “total aversão” quanto ao uso de medicamentos – pessoas que preferem sentir “uma dor forte de cabeça” do que ingerir uma medicação indicada por um profissional para aliviar a dor – eu vejo também muitas pessoas que para qualquer coisa querem utilizar medicamentos (mesmo sem necessidade) – os chamados “hipocondríacos”.

A pergunta deverá ser elaborada da forma como o próprio leitor deste micro artigo acreditar ser melhor – e a interpretação também deverá ser de sua responsabilidade.

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