SISTEMA LINFÁTICO: REVISÃO DE LITERATURA

Fonte: Interbio v.1 n.2 2007 - ISSN 1981-3775 YAMATO, Ana Paula do Carmo Nantes

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SISTEMA LINF TICO: REVIS O DE LITERATURA

LYMPHATIC SYSTEM: LITERATURE REVIEW YAMATO, Ana Paula do Carmo Nantes 1

Resumo O sistema linf tico representa uma via auxiliar ao sistema circulat rio sang neo, cuja fun o recolher o liquido intersticial que n o retornou aos capilares sang neos. Al m de recolher os l quidos intersticiais o sistema linf tico executa um processo de filtragem dos l quidos reconduzindo-o ao sistema circulat rio sang neo.A pesquisa teve como objetivo principal esclarecer, de forma profunda, toda a fisiologia e a anatomia do sistema linf tico, visando o conhecimento abrangente de suas fun es para o organismo como um todo. Visto que atualmente, as caracter sticas essenciais da fun o linf tica est o estabelecidas, ainda que muitos aspectos, sobretudo as fun es ganglionares e seu papel nas rea es imunol gicas encontrem-se relativamente pouco elucidados.Diante dos resultados apresentados, atrav s da pesquisa bibliogr fica, torna-se importante dar aten o especial ao estudo do sistema linf tico e suas fun es, caracter sticas, estruturas que o comp e e patologias associadas, com a finalidade de prevenir os eventos patol gicos relacionados ao sistema linf tico ou tentar inibir patologias agregadas, como varizes, telangectasias, assim tentando melhorar o funcionamento desse sistema. Portanto, diminuindo os poss veis riscos de desenvolvimento de altera es patol gicas do sistema linf tico. Palavras-chave: sistema linf tico, linfa, linf ticos, edema.

Abstract The Lymphatic system represents a assistant way for circulatory system, whose function is collect the interstitial liquid what didn t get back to sanguineous capillaries. In addition of collect the interstitial liquid, the lymphatic system executes a liquid filtering process and lead backing it to blood circulatory system.The research had for main objective to clarify, in deeply form, all physiology and the anatomy of lymphatic system, aiming at the knowledge including of its functions for the organism as all.Seeing actually, the essential characteristics of lymphatic function are established, despite in many aspects, over all ganglion functions and your function in immunological relations is found relatively in low elucidates.In front at the results presented, through the bibliographic research, become important give a special attention in study of lymphatic system and its functions, characteristics, structures what compound it and associated pathologies, with finality of prevent the pathological events related with lymphatic system ore try to inhibit added pathologies, as varices, telangectasia, trying to improve the functioning of this system, therefore, reducing the possible risks of development of pathological alterations in lymphatic system.

Key-Words: lymphatic system, lymph, lymphatic, edema.

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Tecn loga em Est tica e Cosmetologia. P s-graduanda em Metodologia do ensino superior no Centro Universit rio da Grande Dourados Unigran/MS. E-mail: paulanantes@yahoo.com.br/ paula yamato@hotmail.com. YAMATO, Ana Paula do Carmo Nantes

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Introdu o O sistema linf tico tem sua origem embrion ria no mesoderma, desenvolvendose junto aos vasos sangu neos. Durante a vida intra-uterina, algumas modifica es no desenvolvimento embrion rio podem constituir caracter sticas morfol gicas pessoais, que variam entre os indiv duos (GARRIDO, 2000). O sistema linf tico representa uma via auxiliar de drenagem do sistema venoso. Os l quidos provenientes do interst cio s o devolvidos ao sangue atrav s da circula o linf tica, que est intimamente ligada circula o sangu nea e aos l quidos teciduais. (RIBEIRO, 2004). De acordo Guirro e Guirro (2004), o sistema linf tico se assemelha ao sangu neo, por m, existem diferen as entre esses dois sistemas, como aus ncia de um rg o bombeador no sistema linf tico, al m deste ser microvasculotissular. As art rias e veias do sistema de vasos sangu neos formam uma circula o completa ou fechada, que impulsionada pelo cora o. O sistema de vasos linf ticos forma apenas uma meia circula o que se inicia cegamente no tecido conjuntivo e desemboca pouco antes do cora o, nas veias. O fluxo linf tico impelido principalmente pela contra o dos linfangions e tamb m atrav s das atividades musculares (HERPERTZ, 2006). O sistema linf tico consiste de uma extensa rede de capilares e amplos vasos coletores, linfonodos e rg os linf ides (linfonodo, tonsilas, ba o e timo) (SPENCE, 1991). O presente artigo tem como objetivo abordar o tema de forma a esclarecer quest es anat micas e fisiol gicas das estruturas que comp em o sistema linf tico, al m de patologias relacionadas com esse sistema. Estrutura do sistema linf tico A linfa Segundo Ribeiro (2004), a linfa

