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O tratamento do indivíduo tem como objetivos combater a bactéria com antibioticoterapia, tratar do quadro inflamatório e, se necessário, utilizar corticoterapia. Nesse período, recomenda-se repouso no leito até o desaparecimento dos sinais de inflamação. A prevenção de novos surtos deve ser feita através do uso de antibioticoterapia por toda a vida.

No coração, o processo inflamatório ocorre como manifestação tardia causada pela bactéria Streptococcus Bhemolyticus, oriundo de uma infecção das vias aéreas superiores, especialmente da garganta.

Eritema marginado – É a hiperemia crescente principalmente no tórax com centros claros, podendo desaparecer em minutos ou horas.

Nódulos subcutâneos – São tumores pequenos, firmes e indolores que se localizam nas articulações dos joelhos, cotovelos e dedos.

Coréia –Caracteriza-se por movimentos involuntários, repentinos e irregulares.

As ações de enfermagem desenvolvidas com um portador de doença reumática visam:

!aliviar a dor articular por meio da administração de analgésicos prescritos;

!orientar a manutenção de equilíbrio entre repouso e as atividades da pessoa;

!monitorizar a pressão arterial e o pulso antes e após a atividade física, que deve ser interrompida caso haja dor no peito, aumento da freqüência cardíaca, pulso irregular, queda de pressão arterial, vertigem e/ou dispnéia;

!incentivar dieta rica em carboidratos e proteínas e a ingestão de líquidos.

As medidas preventivas incluem: procurar avaliação clínica imediata ao apresentar infecção de vias aéreas superiores; não interromper a antibioticoterapia prescrita; desenvolver cuidados com dentes e gengivas, procurando evitar cáries e gengivites. As orientações para a alta dizem respeito a evitar o contato com pessoas portadoras de infecções de vias aéreas e procurar assistência caso ocorra dor de garganta, calafrios e nódulos linfáticos dolorosos, conhecidos popularmente como “ínguas”.

4- DISFUNÇÕES RESPIRATÓRIAS

A vida humana depende da troca sistemática de gases, realizada pelo sistema respiratório. A respiração é composta de dois movimentos - a inspiração e a expiração - que correspondem à expansão e ao relaxamento da musculatura pulmonar e da parede torácica. O ato de respirar mantém um padrão regular e ininterrupto, varia de 12 a 20 respirações por minuto, no adulto. É essencial para a vida, pois é responsável pela absorção de oxigênio pelas células e a eliminação do gás carbônico pelos pulmões.

O ar entra pelo nariz, onde é purificado e aquecido. Passa pela faringe, laringe e segue pela traquéia, brônquios e bronquíolos. Os brônquios e os bronquíolos são revestidos de cílios que realizam o movimento de varredura, retirando, assim, muco e substâncias estranhas ao pulmão. O ar chega então aos alvéolos, havendo aí a troca gasosa entre oxigênio e gás carbônico.

A tosse é um mecanismo fisiológico de limpeza das vias aéreas, portanto não deve ser abolida.

Assistência Clínica

Os pulmões, em número de dois, ocupam a caixa torácica. Existem ainda músculos que auxiliam no movimento respiratório, também chamados de músculos acessórios da respiração, dentre eles: o diafragma, os intercostais e o esternocleidomastóide.

Estudaremos as doenças respiratórias mais incidentes em nosso meio, dentre elas as de origem infecciosa, neoplásica e as crônicodegenerativas (doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC).

A DPOC se caracteriza por alterações progressivas da função pulmonar, resultando em obstrução ao fluxo aéreo. É constituída pelo enfisema, bronquite e asma.

4.1 Enfisema

É uma doença crônica irreversível, caracterizada por obstrução brônquica e distensão alveolar. Há perda da elasticidade dos pulmões, destruição alveolar e capilar por acúmulo de ar nos alvéolos. À medida que a destruição alveolar progride, as trocas gasosas diminuem. Há uma adaptação progressiva com a convivência de menor taxa de oxigênio no organismo, tornando, por isso mesmo, a pessoa intolerante a altas taxas de oxigênio. Dentre os fatores de risco, destacamos o fumo e a poluição ambiental persistente.

A asma, a tuberculose e o envelhecimento favorecem o surgimento do enfisema em conseqüência da fibrose, com perda da elasticidade pulmonar. Essa doença caracteriza-se por evolução lenta e gradual. Na fase tardia, o paciente apresenta cansaço aos esforços rotineiros, tosse produtiva, desconforto relacionado com a menor capacidade de respirar (dispnéia), uso abusivo da musculatura acessória, definindo o tórax em barril agitação/sonolência, dificuldade de concentração, tremor das mãos e anorexia com perda de peso.

