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3.2.1 Morbidade

A morbidade refere-se ao comportamento das doenças numa população exposta ao adoecimento. Seus índices permitem conhecer que doenças existem habitualmente na área, no período e na população estudada (prevalência), e quais os novos casos das doenças na mesma área, período e população (incidência).

Dessa forma, a quantidade de casos de uma doença também permite estimar sua importância para aquela população. Estão relacionados à morbidade os termos: surto, endemia, epidemia e pandemia.

–Surto é um aumento repentino do número de casos, dentro de limites muito restritos, como uma série de casos de rubéola em uma creche, vários indivíduos com conjuntivite em um quartel ou vários bebês com infecção respiratória em um berçário de hospital. Também pode ser assim considerado o aumento do número de casos de uma doença em uma área específica, considerada livre da mesma. Por exemplo, um único caso de poliomielite no Brasil seria suficiente para configurar um surto;

–Endemia é a ocorrência de certo número de casos controlados em determinada região;

–Epidemia é o aumento do número de casos de determinada doença, muito acima do esperado e não delimitado a uma região;

–Pandemia, por sua vez, compreende um número de casos de doença acima do esperado, sem respeitar limites entre países ou continentes. Os exemplos mais atuais são a Aids e a tuberculose.

3.2.2 Mortalidade

A mortalidade é definida como a relação entre o número de óbitos e o número de pessoas expostas ao risco de morrer. Dados esses que podem ser agrupados por características como sexo, idade, estado civil, causa, lugar, condição, dentre outras. Os óbitos ocorridos podem estar classificados segundo a associação de duas ou mais dessas características.

Quando não há discriminação da causa relacionada aos óbitos ocorridos numa região, período e população, o indicador é denominado mortalidade geralmortalidade geralmortalidade geralmortalidade geralmortalidade geral.

3.2.3 Letalidade

Permite conhecer a gravidade de uma doença, considerando-se seu maior ou menor poder para causar a morte. A determinação da letalidade de certas doenças permite avaliar a eficácia de estratégias e terapias implementadas. Por exemplo, espera-se que a vacina anti-sarampo reduza o número de complicações e óbitos decorrentes da doença. Se há muitos óbitos causados pelo sarampo, isto significa que as crianças não estão tendo acesso à estratégia de vacinação ou que a vacina não está desempenhando adequadamente seu papel na proteção à saúde.

Para que se possa avaliar o significado dos indicadores e compará-los frente a populações diferentes sem que haja distorção das informações, esses indicadores são calculados por meio de taxas, índices e coeficientes, e expressos em porcentagens. Traduzem, muitas vezes, as condições socioeconômicas e sanitárias locais, pois estão intimamente relacionados com as condições de vida e saúde da população.

Dessa forma, as ações de vigilância epidemiológica e os resultados obtidos com a sua implementação e divulgados através de suas bases de dados constituem um elemento precursor da elaboração e implementação de programas de saúde coletiva, ao permitirem a identificação de fatores de risco para a determinação dos processos de morbidade que atingem os grupos populacionais que recebem atenção específica dos serviços de saúde.

4- VIGILÂNCIA DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

Com o intuito de realizar adequadamente a vigilância epidemiológica das doenças transmissíveis, o sistema de vigilância utiliza diferentes condutas relacionadas a cada uma delas.

Como integrante da equipe de saúde é muito importante que o auxiliar de enfermagem adquira conhecimentos sobre o comportamento das diversas doenças transmissíveis e as medidas gerais de profilaxia e controle, pois isto lhe possibilitará maior segurança ao atuar nas intervenções que visam a redução da incidência e/ou prevalência de doenças que ainda constituem problemas de saúde coletiva no país.

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4.1 Doenças preveníveis mediante vacinação

talidade podem ser prevenidas e controladasEntretanto,

Atualmente, com o advento da vacina e os avanços tecnológicos e científicos observados nas últimas décadas, muitas doenças que determinavam elevados índices de morpor que ainda vemos pessoas com tétano, crianças acometidas pela meningite ou coqueluche? E por que, todos os anos, ocorrem campanhas de vacinação contra a poliomielite?

Para responder a estas perguntas muitos determinantes podem ser considerados, dentre eles a cobertura vacinal que não alcança todas as pessoas suscetíveis a essas doenças, os movimentos migratórios que favorecem as idas e vindas de hospedeiros (pessoas portadoras ou doentes), a desnutrição que pode interferir nos mecanismos de defesa orgânica e a capacidade do sistema imunobiológico produzir o estímulo e a devida resposta no organismo.

