Módulo de Princípios deEpidemiologia para o Controle deEnfermidades

Módulo de Princípios deEpidemiologia para o Controle deEnfermidades

(Parte 4 de 7)

A diferença entre patogenicidade, virulência e letalidade pode ser entendida através do esquema de espectro de gravidade da doença infecciosa:

a b c d

1 A primeira cura comprovada da doença no Brasil ocorreu em 2009, em um adolescente do sexo masculino que após ter sido mordido por um morcego obteve o diagnóstico de raiva. Seu tratamento foi feito através do Protocolo de Milwaukee.

Pergunta 1. Quais dos seguintes fatores condicionam a capacidade de um agente biológico de induzir a doença?

a) A especificidade do hospedeiro. b) A capacidade de sobreviver e permanecer infectante fora do hospedeiro.

c) A capacidade de multiplicar-se fora do hospedeiro.

d) A patogenicidade.

e) Todos os anteriores.

Pergunta 2. A capacidade de um agente infeccioso de produzir doença em uma pessoa infectada é denominado:

a) Patogenicidade. b) Imunogenicidade.

c) Infectividade.

e) Antigenicidade.

Pergunta 3. Examine as seguintes afirmações e marque qual (is) é (são) a (s) verdadeiras e qual (is) é (são) falsa (s):

a) ( ) Infecção não é sinônimo de doença. b) ( ) A infecção pode ser subclínica ou clínica.

c) ( ) A presença de agentes infecciosos vivos nas superfícies exteriores do corpo é denominada infecção subclínica. d) ( ) Todas as pessoas expostas a um agente infeccioso são infectadas.

Pergunta 4. Qual das seguintes proposições indica quando uma infecção é clínica ou subclínica?

a) Aumento ou redução dos títulos de anticorpos. b) Grau de infectividade.

c) Presença ou ausência de sinais e sintomas clínicos.

d) Sinais e sintomas moderados ou graves.

e) Isolamento e identificação de um agente infeccioso.

Pergunta 5. Os casos graves e fatais de uma doença em relação ao total de casos clínicos caracterizam a:

a) Patogenicidade. b) Infectividade.

d) Infecção clínica.

Pergunta 6. Qual das seguintes afirmações relacionadas com as doenças transmissíveis é falsa?

a) Uma grande variedade de agentes biológicos pode produzir síndromes clínicas similares. b) Muitos agentes biológicos causam doença somente em parte das pessoas que são infectadas por eles. c) O laboratório é extremamente importante para estabelecer a etiologia da infecção. d) Todos os indivíduos expostos da mesma forma a um agente infeccioso vão ser infectados.

Pergunta 7. Complete o esquema do espectro das consequências das doenças produzidas pelos seguintes agentes, considerando sua história natural:

Neisseria meningitidis

Vírus da hepatite A

Vírus do HIV

Reservatório

Os germes, patógenos ou não, habitam, se multiplicam e se mantêm em nichos naturais específicos. O habitat normal em que vive, se multiplica e/ou cresce um agente infeccioso, é denominado reservatório.

Reservatórios humanos: O fato de que uma doença ou grupo de doenças tenha o ser humano como reservatório é de grande importância prática, já que as medidas de controle que se adotam podem circunscrever-se ao mesmo ser humano. Por exemplo, se uma doença pode ser tratada com um antibiótico adequado, a ação direta é exercida sobre o sujeito como paciente e como reservatório. O reservatório principal de doenças como as de transmissão sexual, lepra, coqueluche, sarampo e febre tifóide é o ser humano.

Reservatórios extra-humanos: Os animais podem ser infectados e também servir de reservatórios para várias doenças do ser humano. São exemplos disso a brucelose, a leptospirose, a peste, a psitacose, a raiva e o tétano.

Também é importante identificar os reservatórios animais e, sempre que seja possível, adotar medidas de proteção das espécies, particularmente para os animais domésticos suscetíveis. Medidas como a vacinação anti-rábica canina e a anti-encefalítica equina indiretamente protegem também o ser humano.

Existem alguns micro-organismos capazes de adotar formas esporuladas ou simplesmente de resistir às condições adversas do ambiente. O bacilo de Koch (tuberculose humana) é capaz de resistir meses no pó de um cômodo. O esporo do bacilo carbuncoso ou do bacilo tetânico pode resistir por anos no solo. Nesses casos, ainda que o reservatório original seja um ser vivo, constituiu-se um reservatório adicional no solo e em outros lugares de muito difícil acesso ou de controle impossível. A situação está presente também em várias doenças parasitárias, em que formas larvárias encontram-se no solo, na água e em outros lugares (por exemplo, anquilostomose e esquistossomose). Muitos dos agentes de infecção micótica, como histoplasmose e coccidioidomicose, vivem e se multiplicam no solo.

