Responsabilidade Social -FAtor Motivacional

Responsabilidade Social -FAtor Motivacional

(Parte 1 de 2)

Zulivana Lobato da Silva1

Este trabalho tem o propósito de realizar uma pesquisa exploratória na literatura, de forma não exaustiva, sobre osconceitos atuais de responsabilidade social empresarial e de seus efeitos sobre os empregados e a sociedade, e o retorno para a própria empresa. Pode-se observar quea conceituação de responsabilidade social ainda não é um assunto fechado, com uma definição razoavelmente diferente entre os autores consultados. Por outro lado, tem-se que vem crescendo de forma significativa aapreensão da sociedade e dosempregados sobre a importância da responsabilidade social empresarial, e como todos são consumidores, podem apresentam um ganho adicional para as empresas que praticam esses valores, em detrimento das outras. Aponta-se também a carência para as empresas de pequeno e médio porte da região de Manaus-AM tornarem-se conscientes a respeito da responsabilidade social.

Palavras-chave: responsabilidade social, conceitos, comportamento.

A humanidade vive momentos de transformação, mas não apenas a transformação financeira ou as transformações vindas das grandesdescobertas científicas. A humanidade com o passar dos anos amadureceu intelectualmente e este fator lhe proporcionou uma mudança em seus princípios, valores e no modo geral de como encarar a vida e o planeta onde vive. O homem vem passando por transformaçõese procurando adaptar-se a elas;passandopor eras glaciais, guerras, tornados,terremotos, descoberta da energia, viagemàlua, descoberta de mundos e astão famosas leis que regema vida. Com isso descobriram que,oqueantes para nós era vasto e infinito, possui um fim.Descobrimos que somos diferentes, mesmo pertencendo a uma mesma sociedade, quenão somos uma ilha e que é impossível crescer sozinho. Com nossos antepassados aprendemos a firmar parcerias para melhor crescere chegar a um objetivo desejado.Por tempos tais valores ficaram adormecidos dentro dos seres humanos, pois o poder e o capitalismo destacaram-se e deramvazão a uma nova ordem:ovalor financeiro e o egocentrismo. Uma nova

1Tecnóloga em Marketing pela Universidade Paulista ?UNIP, com MBA em Marketing Avançado pela UNIP e

MBA Executivo em Gestªo de Pessoas pela Universidade Gama Filho ?UGF. AcadŒmica do curso de Administraçªo de Empresas da UNILASALLE.

ordememque o que importava era o lucro e a produção. Ocapital intelectual, social e humano foi postode lado por uma sociedade sedenta por poder e dinheiro. As empresas ofereciam condições de trabalhosubumanase nada era respeitado, crianças e adultos viviam para produzir para as fábricas. Para poder sobreviver a palavra de ordem era crescimento da produção semsepreocuparcom a humanização do profissional, porém depois de estabilizado o consumismo surgiu a necessidade de aumentar a cadeia de consumo ede aumentar a qualidade de produtos. Junto com essas novas exigências chegou a transformação das empresas, procurando fornecer aos seus funcionários padrões de trabalho mais dignos. Funcionários antes sem estudos foram ficando mais cultos e começarama valorizar seus préstimos,aumentando a exigência nas empresas,e a própria sociedade como um todo percebeuque para continuar sua evolução precisava de algumas transformações.Então chegamos aos dias atuais,onde gestores buscam adequar ganhos produtivos com um ambiente humanizado para funcionários. Hoje,empresas lutam pela retenção do bom funcionário, assimfazendodescobrem que nãoé apenas dinheiro que mantémos funcionários na empresa e começam a investir em programas de responsabilidade social.Entretanto,a grandediscussãoexistente na sociedade de hoje é saber o que seria responsabilidade social, até que ponto a empresa pode, deve ou é seu deveraplicar tal ferramenta em prol da melhoria na qualidade de vida dos funcionáriosparacom isso,de quebra, como efeito colateral benéfico,obter melhores ganhos produtivos e financeiros.

Este artigo visa levantar alguns questionamentos relevantessobre este assunto e apresentar um pequeno panorama da realidade vivida atualmente,tanto por empresas,como também porfuncionários e comunidades externas.

Você já parou paraseperguntar o que,defato,é responsabilidade social?E se hoje você trabalha,ou conhece alguém que trabalha,já parou paraseperguntar o que,além do salário,omantémem determinada empresa?

Seria verdade que o ser humano é um ser social e,portanto,carente desta mesma socialização?

Nota-seque alguns escritores buscam responder essas perguntas e alguns divergem de outrosem muitos pontos, mas todos concordam que háuma necessidade do “Ser Social” a ser resolvida.

OInstituto Ethos, segundo o seu site na internet, possuicomo missão: sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa. Dentro desta missão, este Instituto conceituaResponsabilidade Socialcomo sendo:

“AResponsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.”

