A astronomia é uma das primeiras ciências a ser estudada pelo homem, porém nos dias atuais, mesmo tendo seus conteúdos indicados nos PCNs, os alunos deixam o ensino médio sem o conhecimento de muitas questões na referida área, contribuindo fortemente para o despreparo do aluno frente ao estudo das Ciências.
CENTRO FEDERAL DE EDUCA O TECNOL GICA
P S-GRADUA O LATO-SENSU EM ENSINO DE ASTRONOMIA
INSER O DA ASTRONOMIA COMO DISCIPLINA CURRICULAR NO ENSINO M DIO
CLAUDIO ANDR CHAGAS MARTINS DIAS
CAMPOS DOS GOYTACAZES-RJ NOVEMBRO - 2005
CLAUDIO ANDR CHAGAS MARTINS DIAS
INSER O DA ASTRONOMIA COMO DISCIPLINA CURRICULAR NO ENSINO M DIO
Monografia apresentada ao Centro Federal de Educa o Tecnol gica de Campos como requisito parcial para conclus o do Curso de P s-Gradua o Lato-Sensu em Ensino de Astronomia. ORIENTADOR: Prof. Josu Rodrigues Santa Rita Mestre em Ci ncia de Engenharia de Materiais UENF
CAMPOS DOS GOYTACAZES-RJ NOVEMBRO - 2005
Este trabalho, nos termos da legisla o, que resguarda os direitos autorais, considerado propriedade institucional. permitida a transcri o parcial de textos do trabalho, ou men o ao mesmo, para coment rios e cita es, desde que sem finalidade comercial e que seja feita a refer ncia bibliogr fica completa. Os conceitos expressos neste trabalho s o de responsabilidade dos autores e n o definem uma orienta o da Institui o.
INSER O DA ASTRONOMIA COMO DISCIPLINA CURRICULAR NO ENSINO M DIO
CLAUDIO ANDR CHAGAS MARTINS DIAS
Aprovada em .
BANCA AVALIADORA:
Prof. M. Sc. Josu Rodrigues Santa Rita (CEFET-Campos)
Prof. D. Sc. Marcelo Oliveira e Souza (CALC/ CEFET-Campos - UENF)
Prof. M. Sc. M rcio dos Santos Teixeira Pinto (CALC/ CEFET-Campos)
"O conhecimento que temos das coisas pequeno, na verdade, quando comparado com a imensid o daquilo que ainda somos ignorantes". (Pierre Simon Laplace (1749-1827)).
AGRADECIMENTOS: Aos meus pais, respons veis pela orienta o inicial do meu caminho. minha esposa pela compreens o, dedica o e aux lio ao t rmino deste trabalho . Ao professor Josu Rodrigues Santa Rita pela excelente orienta o, aux lio e dedica o no processo evolutivo deste trabalho. Ao professor Marcelo Oliveira e Souza pela sua dedica o para a exist ncia do curso. Ao professor M rcio, por sua dedica o ao transcorrer do curso. Aos demais professores que contribu ram para minha forma o.
RESUMO A Astronomia considerada com uma das primeiras ci ncias que o homem dominou, por m n o isto que se verifica quando os alunos do ensino m dio concluem o ensino b sico. Os alunos est o concluindo o ensino m dio sem conhecimento de v rios temas na rea de Astronomia, que s o obrigat rios nos PCNs. Em virtude, desta discrep ncia, este trabalho vem evidenciar a necessidade da incorpora o de uma disciplina espec fica de Astronomia, em prol da promo o da redu o das distor es entre o que ensinado e o que se deve ensinar.
Palavras chaves: Astronomia no ensino m dio, ensino de Astronomia no ensino m dio, par metros curriculares nacionais em Astronomia.
ABSTRACT The Astronomy is considered with one of the first sciences that the man dominated, however it is not this that is verified when the students of the medium teaching conclude the basic teaching. The students are concluding the medium teaching without knowledge of several themes in the area of Astronomy, that you/they are obligatory in PCNs. In virtue, of this discrepancy, this work comes to evidence the need of the incorporation of a specific discipline of Astronomy, on behalf of the promotion of the reduction of the distortions among what is taught and the one that one should teach.
Key words: Astronomy in the medium teaching, teaching of Astronomy in the medium teaching, parameters national curricular in Astronomy.
LISTA DE FIGURAS: Fig. 1: ndice percentual das respostas encontradas na 1 quest o . Fig. 2: ndice percentual das respostas encontradas na 2 quest o . Fig. 3: ndice percentual das respostas encontradas na 3 quest o . Fig. 4: ndice percentual das respostas encontradas na 4 quest o . Fig. 5: ndice percentual das respostas encontradas na 5 quest o . 26 27 28 29 30
LISTA DE TABELAS: Tabela 1: Astronomia aplicada Geografia, de acordo com o PCN do ensino fundamental 5 8 S rie (adaptado do PCN do ensino fundamental: Geografia- 5 8 s rie) . Tabela 2: Resultado obtido pelos alunos do ensino m dio. 11 26
SUM RIO Cap tulo 1: INTRODU O . Cap tulo 2: REVIS O BIBLIOGR FICA . 1- A busca do ensino Transdisciplinar . 2- Astronomia: uma ci ncia interdisciplinar . 3- Principais disciplinas interdisciplinares com Astronomia . 3.1- Geografia e Astronomia . 3.2- Ci ncia da Natureza e Astronomia . 3.3- A F sica e a Astronomia . 4- O Ensino de Astronomia . Cap tulo 3: RESULTADOS E DISCUSS ES . Cap tulo 4: Conclus o . Cap tulo 5: Refer ncias Bibliogr ficas . ANEXO: Question rio aplicado. 1 2 2 6 9 9 12 16 20 25 34 36 39
Cap tulo 1 INTRODU O
Desde os nossos antepassados at hoje em dia, a curiosidade por assuntos referentes aos conhecimentos astron micos fascina as crian as, os jovens e os adultos. Muitos temas interessantes fazem parte da matriz curricular proposta pelos PCNs nesta respectiva rea, de tal forma que o aluno adquira conhecimentos m nimos dentro de uma forma o geral. O ensino de Astronomia um importante recurso, pois al m de apresentar uma forte interdisciplinaridade com outras ci ncias, ela desenvolve o racioc nio l gico, no es sobre os sistemas de localiza o, escalas num ricas enormes e pequenas ao mesmo tempo, e al m disso, talvez seja a nica ci ncia capaz de desvendar nossas origens e criar possibilidades de abandonar o planeta em caso de uma grande cat strofe. Portanto, de suma import ncia o conhecimento de Astronomia. Muitos trabalhos t m surgido na rea de ensino de Astronomia e percebe-se em conclus es dos mesmos que existem falhas em livros did ticos, professores n o capacitados para trabalharem com assuntos ligados aos conhecimentos astron micos, falta de recursos did ticos e de forma geral o desinteresse pela carreira de professor, devido principalmente os baixos sal rios ofertados pelas institui es de ensino. Assim sendo, estes fatores levam a crer que os alunos deixam o ensino fundamental e m dio sem obter os requisitos b sicos para uma alfabetiza o concreta em Astronomia. Este trabalho ter como objetivo principal propor a inser o de uma disciplina de Astronomia, dentro de uma vis o interdisciplinar em busca da transdisciplinaridade, no ensino m dio, com o intuito de que o aluno adquira as compet ncias necess rias ao final do ciclo b sico de estudo. A metodologia a ser utilizada ser a aplica o de um question rio a alunos do 3 ano do ensino m dio, com o objetivo de detectar a ocorr ncia ou n o do aprendizado de compet ncias b sicas citadas nos PCNs relativos aos assuntos de Astronomia, em escolas p blicas. Al m de demonstrar a import ncia de trabalhar estes conte dos a professores que lecionam disciplinas que necessitam conhecimento pr vio de Astronomia.
