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Opistótono

Os cuidados de enfermagem ao doente hospitalizado incluem o mínimo de manipulação possível, para que não surja o estímulo de contratura, a monitorização das vias aéreas, para garantir que estejam pérvias (sem obstrução), e a observação de sinais de retenção urinária - caso haja contração da musculatura do trato urinário.

Saúde Coletiva

A susceptibilidade é geral, todos estão predispostos à contaminação pelo tétano, indiscriminadamente, porém os indivíduos maiores de 45 anos estão mais expostos por estarem muitas vezes com a vacinação incompleta ou por nunca terem sido vacinados. Por isso, o auxiliar de enfermagem deve estar atento ao estado vacinal de indivíduos adultos e idosos, além das mulheres em idade fértil e das crianças.

A imunidade é conferida pela aplicação de vacina contendo o toxóide tetânico em suas diversas formas de apresentação: tríplice bacteriana (DTP), dupla adulto (dT), dupla infantil (DT) ou toxóide tetânico (T).

4.1.4 Tétano neonatal

Também conhecido como “mal de sete dias”, sua ocorrência é maior em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, sobretudo pela precariedade ou ausência de acompanhamento pré-natal, impossibilitando o controle vacinal da gestante, incluindo a vacina contra o tétano. Uma gestante não vacinada não possui anticorpos maternos para transferir ao filho, tornando-o susceptível à doença após o nascimento. A infecção ocorre pela contaminação do coto umbilical com o bacilo tetânico, quando de sua manipulação são utilizados instrumentos ou substâncias impróprias como teia de aranha, moeda ou cinteiros. Em média, o período de incubação dura sete dias.

O recém-nascido infectado abandona o aleitamento materno pela dificuldade de movimentar a musculatura da face, tronco e abdome, devido à rigidez. A paralisia da musculatura da respiração pode levar a criança à obito.

Após a notificação de um caso de tétano neonatal, a mãe do recém-nascido deve ser encaminhada para receber vacinação. Há necessidade de se cadastrar as parteiras locais e orientá-las quanto aos cuidados com o coto umbilical. Os óbitos ocorridos em recém-nascidos menores de 28 dias devem ser investigados.

Para o adequado controle da doença é importante que as mulheres em idade fértil estejam com a imunização contra o tétano atualizada e que o atendimento pré-natal seja garantido a todas as gestantes.

4.1.5 Coqueluche

A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis, cujo único reservatório é o homem, não existindo portadores crônicos assintomáticos.

Sua transmissão ocorre pelo contato direto pessoa a pessoa, através de secreções da nasofaringe, eliminadas pela tosse, espirro ou fala. Após a entrada da B. pertussis pelas vias aéreas superiores, a bactéria

Que cuidados, onde você mora, as pessoas costumam ter com o coto umbilical? Existe mortalidade por tétano neonatal? se adere à mucosa do trato respiratório, multiplicando-se e produzindo uma toxina que causa lesão no tecido colonizado e provoca manifestações sistêmicas por sua liberação e distribuição por todo o organismo.

O período de incubação varia entre 7 e 14 dias, e a doença é muitas vezes confundida com outras infecções respiratórias agudas, como a bronquite, por exemplo.

A coqueluche evolui em três fases:

–catarral - inicia-se com febre, mal-estar, coriza, tosse e expectoração de muco claro e viscoso;

–paroxística - apresenta tosse seca “comprida”, de acordo com a posição do doente, finalizada por inspiração forçada, acompanhada de um ruído característico (“guincho”) e seguida não raramente de vômitos (dura cerca de dois meses);

–convalescência - os episódios de tosse desaparecem e dão lugar à tosse comum (dura de uma a três semanas).

O diagnóstico pode ser realizado pela sorologia, para identificação dos anticorpos na corrente sangüínea, e pela cultura de material coletado da orofaringe. O tratamento é feito com base no uso de medicamentos sintomáticos, utilizando-se também antibióticos. A hospitalização está indicada para crianças que apresentam complicações.

Os cuidados adotados com os doentes incluem repouso e hidratação. Faz-se necessário que a família seja esclarecida para manter precauções respiratórias especialmente na fase catarral. Outras orientações relacionam-se ao controle dos fatores que favorecem os acessos de tosse, como poeira, fumaça de cigarros, atividade e excitação; no caso das crianças, grande maioria afetada pela doença, é importante que os pais tentem mantê-las mais calmas, ocupadas com atividades que não provoquem muita excitação, o que pode ajudar a diminuição do número de episódios de tosse paroxística.

Visando o controle da doença, a vacinação deve ser realizada em todos os indivíduos susceptíveis, conforme a rotina da rede básica de saúde. Crianças expostas ao risco de adoecimento, principalmente as que estão com o esquema vacinal incompleto, devem ser observadas durante 14 dias, na busca de sintomas respiratórios.

4.1.6 Difteria

Desde 1977, o número de casos de difteria notificados no Brasil vem diminuindo em vista do aumento da cobertura vacinal. A difteria ocorre durante todo o ano, havendo um aumento de incidência nas estações em que a temperatura é mais baixa (outono e inverno), devido à aglomeração de pessoas em ambientes fechados. Também conhecida como crupe, tem como agente causador a bactéria Corynebacterium diphteriae.