representa um tecido imunol gico circulante que transporta uma grande quantidade de leuc citos, predominando quase que exclusivamente os linf citos. As vias linf ticas s o constitu das por capilares linf ticos, vasos linf ticos e troncos linf ticos. A linfa desempenha importante papel no transporte de subst ncias no organismo, ajuda a eliminar o excesso de l quido e produtos que deixaram a corrente sang nea, tendo a o imunol gica, isto , a linfa rica em anticorpos. Quando o sistema circulat rio e/ou linf tico n o cumpre corretamente suas fun es, o corpo fica sobrecarregado por excesso de l quido que n o consegue absorver. Na maioria dos casos, esse fen meno se traduz por sintomas como celulite, reten o de l quidos, peso nas pernas e aparecimento de edema, mais conhecido como linfedema. (CUNHA E BORDINHON, 2004). Transporte da linfa Contra o dos m sculos vizinhos: O aumento da press o for a uma maior quantidade de l quido para dentro dos capilares linf ticos, modificando a press o interna do capilar, desencadeando uma seq ncia de contra es, que tamb m ser o transmitidas para segmentos subseq entes. A intensa atividade muscular eleva tamb m a temperatura da regi o, levando a um aumento das contra es da musculatura lisa dos capilares linf ticos. A a o do diafragma sobre o transporte da linfa: A respira o provoca uma mudan a de press o na caixa tor cica; onde na inspira o, esta se dilata e seu volume aumenta consideravelmente pela descida do diafragma, mudan as pelas quais est o acompanhadas por uma press o negativa em rela o press o atmosf rica. Assim o v cuo parcial que se forma na caixa tor cica n o somente impele o ar para dentro dos pulm es, como tamb m facilita o avan o do fluxo linf tico. A pulsa o das grandes art rias: Os vasos linf ticos se encontram

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quase sempre nas proximidades dos vasos sang neos, de modo que a pulsa o das grandes art rias repercute tamb m nos vasos linf ticos, fatos este coadjuvante na motricidade dos vasos linf ticos (CUNHA E BORDINHON, 2004). Vias Linf ticas As vias linf ticas s o compostas de capilares, vasos e troncos. Os capilares apresentam-se sob forma de fundo cego, isto , s o fechados com suas extremidades ligeiramente dilatadas sob forma de pequenos bulbos. Os capilares linf ticos n o s o reconhec veis em cortes histol gicos da pele, nem mesmo por meio de lingangiografia (GUIRRO E GUIRRO, 2002). Os capilares linf ticos dispostos em forma de redes fechadas espalham-se por todo corpo, dando origem aos vasos linf ticos. Os vasos linf ticos por sua vez possuem propriedades f sicas de alongamento e contratilidade. Possuem tamb m em seu lume, ao contrario dos capilares linf ticos, v lvulas que permitem a passagem da linfa e impedem seu refluxo (RIBEIRO, 2004). Os vasos linf ticos s o distribu dos na seguinte subdivis o: linf ticos iniciais, pr coletores, coletores e ducto tor cico. Os linf ticos iniciais se iniciam como pequenos tubos em forma de dedo ou em forma de la o e aparecem fechados para o interst cio. Os linf ticos iniciais n o possuem v lvulas como os demais, somente pregas endoteliais salientes no l mem capilar. Os vasos linf ticos iniciais s o compostos por um cilindro de c lulas endoteliais (t nica intima), esses vasos se diferenciam dos capilares sang neos por: um l mem maior e mais regular que os dos capilares sang neos; um endot lio dotado de um citoplasma t nue, exceto na regi o perinuclear; uma membrana basal interrompida; um grande n mero de conex es celulares endoteliais (LEDUC E LEDUC, 2000).