CAP TULO 2 REVIS O BIBLIOGR FICA 1- A busca do ensino Transdisciplinar
facilmente detect vel que a realidade do ensino na grande maioria das institui es educacionais brasileiras constituem-se de forma fragmentada e desarticulada, trazendo como conseq ncia uma forma o profissional e humana de alunos e professores despreparados para tomar decis es em situa es que exijam uma forma o mais cr tica e interconectiva. A revolu o industrial, dentro de uma pol tica capitalista, faz com que as escolas transformem-se nas principais institui es formadoras de m o-deobra, de tal forma que o ensino organizado nestas assemelhem-se com a organiza o do trabalho industrial promovido pelo regime capitalista, baseado na divis o internacional do trabalho, onde o trabalhador det m o conhecimento somente de uma parte do processo de produ o industrial. Na fase atual, modelos como o fordismo e taylorismo, baseados nas afirma es do liberal Adam Smith (1723-1790) perdem for a, devido principalmente a introdu o de um alto grau tecnol gico no processo produtivo. Desta forma, os meios de produ o passam a exigir trabalhadores mais qualificados, com uma forte base cient fica, principalmente nas reas de inform tica, ci ncias naturais e l ngua estrangeira, ou seja, trabalhadores multifuncionais, a partir disto come a-se ouvir falar, no campo do ensino, em multidisciplinaridade, transdisciplinaridade. O PCN introdut rio do ensino fundamental, publicado em 1998, juntamente com a LDB (Art. 2 ) afirma que "toda a pessoa crian a, adolescente ou adulto deve poder se beneficiar de uma forma o concebida para responder s suas necessidades educativas fundamentais" 1, dentro deste contexto, as necessidades de aprendizado fundamentais s o: leitura, escrita, express o oral, c lculo, resolu o de problemas, enquanto que as necessidades educativas consistem em: conceitos, atitudes e valores,
1
pluridisciplinaridade,
interdisciplinaridade
e
PCN- Introdu o (5 a 8 s ries), 1998, p. 17.
proporcionando ao educando, no final do curso, a possibilidade de vida com dignidade, tomada de decis es de forma esclarecida, participa o do desenvolvimento social, pol tico e econ mico, al m de demonstrar que os conhecimentos a este n vel est o completamente inacabados, valorizando desta maneira a continua o ao aprendizado. Com a fragmenta o do conhecimento, ocorrida no s c XVII, onde os determinados conte dos de uma rea s o constru dos sem a menor necessidade dos outros, provocou-se em determinadas disciplinas espec ficas, um forte aporte de conhecimentos cient ficos, em sua maioria dispens veis para a forma o educativa do aluno, j que estes conhecimentos deveriam e poderiam ser trabalhados no ensino superior. Atualmente, a educa o escolar passa por um processo de mudan a, precisa se transformar para atender as reais necessidades de forma o dos cidad os brasileiros. Por m, for ada a manter uma rotina de aulas expositivas voltadas a conte dos que s o determinados pelas compet ncias requeridas pelas disciplinas acad micas. Portanto, existe uma identifica o entre conhecimentos escolares e conhecimentos cient ficos, quando, a rigor, estes ltimos deveriam se constituir a fonte e o meio para a compreens o da realidade. Segundo Vinicius Signoreli, "a constru o de uma escola democr tica passa, necessariamente, pelo
rompimento com essa vis o" seletiva e proped utica ", e uma das formas de empreender essa constru o desenvolver um ensino interdisciplinar. Um ensino no qual as atividades de aprendizagem d em prioridade capacidade de pensar os problemas reais que afligem a sociedade, problemas esses que n o pertencem a uma disciplina espec fica e que para serem resolvidos precisam dos conhecimentos cient ficos 2 disciplinares" ,
desta forma, a busca de um processo educativo interdisciplinar seria a base para a promo o de conhecimentos escolares, de acordo com os par metros curriculares sugeridos pelo MEC. Dentro das concep es no campo do ensino, identificam-se algumas formas de se trabalhar interagindo grandes reas das Ci ncias, s o elas:
2
Artigo publicado no site: www.educarede.com.br
A multidisciplinaridade ocorre nas tentativas de trabalho em
conjunto pelos professores, onde um tema abordado por diversas disciplinas sem uma rela o direta entre elas, onde, cada tema trabalhado dentro das perspectivas dos educadores e n o em conjunto. A pluridisciplinaridade: a exist ncia de rela es complementares
entre disciplinas mais ou menos afins. o caso das contribui es m tuas das diferentes "hist rias" (da ci ncia, da arte, da literatura, etc.) ou das rela es entre diferentes disciplinas das ci ncias experimentais. A interdisciplinaridade come a a ser comentada nos anos 70, onde
iniciam-se as primeiras cr ticas organiza o do ensino universit rio e o papel do conhecimento na sociedade capitalista, deste modo, o processo interdisciplinar aparece como alternativa de supera o de um modelo superespecializante e a busca de uma forma o mais integralizada, mais concisa e menos fragmentada. A necessidade de um conhecimento interdisciplinar remonta da origem da ci ncia, onde este se encontra intimamente ligado necessidade da resolu o de problemas. A resolu o de um problema n o depende apenas dos conhecimentos dessa ou daquela ci ncia ou disciplina, mas de conhecimentos m tuos que permitem formular hip teses adequadas e adiantar poss veis conhecimentos novos. Segundo K. Popper,
"cada problema surge da descoberta de que algo n o est em ordem com nosso suposto conhecimento; ou, examinando logicamente, da descoberta de uma contradi o interna entre nosso suposto conhecimento e os fatos; ou, declarando talvez mais corretamente, da descoberta de uma contradi o 3 aparente entre nosso suposto conhecimento e os supostos fatos" .