4.1.1 Hepatite B

No Brasil, são consideradas áreas de alta endemicidade para a hepatite B o estado do Espírito Santo, a região oeste do estado de Santa Catarina e os estados integrantes da Amazônia Legal. O agente infeccioso da doença é o vírus HBV, que infecta o homem, seu reservatório natural. A transmissão ocorre por meio de solução de continuidade da pele e/ou mucosas, em contato com o sangue e outros fluidos corpóreos (como sêmen, secreção vaginal e saliva) de doente ou portador. Diversas situações possibilitam a transmissão do vírus, tais como relação sexual, uso de seringas e agulhas compartilhadas - no caso de usuários de drogas - transfusão de sangue e seus derivados - quando fora da recomendação técnica -, procedimentos odontológicos, cirúrgicos e de hemodiálise - quando não respeitadas as normas de biossegurança. A transmissão vertical se verifica, sobretudo, no período perinatal, durante o parto.

O período de incubação é de 30 a 180 dias, sendo em média de 60 a 90 dias. O indivíduo transmite a doença duas a três semanas antes de apresentar os primeiros sintomas e a continua transmitindo durante a fase aguda da hepatite B e no estado de portador crônico.

A infecção pelo HBV pode apresentar formas assintomáticas, sintomáticas ou graves, das quais a primeira é a mais freqüente. Os sinais e sintomas característicos são mal-estar, cefaléia, febre, náuseas e vômitos, ocorrendo também dor abdominal, icterícia, fezes esbranquiçadas (acolia), aumento do fígado (hepatomegalia), urina escurecida (colúria) e aumento do baço (esplenomegalia).

Os anticorpos são constituídos por cadeias de proteínas. Se, como no caso do desnutrido, a ingestão de proteína é insuficiente, conseqüentemente a produção de anticorpos também ficará prejudicada.

Amazônia Legal é o território formalmente definido como aquele em que a vegetação característica da floresta amazônica se faz presente. É composto pelo Maranhão e estados da região Norte, e também por países do norte e noroeste da América do Sul.

Portador é toda pessoa ou animal que não apresenta sintomas clinicamente reconhecíveis de determinada doença transmissível ao ser examinado, mas que está albergando o agente etiológico respectivo.

A confirmação diagnóstica é feita laboratorialmente, através de exame de sangue com a identificação dos marcadores sorológicos virais da hepatite.

Após a notificação de um caso suspeito ou confirmado, imediatamente devem ser tomadas providências de acordo com o sistema de vigilância epidemiológica. É importante que a população seja esclarecida em relação à doença, e que nesta orientação reforçe-se a necessidade do uso de preservativos durante a relação sexual e os riscos inerentes ao uso de seringas compartilhadas – especificamente para os usuários de drogas injetáveis. Considerando-se a dimensão dos problemas sociais e de saúde que envolvem o dependente químico e seus familiares, vários municípios possuem serviços ou equipes especializadas para o atendimento dessas pessoas .

De acordo com as recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a vacina para prevenir a hepatite B deve ser administrada nos menores de um ano de idade a partir do nascimento, de preferência nas primeiras 12 horas após o parto, para evitar a transmissão vertical. É indicada também para menores de 20 anos de idade, doadores regulares de sangue - para mantê-los em tal condição - e grupos de risco como, dentre outros, usuários de hemodiálise, hemofílicos e profissionais de saúde.

Na fase aguda, os indivíduos com hepatite devem receber acompanhamento especializado, sendo indicado repouso, administração mínima de medicamentos, abstenção do consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo e dieta pobre em gorduras, devido à fragilidade hepática presente nesta fase. Para os doentes crônicos, estes cuidados são redobrados e os mesmos devem ser orientados para não fazerem uso de bebidas alcoólicas e/ou fumo, bem como esclarecidos sobre a possibilidade de hospitalização em caso de agravamento do quadro clínico.

Pelo risco de se adquirir a hepatite B por exposição ocupacional a sangue e materiais potencialmente infectantes, faz-se necessário que os profissionais de saúde sejam vacinados, além de orientados para que utilizem as precauções padrão quando da execução dos procedimentos.

