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Quando da realização de aspiração de traqueostomia ou cânula endotraqueal, o profissional deve atentar para que o número da sonda de aspiração seja adequado, evitando traumatismo ao cliente. Além disso, a oxigenação, sempre que necessário, deve ser assegurada, através da utilização de máscara de ressuscitação manual (ambú).

Durante o procedimento, verificar possíveis alterações clínicas decorrentes da hipoventilação, como cianose de extremidades, diminuição da saturação de oxigênio (que pode ser monitorada com a utilização do oxímetro de pulso), alteração do nível de consciência, sangramento ou arritmia cardíaca.

No tocante à aspiração nasal, oral e endotraqueal, alguns aspectos devem ser lembrados, tais como: nunca aspirar por um período superior a 15 segundos (se houver a necessidade de repetir a aspiração, o cliente deve receber oxigênio anteriormente); utilizar a sonda de aspiração uma única vez, desprezando-a ao término do procedimento; após cada aspiração, realizar a limpeza do recipiente de coleta de secreção, desprezando seu conteúdo e lavando-o em água corrente; trocar o recipiente de coleta de secreção e do intermediário de látex a cada 24 horas - sempre lembrando de registrar a data e hora da próxima troca.

Após cada procedimento, o ambiente deve ser mantido organizado e registrado, em prontuário, o aspecto, coloração, odor e quantidade da secreção aspirada.

5- DISFUNÇÕES DIGESTÓRIAS

Todas as pessoas necessitam de nutrientes essenciais para sobreviver. Esses nutrientes provêm da metabolização dos alimentos realizada no sistema gastrointestinal.

A degradação dos nutrientes passa pelas seguintes etapas: ingestão - o alimento vai da boca para o tubo digestivo; digestão - a quebra do alimento se inicia na boca (enzima amilase salivar), continua no estômago (suco gástrico) e termina no intestino delgado por intermédio de seus sucos; os nutrientes são absorvidos pela corrente sangüínea, onde serão utilizados pelas células ou armazenados pelo organismo; os resíduos não utilizados serão transformados em fezes, que serão excretadas.

Caso haja alteração em algum dos órgãos do sistema digestório, a pessoa pode desenvolver alguma das seguintes doenças:

Esse procedimento deve ser realizado com rigorosa técnica asséptica.

Por que adoecemos dos órgãos responsáveis pela digestão?

P EAROF 5.1 Gastrite

É um distúrbio inflamatório da mucosa gástrica. Seu aparecimento ocorre de forma súbita, podendo ser de curta duração, tornar-se crônica ou ainda evoluir para uma úlcera.

A gastrite aguda, freqüentemente, é causada por agressores com ação direta na mucosa gástrica. Entre eles estão: medicamentos como antiinflamatório e aspirina, álcool, fumo, enzimas digestivas do duodeno, alimentos condimentados, frituras, gorduras e frutas ácidas, situações de estresse em pessoas muito nervosas ou então hospitalizadas.

As gastrites crônicas estão mais relacionadas com a presença do Helicobacter pylori.

Entre as manifestações clínicas, destacam-se: dor epigástrica, vômitos, náuseas, eructação, pirose após as refeições, digestão difícil e demorada e até a anorexia. E em casos mais extremos, pode apresentar hemorragia digestiva.

O diagnóstico pode ser feito através da endoscopia, com realização de biópsia e de radiografia contrastada. O tratamento está baseado na utilização de antiácidos que atuam na acidez gástrica. Nos casos mais graves, além dos antiácidos, são administrados medicamentos que bloqueiam a secreção do suco gástrico. Se a gastrite for causada pelo H. pylori, deverá ser indicada a antibioticoterapia.

Além de administrar os medicamentos prescritos, a equipe de enfermagem deverá orientar o cliente no tocante a:

!ingerir dieta branda e fracionada, com ausência de alimentos irritantes à mucosa gástrica;

!desenvolver atividades físicas com a finalidade de reduzir o estresse;

!evitar a ingestão de álcool, de café e o uso do tabaco.

5.2 Úlceras Pépticas

Essas úlceras são definidas como lesões erosivas com perda de tecidos. Caracterizam-se por surtos de ativação e períodos de calmaria, com evolução crônica. As áreas mais acometidas são as do estômago e do duodeno.