Portanto, dentro das pr ticas interdisciplinares que se convive na escola, encontram-se, por exemplo, a proposta de trabalho em eixos tem ticos, caracterizados pelos temas transversais propostos pelo PCN para o ensino fundamental e m dio. Nestas perspectivas pode-se posicionar o processo interdisciplinar como uma etapa superior ao curr culo disciplinar, proporcionando ao educando um conhecimento mais amplo em uma grande
3
POPPER. K. L gica das ci ncias sociais. Rio de janeiro: Tempo Brasileiro, 1978.p.14.
rea espec fica, por m ainda n o suficiente para a forma o integral do indiv duo. A transdisciplinaridade constitui um est gio superior
interdisciplinaridade, onde a divis o por disciplinas, atualmente implantada nas escolas, deixa de existir, trazendo como conseq ncia uma liga o entre a ci ncia, a arte, a religi o, a pol tica, etc. Epistologicamente, segundo Jayme Paviani,
"a transdisciplinaridade uma a o de abertura e de" fus o "de ci ncias e disciplinas que envolvem pesquisadores e comunidades cient ficas, com objetivos de produzir conhecimentos novos e de integrar teorias e m todos 4 de investiga o para buscar solu es de problemas complexos".
Tem a finalidade de impedir que o ser humano e a natureza sejam reduzidos a simples estruturas formais. Mais ainda, cabe a ela a tarefa de reconhecer, ao mesmo tempo, as contribui es cient ficas, filos ficas, art sticas, religiosas, m ticas acerca de um determinado problema. um modelo te rico, onde busca-se um novo paradigma dentro das ci ncias da educa o para a valida o deste modelo, por enquanto os prim rdios nesta rea baseiam-se na teoria do Holismo e da Complexidade, ainda pouco compreendidas. Busca-se assim, uma disciplina que funcione como eixo norteador, e que promova uma rela o mais coesa entre as diversas reas do conhecimento, podendo futuramente ser o elo de liga o para um ensino transdisciplinar.
2- Astronomia: uma ci ncia interdisciplinar
A Astronomia talvez seja a mais antiga das ci ncias, pois existem evid ncias de observa es astron micas desde o per odo pr -hist rico. O c rculo de Stonehenge, na Inglaterra, os alinhamentos de Carnac, na Bretanha, s o exemplos de observat rios lunares e solares existentes desde a era megal tica.
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PAVIANI, Jayme. Semin rio Internacional Interdisciplinaridade, Humanismo, Universidade, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 12 a 14 de Novembro 2003.
Atrav s das observa es, os povos pr -hist ricos j possu am diversos conhecimentos astron micos, como a exist ncia do Sol, a Lua, os demais corpos celestes, os movimentos de rota o terrestre, produzindo dias e noites, movimento da Lua, que dura aproximadamente de 29 a 30 dias, al m de identificar, por meio do movimento aparente do Sol os per odos mais quentes e mais amenos, de forma a prever com determinada precis o os per odos ideais para plantio, esta es chuvosas, esta es secas e per odos ideais para pesca e ca a. Para responder diversas perguntas como "de onde viemos?", "para onde vamos?" acompanham os homens desde a mais remota antiguidade, necess rio o conhecimento de outras ci ncias como F sica, a Qu mica, a Geologia, a Matem tica, a Meteorologia, entre outras, com o objetivo de comprova o dos modelos criados a fim de explicar os fatos e fen menos observados. Os astr nomos antigos tinham o objetivo de estudar o movimento dos astros no c u, para isso utilizavam somente o olho nu como instrumento tico. Enquanto que nos dias atuais com a presen a de um vasto n mero de equipamentos com elevado grau tecnol gico proporciona uma avalia o muito mais precisa da mec nica celeste, da f sica interestelar, na busca da origem da vida, al m da din mica do universo. O ensino de Astronomia pode demonstrar a interliga o entre as diferentes formas de como a ci ncia era estudada no passado e no presente. De acordo com Pablo Bucciarelli,
"o ensino de Astronomia, por sua vez, deve ser realizado na forma de no es ou conceitos b sicos, para que os alunos possam relacion -los com os conceitos desenvolvidos por outros ramos da ci ncia, assim como a F sica, a Biologia, e as Ci ncias da Terra e do Espa o. A abordagem metodol gica deve ser compat vel com a proposta curricular da Escola P blica do Estado, deve ainda demonstrar rigor cient fico e atualidade nos conceitos e informa es veiculadas; os exerc cios devem privilegiar a oralidade, a leitura e a escrita; e ainda estimular a reflex o, a pesquisa e a criatividade." 5
proporcionando assim um elevado grau de interdisciplinaridade com as reas citadas, al m de outras.
Bucciarelli, Pablo. Recursos did ticos de Astronomia para o ensino m dio e fundamental. Monografia de conclus o de curso. USP, 2001, p.3
5
Atrav s de seu elevado car ter interdisciplinar, a Astronomia pode ser um conte do que favore a a uni o de diversas reas de conhecimento, permitindo que os professores aproveitem o fasc nio natural dos estudantes por esta rea, na qual se utilizando de alguns projetos podem vir a favorecer uma atua o conjunta com conte dos de Hist ria, F sica, L nguas Portuguesa e Inglesa, Qu mica, atualidades em ci ncias e evolu o do pensamento cient fico e filos fico e caracter sticas de estudos do planeta Terra. Um exemplo de um projeto deste tipo foi desenvolvido pelo Instituto Galileu Galilei em 2001, a Astronomia Interdisciplinar 6, na qual aborda um enfoque interdisciplinar, com o intuito de situar o aluno dentro de um conceito global, evitando o tradicional enfoque quebrado por disciplinas est ticas e independentes entre si, dentro da nova filosofia de curr culos para o ensino m dio, sugerido pelo PCN Ensino M dio (1999). De acordo com o projeto, a interdisplinaridade Portuguesa, faz-se presente dentro dos Hist ria, conte dos de L ngua Biologia, L ngua Inglesa, Filosofia, Geografia,
Matem tica, Qu mica e F sica. Uma publica o interessante da s rie: O contador de hist rias e outras hist rias da matem tica, voltados para alunos que estejam cursando s ries superiores 6 , com o t tulo: "Os Exploradores" de Eg dio Trambaiolli Neto 7, esta publica o traz uma abordagem muito interessante interdisciplinar da Matem tica com as esta es do ano, atrav s da visualiza o de constela es no c u noturno, explica o correta dos solst cios e equin cios, localiza o atrav s meridianos e paralelos, introduzindo a no o de latitude e longitude, utiliza o de b ssola para determina o dos pontos cardeais, a diferen a entre peso e massa, entre outras, demonstrando assim a possibilidade de se trabalhar Astronomia como uma ci ncia interdisciplinar com a Matem tica. Pode-se vislumbrar que os conte dos de Astronomia podem funcionar como uma ci ncia interdisciplinar , pois existem v rias interfaces com outros conte dos, proporcionando aos alunos uma vis o mais concisa e menos fragmentada do ensino. Assim sendo, a Astronomia pode vir a ser a porta para que se promova a coes o com outras disciplinas, podendo no futuro ser o
http://www.geocities.com/ResearchTriangle/Lab/6116/galileo.html Bacharel em Qu mica e licenciado em Matem tica. Professor de 1 e 2 graus no Col gio Mater Amabilis, em Guarulhos (SP).