4.1.2 Poliomielite

Até 1980, o Brasil apresentava alto índice desta doença. Considerando-se sua gravidade, deu-se então início à estratégia dos dias nacionais de vacinação, com imunização em grande escala, que associados às ações de vigilância epidemiológica possibilitaram a gradativa diminuição do número de casos - motivo pelo qual, em 1994, o país recebeu, da Organização Mundial da Saúde, o “Certificado de Erradicação da Transmissão Autóctone do Poliovírus Selvagem nas Américas”.

Os marcadores virais da hepatite são um conjunto de antígenos e anticorpos cuja presença auxilia na determinação do tipo de vírus causador da doença, indicando o seu estágio clínico.

Autóctone – pessoa, animal ou planta originários do lugar que habitam.

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A partir daí, o Brasil assumiu o compromisso de manter altas coberturas vacinais para evitar a reintrodução do vírus, bem como adotar medidas de controle que consistem em ações de vigilância epidemiológica sobre os casos de paralisia aguda flácida, sugestivos de poliomielite.

A poliomielite, também chamada de paralisia infantil, pode ser causada por três tipos de poliovírus: I, I e II. A transmissão acontece, principalmente, por contato direto de pessoa a pessoa, sendo a boca a principal porta de entrada dos vírus. A transmissão oral ocorre através das gotículas de muco da orofaringe expelidas pela tosse, fala ou espirro. Entretanto, a água e os alimentos contaminados com fezes de doentes ou portadores (assim considerados aqueles indivíduos cujo intervalo de tempo após a infecção situa-se entre uma a sete semanas) também são formas de transmissão do polivírus.

O período de incubação é de 2 a 30 dias, mas em geral varia de 7 a 12 dias.

O doente apresenta, subitamente, deficiência motora, além de febre e flacidez muscular assimétrica, sendo afetados, sobretudo, os membros inferiores. No entanto, a doença pode apresentar-se assintomática ou não-aparente em cerca de 90% a 95% dos casos, podendo ser confundida com outros distúrbios que afetam o sistema nervoso.

Não há tratamento específico após a instalação do quadro de poliomielite. Nestes casos, é importante detectar a doença precocemente, pois além da implementação de medidas de vigilância epidemiológica torna-se imprescindível uma rápida intervenção para que o doente tenha o suporte necessário para evitar maiores danos. De maneira geral, os acometidos pela paralisia infantil e seus familiares necessitam de acompanhamento rotineiro da equipe de saúde, com atuação de profissionais de várias áreas (enfermagem, fisioterapia, médica, psicologia, terapia ocupacional e nutrição), possibilitando um atendimento integral e de acordo com suas reais necessidades.

4.1.3 Tétano

O tétano é uma doença infecciosa aguda, não contagiosa, relativamente comum em países subdesenvolvidos - nos quais a cobertura vacinal é baixa. Seu agente etiológico é o Clostridium tetani, um bacilo anaeróbio cujo reservatório é o trato intestinal do homem e de animais, o solo ou qualquer objeto perfurocortante contendo os esporos. O período de incubação varia de acordo com a extensão, natureza e localização da ferida, levando em média de 2 a 21 dias.

A transmissão ocorre pela introdução dos esporos do agente patogênico em um ferimento, sobretudo do tipo perfurante, contami-

O poliovírus apresenta tropismo (atração) pelas terminações nervosas, particularmente dos membros inferiores, lesando-as e causando deficiência motora.

nado com terra, poeira e fezes de animais, podendo também ser causado por queimaduras e ferimentos necrosados.

O tecido lesado, com pouco oxigênio devido ao próprio trauma ou à infecção, fornece as condições ideais para que os esporos do C. tetani transformem-se em formas vegetativas, reproduzindo-se e formando a toxina tetânica que é absorvida pelos nervos e transportada até a medula espinhal, onde causam estímulos nervosos. A partir desse momento, os nervos tornam-se muito sensíveis e qualquer estímulo externo pode desencadear contraturas dos músculos, inicialmente da face, pescoço e, depois, do tronco, podendo se estender para todo o corpo, desencadeando espasmos e convulsões que podem causar asfixia e morte. A contratura generalizada faz com que o doente adote uma posição corporal denominada opistótono. Considerando tal quadro, uma importante medida de profilaxia do tétano pós-ferimento é a limpeza da lesão com bastante água e sabão e, se necessário, realizar desbridamento.

Uma vez instalada a doença, o tratamento consiste em internação hospitalar em quarto silencioso, com pouca luminosidade, pois os estímulos visuais e sonoros podem provocar respostas em forma de contratura muscular. Recomenda-se a administração de sedativos, soro antitetânico (SAT) e antibioticoterapia.

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