Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial

Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial

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Reações adversas principais

Em indivíduos com insuficiência renal crônica, podem eventualmente agravar a hiperpotassemia. Em pacientes com hipertensão renovascular bilateral ou unilateral associada a rim único, podem promover redução da filtração glomerular com aumento dos níveis séricos de uréia e creatinina.

Seu uso em pacientes com função renal reduzida pode causar aumento de até 30% dos níveis séricos de creatinina179, mas, em longo prazo, prepondera seu efeito nefroprotetor. Em associação a diurético, a ação anti-hipertensiva dos inibidores da ECA é magnificada, podendo ocorrer hipotensão postural. Seu uso é contra-indicado na gravidez pelo risco de complicações fetais. Desta forma, seu emprego deve ser cauteloso e freqüentemente monitorado em adolescentes e mulheres em idade fértil.

Bloqueadores do receptor AT1 Antagonizam a ação da angiotensina I por meio do bloqueio específico

Tratamento Medicamentoso

Posologia

Terapêutica anti-hipertensiva combinada

Com base em evidências de estudos recentes mostrando que, em cerca de 2/3 dos casos, a monoterapia não foi suficiente para atingir as reduções de pressão previstas, e diante da necessidade de controle mais rigoroso da pressão arterial, há clara tendência atual para a introdução mais precoce de terapêutica combinada de anti-hipertensivos como primeira medida medicamentosa, principalmente para pacientes com hipertensão em estágios 2 e 379,157 (D).

O esquema anti-hipertensivo instituído deve manter a qualidade de vida do paciente, de modo a estimular a adesão às recomendações prescritas. Após longo período de controle da pressão, pode ser tentada, criteriosamente, a redução progressiva das doses dos medicamentos em uso.

Existem evidências de que, para hipertensos com pressão arterial controlada, a associação de ácido acetilsalicílico em baixas doses

Reações adversas principais

Vasodilatadores diretos

6.4. Esquemas Terapêuticos

Monoterapia

Figura 1. Fl�xograma para o tratamento da hipertensão arterial

Tratamento Medicamentoso anti�hipertensivo

A�mentar a dose da associação

Resposta inadequada ou efeitos adversos

Monoterapia

Estágio I

Di�rético

Betabloq�eador Inibidor da ECA

Bloq�eadores dos canais de cálcio Bloq�eadores do receptor AT

Classes distintas em baixas doses, principalmente para estágios 2 e 3

Trocar a associação Adicionar o terceiro anti�hipertensivo

Resposta inadequada

Adicionar o�tros anti�hipertensivos

Associação de anti-hipertensivos diminui a ocorrência de complicações cardiovasculares, desde que não haja contra-indicação157 (A).

Associações reconhecidas como eficazes: diuréticos e diuréticos de diferentes mecanismos de ação; medicamentos de ação central e diuréticos; betabloqueadores e diuréticos; bloqueadores do receptor

AT1 e diuréticos; inibidores da ECA e diuréticos; bloqueadores dos canais de cálcio e betabloqueadores; bloqueadores dos canais de cálcio e inibidores da ECA; bloqueadores dos canais de cálcio e bloqueadores

As associações assinaladas também estão disponíveis no mercado (Tabela 4) em doses fixas. Seu emprego, desde que seja criterioso, pode ser útil por simplificar o esquema posológico, reduzindo o número de comprimidos administrados e, assim, estimulando a adesão ao tratamento.

6.5. Interações Medicamentosas

6.6. Complicações Hipertensivas Agudas

Urgências hipertensivas

Há elevação importante da pressão arterial, em geral pressão arterial diastólica > 120 mmHg, com condição clínica estável, sem comprometimento de órgãos-alvo. A pressão arterial deverá ser reduzida em pelo menos 24 horas, em geral com medicamentos por via oral (D) (Tabela 6).

Emergências hipertensivas

Condição em que há elevação crítica da pressão arterial com quadro clínico grave, progressiva lesão de órgãos-alvo e risco de morte, exigindo imediata redução da pressão arterial com agentes por via parenteral (D) (Tabela 7).

Resultam de elevação abrupta da pressão arterial, com perda da auto-regulação do fluxo cerebral e evidências de lesão vascular, com quadro clínico de encefalopatia hipertensiva, lesões hemorrágicas dos vasos da retina e papiledema. Habitualmente, apresentam-se com pressão arterial muito elevada em pacientes com hipertensão crônica ou menos elevada em pacientes com doença aguda, como em eclâmpsia, glomerulonefrite aguda, e em uso de drogas ilícitas, como cocaína. Emergências hipertensivas podem também cursar com pressão arterial muito elevada, acompanhada de sinais que indicam lesões em órgãos-alvo em progressão, tais como acidente vascular cerebral (vide capítulo 7, item 7.9), edema pulmonar agudo, síndromes isquêmicas miocárdicas agudas (infarto agudo do miocárdio, crises repetidas de angina) e dissecção aguda da aorta. Nesses casos, há risco iminente à vida ou de lesão orgânica grave.

É comum, ainda, a ocorrência de situações de estresse psicológico agudo e de síndrome do pânico associadas à pressão arterial elevada, não caracterizando complicações hipertensivas agudas. Recomendase terapêutica do estresse psicológico e tratamento ambulatorial da hipertensão arterial.

6.7. Adesão ao Tratamento

A adesão ao tratamento pode ser definida como o grau de coincidência entre a prescrição e o comportamento do paciente. Vários são os determinantes da não-adesão ao tratamento187-189 (Tabela 8). Os percentuais de controle de pressão arterial são muito baixos, apesar das evidências de que o tratamento anti-hipertensivo é eficaz em diminuir a morbidade e a mortalidade cardiovasculares, em razão da baixa adesão ao tratamento. Estudos isolados apontam controle de 20% a 40%,190,191. A taxa de abandono, grau mais elevado de falta de adesão, é crescente conforme o tempo decorrido após o início da terapêutica. A tabela 9 indica sugestões para melhorar a adesão às prescrições para os hipertensos.

Tratamento Medicamentoso

Anti-hipertensivo Medicamentos Efeitos Di�réticos Tiazídicos e de alçaDigitálicosIntoxicação digitálica por hipopotassemia

Antiinflamatórios esteróides e não�esteróidesAntagonizam o efeito di�rético

Hipoglicemiantes oraisEfeito dimin�ído pelos tiazídicos

LítioA�mento dos níveis séricos do lítio

Po�padores de potássioS�plementos de potássio e inibidores da ECAHiperpotassemia Inibidores adrenérgicos Ação centralAntidepressivos tricíclicosRed�ção do efeito anti�hipertensivo

Betabloq�eadoresIns�lina e hipoglicemiantes oraisRed�ção dos sinais de hipoglicemia e bloq�eio da mobilização de glicose

Amiodarona q�inidina Bradicardia

CimetidinaRed�z a dep�ração hepática de propranolol e metoprolol CocaínaPotencializam o efeito da cocaína

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