Semiologia do crescimento deficiente: roteiro diagnã?stico

Semiologia do crescimento deficiente: roteiro diagnã?stico

(Parte 4 de 4)

3) tratamento etiológico se for o caso: cuidados gerais e orientação familiar para as crianças cujo problema está definitivamente

esclarecido .

Se for lembrado que a maior parte das crianças com grave deficiência de cresci-

mento não são passíveis de tratamento etiológico, conclui-se que a observação conti- nuada da criança, os cuidados gerais e a orientação familiar constituem a verdadeira linha de ação do pediatra na abordagem do problema, sem prejuízo de um pequeno con- tingente de casos realmente tratáveis do ponto de vista etiológico.

Em relação à criança em vigilância com velocidade de crescimento normal, elas podem usufruir o estirão da puberdade e atingir estatura final mínima satisfatória (1,50m para

o sexo feminino e 1,60m para o sexo masculino): urge defender essas crianças de ações iatrogênicas, orgânicas e psíquicas. Por outro lado, a baixa estatura psicossocial assume gradativamente um papel muito importante na nosología pediátrica e é lamentável que mui- tos pediatras resistam à evidência dos fatos e insistam na busca de causas orgânicas da baixa estatura, através de agressiva investigação laboratorial, menosprezando a ação de-

letérica sobre o crescimento exercida pelo ambiente adverso.

Finalmente, nunca será demais lembrar que a principal causa da baixa estatura da população infantil brasileira encarada como um todo é a desnutrição, associada com fre- qüência às agressões de variada patologia infecciosa. O tratamento dessa condição, sa- bemos todos, não é problema médico, mas sim social e econômico, pendente da política

do poder público na acepção mais abrangente que a palavra política puder comportar.

3. CHIORBOLI, E. & BRICARELLO, S. — Atrasos do crescimento: roteiro semiotécnico, diagnóstico e tratamento. In Murahovschi, J., coord. — Pediatria, Diagnóstico + Tratamento. São Paulo, Sarvier, 1978. p. 109.

4. GARDNER, L. l. — The nosology of failure to thrive. Amer. J. Dis. Child. 132: 961, 1978.

5. GREULICH, W. W. & PYLE, S. I. — Radiographic Atlas of Skeletal Development of the Hand and Wrist. Stanford, Stanford University Press, 1950.

7. MARCONDES, E., coord. — Crescimento Normal e Deficiente. 2.a ed. São Paulo, Sarvier, 1978.

vimento Pubertário em Crianças e Adolescentes Brasileiros. I. Metodologia. São Paulo, Edit. Bras, de Ciências, 1982.

9. MARCONDES, E. — Normas para a caracterização do crescimento físico e para o diagnóstico e classificação dos distúrbios do crescimento e do estado nútricional. Última versão. Pediat. (S. Paulo) 4\ 100, 1982.

1. MARCONDES, E. & CHAMMAS, F. — Valores médios e limites de normalidade da idade óssea em crianças de São Paulo de 9 meses a 12 anos de idade. Rev. Hosp. Clin. Fac. Med. S. Paulo 21: 217, 1966.

12. MARQUES, R. M.; MARCONDES, E. BERQUÓ, E.; PRANDI, R. & YUNES, J. — Crescimento e Desenvolvi- mento Pubertário em Crianças e Adolescentes Brasileiros, il. Altura e Peso. São Paulo, Edit. Bras, de Ciências, 1982.

13. RASSI, V. & MURAHOVSCHI, J. — Deficiência de crescimento no lactente e pré-escolar. In: MURAHOVSCHI, J., coord. — Pediatria, Diagnóstico + Tratamento. São Paulo, Sarvier, 1978. p. 104.

Endereço para correspondência: Instituto da Criança Hospital das Clínicas

Av. Dr. Enéias de Carvalho Aguiar n.° 647 São Paulo — SP — CEP 05403 Brasil

(Parte 4 de 4)

Comentários