Terapia Parenteral. Reposição Hidroeletrolítica

Terapia Parenteral. Reposição Hidroeletrolítica

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São suspensões de partículas muito grandes, que não atravessam membranas semipermeáveis. Sua presença em um dos lados da membrana exerce uma força de atração (pressão oncótica) que é proporcional à sua concentração. Os colóides são utilizados para manter o volume plasmático, produzindo uma expansão efetiva do volume circulante, com pouca ou nenhuma perda para o interstício. A permanência destas soluções no intravascular (quando o endotélio está íntegro) aumenta a duração de sua ação. Se o endotélio estiver lesado, pode haver escape de solução colóide para o interstício. Devido às características da distribuição destas soluções, doses menores de colóide causam maior expansão do intravascular que os cristalóides. De modo geral, na ausência de lesão endotelial significativa, são necessários três volumes de solução cristalóide para promover um efeito equivalente a 1 volume de solução colóide em expansão do intravascular (“regra 3:1”). Esta distribuição modifica-se muito no choque séptico. São exemplos de colóides: a albumina, o hidroxietil-amido, os dextrans e as gelatinas.5

As referências bibliográficas 13 a 23 demonstram a controvérsia atual existente em torno da escolha da solução mais adequada a ser administrada em situações especiais.

1)Albumina (Albumina Humana 20% ): é a principal proteína do soro, contribuindo com 80% da pressão oncótica do plasma. É disponível em solução a 20%. Doses acima de 20 ml/kg causam maior aumento no intravascular que o volume infundido, pois o incremento na pressão oncótica provoca movimento de líquido para o

266Terapia Parenteral. Reposição Hidroeletrolítica intravascular. A meia-vida intravascular da albumina é de 16 horas. É um efetivo expansor de volume no trauma e choque. São argumentos contra seu uso a possibilidade de transmissão de doenças infecciosas (hepatite e SIDA) e a ocorrência de eventuais reações anafiláticas.5 2)Hidroxietil-amido (Haes-Steril ): é um polímero ramificado da glicose, com peso molecular e clearance variáveis. É um expansor efetivo de volume. Acima de 20 ml/ kg, pode causar coagulopatia. Não possui o risco de transmitir infecções; a possibilidade de reações anafiláticas é pequena.5 3)Dextrans (Dextran 40 ): são misturas de polímeros da glicose, de vários tamanhos e pesos moleculares (dextran 40 e dextran 70). A expansão de volume causada por estas soluções depende do peso molecular, quantidade, velocidade de administração e taxa de eliminação. A infusão de dextran 70 causa expansão mais prolongada e efetiva que o dextran 40. Estas soluções modificam as propriedades reológicas do sangue na microcirculação (diminuem a viscosidade), podendo melhorar o consumo de oxigênio em pacientes gravemente doentes. Como os outros colóides sintéticos, pode causar reações de hipersensibilidade e efeitos sobre a coagulação.5 4)Gelatinas (Haemacel e Hisocel a 3,5%): o nível e a duração de seu efeito sobre o volume plasmático dependem da taxa de infusão. De modo geral não alteram a coagulação e são eliminadas inalteradas pelos rins e intestino. Experimentalmente, demonstrou-se que esta solução pode extravasar para o compartimento intersticial com certa rapidez.5

Outras Soluções e Aditivos para Uso Parenteral

1)Cloreto de potássio a 19,1% (KCl 19,1%): é o aditivo utilizado para repor as perdas e deficiências de potássio, principalmente em pacientes intolerantes ao potássio administrado por via oral. A dose prescrita deve ser cuidadosamente observada. O potássio é um agente irritante para as veias, dependendo de sua diluição (se maior que 30 mEq/litro). Mais importante, porém, é que pacientes com disfunção renal podem desenvolver hipercalemia fatal.6 Neste caso é preferível não adicionar potássio ao primeiro frasco de solução. Se houver boa diurese em resposta à reposição líquida, adiciona-se potássio aos demais frascos. O potássio pode ser administrado com o soro glicosado ou com solução salina isotônica. Como apresentado no Cap. 12, a infusão com soro glicosado causa a entrada de potássio mais rapidamente nas células, devido à liberação de insulina, o que dificultaria a correção do potássio no sangue. Por outro lado, após a correção de uma hipocalemia grave, evitase colocar o potássio em soro fisiológico, pois, numa emergência (p.ex., o choque), o líquido a ser adminis- trado rapidamente é o soro fisiológico e nunca o soro glicosado. Se o soro fisiológico contiver potássio, sua administração poderá causar complicações cardíacas. Cada ml desta solução contém 25 mEq de potássio. 2)Bicarbonato de sódio: está disponível a solução de bicarbonato de sódio a 8,4%, que contém 1 mEq de bicarbonato e 1 mEq de sódio por ml. Frascos de 250 ml.

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