Cópia não autorizada SET 1997 NBR 13969 ABNT-Associação Brasileira de Normas Técnicas Sede: Rio de Janeiro Av. Treze de Maio, 13 -28º andar CEP 20003-900 -Caixa Postal 1680 Rio de Janeiro -RJ Tel.:PABX (21) 210 -3122 Fax: (21) 220-1762/220-6436 Endereço Eletrônico: www.abnt.org.br Tanques sépticos -Unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos -Projeto, construção e operação Copyright © 1997, ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas Printed in Brazil/ Impresso no Brasil Todos os direitos reservados Origem: Projeto 02:144.07-002:1996 CB-02 -Comitê Brasileiro de Construção Civil CE-02:144.07 -Comissão de Estudo de Instalação Predial de Tanques Sépticos NBR 13969 -Septic tank -Units for treatment and disposal of liquid effluents Project, construction and operation Descriptor: Septic tank Válida a partir de 30.10.1997 Palavra-chave: Tanque séptico 60 páginas Sumário Prefácio Introdução 1 Objetivo 2 Referências normativas 3 Definições, símbolos e abreviaturas 4 Tratamento complementar dos efluentes de tanque séptico 5 Disposição final dos efluentes de tanque séptico 6 Amostragem para análise do desempenho e do monitoramento ANEXOS A Procedimento para estimar a capacidade de percolação do solo (K) B Figuras referentes à instalação C Referências bibliográficas D Figuras referentes a dados climatológicos Esta Norma faz parte de uma série de três normas referentes ao "Sistema de tratamento de esgotos",sendo a primeira desta série a NBR 7229:1993 -Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos. Esta Norma complementa a parte referente ao tratamento e disposição dos efluentes de tanques sépticos da NBR 7229:1993, que contemplava transitoriamente este assunto em seu anexo B, até a edição da presente Norma. As alternativas para tratamento e disposição dos efluentes dos tanques sépticos foram revistas, ampliadas e detalhadas, assim como foram inclusas outras alternativas para possibilitar a adequação da qualidade do efluente para situações as mais diversas e exigentes possíveis, se for necessário. A terceira norma, em fase de elaboração, cujo título é "Tratamento e disposição final de sólidos do sistema de tanque séptico",vai completar o assunto, abrangendo, desta forma, todos os aspectos de tratamento no sistema local de tratamento de esgotos. Esta Norma inclui os anexos A e B, de caráter normativo, e os anexos C e D, de caráter informativo. Prefácio A ABNT -Associação Brasileira de Normas Técnicas -é o Fórum Nacional de Normalização. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (CB) e dos Organismos de Normalização Setorial (ONS), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros). Os Projetos de Norma Brasileira, elaborados no âmbito dos CB e ONS, circulam para Votação Nacional entre os associados da ABNT e demais interessados. Introdução Esta Norma foi elaborada para oferecer aos usuários do sistema local de tratamento de esgotos, que têm tanque séptico como unidade preliminar, alternativas técnicas consideradas viáveis para proceder ao tratamento complementar e disposição final do efluente deste. Em Cópia não autorizada 2 NBR 13969:1997 decorrência das necessidades de saneamento básico efetivo das áreas não abrangidas por sistema de rede coletora e tratamento de esgotos de porte, da proteção do meio ambiente e do manancial hídrico, tornou-se imperativo oferecer opções coerentes com aquelas necessidades. Isto não impede que um fabricante ou usuário desenvolva outros processos mais compactos, econômicos e eficientes, como, por exemplo, já incorporando tanque anaeróbio em substituição ao tanque séptico; reator biológico o qual faz uso da membrana filtrante para obtenção direta do efluente para reuso; sistema incorporando aproveitamento de biogás; sistema de desinfecção por ultravioleta compacto etc.,desde que devidamente comprovados. As alternativas aqui apresentadas foram detalhadas e explicadas. No entanto, o usuário não pode eximir-se da responsabilidade de verificação de alguns aspectos técnicos por ocasião do estudo para implantação do sistema, tais como os dados sobre vazões reais a serem tratadas, as características do esgoto, do solo, do nível aqüífero, das condições climáticas locais etc.,quando for o caso. De modo geral, em um sistema de tratamento de esgotos, os custos de implantação e de operação são proporcionais ao volume de esgoto a ser tratado. Além disso, como regra geral, quanto mais concentrado é o esgoto, mais fácil é o seu processo de depuração. Sendo assim, no planejamento do sistema de tratamento de esgotos, é de fundamental importância a redução do seu volume. Isto exige, freqüentemente, a mudança de procedimento nas atividades consumidoras de água, no hábito dos usuários, na adoção de equipamentos e dispositivos sanitários que demandem menos água para funcionamento, tais como torneiras com menor vazão e mesmo poder de lavagem, vasos sanitários com volume menor de água necessária, no reuso das águas antes do seu lançamento ao sistema de tratamento, etc. Diante da escassez dos recursos hídricos facilmente exploráveis, o atendimento da população das áreas urbanas com água potável em abundância está sendo tarefa cada vez mais difícil de ser cumprida. Com a crescente pressão demográfica, uma das alternativas para contornar este problema é, sem dúvida, o reuso de esgoto, sendo esta a política que deve ser seguida tanto no setor produtivo, para o qual prevê-se sensível elevação do custo de água no futuro próximo, quanto pela população em geral. Com um bom planejamento, pode-se obter, não raras vezes, uma redução de até 50% no volume de esgoto. O benefício de redução do volume de esgoto se estende a todas as alternativas técnicas de tratamento, mais especialmente nos casos de sistemas de disposição final por valas de infiltração, sumidouros e canteiros de evapotranspiração. É igualmente importante que sejam avaliados padrões de emissão estabelecidos nas leis, necessidade de proteção do manancial hídrico da área circunvizinha, disponibilidade da água etc.,para seleção das alternativas que compõem o sistema local de tratamento de esgotos. As mesmas observações relativas ao consumo de água valem para determinados poluentes, cuja