Os vasos pr -coletores, al m de apresentarem a estrutura dos capilares, s o envolvidos internamente por tecido conjuntivo, elementos el sticos e musculares. Estes segmentos valvulados possibilitam a contra o e a distens o destes vasos (GUIRRO E GUIRRO, 2002). Os coletores s o vasos onde desembocam os pr -coletores. Estes s o mais ricos em v lvulas que as veias, o que lhes confere um aspecto de colar de p rolas (linfografia). Os coletores retiram a linfa de zonas da pele em formato de tiras. Tal como as art rias importantes e as grandes veias, os coletores linf ticos se comp em de tr s camadas diferentes: T nica intima - camada mais interna onde h fibras el sticas dispostas longitudinalmente; T nica m dia comp e a maior parte da parede do coletor, formada por musculatura lisa arranjada em forma espiral, seguindo a contratilidade dos vasos; T nica advent cia - a mais externa e espessa de todas, formada por fibras de col geno dispostas longitudinalmente, entre as quais existem fibras el sticas e feixes de musculatura longitudinal (LEDUC E LEDUC, 2000; GUIRRO E GUIRRO. 2002) Os troncos linf ticos s o: o ducto tor cico e o ducto linf tico direito e esquerdo, sendo o maior vaso linf tico o ducto tor cico (HERPERTZ, 2006). O ducto tor cico recebe a linfa dos membros inferiores e dos rg os abdominais. Dirige-se na dire o pesco o diafragma, sobe pelo t rax adiante da coluna vertebral, na altura da clav cula faz uma curva para o lado esquerdo, passando pr ximo art ria car tida esquerda, do nervo vago e da veia jugular interna, inclinase para baixo para desembocar no ngulo venoso esquerdo (jun o da veia subcl via esquerda com a veia jugular esquerda) e recebe a linfa do ducto linf tico esquerdo. O ducto esquerdo formado pela jun o do tronco jugular esquerdo, que traz a linfa da parte esquerda da cabe a, com o tronco subcl vio esquerdo, provindo do bra o esquerdo. Os dois troncos re nem-se pouco antes de penetrarem no ducto tor cico. O

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ducto direito consiste na jun o do tronco jugular direito com os troncos subcl vio direito e branco mediastinal ascendente (que traz a linfa da parte superior do t rax direito. A jun o dos tr s troncos d -se pr ximo clav cula) (CUNHA E BORDINHON, 2004). Tecidos linf ides Os tecidos linf ides s o os linfonodos, o ba o, timo e am dalas. Tais rg os n o possuem associa o direta com os vasos do sistema linf tico ou com a linfa, mas fazem parte do sistema imune do organismo (SPENCE, 1991). Conforme Gardner (1988), a produ o de linf citos a principal fun o dos tecidos linf ides e rg os linf ticos. Os linf citos t m importante papel no desenvolvimento das resposta imunol gicas, produ o de anticorpos e rea es imunes. A a o dos tecidos linf ticos servindo como filtros em certas condi es patol gicas deram origem a teoria de barreira, segundo a qual esses tecidos desempenham importante papel nos mecanismos de defesa do corpo. Part culas inertes, como o carbono, bact rias, v rus, c lulas cancerosas e hem cias s o retidas nos tecidos linf ticos. Os tecidos linf ticos, no entanto, s s o barreiras at certo ponto, pois os seus vasos aferentes podem permitir a dissemina o de infec es e neoplasias malignas para outros rg os e tecidos. Linfonodo Os linfonodos s o tamb m conhecidos como g nglios linf ticos ou nodos linf ticos. Por m essa terminologia est incorreta, pois a terminologia g nglio restrita a estruturas do sistema nervoso. S o forma es que se disp e ao longo dos vasos do sistema linf tico em n mero de 600 a 700 n dulos em todo o organismo. S o importantes rg os filtradores e est o envoltos por uma c psula fibrosa e apresentam em seu interior septos conjuntivos que os dividem em lobos. Os vasos que chegam aos linfonodos (linf ticos aferentes) s o mais numerosos e