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caminho para o rompimento deste paradigma, tornando-a uma disciplina transdisciplinar. Al m disso, o estudo de Astronomia tem proporcionado grandes evolu es tecnol gicas sociedade de forma geral. O desenvolvimento de antenas, espelhos, telesc pios permitem o estudo da Terra do espa o e aux lio para corre o de problemas oftalmol gicos. Sensores de luz fraca foram desenvolvidos, impulsionados pelas pesquisas astron micas. Detectores de raios-X que inicialmente s eram utilizados para fins astron micos, atualmente, j se adequam pesquisa biom dica e em ci ncias dos materiais, na qual utilizado para se reconhecer s estruturas de mol culas e as orienta es dos planos preferenciais de crescimento destas. A produ o de imagens em raiosX permitiu NASA o registro de uma patente de um microsc pio de raios-X utilizado em neonatalogia, cirurgia geral e diagn stica de les es desportivas. Detectores de infra-vermelho usados pelos astr nomos s o agora aplicados no diagn stico de tumores e na ind stria dos semi-condutores. A constru o do equipamento muito conhecido como tom grafo, na qual permite que a manipula o de diversas imagens em 2D promovam uma imagem em 3D, fruto do estudo de astr nomos desenvolveram software que permite manipular imagens e executar opera es sobre elas que maximizam a detec o do sinal fraco das suas fontes. devido a esta versatilidade que a Astronomia desempenha um papel de grande valor no panorama educacional. Introduz os jovens ao racioc nio quantitativo, ajuda a cativ -los para carreiras cient ficas e tecnol gicas, permitem ainda o desenvolvimento de reas eminentemente pr ticas como a ind stria, a medicina e a militar, demonstrando alto grau interdisciplinar com diversas reas de conhecimento.
3-
Principais eixos interdisciplinares com Astronomia
De acordo com os PCNs, os conte dos que mais possuem interfaces com Astronomia s o a Geografia e as Ci ncias Naturais no ensino
fundamental, e a F sica no ensino m dio. Assim sendo, ser discutido como caracteriza-se o ensino de Astronomia inserido nestas disciplinas, principalmente nas escolas p blicas.
3.1- Geografia e a Astronomia
Atrav s do desenvolvimento da industrializa o na Am rica Latina nas d cadas de 60 e 70 e a necessidade de forma o de recursos humanos para trabalhar nestas novas empresas que se instalarem no Brasil, a matriz curricular vigente determinava o ensino m dio tinha a finalidade de forma o profissional, a partir da d cada de 90, o ensino m dio passa a constituir a etapa final da educa o b sica, e n o mais somente como etapa preparat ria de outra etapa escolar ou do exerc cio profissional. N o somente a Geografia, mas a maior parte dos conte dos trabalhados nos atuais ensinos m dio e fundamental passaram por um processo de renova o. Especificamente em Geografia demonstra-se que este processo de ruptura, na qual os ge grafos mais antigos "buscavam explica es para os padr es de ocupa o da superf cie terrestre, e atualmente se reconhece a amplitude da sua rea de atua o" 8. Assim sendo, a Geografia antigamente preocupava-se somente com a informa o do espa o, localiza o, popula o, aproveitamento dos recursos dispon veis, economia e pol tica. Atualmente, al m de demonstrar estes recursos, existe a busca de mostrar um inter-relacionamento entre os recursos dispon veis e as rela es humanas que podem ocorrer a partir da utiliza o destes. As diferentes denota es desenvolvidas neste contexto s o demonstradas no PCN+ Ci ncias Humanas,
"a Ci ncia Geogr fica busca libertar-se da concep o de disciplina de car ter essencialmente informativo para se transformar numa forma de constru o do conhecimento reflexiva e din mica, permitindo a criatividade e, principalmente, dando ao educando as necess rias condi es para o entendimento do dinamismo que rege a organiza o e o mecanismo evolutivo da sociedade atual." 9
Reorienta o curricular para o ensino m dio e ensino fundamental 2 seguimento no Estado do Rio de Janeiro Geografia, p.3 9 PCN+Ensino M dio - Ci ncias Humanas: Orienta es complementares aos Par metros Curriculares Nacionais, p.58
8
percebe-se assim que a disciplina Geografia ensinada nas escolas atualmente preocupa-se mais com a compreens o do espa o geogr fico, sua transforma o ao longo do tempo, relacionando estes sociedade habitante deste espa o. Segundo o PCN do ensino m dio, o aluno deve, em Geografia,
"constituir compet ncias que permitam a an lise do real, revelando as causas e efeitos, a intensidade, a heterogeneidade e o contexto espacial dos fen menos que configuram cada sociedade" 10,
portanto, cabe ao ensino fundamental a fun o de "alfabetiza o" do aluno atrav s da apresenta o do espa o Terra, o clima de cada regi o, as esta es do ano, al m da localiza o do planeta em que vivemos no universo. Pode-se vislumbrar tal afirma o atrav s de um dos objetivos gerais,
"reconhecer, no seu cotidiano, os referenciais espaciais de localiza o, orienta o e dist ncia, de modo que se desloque com autonomia e represente os lugares onde vivem e se relacionam" 11.
