Módulo de Princípios deEpidemiologia para o Controle deEnfermidades

Módulo de Princípios deEpidemiologia para o Controle deEnfermidades

(Parte 1 de 7)

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE Organização Mundial da Saúde – Representação Brasil

Módulo de Princípios de Epidemiologia para o Contr

ole de Enfermidades (MOPECE)

Módulo de Princípios de Epidemiologia para o Controle de

Enfermidades (MOPECE) Saúde e doença na população

Organização Pan-Americana da Saúde

Módulo de Princípios de

Epidemiologia para o Controle de Enfermidades (MOPECE)

Módulo 2: Saúde e doença na população

© 2010 Organização Pan-Americana da Saúde.

Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total dessa obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial.

Versão preliminar: traduzida para o português e adaptada, 2010

Módulos de Principios de Epidemiología para el Control de Enfermedades foi elaborado pelo Programa Especial de Análises de Saúde do Escritório Central da Organização Pan-Americana da Saúde (Washington, DC-EUA) em 2001. ISBN: 92 75 32407 7. A versão em português, que corresponde aos Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades, foi revisada pela Unidade Técnica de Informação em Saúde, Gestão do Conhecimento e Comunicação da OPAS/ OMS no Brasil e pelo Ministério da Saúde por meio do Departamento de Análise de Saúde e pela Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços.

Elaboração, distribuição e informações: ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE – REPRESENTAÇÃO BRASIL Setor de Embaixadas Norte, Lote 19 CEP: 70800-400 Brasília/DF – Brasil http://www.paho.org/bra

MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) Esplanada dos Ministérios, Bloco G CEP: 70058-900 Brasília/DF – Brasil http://www.saude.gov.br

Revisão técnica: José Moya, Oscar J. Mujica e Giselle Moraes Hentzy (OPAS/OMS) Maria Regina Fernandes, Marta Helena Dantas e Adauto Martins Soares Filho (SVS/MS)

Colaboração: Jarbas Barbosa, Fátima Marinho, Oscar J. Mujica, José Escamilla, João Baptista Risi Junior, Roberto Becker (OPAS/OMS)

Capa, Projeto Gráfico e Diagramação: All Type Assessoria Editorial Ltda

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

Organização Pan-Americana da Saúde

Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades. Módulo 2: Saúde e doença na população / Organização Pan-Americana da Saúde. Brasília : Organização Pan-Americana da Saúde ; Ministério da Saúde, 2010. 48 p.: il. 7 volumes. ISBN 978-85-7967-020-6

Título original: Módulos de Principios de Epidemiología para el Control de Enfermedades.

1. Saúde Pública – Epidemiologia. 2. Educação Profissional em Saúde Pública. I. Organização Pan-Americana da Saúde. I. Ministério da Saúde. II. Título.

NLM: WC 503.4

Unidade Técnica de Informação em Saúde, Gestão do Conhecimento e Comunicação da OPAS/OMS no Brasil

Apresentação5
Conteúdo.e.objetivos7
Introdução9
O.foco.epidemiológico1
Tempo,.lugar.e.pessoa17
Tempo17
Lugar17
Pessoa18
Causalidade19
História.natural.da.doença2
A.cadeia.epidemiológica24
Agente.causal24
Reservatório32
Modo.de.transmissão.do.agente35
Portas.de.eliminação.ou.de.saída.do.agente37
Portas.de.entrada.no.hospedeiro37
Hospedeiro.suscetível39

Sumário Referências.bibliográficas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .47

Apresentação

A Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil (OPAS) tem grande satisfação em apresentar os Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades (MOPECE) na versão traduzida para a língua portuguesa.

O MOPECE é um instrumento de capacitação em epidemiologia básica, voltado para profissionais de saúde, especialmente aqueles que atuam nos serviços de saúde locais, que tem por finalidade promover o conhecimento e a aplicação prática dos conteúdos epidemiológicos no enfrentamento dos problemas de saúde local, assim como no apoio ao planejamento e gestão em saúde.

A primeira edição do MOPECE, lançada na década 80, foi escrita em espanhol e teve ampla divulgação na região das Américas. Em 2001, mediante a incorporação de novos conceitos e avanços no campo da epidemiologia, foi proposta uma segunda edição.

Para essa publicação, além da tradução da segunda edição para a língua portuguesa, foram incluídas informações de relevância para a saúde pública, tais como: Orientações sobre o novo Regulamento Sanitário Internacional (RSI-2005), descrição de uma investigação de surto de toxoplasmose realizada por profissionais brasileiros, como parte do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicado aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EPISUS), entre outras.

Este trabalho é resultado da cooperação técnica entre a OPAS/OMS e a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde do Brasil com o objetivo de favorecer o aperfeiçoamento dos profissionais que compõe a força de trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente aqueles que atuam no programa de saúde da família e em centros de formação em saúde. Em adição, essa publicação contribui com a estratégia de cooperação internacional (sul-sul); particularmente com os países de língua portuguesa.

