Cartilha de Agroecologia

Cartilha de Agroecologia

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Com uma tesoura, é feito um furo na tampa da garrafa, para que o bico da torneira seja encaixado. Na garrafa se coloca um veda-rosca, para evitar vazamentos. Depois são feitos os furos na garrafa PET, que podem ser: setorial, com furos apenas em 180 graus; com furos em 360°, molhando tudo em volta ou modelo tripa, com furos feitos na horizontal.

O aspersor pode ser fixo no chão ou removível. Os removíveis são fixados em uma lata, com cimento. Cada aspersor de garrafa PET atinge até três metros de raio. Quanto menor o furo, maior a pressão, e maior a área irrigada.

As nascentes devem ser isoladas num raio de 50 m da sua fonte, para que a natureza em redor se preserve e / ou se recupere, em caso de desmatamentos. No caso de áreas com degradações severas, deve-se reflorestar com espécies nativas e adaptadas.

Assoreamento é o acúmulo de areia, ou seja, de solo desprendido por erosões e outros materiais depositados pelo vento e chuva. Isso ocorre quando não há proteção de mata ciliar dos rios e lagos tornando-os susceptíveis.

Preservação e manejo da água

Sementes

A prática da preservação de sementes de espécies nativas, conhecidas como sementes crioulas, é importante para garantir a independência e a segurança alimentar dos agricultores. A coleta das sementes na comunidade e a troca entre vizinhos ou com outras comunidades mais distantes é um habito que ajuda a melhorar e a conservar as características naturais das mais adaptadas à região e contribui para a renovação continua das espécies.

Coleta e tratamento das sementes

Coleta de sementes

Para obter as melhores características é importante o conhecimento da espécie e do processo de reprodução da planta da qual se pretende retirar as sementes. O ideal é selecionar uma planta de meia idade, vigorosa, produtiva, precoce, com frutos de boa qualidade, bom sabor, sadia, sem doenças ou pragas. Dessa planta se escolhem os melhores frutos, que podem ser colhidos com podões, subindo na árvore, aproveitando as sementes caídas ou até as dos frutos maduros que caíram, se estiverem saudáveis e sem danos.

Secagem

Antes do armazenamento, as sementes devem ser secas, preferencialmente à sombra, pois isso ajuda a diminuir a ocorrência de ataque dos fungos e outros fitopatógenos.

Diversidade e estocagem

As sementes devem ser armazenadas em recipientes resistentes e bem vedados, separadas por espécies, com etiqueta com o nome, a data e o local de coleta. A vedação pode ser feita com cera de abelha ou de carnaúba derretida. O uso de cinzas, de areia ou terra de formigueiro ajuda a protegê-las, desde que fiquem guardadas em um local protegido da luz e da umidade e que seja bem arejado.

Sementes da Paixão

Existe uma série de estratégias de uso e conservação das variedades de sementes locais como patrimônio genético para a segurança e soberania alimentar das famílias agricultoras. No Estado da Paraíba, estas sementes receberam o nome “Sementes da Paixão”, pelo carinho com que são plantadas e colhidas, a cada ano. O Pólo Sindical da Borborema e a ONG Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA) estimulam a organização de bancos de sementes comunitários para reforçar as estratégias familiares de estocagem. Atualmente há na região uma rede de 80 bancos de sementes, com a participação de 3.200 famílias que armazenam anualmente um estoque de mais de 32 tonela- das de sementes. Fonte: AS-PTA

Organize na sua comunidade uma casa de sementes para garantir, na hora do plantio, sementes de qualidade, nativas e adaptadas à localidade.

Produção de insumos

Produção de mudas

Produzir as próprias mudas ajuda a minimizar os custos de produção. Elas podem ser preparadas a partir das sementes ou vegetativamente, com partes das plantas. Na época das chuvas o plantio das mudas é mais fácil. Em outras épocas, se pode plantar em horários de temperaturas mais amenas e com todo cuidado na rega.

Enxertia

A criação de mudas através de própria planta é simples. A técnica consiste em juntar partes de duas plantas ou mais de modo que, através da regeneração dos tecidos, a combinação atinja a união plena, permitindo que continuem seu desenvolvimento numa planta única. Quando o enxerto consiste de apenas uma única gema, o processo é chamado de borbulhia. As principais formas desta técnica são a encostia e enxerto destacado, onde enxerto e portaenxerto acham-se ligados à planta-mãe e onde somente o cavalo fornece as raízes, respectivamente. As técnicas de enxertia compreendem a garfagem, borbulhia e encostia.

Controle biológico

Nos sistemas agroecológicos tem que haver uma interação entre insetos e plantas, de forma que os insetos não ataquem os cultivos, se tornando “pragas”. Para tanto, é necessário conhecer o seu habitat natural, que precisa ser preservado, estabelecendo um equilíbrio entre predadores, parasitas e plantas. Ou podem ser usadas bactérias, vírus, ou fungos naturais que atacam os outros, para evitar pragas.