Dentro deste contexto, percebe-se que os conte dos interdisciplinares entre Astronomia e Geografia foram praticamente transferidos na sua totalidade para o ensino fundamental, onde a grande a maioria dos professores desconhecem tais compet ncias, ou ainda de acordo com a nova postura, estes talvez n o sejam considerados t o importantes. Um outro agravante consiste no baixo n mero de professores formados em Geografia, onde as escolas para suprirem a car ncia, remanejam professores de Hist ria sem o preparo espec fico para lecionar tais conte dos no ensino fundamental. De acordo com Sobreira,
"o professor de Geografia um profissional raro at nos grandes centros urbanos. Os baixos sal rios tamb m n o atraem os poucos profissionais existentes, e assim abre-se espa o para profissionais de outras reas, nem sempre oriundos do meio educacional, que assumem algumas aulas de Geografia nas escolas p blicas das reas mais carentes de todo o pa s, em busca de um dinheiro extra para o or amento familiar," 12
esta id ia fortalece a id ia do baixo n vel de preparo dos professores que lecionam Geografia, principalmente no ensino fundamental. Segundo professor
Par metros Curriculares Nacionais -Ensino M dio, 1998, p.311. PCN- Geografia (5 a 8 s ries), 1998, p. 54. 12 SOBREIRA, Paulo H. Astronomia no ensino de Geografia. Disserta o de mestrado, 2002, p. 30.
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de Geografia, Carlos Augusto
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, o aluno que n o compreende os assuntos de
Astronomia na 5 s rie, carrega dificuldades na disciplina para o resto do curso, tanto em n vel de ensino fundamental e m dio, apresentando dificuldades principalmente em conte dos que exijam conhecimentos de localiza o, climatologia e hidrologia. Os PCNs prop em o estudo de temas de Astronomia na disciplina Geografia de acordo com a tabela 1. Tabela 1: Astronomia aplicada Geografia, de acordo com o PCN do ensino fundamental 5 8 S rie (adaptado do PCN do ensino fundamental: Geografia- 5 8 s rie). EIXO TEMA ITEM
Planeta Terra: a nave em que O estudo da Os fen menos naturais, sua viajamos. natureza e sua regularidade e possibilidade de As guas e o clima. import ncia para o previs o pelo homem. Circula o atmosf rica e homem esta es do ano. Os pontos cardeais, utilidades Da alfabetiza o cartogr fica pr ticas e referenciais nos mapas. leitura cr tica e mapeamento Orienta o e medi o cartogr fica. A cartografia como consciente instrumento na Coordenadas geogr ficas. aproxima o dos Os pontos cardeais e sua lugares no mundo Os mapas como possibilidade import ncia como sistema de de compreens o e estudos refer ncia nos estudos da comparativos das diferentes paisagem, lugares e territ rios. paisagens e lugares A cartografia e os sistemas de orienta o espacial.
Nos ltimos anos ocorreu um crescente interesse no estudo das quest es ambientais, onde o tema transversal meio-ambiente correlaciona-se fortemente aos conte dos trabalhados em Geografia, assim sendo, como compreender tais rela es homem-Terra sem conhecer as origens do planeta, seu processo de forma o, seus movimentos, a forma o de uma atmosfera, al m da forma de obten o de energia atrav s da luz emitida pelo Sol? estes s o alguns exemplos fundamentais para ocorr ncia de um conhecimento claro,
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Carlos Augusto Souto de Alencar professor de Geografia do C. E. Benta Pereira, formado pela UFF.
completo, n o fragmentado, justificando assim a forte interdisciplinaridade com a rea de Astronomia. Em uma an lise primeira, alguns livros de Geografia da 5 s rie do ensino fundamental, aprovados pelo PNLD14 de 1999, apresentam os conte dos de Astronomia somente nos cap tulos iniciais, voltados principalmente para os aspectos de localiza o, movimento aparente do Sol, ilumina o das zonas clim ticas e as rela es entre a Terra e a Lua, por m nenhum destes obteve nota m xima em sua avalia o. A partir de 2000, as universidades federais de Pernambuco (UFPE) e Minas Gerais (UFMG), a Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Universidade de S o Paulo (USP) avaliar o os livros did ticos do ensino fundamental. Atrav s das perspectivas apresentadas, infelizmente verifica-se, primeira vista, que cada vez mais os conte dos de Astronomia s o menos explorados em Geografia, promovendo, de certa forma, uma lacuna dentro das compet ncias no ensino fundamental, al m de transferir a responsabilidade destes conte dos para as Ci ncias Naturais ao n vel de ensino fundamental e da F sica no ensino m dio.
3.2- Ci ncia da Natureza e Astronomia
A partir de 1971, com a lei 5.692, a disciplina Ci ncias passou a existir em todas as s ries do primeiro grau, cuja estrutura era totalmente dominada pelo ensino tradicional, onde o conhecimento cient fico era considerado como um saber neutro, isento, onde a verdade cient fica era tida inquestion vel, este modelo veio de encontro ao apoio recente industrializa o brasileira e a necessidade de recursos humanos por estas ind strias. A educa o no Brasil come a a passar por um processo de renova o na d cada de 80, na rea de Ci ncias, onde, no Brasil esta come a a ser vista n o como uma "verdade natural", mas sim como constru o humana, demonstrando assim uma liga o maior com as reas das Ci ncias Humanas,
O Programa Nacional do Livro Did tico (PNLD) uma iniciativa do Minist rio da Educa o (MEC) que tem por objetivo b sico a aquisi o e a distribui o universal e gratuita de livros did ticos para alunos das escolas p blicas do ensino fundamental brasileiro.