Encontram-se também, emescritores como Nascimento, Lemos e Mello

, que conceituam a Responsabilidade Social como sendo o comprometimento permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e contribuir para o desenvolvimento econômico, melhorando, simultaneamentea qualidade ambiental e a qualidade de vida de seus funcionários, de suas famílias, da comunidade local e da sociedade como um todo.

A Responsabilidade Social realmente é um tema de grande discussão, porém essa discussão nãosepodefazer de uma formacompleta sem o ponto de vista de um dos grandes autoresbrasileirosda administração: IdalbertoChiavenato. Emseu

livro Introdução a Teoria Geral da Administração ( 2004 )

,descreve que

Responsabilidade Social éo grau de obrigações assumidas por uma organização, através de açõesque protejam e melhorem o bem-estar da sociedadeenquanto procura atingir seus próprios interesses.

também nos traz o modelo de SHAREHOLDER, que exprimea posição contráriaàresponsabilidade social das organizações.Neste modelo,cada organização deve se preocupar em maximizar lucros, ou seja, satisfazer os proprietários ou acionistas da organização. Ao maximizar lucros, a organização maximiza a riqueza e a satisfação dos proprietários e acionistas. A organização nãodeve assumir responsabilidade social direta, mas apenas buscar a otimização do lucro dentro das regras da sociedade. A organização lucrativa beneficia a sociedade ao criar novos empregos,aopagar salários justos que melhoram a vida dos funcionários e melhoram as condições de trabalho,em contribuir para o bem-estar público pagando impostos eemoferecendo produtos e serviços aos clientes.

Um segundo modelo apresentado por Chiavenato ( 2004 ) chama-se

STAKEHOLDER,que relata um ponto de vista favorável à responsabilidade social das organizações. A maior responsabilidade está situada na sobrevivênciaem longo prazo, através da satisfação dos interesses dos múltiplos parceiros ( e não somente dos proprietáriose acionistas)

. Ser socialmente responsável tem seu preço, mas as organizações podem repassar com legitimidade esse custo aos consumidores na forma de aumento de preço. Essa obrigação visa o bem comum porque quando a sociedade melhora a organizaçãotambémse beneficia.O modelo stakeholderé favorável ao envolvimento organizacional em atividades e obras sociais, eapresenta três diferentes graus de envolvimento. 1.Abordagem da obrigação social e legal–As metas da organização são de natureza econômica, focadas na otimização dos lucros e do patrinômio líquido dos acionistas. 2.Abordagem da responsabilidade social–A organização não tem apenas metas econômicas, mas também responsabilidades sociais. 3.Abordagem da sensibilidade social–A organização não tem apenas metas econômicas e sociais, mas se antecipa aos problemas sociais do futuro e age agora em respostas a eles, antes que se tornem críticos.

Ambiente Org.( Sensibilidade Social ) Comunidade ( Responsabilidade Social ) Organização ( Obrigação Social e Legal) Figura1–Níveisde sensibilidade social das organizações( adaptada )

Fonte: Chiavenato ( 2004)

AFigura 1 mostra, de uma forma esquemática, a abrangência de cada uma das abordagens descritas anteriormente.

Apesar da crescente preocupação com a responsabilidade social,comose pode verificar na literatura pesquisada,não existe uma verdade absolutasobre a prática da mesma, masosgestores podem optar pela linha de pensamento quese enquadrana sua organização.

Pela visão do marketing empresarial pode-sedizer que o sucesso nos negócios e a satisfação contínua dos clientes,e outros políticos,estãointimamente ligados à adoção e à implementação de altos padrões de conduta nos negócios, pois as empresas mais admiradas do mundo obedecem a uma só lei: servir aos interesses das pessoas, não apenas aos seus próprios.

Segundo Kotler e Keller ( 2006 )

,cada vez mais as pessoas desejam informações sobre o histórico das empresas na área da responsabilidade social e ambiental, para com base nisso, decidir de quais empresas devem comprar, em quais devem investir e para quais devemtrabalhar.

Pesquisa publicada pelo Business for Responsibily ( BSR)

– entidade norteamericana que reúne cerca de 1.400 companhias envolvidas em projetos de cidadania empresarial–68% dos jovens norte-americanos preferem trabalhar em uma empresa ligada a algum tipo de projeto social, enquanto 76% dos consumidores daquele país preferem marcas e produtos envolvidos com algum tipo de ação social

Uma empresaamericanachamada Gap–que faz parte do ramo de roupas feitas–informa que seus empregados gostam de trabalhar em um lugar onde possam expressar seus próprios valores. Como resultado disso, descobriu que suas iniciativas na área ambiental têm ajudado a manter em seu quadro pessoas

talentosas e fieisaempresa( CHIAVENATO, 2004) descreve que Peter Druckercostumavadefender a interação entre empresas e entidades filantrópicas por duas razões: a primeira é que as corporações transmitem conceitos como avaliação de resultados, definição de objetivos, foco, parcerias estratégicas; a segundaé que elas recebem uma lição de creches, orfanatos e asilos sobre como fazer mais com menos, motivação dos membros, foco e trabalho em grupo.

