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Tabela 3.2. Caracterização de resíduos de fossa/tanque séptico no mundo

SÓLIDOS TOTAIS VOLÁTEIS (mg/L)

SÓLIDOS SUSP/EESCENSOS TOTAIS (mg/L)

SÓLIDOS SUSP/EESCENSOS VOLÁTEIS (mg/L)

DBO (mg/L)

DQO (mg/L) NTK (mg/L)

AMÔNIA (mg/L)

FÓSFORO TOTAL (mg/L)

ÓLEOS E GRAXAS (mg/L)

Kolega et al

Segall, Ott e

(1.132 - 130.475) (353 -

(95 -

(1.500 -

(3 -

Strauss (1995)

Polprasert

Koottatep et al

Lens, Zeeman

Ingallinella

(5.0 - 100.0)

LODO DE FOSSA SéPTICA44

3.2 Experiências do PROSAB na caracterização do lodo de fossa séptica

No presente capítulo, são apresentados e discutidos os resultados da caracterização de resíduos de fossas/tanques sépticos obtidos pelas instituições que participam do projeto “Lodo de fossa séptica: caracterização, tecnologias de tratamento, gerenciamento e destino final”, desenvolvido pelo Programa de Pesquisa em Saneamento Básico (PROSAB) Edital 5, Tema 6.

Metodologia de amostragem empregada O desenvolvimento da pesquisa foi dividido em duas etapas:

Na primeira etapa, os resíduos dos sistemas individuais foram caracterizados com base em coletas aleatórias, compostas pela amostragem durante a descarga dos caminhões limpa-fossa nos pontos de recepção das estações de tratamento de esgoto (ETE);

Durante a segunda etapa, foram realizadas coletas in loco compostas pela amostragem de sistemas individuais pré-definidos e de procedência conhecida através da coleta de amostras, utilizando-se o caminhão limpa-fossa ou amostrador específico para este fim. Cada sistema desta etapa foi analisado duas vezes, sendo a segunda coleta realizada em torno de seis meses após a primeira.

Os procedimentos específicos adotados por cada instituição são descritos a seguir.

FAE/SANEPAR Foi adotado o mesmo procedimento para as caracterizações aleatória e in loco. A coleta aleatória foi realizada em caminhões limpa-fossa junto à entrada da unidade ETE Belém no Município de Curitiba (PR). No ponto de descarga, foi instalado um amostrador composto de grade, calha Parshall e duas comportas para controle da vazão (Figura 3.1) que subdividiam as amostras para a entrada da ETE e para o adensador de resíduos utilizado durante a pesquisa.

As amostras eram compostas por dez alíquotas de 500 mL coletadas no amostrador durante as descargas dos caminhões, totalizando em uma amostra composta por 5 L. Quando a quantidade de material esgotado pelo caminhão era muito pequena, as amostras foram coletadas diretamente do caminhão por gravidade.

Para permitir a obtenção de amostras íntegras na caracterização in loco, adotou-se o procedimento de coleta individual, ou seja, o caminhão amostrado só continha o material esgotado do sistema visitado. Além disso, o caminhão era limpo antes da coleta. As amostras também eram tomadas durante a descarga dos resíduos no amostrador por meio do mesmo procedimento da amostragem aleatória.

DEFINIçõES, HISTóRICO E ESTIMATIVAS DE GERAçãO DE LODO SéPTICO NO BRASIL45

UFRN/LARHISA A caracterização aleatória foi realizada com os resíduos coletados semanalmente, em dias alternados, durante as descargas de cinco caminhões limpa-fossa no ponto de recepção de resíduos da ETE de uma das empresas imunizadoras atuantes na região metropolitana de Natal (RN). Ao longo da descarga, foram coletadas cinco alíquotas de 8 L, sendo retirado um litro de cada uma para fazer uma amostra composta por 5 L, considerada mais representativa de todo o conteúdo proveniente dos caminhões (Figura 3.2). A amostra composta era então subdividida e enviada ao laboratório para análise. Toda alíquota só era obtida após intensa homogeneização. Durante cada amostragem, aplicou-se um questionário aos funcionários da empresa com o objetivo de levantar dados relevantes sobre a procedência da amostra.