tecnologia para sua remoção ainda é onerosa (por exemplo: fósforo). A substituição de determinados produtos (detergentes) por outros que contenham menor teor daquela substância tem mais eficácia em evitar a poluição do que operar um sistema complexo para sua remoção e reduz o custo de tratamento. Também constam informações acerca de temperaturas médias e índices pluviométricos das regiões do Brasil (ver anexo D), de modo que o usuário possa obter noções rápidas sobre aqueles dados, uma vez que diversos processos são afetados pelos fatores climáticos. No entanto, para locais mais críticos, tais como a região sul, o usuário deve obter informações mais detalhadas da área onde se pretende implantar o sistema, de modo a assegurar o seu funcionamento adequado. A aplicação correta desta Norma constitui uma alternativa paralela e confiável ao sistema convencional de saneamento, e contribui para a evolução do saneamento básico e proteção ao nosso meio ambiente. 1 Objetivo Esta Norma tem por objetivo oferecer alternativas de procedimentos técnicos para o projeto, construção e operação de unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos de tanque séptico, dentro do sistema de tanque séptico para o tratamento local de esgotos. As alternativas aqui citadas devem ser selecionadas de acordo com as necessidades e condições locais onde é implantado o sistema de tratamento, não havendo restrições quanto à capacidade de tratamento das unidades. Conforme as necessidades locais, as alternativas citadas podem ser utilizadas complementarmente entre si, para atender ao maior rigor legal ou para efetiva proteção do manancial hídrico, a critério do órgão fiscalizador competente. 2 Referências normativas As normas relacionadas a seguir contêm disposições que, ao serem citadas neste texto, constituem prescrições para esta Norma. As edições indicadas estavam em vigor no momento desta publicação. Como toda norma está sujeita a revisão, recomenda-se àqueles que realizam acordos com base nesta que verifiquem a conveniência de se usarem as edições mais recentes das normas citadas a seguir. A ABNT possui a informação das normas em vigor em um dado momento. NBR 11799:1990 -Material filtrante -Areia, antracito e pedregulho -Especificação NBR 11887:1991 -Hipoclorito de cálcio -Especificação 3 Definições, símbolos e abreviaturas Para os efeitos desta Norma, aplicam-se as seguintes definições. 3.1 sistema local de tratamento de esgotos: Sistema de saneamento onde as distâncias entre as fontes geradoras de esgotos, seu tratamento e disposição final são próximas entre si, não necessitando normalmente de rede coletora extensa, coletor-tronco, poços de visita, emissários, elevatórias etc. Cópia não autorizada NBR 13969:1997 3 3.2 reuso local de esgoto tratado: Utilização local do esgoto tratado para diversas finalidades, exceto para o consumo humano. 3.3 reator biológico: Unidade que concentra microorganismos e onde ocorrem as reações bioquímicas responsáveis pela remoção dos componentes poluentes do esgoto. 3.4 filtro anaeróbio de leito fixo com fluxo ascendente; filtro anaeróbio: Reator biológico com esgoto em fluxo ascendente, composto de uma câmara inferior vazia e uma câmara superior preenchida de meio filtrante submersos, onde atuam microorganismos facultativos e anaeróbios, responsáveis pela estabilização da matéria orgânica. 3.5 filtro aeróbio submerso; filtro aeróbio: Reator biológico composto de câmara reatora contendo meio filtrante submerso, basicamente aeróbia, onde ocorre a depuração do esgoto, e a câmara de sedimentação, onde os flocos biológicos são sedimentados e retornados para a câmara reatora. 3.6 filtro de areia: Tanque preenchido de areia e outros meios filtrantes, com fundo drenante e com esgoto em fluxo descendente, onde ocorre a remoção de poluentes, tanto por ação biológica quanto física. 3.7 vala de filtração: Vala escavada no solo, preenchida com meios filtrantes e provida de tubos de distribuição de esgoto e de coleta de efluente filtrado, destinada à remoção de poluentes através de ações físicas e biológicas sob condições essencialmente aeróbias. 3.8 meio filtrante: Material destinado a reter sólidos ou fixar microorganismos na sua superfície para depuração de esgotos. 3.9 área específica do meio filtrante: Área total de superfície de uma unidade de volume de um meio filtrante. 3.10 diâmetro efetivo do meio filtrante, Dn: Diâmetro (Dn) dos grãos do meio filtrante em milímetros, tal que n, em percentagem, dos grãos seja menor que aquele, em termos de massa. 3.11 coeficiente de uniformidade do meio filtrante: Relação entre os diâmetros efetivos D60 e D10, a qual expressa a dispersão dos diâmetros de grãos componentes do meio; quanto maior este número, mais variados são os diâmetros dos grãos. 3.12 porosidade do meio filtrante, n: Relação entre o volume total de vazios e o volume total de um meio filtrante, expressa pela relação n =100 (Vv/Vt). 3.13 índice de vazio do meio filtrante, e: Relação entre o volume total de vazios e o volume total de sólidos, tendo a relação tal que n =100 e/(1+e). 3.14 membrana filtrante: Filme com poros de determinados diâmetros para separação da fase líquida e fase sólida, utilizado para obtenção do efluente de determinada qualidade. 3.15 vala de infiltração: Vala escavada no solo, destinada à depuração e disposição final do esgoto na subsuperfície do solo sob condição essencialmente aeróbia, contendo tubulação de distribuição e meios de filtração no seu interior. 3.16 poço absorvente; sumidouro: Poço escavado no solo, destinado à depuração e disposição final do esgoto no nível subsuperficial. 3.17 canteiro de infiltração e evapotranspiração: Canteiro artificial de solo, destinado ao tratamento e à disposição final de esgoto, onde se permite a infiltração e evapotranspiração da parte líquida do esgoto. 3.18 taxa de evapotranspiração: Altura da coluna de água, dada em milímetros, perdida pelos mecanismos de transpiração da vegetação e da evaporação. 3.19 lodo ativado por batelada, [LAB]: Processo de tratamento essencialmente aeróbio, onde as etapas de depuração e a separação dos flocos biológicos são realizadas em um mesmo tanque, intermitentemente. 