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abrindo as portas para uma forma o mais unificada, por m muito pouco se alterou em rela o pr tica da sala de aula. Com a publica o da lei 9.394/96, na qual determina que os ensinos fundamental e m dio passam a formar uma base nacional comum, motivado por uma nova pol tica globalizada, onde a especializa o deixada de lado em prol de uma forma o mais geral, as sub- reas das Ci ncias passam definitivamente a buscar uma maior aproxima o em rela o aos conte dos interdisciplinares, v ria projetos j se encontram em andamento e muitas publica es encontram-se dispon veis. Os objetivos fundamentais no estudo de Ci ncias da Natureza no ensino fundamental, de acordo com o PCN - Ensino Fundamental, residem em primeira inst ncia a compreens o da natureza como um processo din mico em rela o sociedade, atuando como agente transformador, al m de um forte conhecimento hist rico do processo. J no ensino m dio, valoriza-se mais o conhecimento abstrato, priorizando as rupturas no processo de desenvolvimentista das ci ncias, al m da compreens o e a utiliza o dos conhecimentos cient ficos, para explicar o funcionamento do mundo, resolver problemas, planejar, avaliar as intera es homem-natureza e desenvolver modelos explicativos para sistemas tecnol gicos. Os conte dos propostos no PCNs, referentes ao terceiro e quarto ciclos, na qual correspondem a 5 , 6 , 7 e 8 s ries, prop em conte dos, no eixo tem tico "Terra e Universo", bem definidos, enfatizando temas bem interessantes de Astronomia, onde v rias compet ncias s o requeridas dentro do processo ensino-aprendizagem, algumas destas s o citadas abaixo: Hist rico da Astronomia dos povos antigos, como a China, Babil nia e Egito; Hist ricos mais recentes dos gregos at a Astronomia newtoniana, com nfase na dualidade dos modelos Helioc ntrico e Geoc ntrico. Sistema Sol-Terra: movimentos dos astros, eclipses, fases da Lua, esta es do ano, fen meno das mar s, entre outros; Sistema Solar: estudo dos astros que o comp em, avalia o do tamanho e dist ncia dos planetas em rela o ao Sol
Teoria das sombras: estudo do movimento aparente do Sol, constru o de um rel gio solar; No o de Gal xias: posicionamento do Sol na Via- L ctea; Introdu o Cosmologia: Teoria do Big-Bang, a origem, expans o e tamanho do universo observ vel.
Percebe-se que as nfases dadas aos conte dos de Astronomia em Ci ncias diferem-se dos de Geografia, pois apresenta uma vis o mais ampla do sistema solar, como seu posicionamento na gal xia, e a estrutura e evolu o do universo, onde enfatiza-se uma pequena introdu o cosmologia, enquanto que a Geografia preocupa-se praticamente com localiza o, movimento de rota o terrestre (fusos hor rios) e o sistema TerraLua. Dentro do contexto atual, as propostas na rea de ensino de Astronomia pelo PCN-Ci ncias de 1998 do ensino fundamental est o muito bem fundamentadas e elaboradas, por m na pr tica n o isto que fica-se evidenciado. Os livros did ticos adotados tanto em Ci ncias da Natureza como em Geografia, aprovados pelo PNLD, trazem conte dos na rea de Astronomia, por m apresentam alguns erros conceituais. Segundo Roberto Boczko erros concentram-se
15
, os
na localiza o dos pontos cardeais, da defini o de
constela es, as esta es do ano, sombra de um corpo ao meio-dia, movimentos da Terra, tamanho e rbitas dos planetas, rota o e fases da Lua. O autor afirma que "a gravidade da situa o que os livros talvez sejam as nicas refer ncias poss veis de serem consultadas pelos professores e alunos, provocando um ciclo onde ocorre a perpetua o do erro" 16. Uma outra evid ncia fraca forma o de professores de Ci ncias na rea de Astronomia, de acordo com a doutoranda Cristina Leite, aluna da Faculdade de Educa o da USP, em sua disserta o de mestrado, existe uma predile o destes profissionais pela rea de Biologia, conte dos que se fazem presentes na 6 e 7 s ries. Segundo a autora,
Roberto Boczko Professor Doutor do Departamento de Astronomia da USP. Cita o retirada do artigo: Erros comumente encontrados nos livros did ticos do ensino fundamental do professor Roberto Boczko publicado na Revista Ci ncia Hoje ano II N 6.
16
15
"grande parte desses professores s o formados apenas em Biologia, e t m de dar aula sobre assuntos que n o dominam. Assim, se baseiam exclusivamente no livro did tico, e estes nem sempre apresentam os conceitos de maneira adequada" 17.
Refor ando a discuss o, muitos conceitos na rea de Astronomia est o arraigados aos futuros docentes desde da educa o formal que recebeu no terceiro ciclo do ensino fundamental, ao atingir a forma o acad mica, estes conceitos persistem, pois na sua gradua o n o houve a aproxima o do futuro professor com conte dos de ensino de Astronomia, segundo Langhi18,
"muitos professores s v o rever o tema quando iniciarem sua carreira no magist rio, tendo que confiar plenamente na reduzida e muitas vezes duvidosas quantidades de t picos astron micos contidos nos livros did ticos. Os anos iniciais continuam assim fornecendo a base para a continua o desse processo em ciclo que parece se repetir".
Assim sendo, para ocorrer a ruptura deste ciclo, deve ocorrer a implanta o do ensino de Astronomia na forma o inicial/ continuada de professores, como j realizam algumas universidades como a USP, UFRGS, UFSC, UECE, UFG entre outras. Al m disso, os concursos realizados pelas secretarias estaduais e municipais de educa o priorizam em suas as avalia es cerca de 90% dos conhecimentos espec ficos na rea de Biologia, conseq entemente a grande maioria do professorado colocam os conte dos relacionados ao eixo Terra Universo margem do saber. Outro fator importante que fortalece o despreparo do profissional atuante desta respectiva rea a baixa remunera o oferecida aos profissionais, principalmente para aqueles situados no interior do pa s, que preferem continuar os estudos de p s-gradua o a ingressar no mercado de trabalho como professor de ensino fundamental. Atrav s dos pontos abordados verifica-se que os temas relacionados com a Astronomia est o ficando cada vez menos estudados, onde para tal situa o ser invertida, ser necess ria uma mudan a de postura visando a valoriza o destes conte dos. Os temas de Astronomia est o presentes no cotidiano do cidad o, como as esta es do ano, o ciclo dia-noite, os
Palestra realizada 29/07/2004 no Instituto de Astronomia, Geof sica e Ci ncias Atmosf ricas (IAG) da USP. 18 LANGHI, R. Um estudo explorat rio para inser o da Astronomia na forma o de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Disserta o de mestrado, UNESP, 2004.
17
calend rios, o fen meno das mar s associada s fases da Lua (para habitantes do litoral), a localiza o por constela es, entre outros, portanto o estudo destes s o de grande import ncia para a alfabetiza o cient fica deste aluno, portanto a inclus o de uma disciplina espec fica, j no ensino m dio, poderia corrigir esta distor o entre as propostas dos PCNs e o que realmente estudado.
