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Além do número de doses, para prever o quantitativo de imunobiológicos é importante considerar: •as estratégias definidas;

•o cronograma de utilização;

•a enfrascagem da vacina;

•o prazo de validade; e

•o tempo de validade após aberto o frasco.

Na previsão de quantitativos para redistribuição às unidades locais, considerar postos com pequena e com grande demanda, tendo o cuidado para que as vacinas não fiquem estocadas na instância local por mais de três meses.

b) Percentual de reserva

Ao quantitativo deve ser acrescentado um percentual de reserva para cobrir eventuais perdas, ocasionadas, principalmente, pela quebra de frascos ou falhas na rede de frio. Os percentuais de reserva para cada produto são os seguintes:

•para a vacina contra a poliomielite: 20% de reserva na rotina e 40% em campanhas;

•para a vacina BCG: −frascos de 10 e de 20 doses: 40% de reserva;

−frascos com 50 doses: 60% de reserva; •para as vacinas contra o sarampo, contra a rubéola, a dupla viral e a tríplice viral: −frascos de uma dose: nenhuma reserva;

−frascos de cinco doses: 10% de reserva;

−frascos de 10 ou 20 doses: 20% de reserva; •para as vacinas tríplice bacteriana (DTP), dupla adulto (dT), hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b: −frascos de uma dose: nenhuma reserva;

−frascos de multidoses: 10% de reserva; •para a vacina contra a febre amarela: −frascos de 5 doses - 20% de reserva;

−frascos de 10 doses - 40% de reserva;

−frascos de 50 doses - 60% de reserva.

c) Exemplo de cálculo do quantitativo de imunobiológico

Tomando como exemplo uma população menor de um ano de 2.500 crianças, o quantitativo de vacinas para um ano de trabalho considera o número de doses e o percentual de reserva para cada tipo de enfrascagem:

•para a vacina DTP, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b são 8.250 doses de cada (2.500 x 3 + 10%);

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•para a vacina contra a poliomielite são 9.0 doses (2.500 x 3 + 20%);

•para a vacina contra o sarampo são 2.500 ou 2.750 ou 3.500 doses, respectivamente, para apresentações de uma, cinco, 10 ou 20 doses;

•para a vacina BCG são 3.500 doses para apresentação em 10 ou 20 doses ou 4.0 doses para enfrascagem de 50 doses.

Os quantitativos anuais são divididos de acordo com o cronograma de distribuição estabelecido. O controle dos estoques é feito, principalmente, a partir do registro minucioso de entrada e saída dos produtos. O registro contém o total de doses recebidas, distribuídas, utilizadas, desperdiçadas, remanejadas e o saldo existente, segundo o tipo de vacina, o número do lote e a data do vencimento. Com isso, evita-se a falta ou a perda por expiração do prazo de validade, pois o controle permite redistribuir e usar aqueles produtos cuja data de validade esteja mais próxima.

7.3.2. Outros materiais e equipamentos

O planejamento (previsão) dos diferentes materiais utilizados no trabalho de vacinação leva em conta as metas, as estratégias, a análise da situação feita no diagnóstico (conforme orientado anteriormente nesta Parte), bem como as especificações apresentadas no tópico 2, da Parte I deste Manual, com relação aos equipamentos, material de consumo, impressos e outros materiais básicos.

O controle administrativo de todos os materiais e equipamentos utilizados pelo serviço de saúde contribui para evitar falta, desperdício ou extravio, podendo-se adotar uma lista-padrão com os mais utilizados. O responsável pela vacinação pode confeccionar esta lista ou sugerir um calendário de compras. Uma providência importante é fornecer dados que possibilitem a definição do estoque máximo (com previsão para vários meses) e do estoque mínimo (quantidade mínima) para não paralisar as atividades enquanto aguarda uma nova remessa.

Conforme orientado também na Parte I deste Manual, deve ser prevista a necessidade de seringas e agulhas que apresentam graduação e calibre específicos:

•para as vacinas tríplice bacteriana (DTP), dupla, contra o pneumococo, contra a influenza e contra a raiva: seringa agulhada (ou sem agulha) de 2 ou 3 ml, com agulha de 25x7;

•para as vacinas contra hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b: seringa agulhada (ou sem agulha) de 2 ou 3 ml, com agulha de 20x5,5; 20x6 ou 25x7;

•para a vacina contra o sarampo, a tríplice viral, contra a rubéola e contra a febre amarela: seringa agulhada (ou sem agulha) de 2 ou 3 ml, com agulha de 13x3,8 ou 13x4,0 ou 13x4,5;

•para a vacina BCG-ID: seringa de 1ml, tipo tuberculínica, graduada em centésimos de mililitros, acoplada com agulha 10x5,0 ou 13x4,0 ou 13x4,5.

A previsão ou planejamento inclui, também, a aquisição de equipamentos para informatização dos registros de vacinação (computadores, impressoras) e equipamentos audiovisuais (projetor de slides, retroprojetor, vídeo, televisão, máquina fotográfica, etc.) utilizados nos treinamentos, no trabalho com a população e no registro das atividades do serviço de saúde.

Ao fazer a previsão incluir a necessidade de local para instalação e utilização dos equipamentos (sala, tela, mesa, cadeiras, etc.), de ligação à rede elétrica, prevendo-se também recursos financeiros para manutenção, para aquisição ou produção dos insumos utilizados, tais como: disquetes, cartuchos de tinta e outros materiais de computação, slides, transparências, filmetes, fitas de vídeo, filmes para fotografia, etc.

7.4. Recursos financeiros

O desenvolvimento das atividades de vacinação, como foi visto até aqui, obedece a um planejamento que fixa metas e determina recursos técnicos, materiais e humanos, em cada gestão de acordo com as responsabilidades específicas.

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Os recursos só estarão disponíveis, no entanto, se houver previsão do financiamento, o que se traduz na inclusão obrigatória dessas necessidades no orçamento respectivo: municipal, estadual e federal. O orçamento inclui recursos financeiros (receitas) que se destinam a financiar os gastos previstos.

Dada a importância do orçamento na administração, todo pessoal responsável pelas diversas áreas, inclusive pela vacinação, devem participar ativamente da elaboração da proposta do orçamento da saúde, especialmente nos planos municipais. Para auxiliar na elaboração do orçamento, são muito úteis o resultado do diagnóstico e o levantamento das necessidades de recursos e serviços, conforme descrito anteriormente, de forma a garantir que as atividades sejam executadas ao longo do ano.

Muitas vezes, é necessário realizar atividades não previstas, decididas, em geral, de uma hora para outra, como obras, campanhas nacionais, bloqueios, intensificações municipais e estaduais e outras.

Para viabilizar este tipo de demanda é importante destinar recursos para o atendimento de emergências.

A etapa de acompanhamento da execução do orçamento é, também, importante, pois possibilita a obtenção das informações sobre a posição dos recursos disponíveis (dotações orçamentárias) para as atividades de vacinação, bem como sobre o cumprimento de metas, de objetivos e de prazos.

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8. Educaçªo em saœde e mobilizaçªo da populaçªo

Um melhor desempenho dos serviços de saúde é, certamente, resultado de um bom planejamento e de uma adequada infra-estrutura de serviços. Em vacinação, particularmente, isso se traduz, por exemplo:

•numa rede de frio sem problema de manutenção;

•em pessoal treinado;

•em boa organização do trabalho;

•em registros confiáveis; e

•em disponibilidade de vacinas e insumos.

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