A fonte de infecção deve distinguir-se claramente da fonte de contaminação como, por exemplo, a causada por um cozinheiro infectado ao preparar uma salada ou a que produz o derrame de uma fossa séptica no abastecimento de água.

O ser humano age como fonte de infecção a partir de casos clínicos agudos e a partir de portadores. Na tuberculose, quando é diagnosticado o doente, esse já infectou uma média de 5 pessoas (por isso a importância da pesquisa nos pacientes sintomáticos respiratórios).

As pessoas infectadas e que não apresentam sintomas constituem um grande risco para transmitir e manter a doença na população, pois abrigam o agente infeccioso e mantêm seus contatos normais na sua comunidade. Esses indivíduos são denominados portadores (e a condição é chamada “estado de portador”).

O estado de portador pode ocorrer em um indivíduo de diversas formas: portador assintomático (ou sadio), durante o curso de uma infecção subclínica; portador em incubação, durante o período de incubação; e portador convalescente, na fase de convalescência e de pós-convalescência das infecções que se manifestam clinicamente. Em todos os casos, o estado de portador pode ser breve (portador transitório ou temporal) ou prolongado (portador crônico).

Quanto melhor se conheçam as características das doenças, mais se poderá conhecer sua condição de produzir portadores e de que tipo. É fácil intuir a importância da relação entre a presença de portadores e a permanência e propagação da doença na população. O portador, ao não perceber a presença da infecção, não tomará medidas de precaução para prevenir a transmissão da doença a outras pessoas. Uma situação similar pode acontecer depois da identificação pelo laboratório, pois, geralmente, o portador assintomático pode experimentar dificuldades para aceitar sua condição como tal e, com isso, não seguir as recomendações e conselhos que lhe sejam dados pelo pessoal da saúde, principalmente se os mesmos possam criar tensões e restrições no seu âmbito de trabalho, ser motivo de discriminação ou segregação social ou acarretar dificuldades em diferentes aspectos de sua vida familiar e comunitária.

Na meningite meningocócica, por exemplo, pode-se demonstrar a presença do germe nas secreções nasais e faríngeas desde o início da infecção bacteriana. No líquido cefalorraquídeo, pode-se isolar o meningococo desde as 72 horas após a infecção. O índice de portadores pode atingir 25% ou inclusive mais em períodos epidêmicos.

Na hepatite viral do tipo A, os estudos sobre a transmissão humana, assim como a informação epidemiológica, indicam uma infectividade máxima durante a segunda parte do período de incubação (por volta de 30 dias), continuando alguns dias depois do início da icterícia. No entanto, são muitos os casos sem icterícia: em crianças, para cada caso de hepatite com icterícia, podem existir dez ou mais casos subclínicos.

Na maioria das doenças infecciosas, existe a possibilidade de transmissão durante o período de incubação, principalmente antes de apresentar os sintomas e sinais que permitem fazer o diagnóstico.

Há casos extremos em que o estado de portador em período de incubação pode ter uma longa duração. Por exemplo, na hepatite do tipo B, o sangue da pessoa infectada pode ser infectante até três meses antes do início da icterícia e, no caso da AIDS, a pessoa infectada pode ser infectante por anos. No caso da raiva, o vírus pode estar presente na saliva do cão até quase cinco dias, antes de apresentar sinais da doença. Isso permitiu determinar o período de 7 a 10 dias para manter em observação o animal agressor. Se o animal não desenvolver sinais de raiva nesse intervalo, é possível concluir que não estava doente.

A transmissão de uma doença, portanto, pode começar antes que seja evidenciada na pessoa ou animal, mas também pode seguir por algum tempo depois da recuperação clínica do doente. Quando o tratamento não é adequado, o período de transmissão pode prolongar-se, como acontece nos casos de salmonelose que não são tratados adequadamente.

O início do período de transmissibilidade ou infeccioso marca o final do período de latência.

Como regra geral, a maioria das doenças não é transmissível durante a fase inicial do período de incubação, nem depois do completo restabelecimento do doente.

Em algumas doenças como na meningite e nas infecções estreptocócicas, o período de transmissibilidade é contado desde o momento da primeira exposição à fonte de infecção até que o micro-organismo infectante desapareça das membranas mucosas atingidas, isto é, desde antes que apareçam os sintomas prodrômicos até que seja finalizado o estado de portador. Nas doenças como tuberculose, sífilis e gonorréia, a transmissibilidade pode ser intermitente durante a evolução da doença.

Nas doenças transmitidas por vetores, como na malária, no dengue e na febre amarela, o período de transmissibilidade é aquele no qual o agente permanece de forma infectante no sangue ou em outros tecidos da pessoa afetada em quantidade suficiente para infectar o vetor. Os artrópodes também apresentam um período de transmissibilidade, isto é, o tempo durante o qual o agente infeccioso se encontra em seus tecidos, na forma tal que seja transmissível.

Modo.de.transmissão.do.agente

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