3.3- A F sica e a Astronomia
De acordo com o Art. 35 da lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996, o ensino m dio passou a ser a etapa final da educa o b sica, onde suas atribui es constam de: Consolida o e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos Prepara o b sica para o trabalho e cidadania do educando, no ensino fundamental. para o mesmo continuar no seu processo educativo, al m de ser capaz de se adaptar s mudan as que poder o vir a ocorrer. cr tico. disciplina. Diante da nova postura da lei, o ensino de F sica modifica-se de uma estrutura baseada em conceitos complexos, leis, f rmulas, dentro de um ambiente desconexo da realidade do aluno para uma F sica inserida no cotidiano do estudante, onde estes conhecimentos devem promover uma melhor compreens o do mundo, auxiliando sua forma o como cidad o. De acordo com o PRCRJ19,
"o estudo da F sica coloca os alunos da escola m dia frente a situa es concretas que podem ajuda-los a compreender a natureza da ci ncia e do conhecimento cient fico. Em particular, eles t m a oportunidade de verificar
Projeto de reorienta o curricular para o estado do Rio de Janeiro: Ensinos M dio e Fundamental (2 segmento).
19
Aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a
forma o tica e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento Compreens o dos fundamentos cient fico-tecnol gicos dos
processos produtivos, relacionando a teoria com a pr tica, no ensino de cada
como fundamental para aceita o de uma teoria cient fica que esta seja consistente com evid ncias experimentais" .20
As compet ncias propostas para os conte dos de F sica no ensino m dio s o de grande abrang ncia, suas investiga es v o desde a estrutura elementar da mat ria at a origem e evolu o do universo, onde boa parte destes n o s o trabalhados. O PCN+ Ci ncias Naturais afirma que:
"o vasto conhecimento de F sica, acumulado ao longo da hist ria da humanidade, n o pode estar todo presente na escola m dia. Ser necess rio sempre fazer escolhas em rela o ao que mais importante ou fundamental, estabelecendo para isso refer ncias apropriadas".21
Portanto torna-se necess rio uma sele o de conhecimentos, que geralmente subdividido dentro das grandes reas da F sica: Mec nica, Termologia, ptica, Ondas,Eletricidade e F sica Moderna. Um outro aspecto, de importante relev ncia, consiste nos baixos ndices de professores formados nas reas das Ci ncias da Natureza (F sica, Qu mica e Biologia), semelhante Geografia, onde estas car ncias s o supridas por profissionais de outras reas, que em sua maioria est o despreparados para trabalharem com determinados conte dos necess rios para uma forma o adequada do aluno. Existem atualmente boas publica es de F sica para o ensino m dio, principalmente em livros que n o s o volumes nicos, entretanto, os assuntos relacionados rea de Astronomia concentram-se no final da Mec nica em Gravita o Universal, na ptica e no Eletromagnetismo. Em Gravita o, comenta-se de forma sucinta a hist ria dos modelos helioc ntrico e geoc ntrico, as leis de Kepler, a teoria da Gravita o Universal, o Campo Gravitacional, as velocidades orbitais e de escape. Na ptica s o estudados as sombras, penumbras e eclipses, al m de ser citado o princ pio de funcionamento do telesc pio astron mico. Em eletromagnetismo, comenta-se muito pouco sobre o magnetismo terrestre e declina o magn tica.
PRCRJ - F sica, 2004, p.1. PCN+ Ensino M dio Ci ncias da Natureza. Orienta es complementares aos Par metros Curriculares Nacionais, p. 61.
21
20
Em livros mais recentes s o introduzidos conte dos mais aprofundados sobre efeito Doppler, ondas eletromagn ticas, radia o do corpo negro, relatividade restrita, raios-x, rea es nucleares (fiss o e fus o nuclear), temas fundamentais que auxiliam a compreens o do estudo de Astronomia. Foi observado que alguns livros j trazem informa es sobre forma o, vida e morte de estrelas e origem do universo, por m s o colocados nos ltimos cap tulos do livro, aonde dificilmente chegar o a ser desenvolvidos no decorrer do curso de ensino m dio. requisito do PCN+ Ci ncias da Natureza na rea de F sica, o efetivo aprendizado do tema estruturador Universo, Terra e Vida, que composta das seguintes unidades tem ticas: "(.)1. Terra e sistema solar Conhecer as rela es entre os movimentos da Terra, da Lua e do Sol para a descri o de fen menos astron micos (dura o do dia e da noite, esta es do ano, fases da lua, eclipses etc.). Compreender as intera es gravitacionais, identificando for as e rela es de conserva o, para explicar aspectos do movimento do sistema planet rio, cometas, naves e sat lites. 2. O Universo e sua origem Conhecer as teorias e modelos propostos para a origem, evolu o e constitui o do Universo, al m das formas atuais para sua investiga o e os limites de seus resultados no sentido de ampliar sua vis o de mundo. Reconhecer ordens de grandeza de medidas astron micas para situar a vida (e vida humana), temporal e espacialmente no Universo e discutir as hip teses de vida fora da Terra. 3. Compreens o humana do Universo Conhecer aspectos dos modelos explicativos da origem e constitui o do Universo, segundo diferentes culturas, buscando semelhan as e diferen as em suas formula es. Compreender aspectos da evolu o dos modelos da ci ncia para explicar a constitui o do Universo (mat ria, radia o e intera es) atrav s dos tempos, identificando especificidades do modelo atual.
Identificar diferentes formas pelas quais os modelos explicativos do
Universo influenciaram a cultura e a vida humana ao longo da hist ria da humanidade e vice-versa (.)". Em contrapartida no PRCRJ, os conte dos na rea de Mec nica, movimento circular e Gravita o Universal, e na rea de ptica, lentes e instrumentos pticos, temas fundamentais em Astronomia, s o considerados opcionais, ou seja, o seu estudo n o de grande import ncia para a forma o b sica do aluno da rede p blica. Percebe-se desta maneira que o PRCRJ n o valoriza os conte dos na rea de Astronomia, fato ocorrido de forma semelhante com os conte dos de Geografia do ensino fundamental. Portanto, seria muito interessante a possibilidade da exist ncia de uma disciplina que conseguisse englobar todos os conte dos propostos pelos PCNs, e que realmente alfabetizasse o aluno em Astronomia, e que ao mesmo tempo se obtenha alto grau interdisciplinar com as outras reas das ci ncias.
4- O Ensino de Astronomia
Existem atualmente no Brasil diversos cursos de Astronomia, o nico ao n vel de gradua o no Observat rio do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os demais situam-se ao n vel de p s-gradua o. Na rea de Astronomia e Astrof sica, ao n vel de stricto-sensu, quatro cursos reconhecidos: INPE: Mestrado e Doutorado em Astrof sica. UFRJ: Mestrado em Astronomia. ON: Mestrado e Doutorado em Astronomia. USP: Mestrado e Doutorado em Astronomia. encontram- se
Na rea de F sica com linhas de pesquisa na rea de Astronomia ou Astrof sica encontram-se diversos cursos reconhecidos: Astrof sica). CBPF: Mestrado, Doutorado e P s-Doutorado em reas como UFRGS: Mestrado e Doutorado em F sica (linha de pesquisa: Cosmologia e Astrof sica.