mais finos do que os que saem (linf ticos eferentes) e por esse motivo que o fluxo nessa regi o lento. H grupos de linfonodos na axila, virilha, pesco o, perna, bem como em v rias regi es profundas do corpo (GUIRRO E GUIRRO, 2002). De acordo Di Dio (1999), os linfonodos da pelve s o de diversos tamanhos, n mero e localiza o, sendo quatro grupos principais localizados ou pr ximos da pelve, recebendo a maior parte dos vasos linf ticos. Os linfonodos dessa regi o s o nomeados de acordo com as art rias com as quais se associam, por m a divis o em grupos definitivos algo arbitr rio. Al m desses linfonodos, pequenos outros se localizam no tecido conectivo ao longo da via de passagem de v rios ramos da art ria il aca interna. Ba o, Timo e Tonsilas O ba o um rg o linf ide situado no lado esquerdo da cavidade abdominal, junto ao diafragma, ao n vel das 9a, 10a e 11a costelas. Apresenta duas faces distintas, uma relacionada com o diafragma (face diafragm tica) e outra voltada para as v sceras abdominais (face visceral). Na face visceral localiza-se o hilo do ba o, por onde penetram vasos e nervos (DANGELO E FATTINI, 1998). J o Timo uma massa bilobada de tecido linf ide localizada abaixo do esterno, na regi o do mediastino anterior. Ele aumenta de tamanho durante a inf ncia, quando ent o come a a atrofiar-se lentamente, diminuindo ap s a puberdade. No adulto ele pode ser inteiramente substitu do por tecido adiposo. O timo confere a determinados linf citos a capacidade de se diferenciarem e maturarem em c lulas que podem efetuar o processo de imunidade mediada por c lulas. H certas evid ncias de que o tio tamb m produz um horm nio que pode continuar a influenciar os linf citos ap s eles terem deixado a gl ndula. E por fim as Tonsilas que s o massas pequenas de tecido linf ide inclu das da mucosa de revestimento das cavidades bucal e far ngea. As tonsilas palatinas est o

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localizadas na parede p stero-lateral da garganta, uma em cada lado. As tonsilas far ngeas se localizam na parte nasal da faringe. As tonsilas linguais est o localizadas na face dorsal da l ngua, pr xima a sua base. Compostas por tecido linf ide e circundando a uni o das vias bucal e nasal, as tonsilas desempenham papel adicional contra invas o bacteriana (SPENCE, 1991) Fun es do sistema linf tico Segundo Spence (1991), o sistema linf tico possui v rias fun es importantes, como: destrui o de bact rias e subst ncias estranhas, que s o removidas da linfa atrav s dos fag citos presentes nos linfonodos. Respostas imunes espec ficas presen a de bact rias ou subst ncias estranhas, com a produ o de anticorpos que destroem as subst ncias invasoras. Retorno do l quido intersticial para corrente sang nea, atrav s dos capilares que est o primariamente envolvidos com a coleta do plasma dos espa os tissulares e o transporte desse plasma o sistema venoso. No seu caminho a linfa passa atrav s dos linfonodos onde part culas s o eliminadas por fag citos, prevenindo desse modo que essas part culas entrem pelo sangue (MOORE, 1994). Quase todos os tecidos do corpo t m canais linf ticos que drenam o excesso de liquido diretamente dos espa os intersticiais. As exce es incluem as por es superficiais da pele, o sistema nervoso central, o endom sio dos m sculos e os ossos. O sistema linf tico pode transportar prote nas e material particulado grande para fora dos espa os teciduais, fun o que os capilares sangu neos n o teriam capacidade de realizar. Esse retorno das prote nas fun o essencial (GUYTON E HALL, 2002). Forma o da linfa A gua carregada de elementos nutritivos, sais minerais e vitaminas deixam a luz do capilar arterial, chega ao meio