3.20 lodo biológico: Material formado de flocos biológicos, sólidos orgânicos e inorgânicos, resultantes do crescimento biológico no reator. 3.21 tempo de retenção de sólidos biológicos, [TRS]: Tempo médio em que os sólidos biológicos permanecem dentro de um reator biológico. 3.22 lodo biológico excedente: Parte do lodo biológico gerado no reator, que deve ser retirada para manter bom funcionamento do processo biológico. 3.23 taxa de aplicação hidráulica superficial: Relação entre a vazão de esgoto e a área superficial de uma unidade de tratamento. 3.24 tempo de detenção hidráulica: Tempo médio que a massa hidráulica fica dentro de um tanque. 3.25 escoamento superficial: Tratamento complementar ou disposição final que consiste no escoamento do esgoto na superfície do solo de pequena declividade e com vegetação, com emprego ou não de sulcos no solo. 3.26 demanda bioquímica de oxigênio de cinco dias, a 20 C, [DBO5,20]: Quantidade de oxigênio consumido para estabilizar bioquimicamente o material orgânico biodegradável contido no esgoto, sob condição aeróbia, no teste de incubação durante cinco dias, a 20 C. 3.27 demanda química de oxigênio, [DQO]: Quantidade de oxigênio consumida para oxidação da matéria orgânica contida no esgoto, estimada através da reação química, utilizando o dicromato de potássio como reagente, sob condição ácida e quente. 3.28 sólidos não filtráveis, [SNF]; sólidos em suspensão: Parcela das partículas sólidas contidas no esgoto ou na água e que são retidas pelo processo de filtração utilizando papel de filtro de diversos materiais. 3.29 indicadores de contaminação fecal; coliformes: Agentes biológicos que servem de indicadores da contaminação do meio hídrico com fezes de animais. Cópia não autorizada 4 NBR 13969:1997 3.30 agentes patogênicos: Agentes biológicos contidos no esgoto, responsáveis pela transmissão de doenças, tais como vírus, bactérias, protozoários etc. 3.31 macronutrientes inorgânicos: Componentes inorgânicos dos poluentes contidos no esgoto, essencialmente os derivados de nitrogênio e fósforo. 3.32 desidratação de lodos: Processos naturais ou mecânicos, através dos quais se reduz o conteúdo líquido do lodo, para posterior disposição final. 3.33 taxa nominal de transferência de oxigênio: Taxa que mede a capacidade de um equipamento de aeração de transferir oxigênio livre para o meio hídrico, sob condições-padrão de 20 C e 1,0 atm, em água limpa. 3.34 esgoto comercial: Despejos líquidos oriundos de atividades comerciais, passíveis de serem tratados biologicamente. 3.35 lagoa com plantas aquáticas: Tratamento onde o esgoto é mantido em um tanque raso com plantas aquáticas flutuantes, cuja remoção de poluentes se dá através de plantas e microorganismos fixos nas raízes das mesmas. 3.36 leito de secagem: Unidade destinada à desidratação de lodo removido, por processo natural de evaporação e infiltração, contendo dispositivo de drenagem do líquido. outras condições sejam satisfatórias. Os efluentes do filtro anaeróbio podem exalar odores e ter cor escura. 4.1.1 Dimensionamento 4.1.1.1 Volume O volume útil do leito filtrante (Vu), em litros, é obtido pela equação: Vu =1,6 NCT onde: N é o número de contribuintes; C é a contribuição de despejos, em litros x habitantes/ dia (conforme a tabela 3); T é o tempo de detenção hidráulica, em dias (conforme a tabela 4). NOTA -O volume útil mínimo do leito filtrante deve ser de 1 000 L. A altura do leito filtrante, já incluindo a altura do fundo falso, deve ser limitada a 1,20 m. A altura do fundo falso deve ser limitada a 0,60 m, já incluindo a espessura da laje. Construção do fundo falso: no caso de haver dificuldades de construção de fundo falso, todo o volume do leito pode ser preenchido por meio filtrante. Nesse caso, o esgoto afluente deve ser introduzido até o fundo, a partir do qual é distribuído sobre todo o fundo do filtro através de tubos perfurados (ver anexo B, figuras B.2 e B.3); A altura total do filtro anaeróbio, em metros (ver anexo B, figura B.5), é obtida pela equação: H =h +h1 +h2 onde: H é a altura total interna do filtro anaeróbio; h é a altura total do leito filtrante; h1 é a altura da calha coletora; 4 Tratamento complementar dos efluentes de tanque séptico As seções a seguir, de 4.1 a 4.4, detalham as alternativas técnicas para o tratamento do efluente de tanque séptico. São alternativas que resultam, ainda, na emissão do efluente tratado que deve ser disposto em algum corpo receptor. Para facilitar o trabalho do usuário na consulta desta Norma com respeito à escolha do processo a ser selecionado, são apresentadas as tabelas 1 e 2, que indicam, respectivamente e de modo genérico, as faixas de remoção das alternativas apresentadas e as respectivas características principais. Conforme representado no anexo B, figura B.1, são indicadas algumas alternativas de leiaute da disposição das unidades de pós-tratamento/reuso do efluente de tanque séptico. Todas as tubulações de transporte de esgoto do sistema devem ser protegidas contra cargas rodantes para não causar extravasamento ou obstrução do sistema. 4.1 Filtro anaeróbio de leito fixo com fluxo ascendente; filtro anaeróbio O filtro anaeróbio consiste em um reator biológico onde o esgoto é depurado por meio de microorganismos não aeróbios, dispersos tanto no espaço vazio do reator quanto nas superfícies do meio filtrante. Este é utilizado mais como retenção dos sólidos. Todo processo anaeróbio, é bastante afetado pela variação de temperatura do esgoto; sua aplicação deve ser feita de modo criterioso. O processo é eficiente na redução de cargas orgânicas elevadas, desde que as h2 é a altura sobressalente (variável). 4.1.1.2 Perda de carga hidráulica entre o tanque séptico e o filtro anaeróbio A perda de carga hidráulica a ser prevista entre o nível mínimo no tanque séptico e o nível máximo no filtro anaeróbio é de 0,10 m. 4.1.1.3 Sistema de distribuição de esgoto no filtro anaeróbio A distribuição de esgoto afluente no fundo do filtro anaeróbio deve ser feita: a) através de tubos verticais com bocais perpendiculares ao fundo plano, com uma distância entre aqueles de 0,30 m (ver anexo B, figura B.5); a área Cópia não autorizada NBR 13969:1997 5 do fundo do filtro a ser abrangida por cada bocal de distribuição deve ser inferior a 3,0 m2; b) através de tubos perfurados (de PVC ou de concreto), instalados sobre o fundo inclinado do filtro (ver anexo B, figuras B.2, B.3 e B.4). 