O consumo do tabaco é um fator de risco importante para adoecer, sendo a principal causa de câncer de pulmões e de DPOC. No entanto, o abandono do hábito de fumar está relacionado com a dependência química e psíquica e requer uma atenção especial, que não apenas o uso de jargões como: “Pare de fumar!”.

Tórax em barril Uso da musculatura acessória

Alguns exames são solicitados para avaliar a capacidade respiratória individual e o tamanho da lesão, dentre eles a tomografia computadorizada e a espirometria.

As complicações freqüentes do enfisema são o pneumotórax e a insuficiência respiratória aguda.

4.2 Bronquite Crônica

A bronquite crônica caracteriza-se pelo aumento das glândulas produtoras de muco dos brônquios, manifestando-se por tosse matinal, com excesso de secreção espessa, esbranquiçada e viscosa. Muitas vezes é confundida com o estado gripal, porém se diferencia pela sua duração que pode se estender até dois meses (gripe mal curada).

Embora a causa não esteja esclarecida, está diretamente relacionada ao hábito de fumar. Outros fatores, como a idade, a predisposição genética, a poluição atmosférica, a exposição contínua ao ar frio e à umidade e contatos com poeiras industriais, favorecem o aparecimento da doença.

À medida que os períodos de infecção se tornam mais freqüentes, o muco pode apresentar-se: amarelado, esverdeado, acinzentado e até purulento. A evolução da bronquite culmina com a lesão da camada interna dos brônquios, prejudicando a ventilação e a função cardíaca. Nessa etapa da doença, os sinais associados são: cianose, edema e acesso de tosse noturna.

As principais complicações da bronquite crônica são a infecção pulmonar, a insuficiência cardíaca e o enfisema.

4.3 Asma

É uma doença comum, podendo ser reversível, afetando cerca de 10% da população, abrangendo indivíduos de todas as idades. Consiste na obstrução dos bronquíolos, em decorrência do bronquioespasmo (estreitamento dos brônquios), associada ao edema das mucosas e à produção excessiva de muco (catarro).

Os principais sintomas da asma são: tosse seca, dispnéia e sibilo. Estas manifestações ocorrem em crises de duração variável, podendo ser de minutos, horas e até de dias.

A asma pode ser causada por vários fatores, entre eles: os alérgenos (poeira domiciliar, ácaros, poluição ambiental, pêlos de animais e alguns alimentos); infecções respiratórias; fatores emocionais; atividade física intensa; alguns medicamentos; hereditariedade e alterações climáticas.

Espirometria– É a aferição da capacidade respiratória dos pulmões, através de um instrumento denominado espirômetro, o qual mede o ar inalado e exalado dos pulmões.

Pneumotórax – É o acúmulo de ar no espaço intrapleural, alterando a mecânica respiratória e as trocas gasosas.

Assistência Clínica

O tratamento da asma aguda visa restaurar a função pulmonar rapidamente, evitar complicações e controlar os fatores desencadeantes das crises.

Considerando que as alterações nos brônquios são semelhantes para as três situações descritas, os cuidados de enfermagem serão abordados conjuntamente. É importante o envolvimento dos familiares em todas as etapas dos serviços a serem prestados, quais sejam:

!controle dos fatores de risco: fornecer orientações quanto aos fatores desencadeantes de crises, auxiliando os portadores a reconhecerem os sinais e sintomas iniciais da crise; uso de medicações broncodilatadoras, mucolíticos e corticóides prescritas;

!monitoramento da função respiratória: através do controle dos sinais vitais; avaliação da coloração e temperatura da pele, da mucosa e do nível de consciência;

!oxigenoterapia: administrar oxigênio conforme orientações do enfermeiro e/ou médico;

!fluidificação e expectoração de secreções: através da hidratação, do estímulo de tosse e nebulização; ensinar o uso da musculatura acessória; orientar quanto à importância de manter atividade física regular (caminhadas e natação);

!prevenção de infecções respiratórias: orientar quanto à exposição a riscos de infecção; evitar ambientes fechados; agasalhar-se adequadamente e manter nutrição adequada;

!exercícios respiratórios: orientar quanto à importância da realização freqüente dos exercícios e sua finalidade; ensinar as técnicas mais modernas como a da respiração diafragmática, respiração com lábios entreabertos, etc.;

!fisioterapia respiratória: a fisioterapia para limpeza das vias aéreas inferiores é importante, mas é passível de supervisão de profissional especializado. O cliente deve ser orientado e encaminhado.

Um único ataque de falta de ar não significa, necessariamente, que seja asma. Certas infecções e algumas substâncias químicas podem causar falta de ar, e isso dura pouco tempo.

A administração de oxigênio à pessoa com enfisema só poderá ser feita sob estrita prescrição, pois o fornecimento acima do permitido pode inibir o centro respiratório.

Atualmente, a vacina que previne a gripe é uma grande aliada no controle destas afecções, especialmente nos idosos que são mais susceptíveis.

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