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A assistência de enfermagem deve englobar os seguintes aspectos:

!proporcionar um ambiente adequado para o repouso físico e mental;

!fornecer oxigênio e administrar opiáceos (analgésico e sedativo) e ansiolíticos prescritos para alívio da dor e diminuição da ansiedade;

!prevenir complicações, observando sinais vitais, estado de consciência, alimentação adequada, eliminações urinária e intestinal e administração de trombolíticos prescritos;

!auxiliar nos exames complementares, como eletrocardiograma, dosagem das enzimas no sangue, ecocardiograma, dentre outros;

!atuar na reabilitação, fornecendo informações para que o cliente possa dar continuidade ao uso dos medicamentos, controlar os fatores de risco, facilitando, assim, o ajuste interpessoal, minimizando seus medos e ansiedades;

!repassar tais informações também à família.

A equipe de enfermagem tem a possibilidade de criar oportunidades para que esse cliente compartilhe suas preocupações e seus temores. Uma atmosfera de aceitação auxilia-o a reconhecer que seus sentimentos são reais e também normais.

As principais complicações do infarto são as arritmias fatais, choque cardiogênico, edema agudo de pulmão e morte súbita. A seqüela principal é a insuficiência cardíaca.

3.5 Edema Agudo de Pulmão

O edema agudo de pulmão (EAP) é um quadro clínico crítico, decorrente da incapacidade do ventrículo esquerdo em bombear o sangue pela válvula aórtica, causando um acúmulo de líquido nos pulmões.

Numerosas patologias cardiovasculares predispõem o aparecimento do EAP, como a insuficiência coronariana aguda (angina e IAM), a crise hipertensiva, as arritmias cardíacas, as infecções, a anemia, a hiper-hidratação e a intoxicação digitálica.

Os sinais e sintomas do edema agudo de pulmão incluem: dispnéia e tosse, produzindo um escarro espumoso e tingido muitas vezes de sangue, taquicardia, pele cianótica, fria, úmida, inquietação, ansiedade, medo, etc.

A equipe de enfermagem deve manter uma via venosa permanente (venóclise), a fim de minimizar o sofrimento decorrente de punções freqüentes, bem como garantir uma via de acesso imediata em caso de emergência.

Arritmias – São quaisquer desvios do ritmo cardíaco.

Choque cardiogênico - Caracteriza-se por pressão arterial sistólica inferior a 90 mmHg, inquietude, confusão mental, apatia que pode evoluir para o coma, pele fria, pegajosa, acinzentada ou cianótica, taquicardia e oligúria.

Assistência Clínica

É fundamental que a equipe de enfermagem mantenha-se ao lado do cliente, demonstrando segurança e monitorando os aspectos essenciais para que o mesmo saia da crise rapidamente. Esta ação garante a eficiência e eficácia da terapêutica que está baseada nos seguintes aspectos:

!manutenção de seu conforto, colocando-o em posição elevada para diminuir o retorno venoso e propiciar uma máxima expansão pulmonar;

!monitorização dos sinais vitais;

!administração de oxigenoterapia e de medicações (opiáceos, diuréticos e digitálicos);

!manutenção de via venosa pérvia com gotejamento mínimo, evitando sobrecarga volêmica;

!monitorização do fluxo urinário.

Medo e ansiedade extremos são manifestações predominantes do portador de edema pulmonar agudo. Tocar a pessoa, falar com ela, passa a sensação de realidade concreta, e de que ela não está sozinha, atenuando tais sentimentos.

3.6 Doenças Infecciosas do Coração

3.6.1 Endocardite

É um processo infeccioso do endocárdio (membrana que envolve as cavidades e as válvulas cardíacas), causado por uma invasão direta de bactérias e de outros microorganismos provenientes de uma contaminação da corrente sangüínea.

A endocardite bacteriana pode ser decorrente de intervenções odontológicas (extrações dentárias), no sistema geniturinário (colocação e retirada de sondas), no sistema gastrointestinal (endoscopia digestiva alta) e no sistema respiratório (entubação orotraqueal). As pessoas mais susceptíveis são os idosos, com baixa imunidade, as portadoras de cateteres e próteses valvares e as viciadas em drogas endovenosas.