4.1.1.4 Divisão de vazão nos casos de bocais múltiplos ou reatores múltiplos 4.1.1.6 Sistema de drenagem dos filtros anaeróbios Todos os filtros devem possuir um dispositivo que permita a drenagem dos mesmos pelo fluxo no sentido descendente, conforme os casos a seguir: a) nos casos de filtros com fundo falso, um tubo-guia ( 150 mm em PVC) para cada 3 m do fundo (ver anexo B, figuras B.5 e B.6); b) nos casos de filtros com distribuição de esgotos através de tubos perfurados instalados no fundo, este deve ter declividade de 1% em direção ao poço de drenagem, conforme representado no anexo B, figuras B.2 e B.3. 4.1.1.7 Especificações do material filtrante A divisão eqüitativa de vazão de esgoto entre os bocais de um mesmo reator ou entre os reatores é de fundamental importância para o bom desempenho dos reatores. Para tanto, deve ser feita conforme segue: a) no caso de divisão de vazão entre os bocais de um mesmo reator, o dispositivo interno para divisão deve ser conforme representado no anexo B, figura B.8 a); b) no caso de se dividir a vazão entre os reatores distintos ou quando se quiser dividir a vazão externamente a um reator, o dispositivo deve ser feito conforme representado no anexo B, figura B.8 c). 4.1.1.5 Coleta de efluentes O material filtrante para filtro anaeróbio deve ser especificado como a seguir: a) brita, peças de plástico (em anéis ou estruturados) ou outros materiais resistentes ao meio agressivo. No caso de brita, utilizar a nº 4 ou nº 5, com as dimensões mais uniformes possíveis. Não deve ser permitida a mistura de pedras com dimensões distintas, a não ser em camadas separadas, para não causar a obstrução precoce do filtro; b) a área específica do material filtrante não deve ser considerada como parâmetro na escolha do material filtrante. 4.1.1.8 Furos no fundo falso e nos tubos de distribuição e coleta de esgotos A coleta de efluentes deve ser feita através de: a) canaletas, conforme representado no anexo B, figura B.7; b) tubos perfurados; c) a quantidade de canaletas ou tubulações e suas respectivas disposições devem ser definidas como segue: nos filtros cilíndricos, uma canaleta ou tubo por cada bocal de distribuição, dispostos paralelamente ou perpendicularmente (ver anexo B, figuras B.5 e B.6); nos filtros retangulares, uma canaleta ou tubo por cada bocal de distribuição de esgotos, devendo os mesmos serem dispostos na mesma direção do maior lado do retângulo; nos filtros cuja distribuição de esgoto afluente é feita através de tubos perfurados no fundo, como nos tanques retangulares, as canaletas ou tubos coletores devem ser dispostos paralelamente àquela do fundo (em planta), conforme representado no anexo B, figura B.2. A distância entre duas canaletas consecutivas não deve ser superior a 1,5 m; os vertedores das canaletas ou furos dos tubos coletores de efluentes do filtro anaeróbio devem ser dispostos horizontalmente, de modo a coletar os efluentes uniformemente em todas as suas extensões. No fundo falso, o diâmetro dos furos deve ser de 2,5 cm. O número total de cavas deve ser de tal modo que a somatória da área dos cavas corresponda, no mínimo, a 5% da área do fundo falso, conforme representado no anexo B, figura B.5. Nos tubos perfurados, os furos devem ter diâmetro de 1,0 cm com a variação admissível de mais ou menos 5%.A disposição dos furos deve seguir conforme representado no anexo B, figura B.4. No caso de se utilizar material plástico como meio filtrante, o fundo falso pode ser dispensado, substituindo-o por telas em aço inoxidável ou por próprio material já estruturado. 4.1.1.9 Cobertura do filtro anaeróbio O filtro anaeróbio deve possuir uma cobertura em laje de concreto, com a tampa de inspeção localizada em cima do tubo-guia para drenagem. Esta pode ser substituída pela camada de brita, nos casos de se ter tubos perfurados para coleta de efluentes e onde não houver acesso de pessoas, animais, carros ou problemas com odor, com a parede sobressalente acima do solo, de modo a impedir o ingresso de águas superficiais (ver anexo B, figuras B.2, B.3 e B.5). Cópia não autorizada 6 NBR 13969:1997 Tabela 1 -Faixas prováveis de remoção dos poluentes, conforme o tipo de tratamento, consideradas em conjunto com o tanque séptico (em %)1) ,2) ,3) Processo Parâmetro DBO5,20 DQO SNF Sólidos sedimentáveis Nitrogênio amoniacal Nitrato Fosfato Coliformes fecais 1) Filtro anaeróbio submerso 40 a 75 40 a 70 60 a 90 70 ou mais Filtro aeróbio Filtro de areia Vala de filtração LAB Lagoa com plantas 60 a 95 50 a 80 80 a 95 90 ou mais 50 a 85 40 a 75 70 a 95 100 50 a 80 40 a 75 70 a 95 100 70 a 95 60 a 90 80 a 95 90 a 100 70 a 90 70 a 85 70 a 95 100 -30 a 80 50 a 80 50 a 80 60 a 90 70 a 90 20 a 50 -30 a 70 30 a 70 -30 a 70 30 a 70 99 ou mais 30 a 70 30 a 70 99,5 ou mais 30 a 70 50 a 90 -50 a 80 70 a 90 -Para obtenção de melhores resultados, deve haver combinações complementares. 2) Os valores limites inferiores são referentes a temperaturas abaixo de 15 C; os valores limites superiores são para temperaturas acima de 25 C, sendo também influenciados pelas condições operacionais e grau de manutenção. 