A caracterização in loco foi realizada através de coletas específicas em domicílios unifamiliares da cidade de Natal (RN). De acordo com a agenda de esgotamentos da imunizadora, a equipe de coleta acompanhava o caminhão responsável pelo esgotamento até a residência onde foi feita a amostragem através do amostrador de coluna (Figura 3.3), idealizado e executado pelos pesquisadores do LARHISA/UFRN (ANDRADE NETO, 2008).

Figura 3.1 Vistas do amostrador utilizado para receber os resíduos esgotados pelos caminhões limpa-fossa na ETE Belém (Sanepar)

Ponto de recepção de resíduosDetalhe das comportasDescarga de resíduos Coletas de amostras

LODO DE FOSSA SéPTICA46

No local, abria-se o sistema individual a ser esgotado e coletava-se uma amostra através da inserção cuidadosa do amostrador. Ao atingir o fundo do sistema, a abertura do amostrador era travada e uma amostra de toda a coluna líquida era obtida. A aplicação deste dispositivo proporcionava a coleta fiel de uma amostra representativa do sistema, que é capaz de coletar tanto a massa líquida quanto o sedimento e a escuma presentes no mesmo.

UNB/CAESB As coletas para a caracterização aleatória e in loco foram realizadas durante a descarga de caminhões limpa-fossa na ETE B Norte. Para o primeiro caso, os caminhões eram definidos aleatoriamente, enquanto para o segundo o caminhão limpa-fossa, realizava o esgotamento, em fossas pré-selecionadas.

Durante a descarga dos caminhões, diretamente do mangote, eram coletadas três alíquotas de 50 L, sendo uma no início, uma no meio e outra no final da descarga. Essas

FONTE: UFRN Figura 3.2Procedimento de coleta: amostragem aleatória

FONTE: UFRN Figura 3.3Procedimento de coleta: amostragem in loco

DEFINIçõES, HISTóRICO E ESTIMATIVAS DE GERAçãO DE LODO SéPTICO NO BRASIL47 alíquotas eram armazenadas em um reservatório de fibra de vidro (Figura 3.4) e, após a homogeneização, eram coletados 4 L que eram enviados para análise.

Para garantir a remoção dos sólidos grosseiros, instalou-se uma tela de arame, com abertura de aproximadamente 1,5 cm, sobre o reservatório de fibra de vidro que re-

cebia as alíquotas que compunham a amostra composta do caminhão. A coleta da amostra era realizada após a homogeneização mecânica. Esse procedimento foi adotado somente para as amostras da caracterização in loco.

USP/EESC/EESC A caracterização aleatória dos resíduos foi feita através do acompanhamento do descarte dos resíduos de caminhões limpa-fossa na central de recebimento de resíduos da ETE Piçarrão, Campinas (SP) (Figura 3.5).

A amostra representativa de cada caminhão limpa-fossa foi obtida após a homogeneização de três alíquotas coletadas durante a descarga dos resíduos na ETE. Além da caracterização realizada pela equipe do projeto, a Sociedade de Abastecimento de água e Saneamento (Sanasa) forneceu alguns dados sobre a caracterização de outras amostras de resíduos desacatados por caminhões limpa-fossas na central de recebimento da ETE Piçarrão.

Na caracterização in loco, o caminhão limpa-fossa esgotava o sistema que estava sendo estudado e descartava o material em um tanque localizado na ETE do Campus da USP/EESC/EESC em São Carlos (SP) (Figura 3.6). Para se obter a amostra composta, foram instalados seis registros em diferentes alturas. Essa adaptação permitiu a realização da

Figura 3.4 Detalhe do reservatório com tela utilizado para armazenar as amostras durante a coleta

LODO DE FOSSA SéPTICA48 amostragem de acordo com a quantidade de lodo descarregado. A amostra representativa de cada caminhão foi composta por alíquotas retiradas proporcionalmente nas diferentes alturas do tanque.

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