Cuidados inovadores para condições crônicas

Cuidados inovadores para condições crônicas

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Custo do diabetes na Índia

Aproximadamente 20 milhões de pessoas têm diagnostico de diabetes na Índia. O custo anual de atenção para essa população é estimado em US$ 2,2 bilhões.

Shobhana R, Rama Rao P, Lavanya A, Williams R, Vijay V, Ramachandran A. Expenditure on health care incurred by diabetic subjects in a developing country—a study from southern India. Diabetes Res Clin Pract 2000;48(1):37-42.

Custo de HIV/AIDS na Costa do Marfim

Em 1996, foi feita uma estimativa dos custos diretos do tratamento de crianças nascidas de mães infectadas pelo HIV e de crianças infectadas pelo vírus nesse país. O custo médio anual do tratamento era 1,671 F (254 EUR) por criança infectada. Esse valor ultrapassava em 709 F (108 EUR) o custo médio do tratamento de crianças HIV negativo nascidas de mães HIV positivo. A infecção pelo HIV resultou em um aumento de 74% nos custos do tratamento. Giraudon I, Leroy V, Msellati P, Elenga N, Ramon R, Welffens-Ekra C, Dabis F. The costs of treating HIV-infected children in Abidjan, Ivory Coast, 1996-1997. Sante. 1999;9(5):277-81.

Custo de HIV/AIDS na Índia

Entre 1986 e 1995, a estimativa de perda de potencial produtivo em razão de HIV/

AIDS oscilou entre 8 e 28 milhões. Nesse país, o custo total anual (em bilhões de Rupias) para HIV/AIDS, obtido a partir de estimativas para baixo, médio e alto valores, foi de 6,73, 20,16 e 59,19 respectivamente. Se for considerado o valor mais alto, o custo anual estimado de HIV/AIDS atinge cerca de 1% do PIB da Índia.

Anand K, Pandav CS, Nath LM. Impact of HIV/AIDS on the national economy of India. Health Policy 1999;47(3):195- 205.

1. Condições Crônicas: ODesafio da Saúde no Século 21

Custo da hipertensão nos EUA

As despesas médicas relacionadas à hipertensão foram de US$ 108,8 bilhões em 1998.

Isso representa cerca de 12,6% do gasto total do país com atenção à saúde.

Hodgson TA, Cai L. Medical care expenditures for hypertension, its complications, and its comorbidities. Med Care 2001;39(6):599-615.

Impacto sobre a pobreza: um círculo vicioso

Cerca de 1,2 bilhão de pessoas vivem em extrema pobreza (i.e., com menos de US$ 1 por dia). Esse grupo apresenta maiores problemas de saúde e, se comparado a grupos com situações financeiras mais favoráveis, corre maior risco de adoecer. Isso se evidencia no fato de doenças como HIV/AIDS e TB afetarem de maneira desproporcional os pobres. Report of the Commission on Macroeconomics and Health, Organização Mundial da Saúde, 2001.

Mesmo em países ricos, indivíduos que vivem na pobreza estão vulneráveis às condições crônicas. Nos Estados Unidos, por exemplo, crianças oriundas de famílias carentes correm maior risco de apresentarem problemas crônicos. Ao desenvolverem condições crônicas, essas crianças enfrentam barreiras para se tratarem visto que, se comparadas a crianças provenientes de famílias em melhores situações financeiras, é menos provável que possuam plano médico assistencial e que tenham acesso a uma fonte regular de atenção à saúde. Outro aspecto mais preocupante ainda é o fato de crianças pobres acometidas por condições crônicas receberem menos atendimento ambulatorial e utilizarem mais o serviço de internação do que as de famílias mais abastadas. Newacheck PW. Poverty and childhood chronic illness. Arch Pediatr Adolesc Med 1994 Nov;148(1):143-9.

Os pobres correm o risco de empobrecer ainda mais quando enfrentam problemas de saúde ou uma crise de saúde no ambiente doméstico. Normalmente, estão inseridos em um círculo vicioso de pobreza e saúde precária como se observa no diagrama abaixo.