3) As taxas de remoção dos coliformes não devem ser consideradas como valores de aceitação, mas apenas de referência, uma vez que 0,5% residual de coliformes do esgoto representa centenas de milhares destes. Tabela 2 -Algumas características dos processos de tratamento (exclui tanque séptico) Processo Característica Área necessária Operação Custo operacional Manutenção Reduzida Simples Baixo Simples Filtro anaeróbio Filtro aeróbio submerso Reduzida Simples Alto Simples Filtro de areia Vala de filtração Lagoa com plantas LAB Média Simples Médio Simples Média Simples Baixo Simples Média Simples Alto Mediana complexidade Não Média Simples Baixo Simples Odor/cor no efluente Sim Não Não Não Não Cópia não autorizada NBR 13969:1997 7 Tabela 3 -Contribuição diária de despejos e de carga orgânica por tipo de prédio e de ocupantes Contribuição de esgoto L/d Contribuição de carga orgânica gDBO5,20/d Prédio Unidade 1. Ocupantes permanentes Residência Padrão alto Padrão médio Padrão baixo Hotel (exceto lavanderia e cozinha) Alojamento provisório 2. Ocupantes temporários Fábrica em geral Escritório Edifício público ou comercial Escolas (externatos) e locais de longa permanência Bares Restaurantes e similares Cinemas, teatros e locais de curta permanência Sanitários públicos1) 1) Pessoa Pessoa Pessoa Pessoa Pessoa 160 130 100 100 80 50 45 40 30 30 Pessoa Pessoa Pessoa Pessoa Pessoa Pessoa Lugar Bacia sanitária 70 50 50 50 6 25 2 480 25 25 25 20 6 25 1 120 Apenas de acesso aberto ao público (estação rodoviária, ferroviária, logradouro público, estádio de esportes, locais para eventos etc.). Tabela 4 -Tempo de detenção hidráulica de esgotos (T), por faixa de vazão e temperatura do esgoto (em dias) Vazão L/dia Até 1 500 De 1 501 a 3 000 De 3 001 a 4 500 De 4 501 a 6 000 De 6 001 a 7 500 De 7 501 a 9 000 Acima de 9 000 Temperatura média do mês mais frio Abaixo de 15 C 1,17 1,08 1,00 0,92 0,83 0,75 0,75 Entre 15 C e 25 C 1,0 0,92 0,83 0,75 0,67 0,58 0,50 Maior que 25 C 0,92 0,83 0,75 0,67 0,58 0,50 0,50 Cópia não autorizada 8 NBR 13969:1997 4.1.2 Número e disposição do filtro anaeróbio b) a conformidade com esta Norma; c) o volume útil total e o número de contribuintes admissíveis. 4.2 Filtro aeróbio submerso O filtro aeróbio submerso é o processo de tratamento de esgoto que utiliza um meio de fixação dos microorganismos, imerso no reator, sendo o oxigênio necessário fornecido através de ar introduzido por meio de equipamento. Sua característica é a capacidade de fixar grandes quantidades de microorganismos nas superfícies do meio, reduzindo o volume do reator biológico, permitindo depuração em nível avançado de esgoto, sem necessidade de recirculação de lodo, como acontece com o lodo ativado. 4.2.1 Câmaras componentes do filtro aeróbio submerso Conforme a concepção do sistema local de tratamento, pode-se instalar desde um filtro anaeróbio para cada tanque séptico até um único filtro anaeróbio para um grupo de tanques sépticos. 4.1.3 Materiais de construção O filtro anaeróbio pode ser construído em concreto armado, plástico de alta resistência ou em fibra de vidro de alta resistência, de modo a não permitir a infiltração da água externa à zona reatora do filtro e vice-versa. Quando instalado no local onde há trânsito de pessoas ou carros, o cálculo estrutural deve levar em consideração aquelas cargas. No caso de filtros abertos sem a cobertura de laje, somente são admitidas águas de chuva sobre a superfície do filtro. Quando instalado na área de alto nível aqüífero, deve ser prevista aba de estabilização. 4.1.4 Limpeza do filtro anaeróbio O filtro anaeróbio deve ser limpo quando for observada a obstrução do leito filtrante, observando-se os dispostos a seguir: a) para a limpeza do filtro deve ser utilizada uma bomba de recalque, introduzindo-se o mangote de sucção pelo tubo-guia, quando o filtro dispuser daquele; b) se constatado que a operação acima é insuficiente para retirada do lodo, deve ser lançada água sobre a superfície do leito filtrante, drenando-a novamente. Não deve ser feita a "lavagem" completa do filtro, pois retarda a partida da operação após a limpeza; c) nos filtros com tubos perfurados sobre o fundo inclinado, a drenagem deve ser feita colocando-se mangote de sucção no poço de sucção existente na caixa de entrada, conforme representado no anexo B, figuras B.2 e B.3. Se constatada a insuficiência de remoção de lodo, deve-se seguir a instrução da alínea b). 4.1.5 Disposição de despejos resultantes da limpeza de filtro anaeróbio O filtro aeróbio submerso é composto de duas câmaras, sendo uma de reação e outra de sedimentação. A câmara de reação pode ser subdividida em outras menores, para a remoção eficiente de poluentes tais como nitrogênio e fósforo. A câmara de sedimentação deve ser separada da câmara de reação através de uma parede com abertura na sua parte inferior para permitir o retorno dos sólidos por gravidade. 4.2.2 Dimensionamento das câmaras e características dos elementos componentes 4.2.2.1 Volume útil das câmaras Os volumes úteis, em litros, de cada câmara são calculados como segue: a) câmara de reação: Vur =400 +0,25 NC b) câmara de sedimentação: Vus =150 +0,20 NC onde: Vur e Vus são os volumes úteis das câmaras de reação e de sedimentação; N é o número de contribuintes à unidade; Os despejos resultantes da limpeza do filtro anaeróbio em nenhuma hipótese devem ser lançados em cursos de água ou nas galerias de águas pluviais. Seu recebimento em Estações de Tratamento de Esgotos é sujeito à prévia aprovação e regulamentação por parte do órgão responsável pelo sistema sanitário local. No caso de o sistema já possuir um leito de secagem, o despejo resultante da limpeza do filtro anaeróbio deve ser lançado naquele. 4.1.6 Identificação C é o volume de esgoto por pessoa por dia (litros/dia x pessoa -ver tabela 3). 4.2.2.2 Divisão da câmara de reação O filtro anaeróbio fabricado conforme esta Norma deve ser identificado através de placa afixada em lugar facilmente visível, ou por outro meio distinto, contendo: a) data de fabricação e nome de fabricante; Pode-se optar pela divisão da câmara de reação em duas ou mais partes, para obter melhor remoção de poluentes. Na divisão em duas câmaras será feita a primeira aeróbia aerada e a segunda anóxica sem aeração. A proporção Cópia não autorizada NBR 13969:1997 9 de volumes deve ser de 3:1. Para divisão em três câmaras, a seqüência deve ser aeróbia-anóxica-aeróbia, com proporção de volumes de 2:1:1. Ver figuras B.9 e B.10. 4.2.2.3 Área superficial da câmara de sedimentação camada filtrante deve ser de pelo menos 0,50 m, devendo permitir sua fácil lavagem/remoção, quando necessário. 4.2.2.6 Características do material de sedimentadores A área superficial (As) da câmara de sedimentação deve ser calculada pela equação: Os sedimentadores devem ser fabricados em material resistente contra a agressividade do meio, não devendo apresentar deformações durante o uso. Devem ser modulados e permitir a fácil remoção, substituição ou lavagem. 