A úlcera duodenal constitui a forma predominante de úlcera péptica. Está associada à hipersecreção de ácido e pepsina pelo estômago que, ao chegar ao duodeno, gera as erosões. Já a úlcera gástri-

O Helicobacter pylori é uma bactéria que está presente em grande número de clientes com gastrite e úlcera duodenal. Ela vive abaixo da camada de muco (tipo de saliva que os órgãos do aparelho digestivo produzem) para se protegerem da ação ácida do estômago. Encontrase nos alimentos (frutas, verduras e legumes) que devem ser bem lavados ou cozidos, antes de serem consumidos, e na água. Quanto mais baixa a condição socioeconômica, maior a incidência de infecção da bactéria.

Eructação – É a eliminação de gases por via oral, sendo popularmente conhecido como “arroto”.

Pirose - É a sensação de queimadura na região gástrica.

Assistência Clínica ca está relacionada ao aparecimento de uma lesão, devido à deficiência dos fatores de proteção da mucosa gástrica contra a ação do ácido clorídrico.

Tanto as úlceras duodenais quanto as gástricas resultam da interação de fatores genéticos, ambientais (fumo, álcool, café, ácido acetilsalicílico, da presença da bactéria Helicobacter pylori) e de fatores emocionais (estresse, emoções, ansiedade, manifestações da vida afetiva).

De todos os sintomas da úlcera, a dor é o mais freqüente, levando o indivíduo a procurar assistência. Manifesta-se através de uma dor em queimação e corrosiva - tipo cólica - relacionada, quase sempre, à alimentação.

Na úlcera gástrica, a dor inicia-se no epigástrio e irradia-se para o rebordo costal. A presença do alimento no estômago causa a dor, enquanto que os vômitos podem aliviá-la.

A dor na úlcera duodenal irradia-se para o flanco direito e acontece quando a pessoa está com o estômago vazio. A ingestão de alimentos alivia o sintoma. Outras manifestações clínicas que podem ser observadas são: náusea e vômito. Em casos mais graves, observa-se hemorragias nas fezes (melena) ou vômitos (hematêmese).

Diferenças entre Úlcera Duodenal e Gástrica

Idade30 a 60 anosAcima dos 50 anos Secreção ácidaHipersecreçãoNormal ou hipossecreção Freqüência Mais Menos AbrangênciaTodas classes sociaisNível econômico baixo Estado nutricional Nutrido Desnutrido Presença de vômitosIncomunsComuns

Presença de hemorragias Melena Hematêmese

Episódios de dor2 a 3 horas após refeições30 minutos a uma hora após a refeição

Ingestão de alimentos Alívio da dorNão melhora ou há aumento da dor

Com a realização da endoscopia, o diagnóstico pode ser confirmado.

O tratamento medicamentoso da úlcera péptica consiste na redução da acidez gástrica até a cicatrização da úlcera e na erradicação da bactéria H. pylori, quando esta estiver presente.

A equipe de enfermagem deverá orientar o cliente a:

!fazer o mínimo de 4 refeições diárias, em intervalos regulares, mastigando bem os alimentos;

!evitar frituras, condimentos (pimenta, alho, cebola), refrigerante, café, chá e bebida alcoólica e uso do tabaco;

!modificar o estilo de vida, visando diminuição do estresse ;

!não fazer uso de comprimidos sem prescrição ;

!observar a presença de sangue nas fezes e nos vômitos.

5.3 Hepatite

É uma doença que consiste na inflamação do fígado e pode ser causada por um vírus ou por substâncias tóxicas. As manifestações clínicas gerais da pessoa com hepatite referem-se: à fadiga, anorexia (falta de apetite), enjôo, vômitos, icterícia, colúria (urina escura) e fezes acólicas (esbranquiçadas).

Existem tipos diferentes de hepatite. Entre eles, a hepatite viral e a por substâncias tóxicas.

5.3.1 Hepatites virais

Consiste em vários tipos de vírus e cada um tem uma forma de contágio, prevenção e tratamento. Entre as mais comuns estão:

!Hepatite A - é a mais contagiosa, porém a menos grave. Estima-se que no Brasil 95% da população adulta já tenha anticorpos contra esse tipo de hepatite.

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