A incapacidade de lidar com as repercussões econômicas das condições crônicas, por meio de uma revisão das políticas e serviços de saúde, põe em risco a prosperidade econômica de todas as nações.

Esse círculo, que envolve recursos limitados e saúde precária, é difícil de ser quebrado.

Em geral, ele se perpetua. Consideremos famílias em que um dos pais apresenta uma condição crônica que o impossibilite de trabalhar. As crianças provenientes dessas famílias correm o risco de ter uma saúde debilitada em virtude da falta de recursos familiares e, quando são acometidas por uma doença, o círculo de pobreza e de problemas crônicos de saúde persiste. Essas crianças que apresentam condições crônicas, quando se tornam adultas, não podem fazer parte da força de trabalho, não podem adquirir recursos e estão impossibilitadas de melhorar a saúde ou reverter sua situação econômica. E assim o círculo prossegue de geração em geração.

A pobreza favorece as condições crônicas

Para entender melhor a relação entre saúde e pobreza, considere as projeções de aumento das condições crônicas em função da pobreza. Inúmeros fatores sócio-ambientais influenciam e são determinantes cruciais da situação de saúde:

•Fatores pré-natais. As gestantes com desnutrição geram crianças que irão apresentar, na idade adulta, condições crônicas como diabetes, hipertensão e doença cardíaca. Pobreza e saúde precária durante a infância também têm relação com condições crônicas na idade adulta, incluindo câncer, doença pulmonar, doença cardiovascular e artrite.

Law CM, Egger P, Dada O, Delgado H, Kylberg E, Lavin P, Tang GH, von Hertzen H, Shiell AW, Barker DJ. Body size at birth and blood pressure among children in developing countries. Int J Epidemiol. 2001;30(1):52-7.

Law CM, de Swiet M, Osmond C, Fayers PM, Barker DJ, Cruddas AM, Fall CH. Initiation of hypertension in utero and its amplification throughout life. BMJ. 1993;306(6869):24-7.

Blackwell DL, Hayward MD, Crimmins EM. Does childhood health affect chronic morbidity in later life? Soc Sci Med. 2001;52(8):1269-84.

•Envelhecimento. O papel da idade aparece em estudos de idosos que vivem na pobreza em países desenvolvidos e em desenvolvimento. No Kenya, observa-se que os idosos pobres apresentam saúde debilitada e acesso precário aos serviços de saúde. Outro estudo do Reino Unido descobriu que adultos mais velhos apresentam maior risco de disfunção física e não podem pagar pelo tratamento das condições crônicas.

Lynch JW, Kaplan GA, Shema SJ. Cumulative impact of sustained economic hardship on physical, cognitive, psychological, and social functioning. N Engl J Med. 1997;337(26):1889-95.

Dranga HM. Ageing and poverty in rural Kenya: community perception. East Afr Med 1997;74(10):611-3. Zimmer Z, Amornsirisomboon P. Socioeconomic status and health among older adults in Thailand: an examination using multiple indicators. Soc Sci Med. 2001;52(8):1297-311.

@Situação Socioeconômica. Os indivíduos que se encontram em situação socioeconômica mais baixa apresentam risco relativo para esquizofrenia oito vezes maior do que aqueles com situações socioeconômicas mais favoráveis.

Holzer CE, Shen BM, Swanson JW: The increased risk for specific psychiatric disorders among persons with low socio economic status. American Journal of Social Psychiatry, 4, 259-271, 1986

Dohrenwed BP, Levav I, Shrout PE, Scwartz S, Naveh G, Link BG: Socioeconomic status and psychiatric disorders: the causation-selection issue. Science 255, 946-952, 1992.

@Educação e Desemprego. Famílias carentes tendem a ter menor grau de escolaridade.