4.2.2.7 Inclinação das paredes e abertura da câmara de sedimentação A s =0,07 +NC 15 onde: As é a área superficial em metros quadrados; N é o número de contribuintes à unidade; C é o volume de esgoto por pessoa por dia (metros cúbicos/dia x pessoa). 4.2.2.4 Emprego de dispositivo acelerador de sedimentação As paredes da câmara devem ter inclinação no mínimo de 60 em relação à horizontal, para permitir deslizamento por gravidade dos sólidos sedimentados e seu retorno para a câmara de reação. A abertura inferior da parede separadora entre as câmaras de sedimentação e de reação deve ser de 0,15 m. 4.2.2.8 Passagem do esgoto da câmara de reação para a câmara de sedimentação Permite-se o emprego de dispositivo acelerador de sedimentação para redução da área superficial da câmara de sedimentação e amortecimento do choque hidráulico (ver figuras B.9 e B.10). Deve-se prever o uso deste quando é prevista intensa variação de vazão afluente, mesmo quando a área superficial da câmara de decantação obtida satisfaça os valores convencionais da taxa de aplicação superficial. 4.2.2.5 Dimensionamento do dispositivo de sedimentação O esgoto efluente da câmara de reação deve ser introduzido para a câmara de sedimentação por meio de uma passagem com largura de no mínimo 0,05 m. Não deve ser utilizada a abertura inferior da câmara de sedimentação para tal fim. 4.2.2.9 Características de material do meio filtrante Para o dimensionamento do dispositivo de sedimentação deve ser consultado o anexo C, referência bibliográfica nº 20, e atendido o disposto a seguir: a) os aceleradores de sedimentação podem ser de tubo circular ou quadrado, placas paralelas ou, ainda, de outros formatos que permitam, comprovadamente, a boa remoção das partículas no decantador; podese também utilizar material similar empregado como meio filtrante na câmara de reação, porém com uma área específica maior (ver anexo B, figuras B.9 e B.10); b) o ângulo de inclinação do dispositivo não deve ser superior a 40 em relação à horizontal; c) o comprimento relativo do sedimentador (caso seja utilizado) deve ser inferior a 40; d) a disposição dos sedimentadores deve ser de tal forma que facilite sua lavagem periódica. e) o dispositivo de sedimentação, como acima especificado, pode ser substituído por meio filtrante similar ao utilizado no reator, porém com área específica do meio de pelo menos 150 m2/m3. A espessura da O leito filtrante da câmara de reação deve ser enchido por material que permita o crescimento dos microorganismos na sua superfície. Assim sendo, a área específica do material (em m2/m3) deve ser considerada no seu projeto. Deve ser evitado o emprego de materiais com elevado valor de área específica, que causem obstrução precoce do leito ou que dificultem a limpeza do leito filtrante, assim como aqueles com formato que permita passagem direta do fluxo (by-pass). O material de enchimento deve ser resistente ao meio corrosivo, evitando-se o emprego de materiais que sofram desgastes ou deformações ao longo do tempo. 4.2.2.10 Modulação dos meios filtrantes Os meios filtrantes devem ser dispostos em módulos menores, de modo que permitam fácil retirada dos mesmos para manutenção. 4.2.2.11 Altura do leito filtrante A altura do leito filtrante deve ser definida deixando-se uma distância de no mínimo 0,40 cm entre o fundo da câmara e a parte inferior do leito filtrante. 4.2.12 Equipamentos de aeração O oxigênio necessário ao tratamento aeróbio é fornecido através de equipamentos de aeração de modo contínuo Cópia não autorizada 10 NBR 13969:1997 e ininterrupto. Para tanto, os equipamentos de aeração devem satisfazer às condições de 4.2.12.1 a 4.2.12.4. 4.2.12.1 Vazão de ar P 0 é a pressão absoluta da entrada, em quilopascals; P é a pressão absoluta de saída, em quilopascals; e é a eficiência da máquina; d) dependendo do local e do ambiente a ser instalado, deve ser previsto filtro de ar no soprador, cuja perda de carga deve ser computada na alínea a). 4.2.12.3 Dispositivos de difusão do ar Para o cálculo da vazão de ar a ser utilizada na câmara de reação devem ser seguidos os itens abaixo: a) a vazão de ar necessária, em litros/minuto, para o filtro aeróbio submerso deve ser calculada como segue: Qar =onde: 30 NC 1 440 A difusão de ar no filtro aeróbio deve ser feita através de dispositivos que não permitam a fácil obstrução, como a seguir: a) discos, placas ou tubos de cerâmica; N é o número de contribuintes ao filtro aeróbio submerso; C é o contribuição de esgoto por cada contribuinte, em litros/dia x pessoa (ver tabela 3); b) para casos em que o sistema recebe esgotos de origem não exclusivamente doméstica (tais como bares, restaurantes etc.), a vazão de ar deve ser calculada considerando o valor de 80 m3 de ar/dia por kg de DBO removido, devendo prever a concentração mínima de oxigênio dissolvido (OD) de 1,0 mg/L no efluente do reator aerado. 4.2.12.2 Cálculo da potência necessária do soprador b) tubos perfurados envoltos por tecidos; c) discos de bolhas grossas; d) aeradores mecânicos submersíveis; e) outros. 4.2.12.4 Disposição do(s) difusor(es) de ar A disposição do(s) difusor(es) de ar no fundo da câmara de reação deve ser de tal modo que permita a distribuição uniforme das bolhas de ar no volume do meio filtrante. 4.2.13 Sistema de limpeza/retirada de lodo Para o cálculo da potência de soprador deve-se atender ao disposto a seguir: a) a potência necessária do soprador deve ser obtida levando-se em consideração todas as perdas relativas ao difusor de ar, tubos, curvas, válvulas, medidor de ar etc.,calculadas para o ponto mais desfavorável do sistema de aeração; b) a pressão de saída do soprador deve ser obtida somando-se a perda de carga acima apurada com a altura máxima de lâmina de água acima do difusor; c) a potência requerida do soprador pode ser obtida pela equação abaixo: P 0,283 wRT0 -1 P0 Ps =8,41e onde: P s é a potência requerida do soprador, em quilowatts; w é a vazão da massa de ar, em quilogramas por segundo; R é a constante de gás (8,314 kJ/kmol.K); T0 é a temperatura do ar na entrada, em Kelvins; Deve ser previsto, para cada câmara fechada de reação, um tubo-guia para limpeza desta. Para reatores com maiores dimensões, deve-se prever a instalação de uma bomba hidráulica de pequena potência para retirada periódica do lodo biológico acumulado no fundo para aumento do intervalo de limpeza. 