As manifestações clínicas variam de acordo com a gravidade da doença e os sinais e sintomas podem ser:

!agrupados de acordo com a sua origem, ou seja, decorrentes de infecção sistêmica (febre, calafrios, mal-estar geral, fadiga, fraqueza, anorexia);

!relacionados à lesão intravascular (dispnéia, dor torácica, extremidades frias e úmidas, petéquias e hemorragias na forma de chama de vela);

!característicos de reação imunológica (dor nas articulações, proteinúria e hematúria, entre outros).

Como complicações, pode-se destacar a lesão da válvula mitral, levando à insuficiência cardíaca congestiva (ICC), à embolia pulmonar e aos abscessos cerebrais.

O tratamento visa combater o microorganismo com o uso de antibioticoterapia e fazer a correção cirúrgica da válvula lesada. Na fase aguda, o tratamento é basicamente hospitalar, estando as ações de enfermagem relacionadas às manifestações apresentadas e à gravidade da doença. No alívio da dor, a enfermagem deve manter o cliente de forma mais confortável possível, favorecendo o sono e repouso adequados. O controle da febre deve ser feito através de medidas de resfriamento corporal (compressas e bolsas frias) e administração de líquidos e antitérmicos. Para controlar a função cardíaca, é necessário avaliar o pulso, observar sinais de fadiga, dispnéia e inquietação. À medida que a pessoa melhorar, deve ser iniciado um programa de atividade física progressiva, o que requer controle da pressão arterial, pulso e a observação de vertigem e de fraqueza.

As orientações para a alta incluem: evitar o contato com pessoas portadoras de infecções de vias aéreas e procurar assistência imediata ao apresentar sinais e sintomas de infecção.

3.6.2 Miocardite

É uma inflamação da parede miocárdica, resultante de um processo infeccioso de origem viral (caxumba, gripe, rubéola), parasitária (Doença de Chagas), radiativa (radioterapia) ou por agentes tóxicos (chumbo) e outras drogas (lítio, cocaína). As pessoas mais susceptíveis são as que apresentam infecções sistêmicas agudas, as tratadas com medicamentos imunossupressores ou portadoras de endocardite infecciosa.

A miocardite pode apresentar-se de forma aguda ou crônica, tendo como complicações a insuficiência cardíaca congestiva (ICC), hipertrofia do ventrículo e arritmias graves e letais.

As principais manifestações clínicas são: fadiga, dispnéia, palpitações, dor torácica e arritmias, podendo até ocorrer ausência de sintomas.

No Brasil, a Doença de Chagas é uma das principais causas de miocardite decorrente da lesão provocada no miocárdio pelo parasita Trypanosoma cruzi.

Assistência Clínica As ações de enfermagem têm como objetivos:

!controlar os sinais vitais, como pulso, temperatura, para avaliar a evolução da doença;

!observar sinais de toxicidade digitálica (arritmia, anorexia, náusea, vômitos, bradicardia, cefaléia e malestar), pois essas pessoass são sensíveis aos medicamentos digitálicos;

!estimular o uso de meias elásticas e a prática de exercícios passivos para diminuir o risco de embolias decorrentes de trombose venosa;

!orientar no sentido de evitar esportes competitivos e consumo de álcool.

3.6.3 Doença reumática

É um processo inflamatório difuso que acomete as articulações, o tecido subcutâneo, o sistema nervoso central, a pele e o coração, podendo atingir todas as faixas etárias. É de grande importância epidemiológica, pois está relacionada às condições de vida da população. O grupo social mais afetado é o que tem problemas de moradia, vivendo em pequenos espaços, portanto, mais exposto às infecções por streptococcus.

O mecanismo fisiopatológico constitui-se de uma resposta auto-imune que ocorre em nível celular. Os antígenos estreptocócicos combinam-se com células receptoras existentes nos tecidos e nas articulações, sendo a principal complicação as lesões cardíacas graves e permanentes, como a lesão da válvula mitral.

Os sinais e sintomas que caracterizam a fase aguda da doença reumática são: febre, dor articular, eritema marginado, nódulos subcutâneos, coréia, dor abdominal, fraqueza, mal-estar, perda de peso e anorexia.

O diagnóstico é realizado através de exames laboratoriais, como cultura de material obtido da garganta, e exames de sangue para confirmação da presença da bactéria.

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