Quadro de animais benéficos no controle biológico

Animal Controle Centopéias Pragas do solo

Pássaros Pernilongos, lesmas, lagartas e pulgões

Joaninhas Pulgões e cochonilhas

Rãs/sapos Besouros, mosquitos calangos e larvas

Aranhas Diversos insetos

Abelhas Promovem a biodiversidade (polinização) e com isso um equilíbrio ambiental

As cercas verdes e as faixas homeostáticas também proporcionam um controle biológico, pois servem de abrigo para animais.

Na aplicação de defensivos naturais, faça um registro dos resultados. Isso ajuda a melhorar cada vez mais a eficiência no uso dos diversos defensivos.

Mudas

Defensivos naturais

Quando o sistema está desequilibrado e os insetos e doenças atacam as plantações, as perdas podem ser irreparáveis. Nestes casos podem ser usados defensivos que agem nas plantas de forma natural. Estes são preparados a partir de substâncias não prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente e com eficiência no combate a insetos ou microorganismos nocivos às plantas. Os defensivos naturais têm um custo reduzido, podem ser feitos a partir de plantas e substâncias disponíveis na propriedade e são de simples aplicação e manejo.

Biofertilizantes

Os produtos para fortificar as plantas também podem ser preparados com baixo custo. O preparo da mistura de estercos com folhas de plantas medicinais e outros elementos com ações nutritivas, como as cinzas, pós de rocha, urina de vaca ou até micronutrientes deixam as plantas mais saudáveis e resistentes contra pragas. Os mais utilizados são o agrobio, os efluentes do biodigestor e o supermagro.

O agrobio é produzido a partir de esterco bovino fresco, água, melaço e sais minerais em recipientes abertos cujo efeito nutricional e de controle de doenças é considerado muito eficaz, de acordo com várias experiências comprovadas. É utilizado nas folhas, principalmente em hortaliças.

O biodigestor é o equipamento onde se faz o tratamento de dejetos, para produção do biogás. O líquido (efluente) produzido pelo processo natural da fermentação é utilizado como solução nutritiva, podendo ser adicionado diretamente ao solo.

Receita do supermagro enriqueci- do com minerais Ingredientes 30 kg de esterco fresco de vaca 2 kg de sulfato de zinco 2 kg de sulfato de magnésio 0,3 kg de sulfato de manganês, cobre e ferro 0,05 kg de sulfato de cobalto 0,1 kg de molibdato de sódio 1,5 kg de bórax 2 kg de cloreto de cálcio 2,6 kg de fosfato natural 1,3 kg de cinza 27 litros de leite (podendo ser soro de leite) 18 litros de melado de cana (ou 36 de caldo de cana)

Preparo Misturar todos os minerais, obtendo, assim, 12,45 kg de mistura. No dia primeiro do mês, colocar os 30 kg do esterco, misturar a 3 litros de leite, 2 de melado e 60 litros de água limpa, deixando fermentar em local isento de sol e chuva. Nos dias 4, 7, 10, 16, 19 e 2 acrescentar 3 litros de leite e 2 litros de melado. Repetir isso até o dia 25 do mês que é quando deve ser colocado o resto da mistura mais o leite e o melado. Depois de 10 a 15 dias, peneirar e utilizar.

Recomendações de uso No caso do milho, pulverizar as sementes com apenas 10% da solução preparada, deixando-as secar à sombra e, posteriormente, fazer o plantio. No tomate, utiliza-se de oito a dez tratamentos, a 5% durante o ciclo.

Caldas

As caldas agem beneficamente sobre o metabolismo das plantas, ajudando a aumentar sua resistência às pragas. As mais usadas são a bordalesa, viçosa e sulfocálcica, que são indicadas para doenças como rubelose, gomose, ferrugem, podridão, fungos, ácaros e pragas (vaquinhas, cigarrinhas e tripes).

Calda bordalesa Para o controle e prevenção de doenças causadas principalmente por fungos, como míldio e as manchas nas folhas. Usando um vasilhame de plástico, cimento ou madeira, disolva 200g de sulfato de cobre, enrolado num pano em 5 litros de água morna. Em outro vasilhame, dissolva 200g de cal virgem em 15 litros de água. Misture o sulfato na cal (nunca o contrário), mexendo sempre. Para saber se está pronta, basta mergulhar uma faca ou colher de aço durante três minutos, se escurecer ainda está ácida, devendo acrescentar mais cal.

Calda viçosa Sua utilização é mais ampla, servindo para várias doenças, como o míldio e mancha foliar em hortaliças, antracnose em frutíferas da família cucurbitácea, alternaria e requeima em tomateiro. Em culturas perenes, protege satisfatoriamente de doenças causadas por fungos.

Em um balde, coloque 10 litros de água para dissolver 40g de ácido bórico, 200g de sulfato de cobre, 40g de sulfato de zinco e 120g de sulfato de magnésio. Em outro recipiente misture 104g de cal hidratada a 10 litros de água. Pegue a primeira mistura e despeje no leite de cal. Deve ser coado antes da aplicação.

Recomendações para bordalesa e viçosa Para as culturas perenes, fazer a pulverização nas folhas de 15 em 15 dias, assim que for observada a manifestação da doença. Para hortaliças, usar nas folhas quinzenalmente, como forma preventiva.

Minerais

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