Astrof sica). Astrof sica).
UFRN: Mestrado e Doutorado em F sica (linha de pesquisa: UFMG: Mestrado e Doutorado em F sica (linha de pesquisa: UFSC: Mestrado e Doutorado em F sica (linha de pesquisa: UEL: Mestrado em F sica (linha de pesquisa: Astrof sica). UFSM: Mestrado em F sica (linha de pesquisa: Astronomia). UNIVAP: Mestrado em F sica (linha de pesquisa: Astronomia). UFOP: Lato-sensu e curso seq encial em Ensino de Astronomia. UEFS: Lato-sensu em Astronomia: uma ci ncia interdisciplinar. CEFET-Campos (RJ): Lato-sensu em Ensino de Astronomia.
Astronomia e Astrof sica).
Ao n vel de especializa o, encontram-se:
Diversos cursos elementares e de extens o s o oferecidos em diversas institui es, como observat rios, planet rios, funda es, clubes de Astronomia, etc. Percebe-se que existem muitas institui es no Brasil formando profissionais na rea de Astronomia e Astrof sica, portanto, inicialmente pode-se buscar o aux lio destes profissionais para o ensino de Astronomia num primeiro momento, antes da implanta o de uma licenciatura espec fica, no caso de implanta o de uma disciplina com este fim no ensino m dio, segundo Percy
22
,
"p s-graduados, graduados e especialistas em Astronomia possuem um problema comum em todo o mundo, a falta de emprego", assim sendo, a educa o de alunos nesta rea pode de certa forma resolver parte este problema para esta rea de forma o, al m disto os alunos entrariam em contato com os conte dos de forma correta. Dentro de uma inovadora linha de pesquisa a Universidade do Porto (Portugal) criou o primeiro curso de licenciatura em Astronomia, atrav s da "fus o" de conte dos da F sica e Matem tica, que tem como principal objetivo levar os conhecimentos de Astronomia para as turmas de ensino b sico, pois o aluno formado nesta rea tem habilita o em F sica e Matem tica, al m de
PERCY, J. R. Astronomy Education: An International Perspective. Astrophisics and Space Science 258: 347-355, 1998, P. 349.
22
prepar -lo para p s-gradua o nas reas de Astronomia e Astrof sica, a matriz curricular do curso da Universidade do Porto encontra-se em anexo. A elabora o de uma estrat gia para ensino de Astronomia no ensino m dio n o uma tarefa f cil, segundo Yair e colaboradores,
"para entender os fen menos astron micos como dia e noite, a ocorr ncia das esta es do ano, eclipses, fases da Lua, o movimento dos planetas, os alunos devem ter a capacidade de visualizar os eventos e objetos que podem aparecer em diferentes perspectivas simultaneamente. Ensinar Astronomia considerado dif cil tamb m devido ao grande n mero de detalhes e das concep es serem abstratas".23
Muitos alunos e professores, que n o tiveram disciplinas em sua forma o na rea de Astronomia, apresentam concep es pr vias coincidentes principalmente com a filosofia aristot lica, assim sendo necess rio muito cuidado para romper as id ias fixadas fora dos modelos vigentes de explica o. A partir de uma filosofia bachelardiana
24
, atrav s da no o de obst culos
epistemol gicos, duas podem ser as rea es dos alunos, "assimilarem tais id ias e coloc -las ao lado daquelas que eles j possu am ou simplesmente deixam o professor falar por n o conseguir acompanhar as rupturas que o mesmo prop e" 25. Para ser um professor de Astronomia em n vel prim rio e secund rio n o tarefa f cil, este necessita sempre estar em contato com observat rios, planet rios, softwares educacionais, v deos, al m de outros mecanismos virtuais, para realmente demonstrar a din mica dos conte dos. Segundo Bennet,
"para ser um efetivo professor de Astronomia, ele n o pode simplesmente contar com a perspic cia e beleza da disciplina. Ele deve ter dedica o e trabalho duro para levar a ci ncia viva e realizar algo significativo em sala de aula, por toda a vida" 26,
23
YAIR, Y., SCHUR, Y. e MINTZ, R. A Thinking Journey to the Planets Using Scientific Visualization Technologies: Implications to Astronomy Education. Journal of Science Education Technology, vol. 12, n 1, march, 2003, p. 43. 24 Gaston Bachelard um fil sofo descontinu sta da filosofia da Ci ncia, suas propostas s o conhecidas como filosofia bachelardiana. 25 DIAS, Claudio A. C. M. Avalia o de obst culos epistemol gicos para queda de corpos e peso aparente com alunos da rede p blica de ensino. Monografia de conclus o de curso. CEFET-Campos (RJ), 2004, p. 10-11. 26 BENNETT, Jeffrey O. Strategies for Teaching Astronomy. Mercury. 28 (24-30), 1999, p. 24.
portanto, al m do trabalho duro, necess rio que este profissional consiga buscar a harmonia entre as disciplinas, para que seja capaz de produzir uma disciplina forte
Inserção da astronomia como disciplina curricular do Ensino Médio
A astronomia é uma das primeiras ciências a ser estudada pelo homem, porém nos dias atuais, mesmo tendo seus conteúdos indicados nos PCNs, os alunos deixam o ensino médio sem o conhecimento de muitas questões na referida área, contribuindo fortemente para o despreparo do aluno frente ao estudo das Ciências.
QUÍMICA - COLEÇÃO EXPLORANDO O ENSINO - VOL 4
Química : ensino médio / organização Eduardo Fleury Mortimer. ? Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006. 165 p. : il. (Coleção explorando o ensino ; v. 4)
RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA DA AVALIAÇÃO EM ARTES NO ENSINO FUNDAMENTAL
Artigo cuja abordagem são os critérios de avaliação em Artes no Ensino Fundamental
Parecer Proposta Curricular Matematica
Parecer sobre a Proposta Curricular do Estado de São Paulo - Matemática
LIVRO DIDÁTICO PÚBLICO DE MATEMÁTICA
ÓTIMO LIVRO DE MATEMÁTICA - SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PARANÁ
QUÍMICA - COLEÇÃO EXPLORANDO O ENSINO - VOL 5
Química : ensino médio / organização Eduardo Fleury Mortimer. ? Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006. 222 p. : il. (Coleção explorando o ensino ; v. 5).
LIVRO DIDÁTICO PÚBLICO DE QUÍMICA
ÓTIMO LIVRO DE QUÍMICA - SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DOPARANÁ