TanatologiaVida e finitude

TanatologiaVida e finitude

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Tanatologia Vida e finitude

Informações gerais para os módulos Velhice e morte,

Medicina e morte e Cuidados paliativos e Bioética

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Reitor Ricardo Vieiralves de Castro

Vice-reitora Christina Maioli

Sub-reitora de Graduação Lená Medeiros de Menezes

Sub-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Mônica da Costa Pereira Lavalle Heilbron

Sub-reitora de Extensão e Cultura Regina Lúcia Monteiro Henriques

Direção Renato Peixoto Veras

Vice-direção Célia Pereira Caldas

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Professor Euler Esteves Ribeiro, M.D., Ph.D.

Rio de Janeiro 2008

Tanatologia Vida e finitude

Informações gerais para os módulos Velhice e morte,

Medicina e morte e Cuidados paliativos e Bioética

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CATALOGAÇÃO NA FONTE CRDE/UnATI/UERJ

R484Ribeiro, Euler Esteves

Tanatologia: vida e finitude. Informações gerais para os módulos: velhice e morte, Medicina e morte, cuidados paliativos e bioética - Rio de Janeiro: UERJ, UnATI, 2008. 145 p.

ISBN 978-85-87897-17-6

1.Tanatologia 2. Envelhecimento 3. Cuidados paliativos 4. Morte 5. Bioética I.Ribeiro, Euler Esteves I. Título.

CDU 612.67

Copyright © 2008, UnATI Todos os direitos desta edição reservados à Universidade Aberta da Terceira Idade. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de parte do mesmo, sob quaisquer meios, sem autorização expressa da UnATI.

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Projeto Gráfico e DiagramaçãoGilvan Francisco

Coordenação Produção Rosania Rolins Revisão Alcides Mello Capa Heloísa Fortes

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Apresentação

A morte constitui um dos maiores enigmas da existência humana e demandou esforços para seu equacionamento ao longo da história do pensamento ocidental (DASTUR, 2002). É considerada como grande divisor das águas na plena constituição dos homens e, de acordo com Martins (2001), é a mais universal das experiências, e sua representatividade varia entre as culturas.

Conhecemos a morte somente mediante o processo de morrer dos outros, cujas vivências jamais nos serão acessíveis em sua real dimensão. Mesmo se constituindo em um fenômeno da vida, sempre despertou grande temor no ser humano, e este sentimento se expressa na dificuldade de se lidar com a finitude, estando presente nas crenças, valores e visão de mundo que cada um traz consigo. Trata-se de um acontecimento medonho, pavoroso, um medo universal, mesmo sabendo que o homem é capaz de dominála em vários níveis (KUBLER-ROSS, 1985). Este sentimento é parte natural do comportamento humano, e nas culturas que a percebem como acontecimento natural, o medo de morrer não está presente.

Sócrates, citado por Dastur (2002), sugere que o medo da morte é algo antinatural, pois se baseia na noção de que se conhece algo que se desconhece. A relação do ser humano com a morte vem se transformando através dos séculos, e já foi considerada como um acontecimento natural, inevitável e perfeitamente aceito. Essa relação anterior de familiaridade com a morte possui hoje outra conotação na cultura ocidental, visto que as pessoas se sentem desconfortáveis perante ela.

No mundo moderno, a morte está escondida como algo sujo e vergonhoso, sinônimo de absurdo, horror e sofrimento; algo escandaloso e insuportável (IMEDIO, 1998). Segundo Thomas, citado por Martins

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(2001), as sociedades modernas tendem a escamotear a morte. Apesar de termos consciência de nossa finitude, falar sobre ela é, normalmente, considerado um ato mórbido, uma tentativa de mau gosto.

A finitude da vida possui sempre duas representatividades: uma física e outra social, a morte de um corpo (biológica) e a morte de uma pessoa (MARTINS, 1983). A morte de uma pessoa adulta significa, normalmente, dor e solidão para os que ficam. Portanto, sob este prisma é apenas a destruição de um estado físico e biológico que ela traz, mas é também o fim de um ser em correlação com um outro. Este vazio por ela deixado não atinge somente as pessoas que conviviam com quem morreu, mas também a toda rede social (RODRIGUES, 1983).

É interessante lembrar que, dentre todos os seres humanos que precisam conviver com os sentimentos provocados pela morte, os trabalhadores da área de Saúde se encontram mais suscetíveis, pois no cenário das instituições hospitalares ela está constantemente presente, motivo pelo qual é tema relevante, porém de difícil abordagem reflexiva no cotidiano da prática de cuidado da enfermagem, porquanto temos cristalizado em nosso ser o jargão “enquanto há vida há esperança”. Neste sentido, vivenciamos um dilema existencial em função do valor negativo dado à finitude, na qual a vida é valorizada e a morte significa a extinção total do ser. O jargão também indica uma obstinação terapêutica que procura, a todo custo, prolongar a vida (HENNEZEL & LELOUP, 1999), motivo pelo qual as instituições de Saúde investem cada vez mais em recursos tecnológicos para reestruturação e recuperação do paciente crítico, ou seja, para manutenção da vida. Nesses ambientes, a morte quase sempre é vista como fracasso, como derrota.

