Recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira

Recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira

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Ministério da Saúde

Secretaria de Atenção à Saúde Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição

É o instrumento oficial que define as diretrizes alimentares a serem utilizadas na orientação de escolhas de alimentos mais saudáveis pela população brasileira a partir de 2 anos de idade.

Baseado no cenário epidemiológico atual (transição epidemiológica e nutricional), nas evidências científicas, bem como na responsabilidade governamental em promover a saúde e incorporar as sugestões da Estratégia Global da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Guia tem o propósito de contribuir para a orientação de práticas alimentares que visem a promoção da saúde e a prevenção de doenças relacionadas à alimentação. As doenças conhecidas como Doenças Crônicas Não Transmissíveis - DCNT são: Diabetes Melitus, Obesidade, Hipertensão, doenças cardiovasculares e Câncer. O Guia também está baseado na preocupação com relação deficiências de ferro e vitamina A, bem com o aumento da resistência imunológica relacionadas com as doenças infecciosas.

O Guia apresenta de forma inédita as diretrizes nacionais sobre alimentação saudável. Sua publicação se faz num momento particularmente especial da história do conhecimento, quando as evidências científicas acumuladas apontam de forma inequívoca e consistente, o impacto da alimentação saudável na prevenção das mortes prematuras causadas pelas DCNT no Brasil e em grande parte dos países do mundo, tais como diabetes e hipertensão, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e excesso de peso e obesidade. É importante destacar que a obesidade, além de ser uma doença crônica não transmissível, é um fator de risco para as DCNT e outras doenças graves.

e propósitos deste Guia

O guia é composto por 3 partes: Parte 1 - Referencial Teórico - situa o Guia no âmbito dos propósitos da Política Nacional de Alimentação e Nutrição - PNAN e da Estratégia Global de Promoção da Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde, preconizada pela Organização Mundial de Saúde, e da promoção de modos de vida mais saudáveis; Parte 2 – Princípios do Guia, Atributos da Alimentação Saudável e Diretrizes: elabora os princípios que nortearam a construção do Guia, bem como os atributos da alimentação saudável e também explicita e fundamenta as 9 diretrizes estabelecidas; Parte 3 - Bases Epidemiológicas e Científicas – composto pelo panorama epidemiológico brasileiro e pelos dados de consumo alimentar disponíveis no Brasil, bem como das evidências científicas que fundamentam as diretrizes, metas

gestores e indústria, profissionais de saúde e família

Abordagem integrada, referencial científico e cultura alimentar, referencial positivo, explicitação de quantidades, variações das quantidades, alimento como referência, sustentabilidade ambiental, abordagem multifocal – para todos, QUAIS OS ATRIBUTOS DE UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL?

Acessibilidade física e financeira, sabor, variedade, cor, harmonia e segurança sanitária. Estes atributos definem o conceito de Alimentação Saudável, em consonância com a conceituação de Direito Humano a Alimentação Adequada e Segurança Alimentar e Nutricional adotados pelo Brasil.

O documento é composto por 9 diretrizes: sete diretrizes elaboradas de acordo com os grupos de alimentos e duas diretrizes especiais que abordam a atividade física e a qualidade sanitária dos alimentos como elementos indissociáveis na promoção da alimentação saudável. Com o propósito de facilitar a adoção das diretrizes pelas famílias brasileiras, foram elaboradas as seções “Colocando em prática as diretrizes” e “Utilizando o Rótulo de Alimentos”. Nesta última, consta a explicação sobre a rotulagem obrigatória dos alimentos e orientações sobre o seu uso como ferramenta para a seleção de alimentos mais saudáveis.

• Objetivo central: Prevenir deficiências nutricionais e proteger contra doenças infecciosas e doenças crônicas não transmissíveis, tais como: diabetes, hipertensão, acidente vascular cerebral, doenças cardíacas e câncer.

1 Alimentos saudáveis e as refeições

- - • Estimular o convívio familiar nas refeições cotidianas. • Dês-estimular “pular” as refeições

variadas e coloridas

• Valorizar todos os grupos de alimentos para refeições

2 Cereais, tubérculos e raízes

6 Arroz, pães, massas, tubérculos, raízes, trigo e milho,batata e mandioca.

• Orientar o consumo de alimentos ricos em carboidratos complexos (amido), como cereais de preferência integrais, tubérculos e raízes, para garantir 45% a 65% da energia total diária de alimentação.

• Proteger as pessoas contra o excesso de peso e obesidade, alguns tipos de câncer, pois uma alimentação rica em carboidratos possivelmente terá menor quantidade de gorduras e menos açúcar.

3 Legumes e verduras como cenoura, beterraba, abobrinha e acelga, agrião, alface e rúcula.

3 Frutas, legumes e verduras

3 Frutas

• Diminuir o risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis e manter o peso adequado, por meio do consumo de pelo menos 400 g/dia de frutas, legumes e verduras.

• Aumentar a resistência contra infecções por meio do consumo de frutas, legumes e verduras que são fonte da maior parte de vitaminas e minerais necessários ao organismo.

• Informar sobre a grande variedade desses alimentos disponíveis em todas as regiões do País e incentivar diferentes modos de preparo destes alimentos para valorizar o sabor.

4 Feijões e outros alimentos vegetais ricos em proteínas

1 Feijão, lentilha, ervilha seca, grãode-bico, soja e outros.

• Orientar e estimular o consumo de feijão, que quando combinado com o arroz, na proporção de 1 parte de feijão para 2 partes de arroz, fornecem uma fonte completa de proteínas para o ser humano.

