(Parte 2 de 10)

SSSSSaúdeaúdeaúdeaúdeaúde MentalMentalMentalMentalMental

1 Apresentação 2Psiquiatria ou Saúde Mental? 3A evolução da Saúde Mental 3.1Portas abertas para a liberdade

4Epidemiologia da Saúde Mental

5Processo Saúde - Transtorno Mental 5.1Fatores de influência

6Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento 6.1Métodos diagnósticos em Psiquiatria

6.2Sinais e sintomas de transtornos mentais

6.3Os principais tipos de transtorno mental

7Formas de Tratamento de Transtornos Mentais 7.1 Terapia medicamentosa

8Condutas do Auxiliar de Enfermagem no Setor de Saúde Mental

8.1Setores de atendimento em Saúde Mental

8.2Relação terapêutica: a ferramenta indispensável

8.3Intervenções do auxiliar de enfermagem diante de determinados comportamentos

9Promoção e Prevenção em Saúde Mental

10O Auxiliar de Enfermagem e a (sua própria) Saúde Mental

1 Emergência Psiquiátrica

1.1Caracterizando as intervenções diante das crises

1.2Avaliação primária na emergência psiquiátrica

1.3 Classificando emer gências psiquiátricas

12 Referências B ibliográficas 13 Anexos

P EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFIdentificando a ação educativa

SSSSSaaaaaúdeúdeúdeúdeúde MentalMentalMentalMentalMental

1- APRESENTAÇÃO

constante avanço de novas abordagens no setor de Saúde Mental faz com que os livros relativos a este assunto se desatualizem com facilidade, a menos que apresentem uma abordagem desvinculada de conceitos rígidos e utópicos. Foi o que pretendemos fazer durante a elaboração deste trabalho: fornecer, de forma ampla, e ao mesmo tempo leve e descontraída, conteúdos que permitam ao profissional de nível médio refletir e agir, atualizando-se a cada passo de sua atuação neste setor.

Mediante apresentações de fatos reais, históricos ou obtidos através de experiências profissionais, os autores levantam situações para reflexões, pois todas as áreas de atuação da Enfermagem estão intimamente ligadas à Saúde Mental. A Saúde Mental é um saber fundamental para promoção da saúde.

Saúde Mental 2 - PSIQUIATRIA OU SAÚDE MENTAL?

Por que preferimos falar em “Enfermagem Saúde Mental”? Por que não usarmos o velho termo “Enfermagem Psiquiátrica”, que, afinal de contas, até parece nos dar maior status? Por que mudar?

Vamos respondendo passo a passo as dúvidas que podem surgir a esse respeito. Falar em Saúde Mental é muito mais do que uma troca de termos; inclui uma diferença de critérios, da doença – foco central da Psiquiatria – para a saúde. Isso mesmo! Vamos falar em transtornos mentais, mas com os olhos voltados para a reabilitação, a saúde e a reintegração. Obviamente a Psiquiatria, com todo o seu conhecimento, é parte essencial desse estudo, mas não a única. Outras áreas de estudo se integram para formar um conhecimento mais amplo, que tente dar conta desta forma de sofrimento humano.

O termo Saúde Mental se justifica, assim, por ser uma área de conhecimento que, mais do que diagnosticar e tratar, liga-se à prevenção e promoção de saúde, preocupando-se em reabilitar e reincluir o paciente em seu contexto social.

Outro ponto é o fato de que a Enfermagem sempre pareceu, para alguns olhares menos perspicazes, estar à sombra do conhecimento médico. Mas, na verdade, ela constrói seu conhecimento e divide com todas as outras áreas envolvidas os louros e as frustrações de trabalhar em (ou para a) Saúde Mental.

Em última análise, a flexibilidade para desprender-se de conceitos científicos fixos e a atenção para as necessidades de mudanças a cada passo constituem pontos-chave para o crescimento pessoal e do conhecimento no setor Saúde Mental.

P EAROF 3 - A EVOLUÇÃO DA SAÚDE MENTAL

_ Pessoas normais estão agora em outro lugar. _ Como será que se sentem? O que pensam?

_ Não pensam. A doença não lhes deixou capacidade de raciocinar.

_ Podemos tomar como fato?

_ Podemos.

_ Por quê?

_ Porque a outra alternativa é inconcebível

(Do filme “Tempo de Despertar”)

O diálogo de dois personagens, médicos do filme “Tempo de

Despertar”, expressa a problemática do relacionamento do homem com o que denominamos de “transtornos mentais”. Embora o filme aborde uma enfermidade oriunda de uma virose contraída – no caso, encefalite letárgica –, a questão de como os problemas de incapacitação das faculdades mentais, ou da agressividade desprovida de senso crítico, limites e padrões éticos e morais, sempre amedrontou e ainda amedronta a humanidade.

Para evitar uma situação desesperadora, em que se admitisse que, de alguma forma, os sofredores dos transtornos mentais tivessem consciência de suas enfermidades, encarou-se o “louco” como alguém totalmente alienado ao que se passa ao redor. Neste contexto, mais fácil seria definir que “outra alternativa é inconcebível”, simplesmente por ser aterradora sua perspectiva.

Atualmente novas terapêuticas no tratamento destes tipos de doentes têm sido adotadas na tentativa de uma maior integração entre o paciente e a sociedade. Mas esta forma de encarar o problema da “loucura” nem sempre ocorreu assim.

Para se entender a Saúde Mental nos dias de hoje, é necessário que se tenha conhecimento do processo histórico ao longo do qual ela evoluiu.

Você já deve ter assistido a algum filme bíblico, independente da religião da qual você é adepto. Se já assistiu, deve ter reparado que aquelas pessoas viviam em uma época em que a ciência era praticamente desconhecida. Sem o conhecimento científico para explicar o mundo que o cercava, como aqueles homens conseguiam entender fenômenos como o raio e o trovão, as fases da lua, o ciclo das marés, as estações do ano?

Assim, para aquelas pessoas, tudo na natureza se explicava através de idéias ligadas a práticas de magia e religião.

Da mesma forma, o conceito de doença mental estava ligado a explicações mágico-religiosas, que atribuíam a uma força sobrenatural a origem dos transtornos mentais. Assim, a loucura era aceita

Saúde Mental

como uma imposição divina, uma interferência dos deuses. Por conseqüência, o modo como a sociedade a encarava tornava-se ambíguo, pelo fato de que tanto poderia ser o enfermo um portador, ou intérprete da vontade divina, como também um castigado pelos deuses ou um endemoninhado.

Desta forma o tratamento não poderia ser aplicado de maneira diferente. Este tinha como objetivo controlar, apaziguar ou expulsar estas forças “demoníacas”.

Na Grécia Antiga, mesmo que os distúrbios mentais fossem encarados ainda com origens sobrenaturais, procurou-se em causas somáticas a origem dos distúrbios mentais. Neste novo pensamento, a doença era causada pelo desequilíbrio interno, originado pelos humores corporais. A melancolia, por exemplo, era descrita como um quadro de tristeza causado pela “bílis negra” do fígado.

(Parte 2 de 10)

Comentários