As complicações mais comuns após o adoecimento por coqueluche são pneumonia por B. pertussis, ativação de tuberculose latente, atelectasia, broquietasia, enfisema, pneumotórax, ruptura de diafragma, otite média e apnéia. As complicações neurológicas mais comuns são encefalopatia aguda, convulsões, coma, hemorragias cranianas, estrabismo e surdez.

Saúde Coletiva

A transmissão ocorre por contato direto com doentes ou portadores da bactéria, por meio de secreções da nasofaringe, que penetram no organismo através das vias aéreas superiores. Uma vez na faringe, local mais freqüentemente afetado, a bactéria diftérica se fixa, estimulando a ocorrência de uma inflamação purulenta e produzindo uma toxina que causa necrose do tecido da faringe.

Embora com menor freqüência, outra forma de transmissão pode ocorrer através de objetos contaminados por secreções. O período de incubação dura em torno de um a seis dias, podendo ser mais longo. A manifestação clínica mais freqüente é a presença da pseudomembrana branco-acinzentada que pode surgir nas amígdalas e invadir as estruturas vizinhas. Pode ainda estender-se às fossas nasais, traquéia, brônquios e mais raramente na pele, conjuntiva ocular e mucosa vaginal. Nos casos mais graves, há intenso edema no pescoço, com aumento dos gânglios linfáticos presentes nessa região.

Para se diagnosticar a doença, realiza-se o exame das lesões existentes na orofaringe e nasofaringe. A coleta com swab deve ser efetuada antes de iniciado o tratamento com antibióticos.

As complicações mais comuns são miocardite e comprometimento dos nervos periféricos. Os doentes devem ser hospitalizados para receber tratamento, que consiste na administração de soro antidiftérico e terapia com base em antibióticos. É muito importante que a equipe de enfermagem oriente os doentes ou os seus responsáveis a relatar sinais de dificuldade respiratória, sintoma que indica a necessidade de um acompanhamento mais freqüente.

Para controlar a transmissão da doença, é indispensável administrar o toxóide diftérico em toda a população exposta ao risco, nas pessoas não vacinadas e nas inadequadamente vacinadas ou com estado vacinal desconhecido. Para todos os comunicantes de doentes (escolares e familiares) deve ser indicado o exame clínico, mantendo-se a vigilância sobre os mesmos durante uma semana, pelo menos. Devem ser adotadas medidas de precaução respiratória para os doentes e seus comunicantes, até que duas culturas de secreção de nasofaringe e orofaringe não revelem a presença da bactéria diftérica.

4.1.7 Meningite

A meningite pode ser causada por diversos microrganismos como vírus, fungos e bactérias, mas para a saúde coletiva as de maior destaque são as meningites bacterianas por Haemophilus influenzae do tipo b, tuberculosa e a meningocócica.

A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, por meio de gotículas e secreções da nasofaringe. Os sintomas, subitamente iniciados, são febre, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos, rigidez de nuca e, algumas vezes, petéquias. O diagnóstico é feito com base em exames laboratoriais e clínicos.

Necrose – é a destruição de um tecido causada por vários fatores, no caso a toxina diftérica. O veneno de alguns animais peçonhentos, queimaduras de 3o grau ou pressão prolongada sobre uma superfície corpórea são alguns tipos de agentes capazes de causar a necrose tecidual.

Swab - é uma haste com ponta de algodão, que facilita a coleta de secreções para cultura. No caso da difteria, o swab deve ser introduzido através da narina até a nasofaringe ou da boca até a orofaringe.

Todas as meningites devem ser prontamente investigadas e tratadas, principalmente as bacterianas por Haemophilus influenzae do tipo b e a meningocócica.

Petéquias - são pequenas manchas cutâneas hemorrágicas, do tamanho de uma cabeça de alfinete, causadas por rompimento de pequenos vasos superficiais, indicando fragilidade vascular. Podem surgir após picada de insetos e pequenos traumatismos.

Após a notificação do caso suspeito, faz-se necessário adotar as medidas de controle de acordo com o sistema de vigilância. A quimioprofilaxia é indicada apenas para os contatos de casos confirmados, em consonância com os critérios definidos pela autoridade sanitária.

O tratamento para a meningite consiste na administração de antibióticos e exige hospitalização do doente e precaução respiratória.

Como medida de prevenção, recomenda-se seguir a rotina do calendário de vacinação:

–vacina BCG - previne a ocorrência da tuberculose e de sua forma mais grave, a meningite tuberculosa;

–vacina anti-Hib - previne a infecção pelo Haemophilus influenzae do tipo b;

–vacina antimeningocócica - utilizada excepcionalmente em situações de surto, previne a infecção por alguns tipos de meningococos, especialmente os tipos A, B e C.

É importante ressaltar que após a implantação das vacinas BCG e anti-Hib no calendário vacinal das crianças a incidência das meningites causadas pelo bacilo da tuberculose e pelo Haemophilus influenzae foi bastante reduzida no Brasil.

4.1.8 Febre amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, causada pelo vírus amarílico, encontrado principalmente em regiões de mata. Pode apresentar-se sob duas formas:

–febre amarela silvestre (FAS), cujos vetores são os mosquitos do gênero Haemagogus e Sabethes, sendo os primatas os principais hospedeiros e o homem, hospedeiro acidental;

–febre amarela urbana (FAU), que tem como vetor o mosquito Aedes aegypti e o homem como hospedeiro principal.

A febre amarela urbana foi erradicada no Brasil em 1942, quando foi notificada pela última vez no município de Serra Madureira, no Acre.

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