As situações de terminalidade na área da Saúde são freqüentes para os profissionais e muitas vezes inevitáveis, ficando o trabalhador exposto a diversas sensações, porquanto os hospitais são caracterizados como instituições de cura e recuperação, e as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) como locais reservados para manutenção da vida a qualquer custo. Entretanto, o que se observa nas unidades críticas, em geral, é uma atenção destinada às técnicas, à tecnologia que dá suporte para a manutenção da vida, em detrimento da condição humana e das necessidades emocionais do paciente. Contudo, não podemos esquecer que o ato de

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7Prof. Euler Esteves Ribeiro, M.D., Ph.D.

cuidar vai muito além do fazer técnico, implica no entrelaçamento das ações de cuidado instrumentais e expressivas, isto é, ligadas à subjetividade do corpo cuidador (LABRONICI, 2002). Assim sendo, espera-se que a equipe de enfermagem, mediante o cuidado profissional, desenvolva suas ações objetivando não somente assistir o ser humano no instante sublime que é seu nascimento, mas se comprometer com esse momento desconhecido em sua essência, ou seja, o momento da morte.

Boemer, citado por Lunardi Filho et al., (2001), afirma que, desde a sua formação, o profissional enfermeiro se sente compromissado com a vida, e é para preservação desta que deverá se sentir capacitado. Sua formação acadêmica está fundamentada na cura e nela está a sua maior gratificação. Assim, quando em seu cotidiano de trabalho necessita lidar com a morte, em geral, sente-se despreparado, e tende a se afastar dela.

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1. Velhice e mor te1
1.1 Generalidades sobre o tema1
e o morrer1
a morte15
1.2O velho: ser biológico, ser biográfico20
1.2.1 O envelhecimento bi ológico21
1.3Relacionamento entre o profissional da Saúde e o idoso27
1.3.1 Relação profissional paciente-i doso32
1.3.2 Dever prima facie35
1.3.3 Comunicação de más notícias36
1.4 Os direitos do paciente idoso40
1.4.1Direitos do paciente à luz da legislação brasileira42
1.5O idoso como paciente terminal49
1.6 Envelhecimento e morte49
1.6.1Qual o segredo para chegar ao centenário?49
1.6.2 Morte e envelhecimento5
2. Medicina e morte59
2.1 A história da morte59
que dela se aproximam64
2.1.2Por que falar da morte?65
2.2 A morte e a Medicina72
2.3 A morte e a P sicanálise73
2.4A morte e o ensino médico75

Sumário 1.1.1A difícil tarefa de compreender o nascer 1.1.2Mitos, costumes, lendas e curiosidades sobre 2.1.1Sobre os mistérios da morte e o amparo àqueles Tanatologia.pmd 25/03/2008, 12:359

2.5 Terminalidade7
2.5.1O que é o paciente terminal?79
2.6Bioética e medicalização da morte81
no tratamento?81
3 Cuidados paliativos e Bioética85
3.1Cuidados paliativos e aspectos psicológicos85
gravemente enfermo87
3.1.2Autonomia e direito de morrer com dignidade91
3.1.3 Morrer com dignidade107
3.1.4O profissional de Saúde e a morte108
3.1.5 O que podemos fazer109
3.1.6Aprendendo a morte para ajudar melhor110
3.2Bioética – conceitos básicos e definições114
3.2.1 Velhos temas, no vas perplexidades115
3.2.2 Ética, Moral e Direito141
visão de Van Rensselaer Potter – 1970 a 1998142
3.2.4Bioética no Brasil – iniciativas institucionais145

Tanatologia: vida e finitude10 2.6.1O paciente terminal: vale a pena investir 3.1.1O cuidado à família do paciente 3.2.3A evolução da definição de Bioética na Tanatologia.pmd 25/03/2008, 12:3510

11Prof. Euler Esteves Ribeiro, M.D., Ph.D.

Velhice e morte

Esta seção objetiva fornecer subsídios teóricos e conceituais para as discussões durante as aulas sobre o tema abordado nesta disciplina, ou seja, a velhice e a morte do ser humano.

1.1.1A difícil tarefa de compreender o nascer e o morrer1 Adaptação do texto original de Mariana Parisi e Cláudia França (Redação do jornal Aprender)

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