intersticial e banha as c lulas. Estas retiram desse liquido os elementos necess rios a seu metabolismo e eliminam os produtos de degrada o celular. Em seguida, o l quido intersticial retomado pela rede de capilares venosos (LEDUC E LEDUC, 2000). Segundo Guyton e Hall (2002), a linfa deriva do l quido intersticial que flui para os linf ticos. Dessa forma, logo que entra nos linf ticos terminais, a linfa tem quase a mesma composi o do l quido intersticial. Cerca de 100 mililitros de linfa fluem por hora pelo canal tor cico no humano em repouso, e aproximadamente outros 20 mililitros fluem para circula o a cada hora atrav s de outros canais, perfazendo o total de intensidade de fluxo de linfa estimado em cerca de 120 mL/h, isto , 2 a 3 litros por dia. A intensidade do fluxo da linfa determinada pelo produto da press o do l quido intersticial pela atividade da bomba linf tica. Segundo Camargo (2000) O mecanismo de forma o da linfa envolve, ent o, tr s processos muito din micos e simult neos: a ultra-filtra o que o movimento de sa da de H2O, O2 e nutrientes do interior do capilar arterial para o interst cio, ocorrendo pela Press o Hidrost tica positiva no capilar arterial e a Press o Hidrost tica negativa ao n vel do interst cio. J a absor o venosa o movimento de entrada de H2O, CO2, pequenas mol culas e catab litos do interst cio para o interior do capilar venoso, ocorrendo por difus o, quando a press o intersticial maior do que a existente no capilar venoso. A absor o linf tica o in cio da circula o linf tica, determinada pela entrada do l quido intersticial, com prote nas de alto peso molecular e pequenas c lulas no interior do capilar linf tico inicial, que ocorre quando a press o positiva e os filamentos de prote o abrem as micro-v lvulas endoteliais da parede do capilar linf tico. Este come a a ser preenchido pelo l quido intersticial e quando preenchido ao m ximo, as microv lvulas se fecham iniciando a propuls o da linfa atrav s dos pr -coletores e coletores.

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Circula o linf tica Os capilares linf ticos s o dotados de alta permeabilidade, permitindo a passagem de prote nas, cristal ides e gua. O fluxo da linfa relativamente lento; aproximadamente tr s litros de linfa penetram no sistema cardiovascular em 24 horas. Esse fluxo lento porque, ao contr rio do sistema cardiovascular, o sistema linf tico para fluir depende de for as externas e internas ao organismo, tais como: a gravidade, os movimentos passivos, a massagem e/ou a contra o muscular, a pulsa o das art rias pr ximas aos vasos, o peristaltismo visceral e os movimentos respirat rios. A linfa absorvida nos capilares linf ticos transportada para os vasos pr coletores, passando atrav s de v rios linfonodos, sendo a filtrada e recolocada na circula o at atingir os vasos sangu neos. Toda linfa do organismo acaba retornado ao sistema vascular sangu neo atrav s de dois grandes troncos: o ducto tor cico e ducto linf tico direito (GUIRRO E GUIRRO, 2002). Fisiologia das Vias linf ticas Os capilares linf ticos, pr -coletores e coletores Os capilares linf ticos possuem um endot lio mais delgado em rela o ao sangu neo. Suas c lulas endoteliais sobrep em-se em escamas, formando microv lvulas que se tornam p rvias, permitindo sua abertura ou fechamento conforme o relaxamento ou a contra o dos filamentos de prote o. Quando tracionados os filamentos permitem a penetra o de gua, part culas, pequenas c lulas e mol culas de prote nas no interior do capilar, iniciando ent o a forma o da linfa (GARRIDO, 2000). Segundo Leduc e Leduc (2000) os capilares linf ticos constituem a rede de absor o que coletam o l quido da filtragem carregada de dejetos do metabolismo celular. Os capilares ou linf ticos iniciais

s o valvulados. Eles encontram-se dispostos em dedos de luvas, isto , num sistema tubular fechado. A progress o da linfa no n vel dos capilares facilitada por press es exercidas pelas concentra es dos m sculos vizinhos e pela pulsa o arterial. As mobiliza es de diversos planos tissulares entre si, durante movimentos do corpo, favorecem a progress o da corrente linf tica. Enfim, as press es l quidas e tissulares t m um papel discreto, mas essencial, na manuten o da corrente linf tica. Os vasos pr -coletores possuem uma estrutura bastante semelhante ao capilar linf tico, sendo o endot lio coberto internamente por tecido conjuntivo, onde, em alguns pontos se prolongam juntamente com as c lulas epiteliais, formando as v lvulas que direcionam o fluxo da linfa. Suas estruturas s o fortalecidas por fibras col genas, e atrav s de elementos el sticos e musculares, possuem tamb m as propriedades de alongamento e contratilidade (CAMARGO, 2000). Os coletores recebem a linfa para lev la at os g nglios, os coletores s o munidos de musculatura pr pria que submete os vasos a contra es espetaculares, enviando a linfa pouco a pouco em dire o a uma desembocadura terminal. A respira o favorece o retorno da linfa no canal tor cico. Os movimentos de inspira o e de expira o produzem aumentos de press es seguidos de diminui es que atuam sobre a caixa tor cica, facilitam o tr nsito linf tico at a sua desembocadura venosa (LEDUC E LEDUC, 2000). Edema O estado de equil brio atingido quando as vias de drenagem s o suficientes para evacuar o l quido trazido pela filtragem. Ocorre uma constante renova o do l quido intersticial na qual as c lulas do corpo podem retirar os elementos necess rios ao seu metabolismo. Se n o houver interrup o n o ocorrer o edema. Quando o aporte de l quido filtrado se torna