Dr. Jarbas Barbosa

Gerente da Área de Vigilância da Saúde e Prevenção e Controle de Doenças da OPAS

Eng. Diego Victoria Representante da OPAS/OMS no Brasil

Esse Módulo apresenta alguns aspectos do perfil epidemiológico, como a emergência e reemergência de doenças, os tipos de doenças e suas implicações para a saúde pública. Menciona os princípios de causalidade em epidemiologia, a história natural e o espectro da doença, os elementos da cadeia de infecção e resume os aspectos básicos da transmissão de doenças na população.

Os objetivos do presente Módulo são:

• Explicar o foco epidemiológico no estudo da saúde das populações. • Descrever a cadeia epidemiológica e identificar seus elementos.

• Identificar as características básicas da ocorrência, transmissão e persistência de doenças na população.

Introdução

A crescente complexidade da saúde na América Latina caracteriza-se pela persistência de problemas tradicionais, por modificações dos mesmos e pelo surgimento de novos problemas de saúde. O caráter global da saúde está expresso através de duas dimensões fundamentais: as condições de saúde das populações e a resposta social a tais condições, estruturada através dos sistemas de saúde.

As definições do estado e necessidades de saúde das populações variam de acordo com as mudanças socioeconômicas, ambientais e os avanços do conhecimento, os quais têm sido utilizados para explicar a transformação dos perfis epidemiológicos dos países. No nível macro do modelo de determinantes de saúde, o perfil epidemiológico está configurado conforme as mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais, enquanto que no modelo da transição epidemiológica, proposto por Omran e modificado por diversos autores, os determinantes de saúde estão mais focados desde a perspectiva da doença. A proposta original do modelo de transição epidemiológica assumia uma evolução linear de mudanças epidemiológicas: a história recente demonstrou a reversibilidade das mesmas, sua natureza não linear e a coexistência de doenças não transmissíveis e transmissíveis.

Ainda que diversas doenças infecciosas tradicionais já tenham sido total ou parcialmente controladas, sua importância continua sendo considerável em populações de muitas áreas geográficas do mundo. O sarampo, a malária, a cólera, o dengue, a doença de Chagas, as infecções de transmissão sexual e a tuberculose, entre outras, voltaram a ter sua importância como causa de morbidade e mortalidade no nível global.

Além das doenças transmissíveis, as doenças crônicas e os problemas emergentes são também de especial relevância. Soma-se a eles o surgimento de novas populações em risco, como os trabalhadores migrantes e os refugiados. Por outro lado, além da desnutrição, que afeta milhares no mundo, as mudanças dos padrões alimentares resultaram em um maior número de pessoas adotando dietas associadas a um maior risco de doenças crônicas.

As mudanças demográficas mostram uma franca tendência para o envelhecimento populacional e para a recomposição da estrutura de idade da população como resultado da menor fecundidade e do aumento da esperança de vida. O resultado desse processo será também um aumento do número de pessoas com problemas crônicos não infecciosos, ainda que sejam mantidas constantes as atuais taxas de incidência, terão de demandar uma maior atenção médica nos próximos anos.

Na América Latina, as doenças transmissíveis mantêm sua importância, enquanto as não transmissíveis, as lesões e as toxicomanias tiveram uma maior relevância como causas de morbidade e mortalidade. Essas transformações são particularmente complexas nos países não industrializados, nos quais o modelo de desenvolvimento econômico produziu uma profunda desigualdade social. Esse novo perfil epidemiológico evidencia nossa vulnerabilidade ante as mudanças naturais, sociais e biológicas e demanda o fortalecimento das redes nacionais e internacionais de vigilância em saúde pública.

A deterioração dos recursos naturais e a produção de poluentes têm impacto na saúde, desencadeando efeitos em nível macro como o aquecimento global, que está produzindo uma redistribuição das doenças transmitidas por vetores a latitudes que antes tinham uma temperatura menor. Essa redistribuição atribui-se também à urbanização, à intensidade do comércio e às viagens internacionais, ao desflorestamento e ao deslocamento populacional provocado pelos conflitos sociais e a guerra.

As atividades humanas, principalmente a industrialização, produziram mudanças nas condições ambientais e na qualidade da água, terra, ar e alimentos, com efeitos nocivos para a saúde. Essas consequências são do tipo diretas, como as ocasionadas pela exposição ambiental e ocupacional, como também indiretas, tais como as induzidas por desastres meteorológicos, inundações e falta de alimentos, entre outras.

Os sistemas de saúde enfrentam, por sua vez, os problemas tradicionais de insuficiente cobertura, concentração urbana de recursos, atraso tecnológico, além da inadequada produtividade, baixa qualidade da atenção e ineficiência. A isto se agregam os desafios das iniciativas de reforma, descentralização, privatização, custos crescentes e dependência científica e tecnológica. Com os avanços tecnológicos, espera-se melhorar a capacidade dos serviços para atender à saúde, sempre e quando contribuam para melhorar a eficiência, racionalizar os serviços e aumentar seu custo-efetividade.

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