4.2.14 Instalação, manutenção equipamentos eletromecânicos 4.2.14.1 Soprador e operação dos O soprador deve ser acondicionado em uma caixa-abrigo e deve estar protegido contra chuva e umidade. O conjunto deve ser instalado, preferencialmente, sobre a tampa do reator. A caixa ou soprador deve estar munida de uma lâmpada-piloto para sinalização do funcionamento do soprador. 4.2.14.2 Bomba de retirada do lodo biológico Nas unidades maiores, o lodo biológico desprendido do meio filtrante deve ser removido periodicamente para impedir a deterioração da qualidade do efluente tratado e a obstrução precoce do meio filtrante. Deve ser prevista a instalação de uma bomba para retirada e envio do lodo para o tanque séptico ou para o leito de secagem. 4.2.14.3 Sistema de operação dos equipamentos O soprador deve ter operação contínua e a bomba deve ter acionamento/desligamento manual, devendo possuir lâmpada-piloto. Cópia não autorizada NBR 13969:1997 11 4.2.14.4 Manutenção dos equipamentos eletromecânicos b) conformidade com esta Norma; c) volume útil total e número de contribuintes ou carga admissível; d) características dos equipamentos (vazão de ar, potência do motor, tensão, corrente etc.); e) volume e características do meio filtrante. 4.2.19 Montagem e teste de funcionamento Os equipamentos eletromecânicos devem ser inspecionados periodicamente, de acordo com as recomendações dos fabricantes, para manter o adequado funcionamento do processo. 4.2.15 Operação e manutenção do sistema Para manter um funcionamento adequado, deve ser observado o seguinte: a) o sistema de filtro aeróbio submerso deve ser inspecionado periodicamente; b) o lodo acumulado no fundo do reator deve ser removido periodicamente conforme a instrução do fabricante; c) o meio filtrante, assim como o sedimentador (quando houver) devem ser lavados com jato de água, após a drenagem do líquido do filtro; d) o fabricante do filtro aeróbio submerso deverá fornecer manual de operação do sistema para correto funcionamento do mesmo; e) o lodo acumulado no filtro e retirado periodicamente deve ser retornado ao tanque séptico instalado a montante do filtro; caso haja leito de secagem, o lodo poderá ser disposto diretamente nele; f) a limpeza do sistema deve ser feita com emprego de materiais e equipamentos adequados para impedir o contato direto do esgoto e lodo com o operador. 4.2.16 Material e cuidados na construção do reator 4.2.16.1 Estanqueidade e durabilidade O fabricante do filtro aeróbio submerso deverá proceder à montagem do filtro no campo e dar a partida inicial do processo, devendo garantir a qualidade do efluente conforme prescrito no Manual de Operação, conforme os procedimentos de amostragem e análises físico-químicobiológicas, conforme a seção 6. 4.3 Valas de filtração e filtros de areia São processos de tratamento clássicos, consistindo na filtração do esgoto através da camada de areia, onde se processa a depuração por meio tanto físico (retenção), quanto bioquímico (oxidação), devido aos microorganismos fixos nas superfícies dos grãos de areia, sem necessidade de operação e manutenção complexas. 4.3.1 Aplicação O sistema de filtração se caracteriza por permitir nível elevado de remoção de poluentes, com operação intermitente, podendo ser utilizado nos seguintes casos: a) quando o solo ou as condições climáticas do local não recomendam o emprego de vala de infiltração ou canteiro de infiltração/evapotranspiração ou a sua instalação exige uma extensa área não disponível; b) a legislação sobre as águas dos corpos receptores exige alta remoção dos poluentes dos efluentes do tanque séptico; c) por diversos motivos, for considerado vantajoso o aproveitamento do efluente tratado, sendo adotado como unidade de polimento dos efluentes dos processos anteriores. 4.3.2 Características construtivas dos filtros de areia O material e o método de construção/fabricação do filtro aeróbio submerso devem ser selecionados de modo que permitam absoluta estanqueidade e durabilidade do conjunto. 4.2.16.2 Sistema antiflutuação Para locais com alto nível aqüífero, devem ser previstos dispositivos que permitam estabilidade do conjunto, contra a pressão de empuxo, tal como a aba de estabilidade. 4.2.17 Tampão de inspeção Deve-se atender ao disposto a seguir: a) sobre a superfície do filtro aberto de areia devem ser admitidas somente as águas das precipitações pluviométricas diretas; b) não devem ser permitidas percolações ou infiltrações de esgotos ao meio externo ao filtro de areia; c) conforme a necessidade local, pode ser empregado o filtro compacto pré-fabricado de pressão em substituição ao filtro aberto. 4.3.2.1 Fatores determinantes no projeto e na operação dos filtros de areia O filtro aeróbio submerso deve possuir tampões de inspeção para permitir a inspeção visual, instalação e remoção dos dispositivos internos, assim como a limpeza periódica. 4.2.18 Identificação O filtro aeróbio submerso fabricado conforme esta Norma deve ser identificado através de placa afixada em lugar facilmente visível ou por outro meio distinto, contendo: a) data, nome do fabricante, tipo e número de série; Os seguintes fatores devem ser considerados no projeto e na operação dos filtros de areia: a) especificação do material para filtração; Cópia não autorizada 12 NBR 13969:1997 b) manutenção da condição aeróbia e intermitência na aplicação de esgotos; c) taxa de aplicação; d) alternância de uso; e) manutenção. 4.3.2.2 Especificação do meio filtrante a ser utilizado para filtração Os detalhes do filtro estão representados no anexo B, figuras B.11 e B.12; a caixa de sifão está representada no anexo B, figura B.8 b). 4.3.2.4 Taxa de aplicação São os seguintes os materiais que podem ser utilizados como meio filtrante, conjuntamente ou isoladamente: a) areia, com diâmetro efetivo na faixa de 0,25 mm a 1,2 mm, com coeficiente de uniformidade inferior a 4; b) pedregulho ou pedra britada; As disposições em camadas dos materiais filtrantes estão representadas no anexo B, figuras B.11 e B.12; as especificações adicionais devem ser de acordo com a NBR 11799. 