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mais importante e o sistema de drenagem n o aumenta sua atividade, em conseq ncia ocorre um desequil brio entre a filtragem e a sua elimina o causando um ac mulo de l quidos nos tecidos, a press o intratecidual aumenta e a pele distende (LEDUC E LEDUC, 2000). O l quido que se acumula nos espa os entre as c lulas chamado de l quido intersticial, ou l quido tecidual. Sob condi es normais uma pequena quantidade desse l quido tende a deixar os capilares do sistema cardiovascular, mais do que a eles retorna. As prote nas plasm ticas n o atravessam facialmente as paredes dos capilares; todavia, como a por o l quida do sangue se desloca parta os espa os intercelulares, ela carrega uma pequena quantidade de prote nas plasm ticas. Se esse l quido e as prote nas plasm ticas se acumulam, os tecidos incham, produzindo uma condi o denominada edema (SPENCE, 1991). Conforme Guirro e Guirro (2002), o termo edema refere-se ao acumulo de quantidades anormais de liquido nos espa os intersticiais ou nas cavidades do organismo. O edema conseq ncia de um aumento nas for as que tendem a mover os fluidos do compartimento intravascular ao intersticial. Segundo Leduc e Leduc (2000), existem dois tipos de edema, um de origem vascular e outro de origem linf tica. Cinicamente o edema de origem vascular apresenta o sinal de Cacifo, onde uma press o aplicada com o dedo o deprime e ap s a supress o desta regi o a depress o persiste. J o edema linf tico totalmente diferente o vascular e aparece quando a rede de evacua o insuficiente, enquanto o aporte por filtragem normal. Segundo Guirro e Guirro (2002), as causas do edema s o: Aumento da press o capilar: reten o renal excessiva de sal e gua; press o venosa elevada; diminui o da resist ncia arteriolar; Diminui o da press o onc tica do plasma: perda de prote nas na urina; perda de prote nas a partir da pele; incapacidade de produzir prote nas;

Aumento da permeabilidade capilar: rea es imunes; toxinas; infec es bacterianas; defici ncias vitam nicas; isquemia prolongada; queimaduras; Bloqueio de capta o e retorno linf tico: bloqueio dos linfonodos por neoplasia; bloqueio dos linfonodos por infec o; aus ncia cong nita ou anormalidade dos vasos. Conclus es O sistema linf tico um tema que vem sendo discutido sob diferentes abordagens, como: sua rela o com as neoplasias, no p s-operat rio ou at mesmo no organismo sadio. Desde o s culo XVII, quando os vasos linf ticos e o sistema linf tico foram reconhecidos come aram as pesquisas nesse assunto, com o intuito de divulgar mais sobre o assunto e principalmente enfocar a import ncia do sistema linf tico no funcionamento geral do organismo. Assim o sistema linf tico que antes vinha sendo considerado apenas um sistema paralelo ao sistema circulat rio sangu neo, passou a ser valorizado e reconhecido como auxiliar do sistema sangu neo e imunol gico. Refer ncias Bibliogr ficas CAMARGO, M.; MARX, A. Reabilita o f sica no c ncer de mama. Editora Roca. S o Paulo: 2000. CUNHA, N.D.; BORDINHON, M.T. Efeitos da drenagem linf tica em diversas patologias. Dispon vel em: http://www.fai.com.br/fisio/ acesso em 05 de novembro de 2006. DANGELO, J.G.; FATTINI, C.A. Anatomia Humana Sist mica e Segmentar. 2. ed. S o Paulo: Atheneu, 1998. 671 p. DI DIO, L.J.A. Tratado de Anatomia Aplicada. S o Paulo: P luss, 1999. 287 p. GARDNER, E.; GRAY, D.; O'RARILLY, R. Anatomia: estudo regional do corpo. 4.

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