• Aumentar a resistência contra doenças nutricionais, já que os feijões contêm carboidratos complexos e é rico em fibra alimentar, vitaminas do complexo B, ferro, cálcio e outros minerais.

3 Leite e derivados 5 Leite e derivados, carnes e ovos

1 Carnes, peixe e ovos

• Garantir uma alimentação saudável por meio dos alimentos de origem animal que são nutritivos, desde que consumidos com moderação.

• Orientar o consumo de carnes e peixes já que são boas fontes de todos os aminoácidos essenciais, substância química que compõe as proteínas, necessárias para o crescimento e a manutenção do corpo humano, além de serem fontes importantes de ferro e vitamina B12.

• Orientar o consumo de leite como uma fonte importante de riboflavina (B2) e principal fonte de cálcio na alimentação.

6Gorduras, açucares e sal

1 Margarinas, manteigas, óleos vegetais, banha e gorduras das carnes

• Orientar quanto a diminuição redução do consumo de gorduras e açúcares ,e sal (máximo de 5g/dia) para diminuir o risco de ocorrência de obesidade, hipertensão arterial, diabetes, colesterol e doenças cardiovasculares.

7Água 2 litros (6 a 8 copos) água • Incentivar o consumo de água independente dos outros líquidos já que a mesma desempenha papel fundamental na regulação de muitas funções vitais ao organismo.

E ainda 2 diretrizes especiais:

Diretriz Especial 1 - Atividade Física • Abordar maneira integrada a promoção da alimentação saudável e o incentivo à prática regular de atividade física e orientar sobre o equilíbrio entre o consumo alimentar e o gasto energético para manutenção do peso saudável.

Diretriz Especial 2 – Qualidade Sanitária dos Alimentos

• Orientar sobre as medidas preventivas e de controle, incluindo práticas de higiene que devem ser adotadas a fim de garantir a qualidade sanitária dos alimentos.

As diretrizes estabelecidas no Guia serão úteis para os profissionais da saúde, para os trabalhadores nas comunidades, para as famílias do Brasil e para a Nação como um todo. Outro público-sujeito deste Guia são os gestores das ações de governo em áreas correlacionadas.

A Política Nacional de Alimentação e Nutrição – PNAN tem como fundamento a garantia da segurança alimentar e nutricional, bem como o reconhecimento e concretização do direito humano universal à alimentação e nutrição adequados. Neste sentido tanto o Guia Alimentar para Crianças Menores que Dois Anos, como o Guia Alimentar da População Brasileira foram elaborados à luz das diretrizes de promoção de práticas alimentares saudáveis e prevenção de doenças relacionadas a alimentação e nutrição da PNAN. Ambos documentos estão disponíveis no seguinte endereço eletrônico - http://dtr2004.saude.gov.br/nutricao/publicacoes.php.

Sim. Em consonância com as recomendações da Estratégia Global da OMS e baseado na Política Nacional de Alimentação e Nutrição, o Guia Alimentar reflete em suas diretrizes e orientações práticas as seguintes metas dietéticas aplicadas aos indivíduos e à população:

• Limitar a ingestão energética procedente de gorduras; substituir as gorduras saturadas por insaturadas e eliminar as gorduras trans (hidrogenadas); • Aumentar o consumo de frutas, legumes e verduras, cereais integrais e leguminosas (feijões); • Limitar a ingestão de açúcar livre;

• Limitar a ingestão de sal (sódio) de todas as procedências;

• Manter o equilíbrio energético e o peso saudável;

Foi o resultado de uma construção coletiva envolvendo participação e incorporação de sugestões de diversos atores e parceiros, entre estes, os que conformam a rede nacional de alimentação e nutrição. Uma versão preliminar foi submetida à consulta pública em 2004, cujas contribuições e sugestões foram analisadas quanto a sua pertinência e sua consonância com os propósitos e objetivos do Guia, e sistematizadas por um grupo de trabalho composto por técnicos e especialistas em alimentação e nutrição. A versão finalizada para publicação foi submetida à nova apreciação da rede nacional de alimentação e nutrição de apoio à Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição: Coordenações Estaduais, Centros Colaboradores e de Referência em Alimentação e Nutrição, Sistema CFN/CRN, ASBRAN entre outros parceiros.

No cenário atual, o país enfrenta um duplo desafio: por um lado as deficiências nutricionais e as infecções, consideradas problemas de saúde pública no Brasil, e por outro lado as doenças crônicas não transmissíveis que estão associadas às causas mais comuns de mortes registradas. De acordo com as evidências científicas, hoje a população de mais baixa renda se encontra com uma dupla carga de problemas relacionados à alimentação, como o exemplo da desnutrição e da obesidade, o que se entende pelo peso multiplicado da doença. Cabe destacar que a implementação das diretrizes do Guia Alimentar são preventivas para ambas situações enfrentadas pela população brasileira, independente da classe de renda.

Deve ser entendida como um direito humano, compreendendo uma alimentação adequada às necessidades dos indivíduos, nas diversas fases da vida. A base principal de uma alimentação saudável, é composta de alimentos in natura e por aqueles produzidos regionalmente, visando valorizar a cultura alimentar local, tornando, muitas vezes, mais acessíveis física e financeiramente para a população.

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