4.3.2.3 Manutenção da condição aeróbia e intermitência na aplicação A taxa de aplicação para cálculo da área superficial do filtro de areia deve ser limitada a 100 L/dia x m2, quando da aplicação direta dos efluentes do tanque séptico; 200 L/dia x m2 para efluente do processo aeróbio de tratamento. Para locais cuja temperatura média mensal de esgoto é inferior a 10 C, aquela taxas devem ser limitadas, respectivamente, a 50 L/dia x m 2 e 100 L/dia x m2. 4.3.2.5 Alternância de uso Além da intermitência do fluxo de efluente, deve ser prevista alternância de uso do filtro de areia para permitir a digestão do material retido no meio filtrante e remoção dos sólidos da superfície do filtro de areia. Para tanto, devem ser previstas duas unidades de filtro, cada uma com capacidade plena de filtração. O filtro deve ser substituído por outro quando se observar um excessivo retardamento na velocidade de filtração do esgoto. 4.3.2.6 Manutenção do filtro de areia O filtro de areia deve ser operado de modo a manter condição aeróbia no seu interior. Para tanto, a aplicação do efluente deve ser feita de modo intermitente, com emprego de uma pequena bomba ou dispositivo dosador, permitindo o ingresso de ar através do tubo de coleta durante o período de repouso. Deve ser prevista caixa de reservação do efluente do tanque séptico com uma bomba de recalque ou com um sifão, a montante do filtro. A primeira é utilizada preferencialmente onde o nível previsto do filtro de areia está acima do nível de tubulação de efluente do tanque séptico; a segunda opção é adequada onde o filtro de areia está em nível inferior à saída do tanque séptico. O volume da caixa deve ser dimensionado de modo a permitir no máximo uma aplicação do efluente a cada 6 h. As vazões do sifão podem ser calculadas como segue, não considerando as perdas: Durante o período de repouso de um dos filtros, deve-se proceder à limpeza e manutenção daquele em repouso. Após a secagem da superfície do filtro de areia, deve-se proceder à raspagem e remoção do material depositado na superfície, juntamente com uma pequena camada de areia (0,02 m a 0,05 m). A camada removida de areia deve ser reposta imediatamente com areia limpa com características idênticas àquela removida. A eventual vegetação na superfície do filtro deve ser imediatamente removida. 4.3.3 Vala de filtração Q =a (2 gH) O sistema de vala de filtração se diferencia do filtro de areia por não possuir área superficial exposta ao tempo, sendo construído no próprio solo, podendo ter suas paredes impermeáveis. No anexo B, figuras B.13, B.14 e B.15, estão representados exemplos de instalação das valas de filtração. 4.3.3.1 Fatores determinantes no projeto e na operação das valas de filtração Q1 =a (2 gH1) onde: a é a área da seção transversal do tubo de sifão, em metros quadrados; Q é a vazão do sifão no início da descarga, em metros cúbicos por minuto; Q1 é a vazão do sifão no final da descarga, em metros cúbicos por minuto; H é a altura manométrica máxima, em metros; H1 é a altura manométrica mínima, em metros; g é a aceleração da gravidade, em metros por segundo quadrado. Para o projeto e operação das valas de filtração devem ser observados os seguintes fatores: a) especificação do material para filtração; b) taxa de aplicação; c) manutenção da condição aeróbia no interior do filtro e intermitência na aplicação de esgoto; d) processo construtivo; e) alternância. Cópia não autorizada NBR 13969:1997 13 4.3.3.2 Especificação do material para filtração São os seguintes os materiais que podem ser utilizados como meio filtrante, conjuntamente ou isoladamente: a) areia, com diâmetro efetivo na faixa de 0,25 mm a 1,2 mm, com índice de uniformidade inferior a 4; b) pedregulho ou pedra britada. 4.3.3.3 Taxa de aplicação de efluente f) os materiais de meio filtrante devem ser dispostos na vala conforme representados no anexo B, figuras B.13 e B.15; g) para instalação da vala de filtração na área reduzida (por exemplo, quintal), pode-se optar pelo leiaute representado no anexo B, figura B.14. 4.3.3.6 Alternância de uso A taxa de aplicação do efluente a ser considerada não deve ser superior a 100 L/dia x m2 para efluente do tanque séptico, área relativa à superfície horizontal de apoio das tubulações. Os intervalos de aplicação de efluente do tanque séptico em vala de filtração não devem ser inferiores a 6 h. 4.3.3.4 Manutenção da condição aeróbia na vala Para permitir a digestão aeróbia de material retido na vala de filtração e desobstrução dos poros do meio filtrante, as valas de filtração devem ser operadas alternadamente. Para tanto, devem ser previstas pelo menos duas unidades, cada uma com capacidade plena de filtração. O intervalo entre a alternância não deve ser superior a três meses. 4.4 Lodo ativado por batelada (LAB) É o processo de tratamento que consiste na retenção de esgoto no tanque reator, onde se processa a depuração e formação de flocos de microorganismos basicamente aeróbios, cujo oxigênio necessário é fornecido através de ar injetado pelos equipamentos. Os flocos são separados do líquido tratado na fase de sedimentação no mesmo reator, drenando-se o efluente. 4.4.1 Aplicação A vala de filtração deve ser operada em condições aeróbias. Para tanto, devem ser previstos tubos de ventilação protegidos contra o ingresso de insetos, conforme representado no anexo B, figura B.13. Além disso, o funcionamento da vala deve ser intermitente, conforme descrito em 4.3.2.3. 4.3.3.5 Processo construtivo e instalação As valas de filtração devem ser construídas observando os seguintes aspectos: a) deve-se prever uma sobrelevação do solo, na ocasião de reaterro da vala, de modo a evitar a erosão do reaterro devido às chuvas, dando-se uma declividade entre 3% e 6% nas suas laterais; b) nos locais onde o terreno tem inclinação acentuada, como nas encostas de morros, as valas devem ser instaladas acompanhando as curvas de nível, similarmente ao caso da vala de infiltração representada no anexo B, figuras B.20 a) e B.20 b); c) no caso da alínea b), o campo de filtração deve possuir um sistema de drenagem das águas pluviais, de modo a não p
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