No Brasil, esse fato tem sido associado a taxas mais altas de distúrbios mentais e, no Paquistão, está relacionado a pouco conhecimento sobre as condições crônicas e seu gerenciamento. Além disso, o desemprego tem sido relacionado a problemas de saúde;

1. Condições Crônicas: ODesafio da Saúde no Século 21

as taxas de morbidade e mortalidade são maiores entre os desempregados. Por exemplo, em comparação a pessoas que não apresentam distúrbios mentais, a probabilidade de indivíduos com esquizofrenia estarem desempregados é 4 vezes maior.

Ali M, Khalid GH, Pirkani GS. Level of health education; Buffat J. Unemployment and health Rev Med Suisse Romande 2000;120(4):379-83.

Ludermir AB, Lewis G. Links between social class and common mental disorders in Northeast Brazil. Soc Psychiatry Psychiatr Epidemiol 2001;36(3):101-7.

Robins LN, Locke BZ, Regier DA: An overview of psychiatric disorders in America. New York, Free Press, 199.

@Ambiente. Os ambientes em que os pobres vivem e trabalham estão relacionados a piores condições de saúde. Maior exposição a agentes patológicos, maior suscetibilidade e comportamentos pouco saudáveis são circunstâncias que interagem e afetam a condição de saúde desses indivíduos. Isso ocorre tanto nos países em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos. O ambiente de trabalho do pobre tende a ser mais extenuante e a colocá-lo em situação de maior risco de traumatismos em virtude de acidentes de trânsito ou de se expor a substâncias nocivas. Nos países

Marmot M, Bobak M. International comparators and poverty and health in Europe. BMJ. 2000;321(7269):1124-8.

Narayan D, Chambers R, Shah KM, Petesch P. Crying Out for Change. Published by Oxford University Press for the World Bank, 2000;August.

Cohen D. Poverty and HIV/AIDS In Sub-Saharan Africa. SEPED Conference Paper Series, Number 2, 2000.

Warden J. Britain’s new health policy recognises poverty as major cause of illness. BMJ. 1998;316(7130):495. Tomatis L. Inequalities in cancer risks. Semin Oncol. 2001;28(2):207-9.

Mengesha YA, Bekele A. Relative chronic effects of different occupational dusts on respiratory indices and health of workers in three Ethiopian factories. Am J Ind Med. 1998;34(4):373-80.

@Acesso aos serviços de saúde. Os indivíduos com menor poder aquisitivo, em geral, não têm acesso aos serviços de saúde ou a medidas preventivas que, por sua vez, têm relação com resultados precários de saúde e agravamento das condições crônicas. Freqüentemente, a assistência à saúde de grupos indigentes é protelada ou dificultada por causa dos custos. No Vietnam, observou-se que os pobres, em comparação aos ricos, retardam o tratamento, utilizam em menor quantidade os serviços públicos de saúde e pagam mais em cada atendimento. No México, analogamente, populações pobres recebem atenção inadequada por causa dos obstáculos para o acesso a medicamentos e a profissionais de saúde em decorrência da indisponibilidade desses recursos ou dos custos. Em geral, a assistência preventiva é muito dispendiosa e normalmente não está ao alcance dos pobres, fazendo com que problemas de saúde evitáveis se tornem condições crônicas. Essa relação aplicase também para países desenvolvidos, como os EUA, além de ter sido corroborada

Uma parcela significativa da saúde precária é decorrente da pobreza e de baixos níveis de escolaridade ou de suas conseqüências diante de uma dieta inadequada ou da falta de saneamento básico ou de outros fatores específicos. Relatório Mundial da Saúde 1999 em Gana e na África Sub-sahariana. Por fim, mesmo quando os serviços de saúde são financiados com fundos públicos, a distância e o tempo de percurso podem excluir os pobres de receberem serviços adequados.

Ensor T, San PB. Access and payment for health care: the poor of Northern Vietnam. Int J Health Plann Manage 1996;1(1):69-83.

Leyva-Flores R, Kageyama ML, Erviti-Erice J. How people respond to illness in Mexico: self-care or medical care? Health Policy. 2001;57(1):15-26.

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