Pode-sedizer que os funcionários,quando colocados para atuarem em um ambiente que lhe proporciona umainteraçãode troca e treinamento de responsabilidade pessoal, ampliam a sua visão sobre os processos nos quais estão envolvidos. Elesdilatamvários processos dentrode si próprios,dentre eles a percepçãopor sua condição de vida mais favorável quea deoutros o qual ele ajuda, treinam tambémo entrosamento, o trabalho em equipe,a tomada de decisão na resolução de problemas,aliderança,ocooperativismo. Enfima responsabilidade social funciona como um meio deimpulsionara melhoria na produtividade profissional do funcionário econseqüentemente da própria empresa onde ele trabalha.

Apesar de muitas empresas já possuírem essa consciênciasobre

Responsabilidade Social,pode-se perceber por conhecimento empírico que em nossa região este fato ocorre com mais freqüência em empresas de grande porte. Falta mais engajamento das empresas de pequeno e médioporte, da indústria e comércio, querseja por falta de conhecimento,quer seja por acomodação. Percebeseque esses fatores influem diretamentena qualidade deserviço prestado pelas empresas, por refletir a motivação de seus funcionários, mesmo não sendo a única fonte de desmotivação dos mesmos.

O emprego e significado da responsabilidade social possuemvários focos.

Quando analisado pelo prisma da empresaque julga que,somente exercendosuas atividades com eficácia e gerando desenvolvimento econômico,já esta fazendo a suaparte para a responsabilidade socialempresarial ( RSE )

,já que a essência da responsabilidade social é o auxilio do melhoramento do próximo, está fazendoo mínimo, ou quase nada, no que se conceitua como RSE na literatura pesquisada. No outro extremo está aempresa que julgadever,de fato,incluir em seu planejamento a preocupação,aorientação eoensinamento da essência doRSE para seus funcionários,e acrença de que deva estender esses principios até a sociedade que dele precisa,fazendo assim a plenitude conceituada da responsabilidade social.

Observa-setambémque sepodemdividir as ações de RSEcom a sociedade, bemcomo repassarosgastos com as mesmasembutindo nospreçosdos produtos os seus custosem programas de responsabilidade social.

Observa-se por outro lado, quehoje vivemos uma realidadena qual,cada vez mais,os consumidores sabem seus direitos,e por issotornam-se mais exigentes e seletivos quantoàs organizaçõesnas quaisse utilizampara efetuar suas compras. Estes mesmos consumidores sãoostrabalhadores que valorizam a empresa que nãosepreocupaapenas com o retorno financeiro. Sentem-se muito mais satisfeitos com aquelas que possuemumapolíticadefinidadeRSE,que podeserpercebida por elesdesdeatravésde cursos para o indivíduo até ações de abrangência maior queenvolvamseus familiares ou a comunidade onde a pessoa pertence.

Tem-se então a percepção de queo crescimento compartilhado,com seus funcionários e com a sociedade,ganha mais destaque e os consumidores respondem na hora da decisão de compra de um modo favorável a estas empresas quepossuem uma política conscientee mais abrangente de RSE.

Quando o profissionalsesente valorizadopercebeque existe de fato uma políticavoltadapara esse valor. Eleficamais motivado a trabalhar,pois sabe que todo seu esforço vai ser revertido em ganho para ele e para a comunidade,de uma forma direta ou indireta.

Cumpre notar queo investimento e valorizaçãoem responsabilidade social precisam ser verdadeiros, pois do contrario acabam provocandoa desmotivação dos funcionários a curto e médio prazo, causando um efeito inverso ao desejado pelas empresas.

Nota-se que as empresas locaisde pequeno médio porte precisam mudar sua abordagem a respeito da RSE, tornando-as mais conscientes, fazendo com que cada uma delaspromova ações de responsabilidade social, e por conseguinte melhorando a qualidade do serviço prestado pelas mesmas.

Pode–seconcluir então queessediferencial, qual seja a RSE,só é capaz de funcionarde forma favorável epositiva para as empresasseo principal elemento desteprocessotiver o“homem”comoo centro estimulador e motivador. Reforça-se assim o conceito de quehomemé realmenteum ser totalmente social,pois sem ele nadaseria possível de ser controlado, nem de forma positiva,nem de forma negativa.

CHIAVENATO, Idalberto. INTRODUÇÃO A TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO. 4 ed.Rio de Janeiro,Elsevier, 2004.

CHIAVENATO, Idalberto.GESTÃO DE PESSOAS–O novo papel dos recursos humanos nas organizações.Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

KOTLER, Philipet KELLER, Kevin Lane.ADMINISTRAÇÃO DE MARKETING: A Bíbliado Marketing.12. ed..São Paulo:Pearson Prentice Hall, 2006.

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